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quinta-feira, 2 de julho de 2026

A bomba-relógio na barriga: o que é o aneurisma de aorta e quem precisa fazer o teste para evitar uma ruptura fatal

Dilatação da principal artéria do corpo não apresenta sintomas físicos, mas tem taxa de mortalidade altíssima se romper; cirurgião aponta o perfil de risco e como as próteses internas corrigem o vaso com segurança.

 

Imagine caminhar por aí com uma verdadeira bomba-relógio na barriga sem fazer a menor ideia. É exatamente esse o perigo que envolve o aneurisma de aorta abdominal, uma dilatação na principal artéria do corpo que cresce sem dar qualquer aviso físico. O problema é que, se esse vaso se romper, o cenário se torna dramático. De acordo com dados do Ministério da Saúde coletados pelo Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS), a taxa de mortalidade em cirurgias de emergência após a ruptura passa dos 50%. É um número assustador, mas que serve de alerta: a prevenção é a única saída para evitar um desfecho fatal.

A grande armadilha dessa condição é que ela não dói e não dá sinais de que algo vai mal. Na maioria das vezes, a pessoa descobre que tem o problema por puro acaso, ao fazer um exame de rotina para investigar outra dor qualquer. O cirurgião vascular e endovascular Josualdo Euzébio explica que essa evolução silenciosa é o que torna o quadro tão traiçoeiro. "O paciente se sente perfeitamente bem e ativo enquanto a artéria vai estufando. Sem um olhar atento e exames preventivos, o primeiro sintoma infelizmente costuma ser uma hemorragia interna gravíssima", avisa o médico.

A boa notícia no meio disso tudo é que a medicina já conhece muito bem o perfil de quem está na mira da doença. O rastreamento deve ser prioridade para pessoas acima dos 65 anos, principalmente homens que fumam ou fumaram a vida inteira, já que o cigarro destrói a elasticidade das artérias. Se houver histórico de aneurisma na família, o sinal de alerta precisa ser ligado ainda mais cedo. Outros fatores do dia a dia, como pressão alta e colesterol descontrolado, também ajudam a acelerar esse desgaste.

Para quem faz parte desse grupo de risco, o caminho para tirar o peso das costas é simples, rápido e totalmente indolor. Um simples ultrassom de abdômen já é capaz de medir o tamanho do vaso e afastar o perigo. Segundo o especialista, quando a dilatação passa dos cinco centímetros, o risco de rompimento aumenta e a intervenção se torna necessária. "O monitoramento constante nos dá o controle da situação. Conseguimos escolher o momento exato de operar, transformando o que seria uma urgência desesperadora em um procedimento planejado e calmo", pontua.

Se no passado falar em cirurgia de aorta dava medo pelo tamanho do corte e da recuperação, hoje a realidade é completamente diferente graças à tecnologia. Atualmente, o tratamento é feito por meio da técnica endovascular, que é minimamente invasiva. Os médicos conseguem entrar por dois pequenos furinhos na virilha e guiar uma espécie de tubo reforçado, a prótese interna, até o local exato da dilatação. Esse dispositivo cria um novo canal para o sangue passar, blindando a parede frágil da artéria e anulando o risco de explosão. 

Essa evolução transformou a experiência de quem precisa passar pelo procedimento, tornando o pós-operatório muito mais leve e rápido. O paciente, que antes passava dias na UTI e semanas tentando se recuperar de uma grande operação aberta, agora consegue voltar para casa em pouco tempo. "Mudamos totalmente a história natural dessa doença. Conseguimos desarmar uma ameaça enorme com muita precisão e segurança, devolvendo a liberdade para a pessoa seguir a vida sem aquele medo constante", conclui. 



Fonte: Dr. Josualdo Euzébio — Cirurgião Vascular e Endovascular.
@dr.josualdo


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