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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Novo estudo alerta para aumento de mortes infantis causadas pelo calor no Brasil

COP30, projeções reforçam os riscos crescentes das mudanças climáticas para a saúde infantil.
 

Uma equipe liderada por pesquisadores da London School of Hygiene &Tropical Medicine, em parceria com o CIDACS-FIOCRUZ-Bahia, lançou uma nova pesquisa baseada em um estudo de modelagem que mostra que o aumento das temperaturas contribuirá para um aumento nas mortes relacionadas ao calor entre crianças menores de 5 anos em todo o Brasil, ameaçando anos de progresso na proteção de uma das populações mais vulneráveis do mundo. A análise faz parte de um relatório mais amplo sobre os efeitos das mudanças climáticas na saúde de mães, bebês e crianças, publicado em julho de 2025. 

Utilizando dados históricos do Censo e projeções oficiais de população e mortalidade, os pesquisadores estimaram as mortes por todas as causas relacionadas ao calor entre crianças no Brasil. O objetivo foi compreender de forma mais aprofundada como os riscos associados às mudanças climáticas podem impactar a mortalidade infantil relacionada ao calor no país, considerando dois cenários:

  • Cenário de emissões intermediárias de CO, com projeção de emissões estáveis até 2050 e aumento de temperatura entre 2,5 °C e 3 °C;
  • Cenário de emissões elevadas de CO, com projeção de aumento de temperatura entre 4 °C e 5 °C até o final do século.

Os dados são alarmantes: com base em informações de mais de 130 municípios brasileiros, entre 2049 e 2059, a mortalidade relacionada ao calor entre crianças menores de cinco anos pode aumentar de forma significativa. No cenário de altas emissões de carbono, a taxa de óbitos pode passar de 1,07 para 2,00 por 100 mil habitantes, um crescimento de 87% em apenas uma década. Mesmo em cenários moderados, o número de mortes pode subir até 50%, enquanto nas projeções mais críticas, esse total pode praticamente dobrar.

Dra. Enny Cruz, professora associada da LSHTM e pesquisadora do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (CIDACs/Fiocruz), reforça o alerta: “Esses dados são um chamado urgente para os líderes globais. As mortes de crianças causadas pelo calor extremo podem ser evitadas. Com a implementação rápida de políticas que protejam as populações mais vulneráveis dos impactos crescentes das mudanças climáticas, é possível garantir que as crianças brasileiras não sejam condenadas a um futuro em que o calor ameaça suas vidas, mas sim tenham a chance de crescer com saúde e segurança.” 

Dra. Agnes Soares da Silva, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde fala sobre a pertinência dos dados para orientar ações de proteção à infância e aos mais vulneráveis: “Este relatório chega em um momento estratégico e serve como um recurso valioso para discussões baseadas em evidências durante a COP. O Brasil está comprometido em enfrentar os riscos à saúde relacionados às mudanças climáticas, e esta pesquisa reforça a urgência de implementar estratégias de adaptação para proteger nossos jovens cidadãos. Protegendo os mais vulneráveis, toda população é protegida" 

Esta pesquisa antecede a COP30, que será sediada pelo Brasil em Belém, e deve orientar debates sobre ações prioritárias no enfrentamento da crise climática. Entre os temas em destaque estão as estratégias para limitar o aumento da temperatura global e fortalecer a resiliência das comunidades mais vulneráveis. 

A pesquisa completa e seus resultados podem ser acessados aqui: Mudanças Climáticas e Saúde Materna, Neonatal e Infantil: Hora de Agir.

O apêndice do relatório está disponível neste link.


Ceratocone cresce entre jovens, afeta mais de 150 mil brasileiros e acende alerta entre especialistas

No Dia Mundial da doença, celebrado em 10 de novembro, oftalmologista reforça a importância do diagnóstico precoce para evitar a perda de visão


No próximo dia 10 de novembro é celebrado o Dia Mundial do Ceratocone, uma doença que afeta principalmente jovens e tem se tornado cada vez mais comum. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 150 mil brasileiros desenvolvem o problema a cada ano, um número que chama atenção e reforça a importância do diagnóstico precoce. 

O Dr. Leonardo Gulino, oftalmologista do H.Olhos, Hospital de Olhos da Vision One, explica que o ceratocone é caracterizado pelo afinamento e pela deformação progressiva da córnea, que passa de um formato arredondado para um mais pontiagudo. Essa alteração compromete a visão e pode evoluir de forma silenciosa. “Em muitos casos, o paciente percebe apenas uma leve piora na nitidez e acredita que precisa trocar o grau dos óculos. O problema é que o ceratocone não é apenas uma questão de refração — é uma doença estrutural, que precisa ser identificada e tratada o quanto antes para evitar danos permanentes”, explica o médico. 

Ele ressalta que, apesar de ter origem genética, o ceratocone pode ser agravado por fatores externos. “O ato de coçar os olhos com frequência é um dos grandes vilões. Esse atrito repetitivo enfraquece as fibras da córnea e acelera a progressão da doença. Por isso, é essencial que pessoas alérgicas, que sentem coceira ou irritação ocular, tenham acompanhamento com um especialista e evitem o contato excessivo com a região dos olhos”, orienta. 

De acordo com o oftalmologista, a tecnologia tem sido uma grande aliada no diagnóstico e no tratamento do ceratocone. Hoje, exames como a topografia e a tomografia de córnea permitem detectar a doença ainda em fases iniciais, mesmo antes de qualquer alteração perceptível na visão. “Quanto mais cedo identificamos o problema, maiores são as chances de estabilizar a córnea e impedir a evolução do quadro. O diagnóstico precoce faz toda a diferença para preservar a visão”, afirma o Dr. Leonardo Gulino. 

