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sábado, 4 de julho de 2026

Risco Suicida na Adolescência - Reconhecer, Avaliar e Agir

Comitê Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul alerta para a importância de reconhecer sinais de sofrimento psíquico, combater estigmas e garantir cuidado contínuo em rede

 

O cenário atual da saúde mental na adolescência exige urgência. Dados globais e nacionais evidenciam uma escalada crítica: nos Estados Unidos, as hospitalizações pediátricas por autolesão ou tentativa de suicídio cresceram 163,2% entre 2009 e 2019. No Brasil, o suicídio já figura como a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, superado apenas por lesões no trânsito, tuberculose e violências interpessoais. Trata-se de um agravo de saúde pública que, se fosse uma doença infecciosa, seria tratado como surto.

Um dos principais obstáculos na linha de frente é a "hebofobia" — o preconceito e a generalização apressada contra o adolescente. Esse viés faz com que o sofrimento psíquico grave seja frequentemente minimizado e rotulado como "próprio da idade".

Essa minimização ignora a neurobiologia do desenvolvimento adolescente, marcada pela assincronia no amadurecimento cerebral: o sistema límbico (centro das emoções) é altamente reativo, enquanto o córtex pré-frontal (responsável pelo controle de impulsos e planejamento) ainda está em formação.

O acesso precoce e com baixa supervisão às redes sociais tem se apresentado como fator contribuinte nos agravos de saúde mental nessa população.

Para melhorar a qualidade da assistência, mas principalmente os fluxos de acesso no cuidado, é imperativo sistematizar o cuidado através de quatro etapas práticas:

1. (Re)conhecer: Identificar sinais de alerta e quebrar o estigma.

2. Avaliar: Dimensionar o risco de autolesão de forma técnica e objetiva.

3. Apoiar: Acolher o paciente e a família, garantindo que não fiquem desamparados no sistema de saúde.

4. Agir: Implementar um planejamento de segurança imediato.

A intervenção isolada na emergência não é suficiente. O fluxo de cuidado seguro exige referenciamento psiquiátrico imediato e monitoramento contínuo. Independentemente da gravidade do quadro agudo, o acompanhamento com o Pediatra e o Médico de Adolescente (Hebiatra) deve ser mantido, garantindo uma rede de apoio que acolha o paciente de forma integral.

 

Brincar, explorar e aprender: 6 dicas para aproveitar as férias de forma divertida e enriquecedora

 

Magnific

Especialistas mostram como atividades simples podem estimular criatividade, autonomia, bem-estar e aprendizado durante o recesso

 

Com a chegada das férias escolares, muitas famílias buscam maneiras de equilibrar descanso, diversão e atividades que contribuam para o desenvolvimento das crianças. Embora o recesso seja fundamental para a recuperação física e emocional após meses de rotina intensa, ele também pode se transformar em uma oportunidade para estimular a curiosidade, a autonomia e novas aprendizagens.

 

Para mostrar como isso é possível, especialistas de diferentes áreas compartilham orientações e sugestões para aproveitar o período de forma saudável e enriquecedora. Entre as principais recomendações, estão:


 

1. Valorizar o tempo livre e o bem-estar emocional

 

As férias oferecem algo cada vez mais raro na rotina de muitas crianças: tempo para brincar, descansar e viver experiências sem a pressão dos horários e das obrigações escolares. Segundo Marina Torrente, coordenadora pedagógica do Anglo Kids, parceiro do programa socioemocional Líder em Mim, o brincar livre exerce um papel fundamental no desenvolvimento emocional. “É durante as brincadeiras que a criança expressa sentimentos, exercita a criatividade e aprende a lidar com desafios e frustrações.”

 

A especialista também destaca que o tédio ocasional não deve ser encarado como um problema. “Muitas vezes, é justamente dele que surgem a imaginação, a iniciativa e novas formas de brincar e criar”, pontua a coordenadora.


 

2. Equilibrar descanso, aprendizado e repertório cultural

 

Este período também podem ser uma oportunidade para ampliar experiências culturais de forma leve e prazerosa. Visitas a museus, parques, centros culturais e espaços ao ar livre ajudam a despertar a curiosidade sem comprometer o descanso.

 

Para o diretor cultural da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, Eduardo Monteiro, atividades que combinam cultura, lazer e contato com diferentes formas de conhecimento favorecem o aprendizado espontâneo e contribui para o bem-estar das famílias. “Espaços culturais permitem que crianças e famílias aprendam de maneira leve, por meio do contato com a natureza, a arte e a história, respeitando o tempo do lazer”, afirma ele.

 

Diogo D'ippolito, autor de Língua Portuguesa do Sistema de Ensino pH, diz que as férias não precisam representar uma pausa no aprendizado, mas uma oportunidade para aprender de maneiras diferentes, reforçando que ao equilibrar descanso, diversão e experiências enriquecedoras, é criado um ambiente favorável para o desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e emocionais. Segundo D'ippolito, “o mais importante é respeitar o tempo de cada estudante e valorizar atividades que despertem curiosidade, autonomia e prazer em aprender.”


