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Especialistas
mostram como atividades simples podem estimular criatividade, autonomia,
bem-estar e aprendizado durante o recesso
Com a chegada das férias escolares, muitas
famílias buscam maneiras de equilibrar descanso, diversão e atividades que
contribuam para o desenvolvimento das crianças. Embora o recesso seja
fundamental para a recuperação física e emocional após meses de rotina intensa,
ele também pode se transformar em uma oportunidade para estimular a curiosidade,
a autonomia e novas aprendizagens.
Para mostrar como isso é possível,
especialistas de diferentes áreas compartilham orientações e sugestões para
aproveitar o período de forma saudável e enriquecedora. Entre as principais
recomendações, estão:
1. Valorizar o tempo livre e o bem-estar emocional
As férias oferecem algo cada vez mais raro na
rotina de muitas crianças: tempo para brincar, descansar e viver experiências
sem a pressão dos horários e das obrigações escolares. Segundo Marina Torrente,
coordenadora pedagógica do Anglo Kids, parceiro do programa socioemocional Líder em Mim, o brincar livre exerce um papel fundamental
no desenvolvimento emocional. “É durante as brincadeiras que a criança expressa
sentimentos, exercita a criatividade e aprende a lidar com desafios e
frustrações.”
A especialista também destaca que o tédio
ocasional não deve ser encarado como um problema. “Muitas vezes, é justamente
dele que surgem a imaginação, a iniciativa e novas formas de brincar e criar”,
pontua a coordenadora.
2. Equilibrar descanso, aprendizado e repertório cultural
Este período também podem ser uma
oportunidade para ampliar experiências culturais de forma leve e prazerosa.
Visitas a museus, parques, centros culturais e espaços ao ar livre ajudam a
despertar a curiosidade sem comprometer o descanso.
Para o diretor cultural da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, Eduardo
Monteiro, atividades que combinam cultura, lazer e contato com diferentes
formas de conhecimento favorecem o aprendizado espontâneo e contribui para o
bem-estar das famílias. “Espaços culturais permitem que crianças e famílias
aprendam de maneira leve, por meio do contato com a natureza, a arte e a
história, respeitando o tempo do lazer”, afirma ele.
Diogo D'ippolito, autor de Língua Portuguesa
do Sistema de Ensino pH, diz que as férias não precisam
representar uma pausa no aprendizado, mas uma oportunidade para aprender de
maneiras diferentes, reforçando que ao equilibrar descanso, diversão e
experiências enriquecedoras, é criado um ambiente favorável para o
desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e emocionais. Segundo
D'ippolito, “o mais importante é respeitar o tempo de cada estudante e
valorizar atividades que despertem curiosidade, autonomia e prazer em
aprender.”
3. Fazer um uso saudável e equilibrado da tecnologia
As telas estão presentes em parte importante
do cotidiano de crianças e adolescentes e podem trazer benefícios quando
utilizadas com equilíbrio. O desafio, durante as férias, é evitar que
celulares, tablets e videogames ocupem todo o tempo livre.
Segundo Victor Haony, assessor pedagógico da Mind Makers, o excesso no uso das telas pode impactar
aspectos importantes do desenvolvimento dos jovens, “aumentando a ansiedade, a
irritação e a dificuldade de concentração, especialmente quando o consumo é
baseado em vídeos curtos e estímulos muito rápidos”. Além disso, o assessor pedagógico
alerta que o uso de dispositivos próximo ao horário de dormir pode prejudicar a
qualidade do sono e reduzir o tempo adequado de descanso.
Ao mesmo tempo, a tecnologia também pode se
tornar uma aliada da aprendizagem quando utilizada de forma intencional. Talita
Fagundes, gerente pedagógica da plataforma par, destaca o potencial da
gamificação nesse contexto. “Ela pode transformar o período de descanso em
oportunidade de aprendizagem, tornando o processo mais dinâmico e interativo.”
Segundo a ela, desafios, recompensas e
sistemas de progressão ajudam a tornar o aprendizado mais envolvente,
permitindo que cada estudante avance no próprio ritmo e mantenha o interesse
por novos conteúdos. “Assim, a união entre tecnologia e educação mostra que o
descanso também pode ser um momento de descoberta, criatividade e crescimento”,
encerra Talita.
4. Estimular o raciocínio e a criatividade no dia a dia
Muitas oportunidades de aprendizagem surgem
em atividades simples da rotina. Cozinhar, cuidar de plantas, fazer compras,
visitar parques ou montar quebra-cabeças podem estimular habilidades cognitivas
e criativas de forma natural.
Para a coordenadora da Educação Infantil e
Ensino Fundamental Anos Iniciais do Colégio Anglo Alante, Maria Clara Alves, muitas
vezes, os aprendizados mais significativos acontecem justamente fora dos
contextos formais, “uma ida ao parque ou uma caminhada pelo bairro pode gerar
inúmeras aprendizagens.”
A especialista explica que fazer perguntas,
incentivar observações e envolver a criança nas decisões do cotidiano contribui
para ampliar a curiosidade e o pensamento crítico. "A intencionalidade
está menos no recurso e mais na forma como ele é utilizado. Durante a leitura
de uma história, os pais podem fazer perguntas, incentivar previsões ou pedir
que a criança imagine finais diferentes. Nos jogos, vale conversar sobre
estratégias, regras e resolução de problemas", diz a coordenadora.
5. Manter o raciocínio lógico ativo de forma leve
As férias não precisam representar uma
interrupção completa dos estímulos cognitivos. Diversas situações cotidianas
podem ajudar a exercitar habilidades matemáticas de forma prática e divertida.
Segundo Tainara Dias, executiva de negócios acadêmicos da CASIO Educação, a matemática está presente em
decisões simples do dia a dia.
“A matemática está relacionada à capacidade
de analisar informações e tomar decisões. Essas situações estimulam habilidades
como raciocínio lógico, estimativa, análise crítica e resolução de problemas,
mostrando que a matemática faz parte da vida cotidiana e não apenas do ambiente
escolar.”
Atividades como comparar preços, calcular
gastos de passeios, avaliar descontos ou escolher trajetos mais eficientes
ajudam a desenvolver essas competências de forma natural. Além disso, jogos de
tabuleiro, desafios de lógica e aplicativos educativos podem complementar esse
processo. “Quando bem selecionados, jogos e aplicativos educativos ajudam a
desenvolver competências importantes para a matemática e para outras áreas do
conhecimento”, explica a executiva.
6. Aproveitar as férias para praticar idiomas
O recesso também pode favorecer o aprendizado
de idiomas ao permitir que os estudantes tenham contato com o inglês em
contextos mais descontraídos e significativos. Segundo Anderson Juwer, assessor
pedagógico do programa de educação bilíngue da Somos Educação, Eduall, a exposição contínua à língua durante as férias contribui para
consolidar conhecimentos e aumentar a confiança na comunicação. “O período das
férias oferece a oportunidade de os alunos vivenciarem o inglês de maneira mais
leve e espontânea, livre da pressão das avaliações e das tarefas formais,”,
afirma.
Entre as atividades recomendadas pelo
especialista estão a leitura compartilhada de livros em inglês, o consumo de
conteúdos audiovisuais com áudio original e a incorporação do idioma em
brincadeiras, jogos, músicas e situações do cotidiano. “Quando o idioma é
associado a experiências positivas e reais, a aprendizagem se torna mais
significativa e duradoura”, conclui Juwer.