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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Audição, visão e vínculos sociais estão entre os fatores que podem proteger a memória

Comissão da revista científica The Lancet estima que 45% dos casos de demência poderiam ser prevenidos ou atualizar o grau dos óculos, tratar a perda auditiva, controlar a pressão e preservar os vínculos sociais parecem cuidados distintos, mas todos podem contribuir para proteger o cérebro e reduzir o risco de demência.

Em 2024, a Comissão Lancet para prevenção, intervenção e cuidados em demência identificou 14 fatores potencialmente modificáveis associados à doença. A estimativa é que, em nível populacional, cerca de 45% dos casos poderiam ser prevenidos ou retardados com o enfrentamento dessas condições.

“O cérebro representa aproximadamente 2% do peso corporal, mas consome perto de 20% da energia utilizada pelo organismo em repouso. Um órgão tão exigente depende da circulação, do equilíbrio metabólico, dos estímulos recebidos e até da qualidade das nossas relações”, explica a nutricionista clínica Sabina Donadelli, especialista em longevidade saudável.

Os fatores podem ser divididos em quatro grupos. Entre os metabólicos e vasculares estão hipertensão, diabetes, obesidade e colesterol LDL elevado na meia-idade, incluído na atualização de 2024. Essas condições podem prejudicar a circulação, favorecer processos inflamatórios e aumentar o risco de lesões nos vasos que levam sangue e oxigênio ao cérebro.

“Pressão, glicemia, colesterol e composição corporal ainda costumam ser relacionados apenas ao coração ou ao emagrecimento. Mas tudo o que compromete os vasos e o metabolismo também pode afetar a memória”, afirma Sabina.

A alimentação não aparece isoladamente na lista, mas influencia vários desses fatores. Uma rotina baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, com vegetais, frutas, feijões, cereais integrais, boas fontes de gordura e proteínas adequadas, ajuda a preservar a saúde metabólica e cerebral.

No grupo dos fatores comportamentais estão inatividade física, tabagismo e consumo excessivo de álcool. Além de contribuir para o controle da pressão, da glicemia e do peso, a atividade física ajuda a preservar a massa muscular e a autonomia.

“Cérebro e corpo não podem ser separados. A pessoa precisa de memória e clareza mental, mas também de força para caminhar, sair de casa, preparar uma refeição e manter uma vida social”, destaca.

Os fatores sensoriais e neurológicos incluem perda auditiva, perda visual não tratada e traumatismo craniano. A perda visual também passou a integrar a lista em 2024. Quando alguém passa a ouvir ou enxergar mal, pode receber menos estímulos, deixar de acompanhar conversas, abandonar atividades e se afastar do convívio social.

“Tratar a visão e a audição não é apenas uma questão de conforto. É uma forma de manter o cérebro conectado ao ambiente e preservar a independência”, explica a nutricionista.

Depressão, isolamento social, baixa escolaridade e poluição do ar compõem o grupo dos fatores psicossociais e estruturais. A escolaridade está relacionada à reserva cognitiva, enquanto a depressão e o isolamento podem reduzir a atividade, o autocuidado e os estímulos recebidos diariamente.

“Conversar, aprender, circular e sentir-se parte de uma comunidade mantêm diferentes áreas do cérebro em atividade. O vínculo social também faz parte da saúde”, afirma Sabina.

No Brasil, um estudo publicado em 2025 estimou que quase 60% dos casos de demência podem estar associados a fatores modificáveis. O dado representa uma estimativa populacional, não uma garantia individual.

“Genética e idade continuam tendo importância, e nem todos os casos podem ser evitados. Mas a ciência mostra que existe uma margem expressiva para agir. Controlar a pressão, cuidar do metabolismo, movimentar o corpo, tratar a visão e a audição e manter vínculos vivos são maneiras de preservar não apenas a memória, mas a capacidade de continuar conduzindo a própria vida”, conclui Sabina.


Sabina Donadelli - nutricionista clínica, formada pelo Centro Universitário São Camilo, com atuação voltada ao emagrecimento sustentável e à longevidade saudável. É criadora do método Viver Mais, Viver Bem.


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