 

3. Fazer um uso saudável e equilibrado da tecnologia

 

As telas estão presentes em parte importante do cotidiano de crianças e adolescentes e podem trazer benefícios quando utilizadas com equilíbrio. O desafio, durante as férias, é evitar que celulares, tablets e videogames ocupem todo o tempo livre.

 

Segundo Victor Haony, assessor pedagógico da Mind Makers, o excesso no uso das telas pode impactar aspectos importantes do desenvolvimento dos jovens, “aumentando a ansiedade, a irritação e a dificuldade de concentração, especialmente quando o consumo é baseado em vídeos curtos e estímulos muito rápidos”. Além disso, o assessor pedagógico alerta que o uso de dispositivos próximo ao horário de dormir pode prejudicar a qualidade do sono e reduzir o tempo adequado de descanso.

 

Ao mesmo tempo, a tecnologia também pode se tornar uma aliada da aprendizagem quando utilizada de forma intencional. Talita Fagundes, gerente pedagógica da plataforma par, destaca o potencial da gamificação nesse contexto. “Ela pode transformar o período de descanso em oportunidade de aprendizagem, tornando o processo mais dinâmico e interativo.”

 

Segundo a ela, desafios, recompensas e sistemas de progressão ajudam a tornar o aprendizado mais envolvente, permitindo que cada estudante avance no próprio ritmo e mantenha o interesse por novos conteúdos. “Assim, a união entre tecnologia e educação mostra que o descanso também pode ser um momento de descoberta, criatividade e crescimento”, encerra Talita.


 

4. Estimular o raciocínio e a criatividade no dia a dia

 

Muitas oportunidades de aprendizagem surgem em atividades simples da rotina. Cozinhar, cuidar de plantas, fazer compras, visitar parques ou montar quebra-cabeças podem estimular habilidades cognitivas e criativas de forma natural.

 

Para a coordenadora da Educação Infantil e Ensino Fundamental Anos Iniciais do Colégio Anglo Alante, Maria Clara Alves, muitas vezes, os aprendizados mais significativos acontecem justamente fora dos contextos formais, “uma ida ao parque ou uma caminhada pelo bairro pode gerar inúmeras aprendizagens.”

 

A especialista explica que fazer perguntas, incentivar observações e envolver a criança nas decisões do cotidiano contribui para ampliar a curiosidade e o pensamento crítico. "A intencionalidade está menos no recurso e mais na forma como ele é utilizado. Durante a leitura de uma história, os pais podem fazer perguntas, incentivar previsões ou pedir que a criança imagine finais diferentes. Nos jogos, vale conversar sobre estratégias, regras e resolução de problemas", diz a coordenadora.


 

5. Manter o raciocínio lógico ativo de forma leve

 

As férias não precisam representar uma interrupção completa dos estímulos cognitivos. Diversas situações cotidianas podem ajudar a exercitar habilidades matemáticas de forma prática e divertida. Segundo Tainara Dias, executiva de negócios acadêmicos da CASIO Educação, a matemática está presente em decisões simples do dia a dia.

 

“A matemática está relacionada à capacidade de analisar informações e tomar decisões. Essas situações estimulam habilidades como raciocínio lógico, estimativa, análise crítica e resolução de problemas, mostrando que a matemática faz parte da vida cotidiana e não apenas do ambiente escolar.”

 

Atividades como comparar preços, calcular gastos de passeios, avaliar descontos ou escolher trajetos mais eficientes ajudam a desenvolver essas competências de forma natural. Além disso, jogos de tabuleiro, desafios de lógica e aplicativos educativos podem complementar esse processo. “Quando bem selecionados, jogos e aplicativos educativos ajudam a desenvolver competências importantes para a matemática e para outras áreas do conhecimento”, explica a executiva.


 

6. Aproveitar as férias para praticar idiomas

 

O recesso também pode favorecer o aprendizado de idiomas ao permitir que os estudantes tenham contato com o inglês em contextos mais descontraídos e significativos. Segundo Anderson Juwer, assessor pedagógico do programa de educação bilíngue da Somos Educação, Eduall, a exposição contínua à língua durante as férias contribui para consolidar conhecimentos e aumentar a confiança na comunicação. “O período das férias oferece a oportunidade de os alunos vivenciarem o inglês de maneira mais leve e espontânea, livre da pressão das avaliações e das tarefas formais,”, afirma. 


Entre as atividades recomendadas pelo especialista estão a leitura compartilhada de livros em inglês, o consumo de conteúdos audiovisuais com áudio original e a incorporação do idioma em brincadeiras, jogos, músicas e situações do cotidiano. “Quando o idioma é associado a experiências positivas e reais, a aprendizagem se torna mais significativa e duradoura”, conclui Juwer.

