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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Dermatite Atópica afeta pele, mas impactos podem chegar ao sono e à vida social

Doença inflamatória crônica atinge crianças e adultos e ainda é confundida com ressecamento ou alergia  


Uma coceira que não passa, noites mal dormidas e lesões que interferem na vida social, nos estudos e no trabalho. Esses são alguns dos impactos que podem fazer parte da rotina de pessoas com Dermatite Atópica (DA), uma doença inflamatória crônica da pele que ainda é frequentemente confundida com ressecamento da pele ou uma simples alergia. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a doença pode atingir até 20% das crianças e 10% dos adultos no Brasil. Para ampliar a conscientização sobre a condição, 23 de setembro marca o Dia Nacional de Conscientização sobre a Dermatite Atópica. 

Associada a alterações na barreira cutânea e à desregulação do sistema imunológico, a Dermatite Atópica deixa a pele mais seca, sensível e suscetível à inflamação. Quando essa barreira está comprometida, diferentes fatores podem desencadear ou agravar as crises, como calor, suor, clima seco, estresse psicológico e produtos irritantes. A coceira tem papel central nesse processo: ao se coçar, o paciente provoca novos danos à pele, intensifica a inflamação e pode aumentar ainda mais o prurido, mantendo o chamado ciclo prurido-coçadura. 

“A coceira não é apenas uma consequência da Dermatite Atópica. Ela participa ativamente da perpetuação da doença. Quando a pessoa coça, causa novos danos à barreira da pele, o que pode intensificar a inflamação e alimentar novamente a sensação de coceira”, explica Nanci Utida, Diretora Associada de Assuntos Médicos da Organon. 


Impactos sobre a concentração

O impacto pode ser especialmente significativo durante a noite. A coceira pode prejudicar o sono e, com isso, comprometer a concentração, o funcionamento durante o dia e a qualidade de vida. Além disso, um estudo observacional internacional publicado em 2025 identificou associação entre quadros mais graves de Dermatite Atópica, sintomas depressivos e redução da autoestima. “As lesões visíveis podem causar constrangimento, estigmatização e retraimento social, ampliando o impacto da doença para além da pele”, explica Nanci. 

Apesar de frequentemente associada à infância, a Dermatite Atópica também pode persistir na vida adulta ou se manifestar nessa fase. A doença não é contagiosa e não deve ser confundida com uma alergia de contato. Enquanto a dermatite alérgica de contato costuma estar relacionada à exposição a uma substância específica, a Dermatite Atópica é uma doença inflamatória crônica que envolve alterações na barreira cutânea e no sistema imunológico. 

“É comum que o paciente se acostume com a coceira, principalmente quando os sintomas aparecem em períodos de melhora e piora, e passe a considerar o ressecamento ou a sensibilidade da pele algo normal. Coceira persistente ou recorrente, ressecamento importante, vermelhidão, descamação, fissuras e feridas provocadas pelo ato de coçar são sinais que merecem avaliação médica”, afirma Nanci. 


Evolução de tratamento

Nos últimos anos, a compreensão e o tratamento da doença evoluíram. Embora a hidratação da pele e os cuidados para preservar a barreira cutânea continuem sendo fundamentais, atualmente existem diferentes opções terapêuticas, incluindo medicamentos tópicos e tratamentos sistêmicos, para pacientes que necessitam desse tipo de abordagem. O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por um médico. 

“O objetivo do tratamento não deve ser fazer o paciente simplesmente conviver com os sintomas. É necessário buscar o controle adequado da inflamação, reduzir as crises e melhorar a qualidade de vida. Cada caso deve ser avaliado individualmente pelo médico”, conclui Nanci Utida. 

 

Organon
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