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quinta-feira, 2 de julho de 2026

DIU pode sair do lugar? Especialista esclarece dúvidas sobre segurança e acompanhamento do método

Apesar da alta eficácia e segurança, dispositivo ainda é cercado por dúvidas; médica explica quando o deslocamento pode acontecer e quais sinais merecem atenção

 

O Dispositivo Intrauterino (DIU) tem se consolidado como uma das principais opções para mulheres que buscam um método contraceptivo de longa duração, alta eficácia e praticidade. Segundo o Ministério da Saúde, o método apresenta eficácia superior a 99% na prevenção da gravidez e vem sendo cada vez mais recomendado por entidades nacionais e internacionais de saúde reprodutiva.

Apesar disso, uma dúvida continua frequente nos consultórios ginecológicos: afinal, o DIU pode sair do lugar?

Segundo a Dra. Larissa Cassiano, ginecologista e obstetra parceira da DKT South America, empresa de planejamento familiar e detentora da Andalan, marca de DIUs, a resposta é mais complexa do que um simples sim ou não.

"O DIU é um dispositivo desenvolvido para permanecer dentro da cavidade uterina durante todo o período de uso. Em condições normais, ele não se movimenta por causa de exercícios físicos, relações sexuais ou atividades do dia a dia. No entanto, existem situações específicas em que pode ocorrer deslocamento ou expulsão parcial, especialmente nos primeiros meses após a inserção", explica.

De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a expulsão do DIU é considerada incomum e costuma ocorrer em uma pequena parcela das usuárias. As taxas variam entre 2% e 10%, dependendo de fatores como idade, características anatômicas do útero, momento da inserção e tipo de dispositivo utilizado.

A especialista destaca que o deslocamento, quando acontece, geralmente está relacionado ao processo de adaptação do organismo ao método e não a comportamentos da paciente.

"Existe uma preocupação muito comum de que o DIU possa mudar de posição durante a prática de exercícios, corridas ou relações sexuais. Isso não costuma acontecer. O dispositivo permanece protegido dentro do útero e não sofre influência dessas atividades", afirma.

Outro receio frequente é a possibilidade de o DIU migrar para outras partes do corpo. Embora existam relatos raros de complicações relacionadas à perfuração uterina, a médica reforça que esses casos são exceções e representam uma porcentagem extremamente pequena das inserções realizadas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica os DIUs entre os métodos contraceptivos mais seguros e eficazes disponíveis atualmente. Além da elevada proteção contra a gravidez não planejada, o método apresenta a vantagem de ser reversível, permitindo o retorno da fertilidade após sua retirada.

Segundo Dra. Larissa, o acompanhamento profissional é um dos fatores mais importantes para garantir uma experiência segura com o método.

"As consultas de acompanhamento ajudam a confirmar que o DIU está corretamente posicionado e permitem esclarecer dúvidas que podem surgir ao longo do uso. É uma etapa importante do cuidado e da segurança da paciente", explica.

Alguns sinais podem indicar a necessidade de uma avaliação médica, como cólicas persistentes, sangramento fora do padrão habitual, desconforto importante ou percepção de alterações nos fios do dispositivo. Nesses casos, a orientação é procurar o ginecologista para realizar os exames necessários e confirmar o posicionamento adequado.

Para a especialista, o crescimento do interesse pelo DIU reforça a importância de ampliar o acesso à informação de qualidade sobre o método.

"Muitas mulheres ainda chegam ao consultório carregando dúvidas e receios que poderiam ser esclarecidos com informação baseada em evidências científicas. Quanto mais conhecimento existe sobre o funcionamento do método, maior é a confiança para tomar decisões conscientes sobre planejamento reprodutivo", conclui.

Em um cenário em que a busca por métodos contraceptivos de longa duração cresce continuamente, especialistas reforçam que informação confiável, acompanhamento profissional e acesso a opções seguras são fundamentais para garantir autonomia e liberdade de escolha às mulheres.



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