 

Dormir até mais tarde no fim de semana não resolve o problema, alerta especialista

Variações de apenas uma hora nos horários de sono já podem aumentar o risco de hipertensão e apneia; regularidade pode ser tão importante quanto a quantidade de horas dormidas

 

Dormir algumas horas a mais no sábado e no domingo para compensar as noites mal dormidas durante a semana parece uma solução simples e inofensiva. No entanto, evidências científicas recentes mostram que a prática, conhecida como "jet lag social", pode trazer consequências para a saúde e contribuir para problemas como hipertensão arterial, apneia do sono e alterações metabólicas. 

O fenômeno ocorre quando a pessoa mantém um horário para dormir e acordar durante os dias de trabalho, mas muda completamente a rotina nos períodos de folga. Embora seja uma prática comum, especialmente entre adultos com jornadas intensas de estudo e trabalho, ela pode desregular o relógio biológico do organismo. 

Segundo o médico Carlos Filipe Moraes Coimbra, docente de Semiologia e Temas Integradores do curso de Medicina do Centro Universitário Cesuca, o sono precisa ser analisado não apenas pela quantidade de horas dormidas, mas também pela regularidade dos horários. 

"Muitas pessoas acreditam que o mais importante é atingir um determinado número de horas de sono. Mas hoje sabemos que manter horários consistentes para dormir e acordar pode ser tão importante quanto a duração do sono. O organismo funciona melhor quando consegue reconhecer uma rotina e sincronizar seus processos biológicos com ela", explica. 

A preocupação ganhou força após estudos recentes apontarem que variações de apenas uma hora nos horários habituais de sono já podem estar associadas a um aumento do risco de hipertensão arterial e apneia obstrutiva do sono, condição caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante a noite. 

Do ponto de vista clínico, a relação não surpreende os especialistas. Isso porque o corpo humano possui um sistema interno de regulação conhecido como ritmo circadiano, responsável por coordenar diversas funções fisiológicas ao longo do dia, incluindo pressão arterial, metabolismo, temperatura corporal e produção hormonal. 

"Quando os horários de dormir e acordar mudam constantemente, o organismo perde referências importantes para regular processos essenciais. É como se o relógio biológico precisasse se reajustar repetidamente, gerando um estado de desorganização que afeta diferentes sistemas do corpo", afirma Coimbra.

 

O mito da compensação do sono - Um dos comportamentos mais comuns entre adultos é tentar recuperar o sono perdido ao longo da semana dormindo mais aos fins de semana. Embora essa estratégia possa reduzir temporariamente a sensação de cansaço, ela não elimina completamente os impactos da privação crônica de sono. 

De acordo com o docente, o chamado sono de recuperação pode trazer benefícios imediatos, como melhora do humor, redução da fadiga e maior disposição. No entanto, ele não é capaz de neutralizar todos os efeitos negativos causados por uma rotina irregular. 

"Dormir mais no fim de semana pode proporcionar uma sensação de recuperação no curto prazo, mas não corrige totalmente as alterações metabólicas e cardiovasculares associadas à privação de sono. Além disso, mudanças frequentes nos horários acabam reforçando a desregulação do relógio biológico", destaca.

 

Impactos que vão além do cansaço - Os efeitos do sono irregular não se limitam à sonolência diurna. Pesquisas indicam que a desregulação do ritmo circadiano pode favorecer o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e outros problemas metabólicos. 

Segundo Coimbra, o organismo depende de padrões previsíveis para controlar adequadamente funções como a pressão arterial. 

"Normalmente, a pressão arterial diminui durante o período de sono e volta a subir pela manhã. Quando a rotina é irregular, o corpo tem mais dificuldade para reconhecer esses ciclos, o que pode contribuir para alterações na regulação cardiovascular e aumentar o risco de hipertensão ao longo do tempo." 

Outro fator preocupante é a associação entre sono irregular e apneia obstrutiva do sono. A condição afeta milhões de pessoas e pode provocar ronco intenso, despertares frequentes, sonolência excessiva durante o dia e aumento do risco cardiovascular.

 

O celular também entra na conta - Além da correria cotidiana, o uso excessivo de telas tem contribuído para o crescimento dos distúrbios relacionados ao sono. A exposição à luz emitida por celulares, computadores e tablets durante a noite pode atrasar a produção de melatonina, hormônio responsável por sinalizar ao organismo que é hora de dormir. 

Somam-se a isso fatores emocionais, excesso de informações, redes sociais e o hábito de permanecer conectado até momentos antes de dormir. 

"O sono ainda é frequentemente tratado como algo secundário, que pode ser sacrificado em nome da produtividade, do trabalho ou do entretenimento. Precisamos mudar essa percepção. Dormir não é perda de tempo. É um processo biológico fundamental para a saúde do cérebro, do coração e de todo o organismo", ressalta o médico.

 

Quando procurar ajuda - Os especialistas recomendam atenção para sinais como cansaço persistente, dificuldade de concentração, alterações de humor, dores de cabeça frequentes, ronco intenso e sonolência excessiva durante o dia. 

Caso os sintomas persistam mesmo após ajustes na rotina, a orientação é buscar avaliação médica para investigar possíveis distúrbios do sono. 

