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Especialistas chamam atenção para sinais de alerta e fatores associados ao comportamento suicida entre adolescentes e jovens.
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O Setembro Amarelo, movimento dedicado à
conscientização e à prevenção do suicídio, ganha neste ano um alerta
especialmente importante para a população jovem. Um estudo publicado na revista
The Lancet Regional Health Americas, com base nas Estimativas Globais de Saúde
da Organização Mundial da Saúde (OMS), identificou um crescimento significativo
da mortalidade por suicídio entre adolescentes e jovens de 10 a 24 anos nas
Américas ao longo de duas décadas.
Em 2021, foram estimadas 18.157 mortes por
suicídio nessa faixa etária nos 35 países analisados. A taxa passou de 5,70
mortes por 100 mil habitantes, em 2000, para 7,84 em 2021, aumento acumulado
de aproximadamente 38% no período. O especialista em neurociência e
professor da Afya Educação Médica Belo Horizonte e Montes Claros, Dr Albert
Nilo Costa, comenta que os sinais de alerta de que um jovem pode estar em risco incluem
a presença de algum transtorno mental, que pode se manifestar por meio de
irritabilidade, alterações de comportamento na escola e em casa e mudanças na
forma como ele se relaciona com os pares.
“Esses sinais exigem um olhar mais atento
para esse jovem. Além de um adoecimento mental, geralmente prévio, existem
fatores de risco como o bullying tradicional e o cyberbullying, que ocorre por
meio das telas e das redes sociais. As alterações no sono também podem
desencadear uma série de consequências, como utilizar smartphone ao deitar pode
levar ao sono ruim, uma pior regulação emocional e consequentemente maior
vulnerabilidade psicológica. Somam-se a esses fatores a violência e a
negligência. Segundo a OMS, experiências adversas em casa, violência e pobreza
são fatores importantes para o comprometimento da saúde mental de crianças e
adolescentes”.
Ainda de acordo com o estudo publicado pela The
Lancet, três em cada quatro mortes por suicídio entre pessoas de 10
a 24 anos em 2021 ocorreram entre homens. A taxa masculina foi quase três vezes
superior à feminina. Ao mesmo tempo, porém, o ritmo de crescimento foi maior
entre as mulheres, sinalizando que a prevenção precisa considerar diferentes
fatores de vulnerabilidade de acordo com idade e gênero.
Dr Albert Nilo destaca que 96,8% dos casos
têm relação com algum transtorno mental.“Os homens realmente cometem
mais suicídios, enquanto as mulheres fazem mais tentativas. Entre as situações
apontadas como mais importantes no comportamento suicida estão o aumento da
prevalência de depressão, o uso abusivo de drogas, mudanças psicobiológicas,
como a diminuição da idade de início da puberdade, o estresse e o comportamento
ou modelo suicida. Já entre os eventos precipitadores mais comuns do
comportamento suicida estão também os graves conflitos relacionais e as perdas
interpessoais significativas”, complementa.
A pesquisa aponta ainda que o suicídio foi
responsável por 9,7% de todas as mortes registradas entre pessoas de 10 a 24
anos nas Américas em 2021, permanecendo como a terceira principal causa de
morte nessa população, atrás apenas da violência interpessoal e dos acidentes
de trânsito.
Realidade
brasileira
No Brasil, registros do Ministério da Saúde
de 2021, contabiliza 15.507 casos anuais, o equivalente a uma média
estarrecedora de 42 mortes diárias, sendo que, para cada ato consumado,
calcula-se que cerca de 25 pessoas tentem tirar a própria vida e muitas outras
convivam em silêncio com ideações suicidas.
A coordenadora de Psicologia da Afya Sete Lagoas,
Dra Sabrina Magalhães Teixeira, explica que muitos jovens não procuram ajuda
por medo de serem considerados fracos, loucos ou dramáticos. “O
sentimento de considerar um fardo para os outros e acreditar que, ao não falar,
estão poupando as pessoas ao redor é outro fator. Existe ainda o medo da reação
dos pais, de serem punidos, perderem autonomia ou passarem a ser vigiados”.
A psicóloga ainda destaca que existe uma
dificuldade cultural de lidar com as emoções e com temas relacionados à saúde
mental, e muitas vezes, o jovem tem dificuldade até de nomear, expressar e
comunicar o que está sentindo. Experiências anteriores também podem pesar. Se
já tentou conversar e não foi levado a sério, foi ridicularizado ou punido,
pode ter ainda mais dificuldade para pedir ajuda.
“Por isso, a presença de um adulto que ofereça segurança e apoio
sem julgamentos é tão importante. Para os pais, pode ser difícil não reagir
emocionalmente ao perceber um sofrimento tão intenso. Mas é importante procurar
se tranquilizar e não se culpabilizar naquele momento, porque uma reação muito
intensa pode fechar a comunicação e fazer o jovem evitar novas conversas. É
fundamental não minimizar o sofrimento. Comportamentos autolesivos, por
exemplo, não devem ser tratados como “apenas uma forma de chamar atenção”.
Existe um sofrimento que precisa ser compreendido e abordado. Em vez de julgar
ou culpabilizar o jovem pela falta de recursos para lidar com a dor, precisamos
acionar recursos internos, familiares, sociais e profissionais para ajudá-lo”,
conclui a coordenadora.

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