Nos últimos meses, de Norte a Sul do país, foram vários os casos que surgiram na imprensa de acusação de abuso sexual de professores de artes marciais contra alunos. Entre tantos outros exemplos, no município de União, em Piauí, dois professores foram presos sob suspeita de terem estuprado uma adolescente de 13 anos. Em Cajamar, no estado de São Paulo, um professor foi denunciado por diversas alunas. Já em São José dos Campos, a Justiça concedeu medidas protetivas contra um instrutor acusado de importunação sexual por um grupo de meninas.
“Qualquer caso de assédio e de abuso sexual jamais deve ser tolerado e precisa ser combatido. Para quem é do universo das artes marciais, é ainda mais triste se dar conta de que esse tipo de situação está ocorrendo justamente em ambientes onde muitas mulheres e crianças estão indo atrás de bem-estar e meios de proteção contra esse tipo de crime”, diz a instrutora de artes marciais Maira Bandeira, faixa preta de Jiu-Jitsu e presidente do Instituto Maira Bandeira (IMB), que há 11 anos oferece aulas de defesa pessoal para crianças e mulheres vítimas de violência física, psicológica e sexual.
Para ajudar alunos e alunas a se protegerem desse tipo de comportamento nas academias de luta, Maira Bandeira cita alguns comportamentos suspeitos que devem servir de sinais de alerta:
- Tratamento diferenciado: se recebe atenção excessiva, certos
privilégios ou convites particulares, preste atenção;
- Isolamento: cuidado com pedidos ou
exigências para mudança de horário dos treinos, sem que haja a presença de
outros participantes;
- Toques inadequados – repreenda contato físico desnecessário para explicações técnicas e, principalmente, se for em regiões íntimas do corpo.
No entanto, a empresária ressalta que, apesar dos últimos casos em evidência,
isso não é a realidade de todas as academias. “Devemos ficar atentas e
denunciar sempre que houver algum caso de assédio e tentativa de abuso. Não
podemos, contudo, entender que as academias de forma geral ofereçam esse tipo
de risco. Um dos princípios fundamentais das artes marciais, e uma de suas
principais bases, é exatamente o respeito, algo seguido rigorosamente pela
grande maioria dos mestres”, completa a instrutora.
Instituto Maira Bandeira – A ideia de criação do espaço surgiu das
difíceis experiências vividas pela própria instrutora. “Além de ter sido vítima
de abuso sexual aos cinco anos de idade, já adulta também enfrentei uma relação
conjugal extremamente tóxica. É importante, desde cedo, que crianças e mulheres
aprendam a se defender de violências sexuais, físicas e psicológicas”, diz
Maira Bandeira. Por mês, o IMB recebe aproximadamente 150 alunos para aulas de
defesa pessoal, além de oferecer apoio jurídico e psicológico por meio de uma
rede de apoio com profissionais da área.
Canais de Denúncia
Se você presenciou ou é vítima de algum tipo de abuso, violência ou importunação, denuncie imediatamente:
- Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher;
- Disque 100: Direitos
Humanos (para casos envolvendo crianças e adolescentes);
- 190: Polícia Militar
(para emergências);
- Delegacia de Defesa da
Mulher (DDM) mais próxima ou delegacia de polícia local.
Nenhum comentário:
Postar um comentário