"A boa notícia é que muitos problemas relacionados ao sono têm tratamento. Quanto mais cedo forem identificados, maiores são as chances de prevenir complicações futuras e melhorar a qualidade de vida", conclui Coimbra.

 

Cinco atitudes para melhorar a regularidade do sono 

Manter horários semelhantes para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana 

Evitar o uso de celulares, computadores e tablets próximo ao horário de dormir 

Utilizar a cama apenas para dormir, evitando trabalho ou uso prolongado de telas 

Praticar atividade física regularmente 

Procurar avaliação médica em casos de ronco intenso, sonolência excessiva ou cansaço persistente

  

Centro Universitário Cesuca
www.cesuca.edu.br


Férias Escolares

 

Brincadeira com pipas pode envolver acidentes fatais
 Pexels
Temporada de pipas: brincadeira tradicional reforça importância de lazer seguro e convivência familiar para desenvolvimento infantil
 

Aldeias Infantis SOS alerta para os riscos do uso de linhas cortantes e reforça que brincar com segurança é responsabilidade compartilhada entre famílias, sociedade e Poder Público
 

Com a chegada dos meses mais secos e ventosos do ano, somado ao período tradicional de férias escolares, o céu de muitas cidades volta a ganhar cores com uma das brincadeiras mais tradicionais da infância: empinar pipa. Presente na cultura popular há gerações, a atividade é um importante instrumento para o desenvolvimento físico, emocional e social de crianças e adolescentes, e, por se tratar de uma brincadeira, é um direito assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 

No entanto, para que essa tradição continue colorindo os céus do país, é preciso garantir ambientes seguros e evitar riscos com o uso de materiais proibidos. O alerta é da Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, por meio de serviços de acolhimento de crianças e adolescentes afastados dos pais por decisão judicial e iniciativas de fortalecimento familiar. 

A Organização chama a atenção para os perigos das linhas cortantes, que colocam em risco não apenas quem participa da brincadeira com pipa, mas também motociclistas, ciclistas, pedestres e demais pessoas que circulam pelas cidades. Segundo o projeto Cerol Não!, 57% dos acidentes registrados envolvendo linhas cortantes no trânsito resultam em mortes, sendo os motociclistas as principais vítimas fatais, representando 27% dos casos.  

Além disso, um levantamento do Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, a partir de informações do Tabnet/DataSUS, revela que, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025, foram registradas mais de 6.700 internações hospitalares de crianças e adolescentes, de até 14 anos, por acidentes que podem ter envolvido linhas de pipa. 

“O problema não está na brincadeira em si, que faz parte da cultura brasileira e contribui para o desenvolvimento infantil. O que coloca vidas em risco é o uso de materiais cortantes, como o cerol e a linha chilena. Quando uma linha recebe esse tipo de produto, ela deixa de ser um brinquedo e passa a representar uma ameaça real para toda a comunidade”, afirma José Carlos Sturza de Moraes, Ponto Focal do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS. 

Produzido a partir da mistura de cola com vidro moído, o cerol é proibido em diversas localidades do país. Já a chamada linha chilena, composta por materiais altamente abrasivos, possui elevado poder de corte e é alvo de restrições legais, podendo provocar lesões graves e até fatais.

Segundo especialista da Aldeias Infantis SOS, o problema não é
a brincadeira em si, mas os materiais cortantes 
 Pexels
  

Fortalecimento familiar

Segundo Sturza, a prevenção passa, antes de tudo, pela informação e pelo fortalecimento das redes de proteção. “Nem todas as famílias têm acesso às orientações sobre os riscos do cerol ou dispõem de espaços adequados para essa brincadeira. Por isso, campanhas educativas, fiscalização e políticas públicas são fundamentais. Promover informação também é proteger crianças e adolescentes”, destaca. 

Por meio de seus projetos de fortalecimento familiar, a Aldeias Infantis SOS desenvolve ações de orientação, convivência comunitária, acesso à rede de proteção e promoção de direitos, contribuindo para que crianças cresçam em ambientes seguros e acolhedores. Nesse contexto, empinar pipa pode representar muito mais do que uma diversão: é uma oportunidade para aproximar gerações e fortalecer laços. 

“O hábito de soltar pipa fortalece vínculos familiares e comunitários. Quando adultos e crianças compartilham esse momento, a atividade favorece o diálogo, a confiança e o sentimento de pertencimento, contribuindo para o desenvolvimento saudável da infância”, reforça Sturza. “Brincar é um direito fundamental e deve ser incentivado. Preservar tradições como empinar pipa também é importante. O desafio é garantir que essa experiência ocorra de forma segura, com o compromisso de toda a sociedade para que a diversão deixe apenas boas lembranças e nunca coloque vidas em risco”, conclui.

