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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Engajamento ou sobrecarga? Com 45% dos profissionais afetados, Brasil supera a “média global de estresse” entre trabalhadores

 

Para Darwin Grein, especialista em desenvolvimento humano e organizacional, empresas precisam preparar equipes para lidar com feedbacks, erros, frustrações e conflitos. 

 

O estresse no trabalho é parte da sua rotina? Se a resposta for afirmativa, saiba que essa é a realidade de muitos. Segundo o relatório “State of the Global Workplace 2026”, da Gallup, cerca de 45% dos profissionais brasileiros enfrentam altos níveis de estresse no dia a dia, marca acima da média mundial, avaliada em 40%.

Por outro lado, os índices de engajamento no país surpreendem: aproximadamente 32% dos trabalhadores brasileiros estão engajados com suas funções, contra 30% na América Latina e apenas 20% no mundo. Esse contraste levanta uma questão central: alto engajamento nas empresas significa, necessariamente, mais estresse?

Segundo o CEO da Juntxs e especialista em desenvolvimento humano e organizacional, Darwin Grein, os indicadores mostram a importância de discutir não apenas como reduzir fontes de estresse, mas também como preparar profissionais e lideranças para lidar com os desafios inevitáveis das relações de trabalho.

“Existe uma diferença importante entre segurança psicológica e conforto. Uma equipe psicologicamente segura não é aquela em que ninguém é contrariado, cobrado ou confrontado. É aquela em que as pessoas sabem que podem discordar, receber um feedback negativo, admitir um erro ou trazer um problema sem serem humilhadas ou colocadas em uma situação de ameaça. O conflito faz parte de qualquer relação profissional; o que precisa ser construído é a capacidade de atravessá-lo com respeito, clareza e confiança”, explica Darwin.

Nesse contexto, saber lidar com conflitos também se torna uma competência profissional. Evitar constantemente conversas difíceis pode fazer com que problemas se acumulem, enquanto transformar toda divergência em sinal de um ambiente tóxico pode impedir discussões necessárias para o funcionamento das equipes. A responsabilidade é compartilhada: lideranças precisam saber conduzir conversas difíceis e estabelecer limites, enquanto os profissionais também precisam desenvolver capacidade para ouvir críticas, rever posições e lidar com frustrações.

Essa maturidade pode ser estimulada por estratégias de desenvolvimento que criem experiências diferentes da rotina corporativa. Team building, dinâmicas de colaboração e experiências coletivas de aprendizagem podem ajudar equipes a exercitar comunicação, escuta, negociação, tomada de decisão e resolução de problemas. Quando planejadas de forma estratégica, essas iniciativas deixam de ser apenas momentos de integração e passam a criar situações em que os profissionais podem observar como se relacionam diante de desafios, divergências e decisões coletivas.

“Uma experiência coletiva de aprendizagem pode revelar comportamentos que muitas vezes não aparecem em uma reunião convencional. Quando as pessoas precisam resolver um problema juntas, negociar, discordar ou tomar uma decisão sob pressão, elas começam a perceber como escutam, como se posicionam e como reagem quando algo não acontece como esperavam. O valor do team building está justamente em transformar essas experiências em aprendizado que possa voltar para o cotidiano e melhorar a forma como a equipe conversa, trabalha e resolve seus conflitos”, afirma o especialista.

Para que esse desenvolvimento seja efetivo, entretanto, as ações não podem ficar restritas a momentos pontuais. O aprendizado precisa aparecer também na rotina, na forma como líderes dão feedback, conduzem reuniões, reconhecem erros e tomam decisões. Fortalecer a segurança psicológica não significa retirar a cobrança ou evitar frustrações, mas criar relações em que as pessoas tenham confiança para enfrentar situações difíceis e responsabilidade para participar da construção das soluções.

“Uma empresa madura não é aquela onde todos concordam o tempo inteiro ou onde ninguém sai de uma conversa desconfortável. É aquela em que existe confiança suficiente para que as pessoas possam discordar, receber um não, reconhecer que erraram e conversar sobre aquilo que precisa mudar. Se queremos equipes mais saudáveis e preparadas, precisamos parar de tratar todo desconforto como um problema e começar a desenvolver a capacidade das pessoas de lidar com ele de maneira construtiva”, conclui.


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