Doença inflamatória crônica atinge crianças e adultos e ainda é confundida com ressecamento ou alergia
Uma coceira que não passa, noites mal
dormidas e lesões que interferem na vida social, nos estudos e no trabalho.
Esses são alguns dos impactos que podem fazer parte da rotina de pessoas com
Dermatite Atópica (DA), uma doença inflamatória crônica da pele que ainda é
frequentemente confundida com ressecamento da pele ou uma simples alergia.
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a doença pode atingir até
20% das crianças e 10% dos adultos no Brasil. Para ampliar a conscientização
sobre a condição, 23 de setembro marca o Dia Nacional de Conscientização sobre
a Dermatite Atópica.
Associada a alterações na barreira
cutânea e à desregulação do sistema imunológico, a Dermatite Atópica deixa a
pele mais seca, sensível e suscetível à inflamação. Quando essa barreira está
comprometida, diferentes fatores podem desencadear ou agravar as crises, como calor,
suor, clima seco, estresse psicológico e produtos irritantes. A coceira tem
papel central nesse processo: ao se coçar, o paciente provoca novos danos à
pele, intensifica a inflamação e pode aumentar ainda mais o prurido, mantendo o
chamado ciclo prurido-coçadura.
“A coceira não é apenas uma
consequência da Dermatite Atópica. Ela participa ativamente da perpetuação da
doença. Quando a pessoa coça, causa novos danos à barreira da pele, o que pode
intensificar a inflamação e alimentar novamente a sensação de coceira”, explica
Nanci Utida, Diretora Associada de Assuntos Médicos da Organon.
Impactos sobre a concentração
O impacto pode ser especialmente
significativo durante a noite. A coceira pode prejudicar o sono e, com isso,
comprometer a concentração, o funcionamento durante o dia e a qualidade de
vida. Além disso, um estudo observacional internacional publicado em 2025
identificou associação entre quadros mais graves de Dermatite Atópica, sintomas
depressivos e redução da autoestima. “As lesões visíveis podem causar
constrangimento, estigmatização e retraimento social, ampliando o impacto da
doença para além da pele”, explica Nanci.
Apesar de frequentemente associada à
infância, a Dermatite Atópica também pode persistir na vida adulta ou se
manifestar nessa fase. A doença não é contagiosa e não deve ser confundida com
uma alergia de contato. Enquanto a dermatite alérgica de contato costuma estar
relacionada à exposição a uma substância específica, a Dermatite Atópica é uma
doença inflamatória crônica que envolve alterações na barreira cutânea e no
sistema imunológico.
“É comum que o paciente se acostume com
a coceira, principalmente quando os sintomas aparecem em períodos de melhora e
piora, e passe a considerar o ressecamento ou a sensibilidade da pele algo
normal. Coceira persistente ou recorrente, ressecamento importante,
vermelhidão, descamação, fissuras e feridas provocadas pelo ato de coçar são
sinais que merecem avaliação médica”, afirma Nanci.
Evolução de tratamento
Nos últimos anos, a compreensão e o
tratamento da doença evoluíram. Embora a hidratação da pele e os cuidados para
preservar a barreira cutânea continuem sendo fundamentais, atualmente existem
diferentes opções terapêuticas, incluindo medicamentos tópicos e tratamentos
sistêmicos, para pacientes que necessitam desse tipo de abordagem. O
diagnóstico é clínico e deve ser realizado por um médico.
“O objetivo do tratamento não deve ser
fazer o paciente simplesmente conviver com os sintomas. É necessário buscar o
controle adequado da inflamação, reduzir as crises e melhorar a qualidade de
vida. Cada caso deve ser avaliado individualmente pelo médico”, conclui Nanci
Utida.
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