 

Aldeias Infantis SOS
www.aldeiasinfantis.org.br


Férias escolares: como equilibrar passeios, telas e descanso para evitar a sobrecarga mental em crianças neurodivergentes

 Divulgação 
Mudanças na rotina e excesso de estímulos podem aumentar a ansiedade e o cansaço emocional; planejamento e previsibilidade ajudam a tornar o período mais leve

 

Com a chegada das férias escolares, muitas famílias aproveitam o período para programar viagens, passeios e atividades especiais para as crianças. Embora essas experiências sejam importantes para o desenvolvimento e o fortalecimento dos vínculos familiares, o excesso de compromissos e estímulos pode gerar impactos negativos para crianças neurodivergentes, especialmente aquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH e outras condições do neurodesenvolvimento. 

De acordo com Isabella Roque, psicóloga e coordenadora técnica da Casa Trilá, que integra o grupo ViV Saúde Mental e Emocional, o ideal é que as famílias mantenham uma estrutura mínima de organização durante as férias, estabelecendo horários flexíveis para alimentação, sono, lazer e descanso, sem transformar o período em uma extensão da rotina escolar. Além disso, passeios e atividades externas devem ser planejados de acordo com as características, preferências e necessidades de cada criança. 

“Ambientes muito movimentados, barulhentos ou com excesso de estímulos sensoriais podem provocar desconforto e cansaço. A orientação é alternar momentos mais intensos com períodos de pausa, permitindo que a criança tenha tempo para processar as experiências vividas”, explica a especialista. 

Outro ponto que costuma gerar dúvidas entre pais e responsáveis é o uso de telas durante as férias. Embora jogos, vídeos e aplicativos possam funcionar como ferramentas de entretenimento e até de aprendizagem, o aumento do tempo de exposição exige atenção. A recomendação é estabelecer limites saudáveis e incentivar atividades complementares, como brincadeiras criativas, leitura, esportes e momentos de interação com familiares e amigos. O objetivo não é eliminar a tecnologia da rotina, mas garantir que ela seja utilizada de forma equilibrada e adequada à faixa etária da criança. 

Para Adriana, o principal cuidado das famílias deve ser respeitar o ritmo individual de cada criança. “Existe uma tendência de associar férias a uma agenda cheia de atividades, mas, para muitas crianças neurodivergentes, o descanso também é uma necessidade fundamental. O ideal é construir um equilíbrio entre experiências novas, momentos de lazer, uso moderado de telas e períodos de pausa. Quando respeitamos os sinais da criança e evitamos a superestimulação, contribuímos para seu bem-estar emocional e tornamos as férias mais leve e divertida para toda a família”, afirma. 



ViV Saúde Mental e Emocional
Mais informações pelo número 0800 323 5088.


Você se apega rápido demais?

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Entenda como identificar seu padrão de apego e veja dicas práticas para se relacionar de forma mais segura e estável

 

Talvez você já tenha passado por aquele momento da vida em que deseja muito conhecer alguém, compartilhar intimidade e viver um vínculo profundo. Até que finalmente se apaixona... e o que era fantasia vira real. Ou melhor, imperfeito. Mas como lidar com a realidade das frustrações? 

Algo se desorganiza quando a paixão surge: deixamos de investir apenas em nós para dividir com o outro. A pessoa se torna objeto de desejo, mas também acende um alerta interno. É aí que o nosso estilo de apego começa a ficar mais evidente. 

No início, isso pode aparecer de forma sutil: dúvidas sobre a relação, pensamentos excessivos, vontade de se afastar ou a sensação de estar preso. Em outros momentos, acontece o oposto: você se entrega rápido demais e tenta garantir a presença a qualquer custo. 


Mas o que está por trás disso? O que faz tantos de nós sabotar o amor antes mesmo que ele tenha a chance de florescer? 

A teoria do apego ajuda a entender como nos vinculamos e reagimos em relacionamentos. Desenvolvida por John Bowlby, ela mostra que os vínculos da infância servem como modelo para a forma como nos relacionamos ao longo da vida. 

Existem quatro estilos de apego com características comuns, mas ninguém se encaixa totalmente em apenas um. O apego é um espectro, pode mudar com o tempo e costuma aparecer com mais força em situações de medo, mudança ou conflito.  


Com qual deles você mais se identifica hoje? 

Ansioso: pessoas com apego ansioso tendem a se ver de forma negativa e idealizar o outro. Têm medo intenso de abandono e, por isso, buscam constante segurança, validação e confirmação de amor. Diante de dúvidas, podem se tornar mais dependentes, exigentes e preocupadas com a relação. 

Dica prática: antes de buscar confirmação, faça uma pausa de 10 minutos e se pergunte: “tenho evidências reais ou é o medo falando?”. Também pratique comunicar suas necessidades de forma direta.  

Evitativo: tendem a se ver de forma positiva e a enxergar os outros com mais desconfiança. Valorizam muito a independência e a autossuficiência emocional, acreditando que não precisam de um relacionamento para se sentir completas. Por isso, evitam depender dos outros ou permitir que dependam delas, raramente buscando apoio ou acolhimento. 

Dica prática: compartilhe um sentimento ou pensamento por dia com alguém de confiança; comece com passos pequenos para treinar a própria vulnerabilidade sem se sobrecarregar. 

Desorganizado: oscilam entre aproximação e afastamento. Desejam intimidade, mas também sentem medo, o que gera comportamentos confusos, dificuldade em confiar, instabilidade nas relações e receio de se machucar. Podem agir de forma ambivalente, buscando o outro e, logo depois, se fechando para se proteger. 

Dica prática: quando sentir vontade de se afastar ou se aproximar impulsivamente, nomeie a emoção (“estou com medo de...”), respire fundo e espere cinco minutos antes de agir. 

Seguro: os três estilos de apego anteriores (ansioso, evitativo e desorganizado) são considerados inseguros, pois dificultam a formação e manutenção de vínculos saudáveis. Em contraste, o apego seguro sente-se confortável com a intimidade, confia no outro e permite relações mais equilibradas. 

Dica prática: mantenha o equilíbrio checando regularmente: “estou sendo claro sobre o que sinto e preciso?”; pratique validação mútua e combine limites de forma aberta. 

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A boa notícia é que o apego não é fixo. Novas vivências sempre podem transformar esses padrões. As experiências ao longo da adolescência e vida adulta podem ajudar a modificar e fortalecer os estilos de apego, mesmo que um lado inseguro tenha sido estabelecido na infância. Também vale ressaltar que a maturidade nos torna mais seguros e autoconfiantes, e a forma como vivemos nossos afetos pode migrar de um tipo para o outro.  

Não devemos ver esse mapa do apego como algo engessado, mas como um guia para compreender um pouco mais sobre nós mesmos e aprender a estar com outro de uma forma segura e estável. 


Danielle Vieira - psicóloga e psicanalista, pesquisadora dos afetos e das relações contemporâneas, mestre pela UMinho (PT), fundadora do IIPB e autora do livro “Amor moderno: o nosso mundo evitativo” (Editora Labrador). 


A fábrica de culpa e as telas dos pais: ciência da parentalidade erra o alvo


A engrenagem da culpa parental, tão agressiva e massacrante para tantos pais e mães que já vivem com o coração apertado por “não fazerem tudo o que teria que ser feito para o filho”, ganhou recentemente mais um elemento, fruto de uma reportagem que repercutia uma pesquisa científica publicada no periódico Frontiers in Psychology sobre a chamada "tecnoferência" — quando os adultos se distraem com o smartphone no ambiente familiar — e que estaria ligada ao desenvolvimento de um "apego inseguro, ansioso e evitativo" em adolescentes de 12 a 17 anos. 

Em um mundo onde pais e mães já vivem exaustos, equilibrando carreiras exigentes e as pressões diárias, esse tipo de conteúdo coloca ainda mais esse peso nas suas costas. O subentendido é cruel: se seu filho adolescente é inseguro, a culpa é sua, que ousou responder a um e-mail de trabalho ou checar uma mensagem enquanto ele estava na sala. 

Na Relacionamentoria, onde baseamos nosso trabalho nas premissas do psicólogo Alfred Adler, nós olhamos para esse tipo de conclusão com muita ressalva. E o motivo é simples: análises assim invertem a lógica da dinâmica familiar e retiram dos pais a ferramenta mais preciosa na educação dos filhos — a tranquilidade. 

Se olharmos com atenção para os dados da própria pesquisa, percebemos que o estudo fala sobre correlação, e não sobre causa e efeito. Adolescentes que já apresentam traços de insegurança ou dependência emocional tendem a interpretar qualquer distração dos pais como "rejeição". O celular, portanto, não é a causa do problema; ele é apenas o objeto em que a dinâmica disfuncional se manifesta. 

Precisamos nos fazer uma pergunta fundamental: desde quando a estabilidade emocional de um jovem de quase 18 anos deve depender do fato de os pais estarem com a atenção 100% voltada para ele o tempo todo? 

Ao exigir que os adultos funcionem como fontes ininterruptas de entretenimento e validação, o que o discurso moderno está criando não são jovens seguros, mas sim filhos tiranos. Cria-se a ilusão de que o mundo orbita ao redor deles e que qualquer desvio de foco dos pais é uma ofensa grave. 

Alfred Adler nos ensinou que a família é um sistema social que deve funcionar com base no respeito mútuo e na ordem. Os pais não são iguais aos filhos em termos de papel; eles são os líderes do lar. Um líder maduro trabalha, resolve problemas, se comunica com o mundo exterior e, sim, usa o celular. Quando os filhos testemunham os pais lidando com suas próprias vidas e obrigações, eles aprendem uma lição valiosa sobre a realidade e sobre o espaço do outro. 

Através da abordagem que defendemos na Relacionamentoria, nós mostramos que o que realmente traz segurança emocional para uma criança ou adolescente não é uma presença artificial e hipervigilante, mas sim a certeza de que os pais estão no comando. A segurança do filho está ancorada na tranquilidade e na autoridade natural dos pais. Em nossa mentoria, ensinamos que se os adultos demonstram firmeza, estão em paz com suas escolhas (inclusive a de usar o telefone para trabalhar ou descansar) e não reagem com desespero às cobranças dos filhos, os jovens absorvem essa estabilidade. 

A insegurança de um adolescente não nasce porque o pai olhou para a tela; ela nasce quando ele percebe que, através de suas queixas e exigências, ele consegue desestabilizar os adultos da casa. É a falta de liderança clara, e não a presença do smartphone, que gera o vazio emocional. 

Precisamos urgentemente desligar a tomada dessa fábrica de culpa. Pais e mães não precisam ser perfeitos, e certamente não precisam banir a tecnologia de suas vidas para serem bons educadores. Eles precisam, sim, resgatar a convicção de seu papel. Quando você assume a sua autoridade sem culpa, o celular deixa de ser uma ameaça à segurança do seu filho e volta a ser apenas o que ele realmente é: uma ferramenta. 



Yafit Laniado - psicanalista e hipnoterapeuta, criadora da Relacionamentoria, consultoria especializada no relacionamento entre pais e filhos.


O que pode estar por trás dos bloqueios emocionais

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Você já sentiu uma tristeza que não sabia explicar? Uma angústia que parecia não ter origem? Ou talvez um padrão que se repete na sua vida, nos relacionamentos, no trabalho, nas escolhas, e que, por mais que você tente mudar, insiste em aparecer? Pois bem, pode ser que essa história tenha começado muito antes de você.  

Partimos de uma premissa simples, mas profunda: não somos ilhas. Somos o resultado de tudo aquilo que vivemos, sim, mas também do que as gerações antes de nós viveram e não conseguiram elaborar completamente. Lutos que não foram chorados, segredos que ficaram guardados, pessoas que foram excluídas da família, traumas que ficaram sem amparo. Tudo isso não desaparece com o tempo, mas circula, de forma silenciosa, dentro do sistema familiar — e pode aparecer na vida dos descendentes como ansiedade sem nome, bloqueios inexplicáveis ou relacionamentos que nunca fluem.  

Não se trata de culpar os nossos ancestrais. Muito pelo contrário. Trata-se de compreender que o que sentimos nem sempre começou em nós. E que ao trazer luz para essas dinâmicas, deixamos de repetir automaticamente e passamos a ter escolha.  

Podemos pensar, por exemplo, no impacto da ausência paterna na vida de uma pessoa. E aqui é importante entender que ausência não significa apenas não estar presente fisicamente. Um pai pode estar em casa todos os dias e, ainda assim, ser emocionalmente distante, indisponível, desconectado.  

Quando a paternidade não vem acompanhada de vínculo real, isso deixa marcas. O filho pode crescer com dificuldade de se sentir pertencente ao mundo, de confiar em si mesmo, de se realizar profissionalmente ou de construir relacionamentos saudáveis. Muitas vezes, passa a vida tentando preencher esse vazio em outros lugares: em parceiros, em conquistas, na busca por aprovação.  

No entanto, a ideia não é forçar uma reconciliação artificial com esse pai. Mas algo ainda mais transformador: dar um lugar interno a essa figura, com todas as suas limitações humanas, para que o filho possa, finalmente, seguir em frente sem carregar esse peso. E é justamente aqui que surge um dos maiores equívocos sobre o processo de transformação: a crença de que, para se libertar, é preciso cortar os vínculos com o passado. Que para ser livre, é necessário esquecer, romper, rejeitar.  

Quando tentamos fugir da nossa história com raiva ou repúdio, continuamos presos a ela, só que de outro jeito. A rejeição também é uma forma de emaranhamento. E a repetição continua, muitas vezes com polaridade invertida. A verdadeira liberdade começa quando paramos de fugir e passamos a olhar. Quando nos permitimos ver nossa origem como ela realmente foi, sem idealizações e sem condenações. Quando conseguimos dizer internamente: "você é meu pai, você é minha mãe, e eu recebo a vida que vocês me deram." Não porque o passado foi perfeito, mas porque ele foi real. E porque, ao aceitá-lo, abrimos espaço para que a vida possa, finalmente, fluir.  

Diferenciar-se não é apagar de onde viemos. É honrar as raízes com consciência, deixar com cada um o peso que lhe pertence, e assumir com coragem e leveza o próprio lugar no mundo. Esse é o caminho proposto: não o de quem foge, mas o de quem integra, escolhe e segue. 

  

Adriana Braz de Oliveira - psicóloga, doutora em Psicologia da Saúde, especialista em Psicologia Transpessoal e autora do livro PsiConstelação.

 

Você tem medo de voar? Saiba por que seu cérebro pode estar te enganando

 Lito Sousa explica por que acidentes ficam gravados na memória, enquanto milhões de voos seguros passam despercebidos 

 

Basta uma turbulência mais intensa ou a repercussão de um acidente aéreo para que o medo de voar volte a ocupar espaço nas conversas e preocupações dos passageiros. O receio é comum, mas os números mostram uma realidade diferente daquela que muitas pessoas imaginam.

Segundo o relatório mais recente da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), divulgado em março de 2026, a aviação comercial realizou 38,7 milhões de voos em todo o mundo em 2025, transportando 4.53 bilhões de pessoas, com apenas 51 acidentes registrados. O índice equivale a 1,32 acidente por milhão de voos, reforçando que o avião continua sendo o meio de transporte mais seguro para percorrer longas distâncias.

Ainda assim, milhares de pessoas enfrentam ansiedade antes de embarcar. Para Lito Sousa, fundador do Lito Group, piloto, mecânico aeronáutico com habilitações nacionais e americanas e especialista internacional em fatores humanos na aviação, essa aflição está menos relacionada aos riscos reais da aviação e mais à forma como o cérebro humano processa informações e situações de incerteza. Com mais de 40 anos de experiência no setor — sendo 36 deles na aviação comercial em uma das maiores companhias aéreas do mundo —, Sousa é considerado um dos pioneiros no Brasil no estudo e na conscientização sobre a aerofobia. 

"Quando entramos em um avião, entregamos o controle da situação para outras pessoas. Para quem já possui um perfil mais ansioso, isso pode gerar desconforto. Além disso, quando um acidente recebe ampla repercussão, é comum que as pessoas passem a acreditar que voar ficou mais perigoso, mesmo que os dados mostrem o contrário", afirma.

De acordo com o especialista, o cérebro tende a dar mais importância aos acontecimentos que provocam medo, preocupação ou forte impacto emocional. Por isso, um único acidente pode permanecer na memória por muito tempo, enquanto milhões de voos realizados diariamente sem qualquer ocorrência passam despercebidos.

"Um acidente recebe cobertura durante vários dias e desperta emoções intensas. Já os pousos e decolagens que acontecem normalmente não viram notícia. Isso cria uma percepção de risco muito maior do que o risco real", explica.


Por que algumas situações dentro do avião causam insegurança?

Além da repercussão de acidentes, muitos passageiros se sentem desconfortáveis por não compreenderem totalmente o funcionamento da aeronave. Sons durante o voo, mudanças na potência dos motores e turbulências estão entre os principais gatilhos para quem tem medo de voar.

"Muitas pessoas interpretam qualquer barulho diferente como sinal de problema. Na prática, esses sons fazem parte da operação normal da aeronave. O mesmo acontece com a turbulência, que pode causar desconforto, mas é uma situação prevista e para a qual pilotos e aviões são preparados", diz Sousa.

Segundo ele, a falta de informação faz com que situações comuns da aviação sejam percebidas como ameaças, aumentando a ansiedade e a sensação de insegurança durante a viagem.


O que pode ajudar a reduzir o medo de voar?

Embora não exista uma solução única, algumas atitudes podem contribuir para tornar a experiência mais tranquila:

  • Buscar informações sobre aviação em fontes confiáveis;
  • Evitar o consumo excessivo de notícias sensacionalistas antes de viajar;
  • Escolher horários de voo que proporcionem mais conforto e descanso;
  • Utilizar técnicas de respiração para controlar a ansiedade;
  • Conversar com profissionais especializados quando o medo começar a impactar a rotina.

"Conhecimento reduz a insegurança. Quando entendemos melhor como funciona a aviação, conseguimos substituir parte da ansiedade por confiança. E, quando o medo interfere na qualidade de vida da pessoa, buscar ajuda profissional pode fazer toda a diferença", afirma.

Para o especialista, sentir medo não deve ser motivo de vergonha. O importante é compreender suas causas e buscar formas de lidar com ele.

"O medo de voar pode limitar oportunidades profissionais, viagens em família e experiências importantes. Com informação, preparo e, quando necessário, acompanhamento especializado, muitas pessoas conseguem superar esse receio e voltar a viajar com tranquilidade."

Esse é um dos motivos que levou o Lito Group a desenvolver um curso voltado a quem tem medo de voar. Nos últimos seis anos, mais de 8 mil alunos já passaram pelo treinamento, que reúne uma abordagem multidisciplinar para ajudar passageiros a compreender melhor o universo da aviação e reduzir a ansiedade relacionada aos voos. Totalmente online e com mais de 40 horas de conteúdo, o programa aborda temas que costumam gerar insegurança entre os passageiros, como turbulência, sistemas e falhas das aeronaves, confiança nos pilotos, meteorologia, voos transoceânicos e protocolos para emergências médicas a bordo. Além de Lito Sousa, participam das aulas pilotos internacionais, meteorologistas, engenheiros aeronáuticos, psicólogos especializados em aerofobia e comissários de voo. 

Em um momento em que o número de passageiros continua crescendo em todo o mundo, especialistas reforçam que compreender os mecanismos da ansiedade é tão importante quanto conhecer os dados sobre segurança. Afinal, embora o medo seja uma reação natural do cérebro, ele nem sempre reflete a realidade dos fatos.

 

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