O tratamento do ceratocone depende do estágio da doença. Nos casos mais leves, o uso de óculos ou lentes de contato especiais costuma ser suficiente para melhorar a visão. Em estágios intermediários, procedimentos modernos como o crosslinking corneano — técnica que utiliza riboflavina (vitamina B2) associada à luz ultravioleta para fortalecer as fibras de colágeno da córnea — têm mostrado excelentes resultados. “O crosslinking é um avanço importante porque aumenta a rigidez da córnea e impede que a deformação continue progredindo. É um procedimento seguro, rápido e que preserva a estrutura ocular do paciente”, explica. 

Nesses casos intermediários, também pode ser indicada a implantação do anel intracorneano, desde que a córnea esteja transparente e sem cicatrizes. “O anel tem um objetivo diferente: enquanto o crosslink estabiliza o ceratocone, o anel visa melhorar a visão, reduzindo a irregularidade da córnea e proporcionando maior nitidez visual”, destaca o oftalmologista. 

Nos quadros mais avançados, quando há cicatrizes corneanas ou deformidades significativas, o anel não é recomendado. Nesses casos, o transplante de córnea pode ser a melhor alternativa. O especialista observa que as técnicas cirúrgicas atuais são menos invasivas e proporcionam melhor recuperação. “Hoje conseguimos substituir apenas as camadas comprometidas da córnea, preservando o tecido saudável e garantindo uma reabilitação visual mais rápida e estável”, comenta. 

O especialista reforça que o ceratocone não tem cura, mas pode ser controlado com acompanhamento contínuo. “Nosso papel é informar e orientar a população sobre a importância de manter consultas oftalmológicas regulares. É uma doença que acomete pessoas jovens, inclusive crianças, e quanto antes for identificada, melhores são as chances de preservar a visão e a qualidade de vida”, finaliza o Dr. Leonardo Gulino, oftalmologista do H.Olhos, Hospital de Olhos da Vision One.


Dia Nacional de Combate ao Câncer reforça a importância do diagnóstico precoce e da prevenção do câncer bucal

Dra. Silvia Picado, cirurgiã de cabeça e pescoço da Verte Clinique, alerta para sinais e cuidados essenciais


No Dia Nacional de Combate ao Câncer, celebrado em 27 de novembro, o alerta vai além das campanhas e reforça a necessidade de atenção constante à saúde bucal — área onde o diagnóstico precoce pode literalmente salvar vidas. O câncer de boca é uma das neoplasias mais incidentes no país e, quando identificado tardiamente, pode comprometer fala, mastigação e até a autoestima do paciente.

De acordo com a cirurgiã de cabeça e pescoço Dra. Silvia Picado, da Verte Clinique, os principais fatores de risco continuam sendo o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, especialmente quando combinados. “Esses dois hábitos apresentam um efeito sinérgico e aumentam muito o risco da doença”, explica a médica. Outros fatores também merecem atenção, como a exposição solar sem proteção (principalmente nos lábios), má higiene bucal, uso de próteses mal adaptadas, infecção por HPV, além da obesidade e de uma alimentação pobre em frutas e verduras.

Para Dra. Silvia, a prevenção é o melhor tratamento. “É imprescindível parar de fumar, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, usar protetor labial com filtro solar, manter boa higiene bucal e uma alimentação saudável. Também é importante lembrar do uso de preservativo oral e da vacinação contra o HPV”, reforça.

Os sinais de alerta também exigem atenção: lesões que não cicatrizam em até 15 dias, manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, feridas, nódulos, sangramentos sem causa aparente, dor irradiada para o ouvido, rouquidão persistente e dificuldade para engolir ou movimentar a língua devem ser motivos para buscar avaliação médica.

“A consulta regular com o dentista e o autoexame da cavidade oral são atitudes simples que fazem toda a diferença. O dentista tem papel essencial na identificação de lesões iniciais, mas, diante da persistência dos sintomas, o encaminhamento ao cirurgião de cabeça e pescoço é fundamental”, ressalta a especialista.

O Dia Nacional de Combate ao Câncer é um marco para incentivar o autocuidado e reforçar que informação é a principal ferramenta de prevenção. “Campanhas como essa são fundamentais para conscientizar a população, promover o diagnóstico precoce e ampliar o acesso ao tratamento. Detectar cedo preserva não apenas a vida, mas também a qualidade dela”, conclui Dra. Silvia.

 


Dra. Sílvia Picado graduada em Ciências Médicas pelo Centro Universitário Lusíada (UNILUS). Concluiu Residência Médica em Cirurgia de Cabeça e Pescoço em 2015 e obteve o título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) no mesmo ano, tornando-se membro efetivo e integrante da atual comissão de marketing da SBCCP. Em 2019, a Dra. Sílvia Picado concluiu o mestrado no programa de Pós-graduação em Fisiopatologia Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Atualmente, exerce o cargo de professora na UNILUS e é a Diretora Social da Associação Paulista de Medicina de Santos (APM Santos).


Perda dentária na terceira idade impacta na saúde física e emocional

Especialista alerta que a condição vai muito além da estética, comprometendo funções vitais como a nutrição, bem-estar psicológico e a qualidade de vida dos idosos

 

Por trás de um sorriso com falhas pode estar uma história de dor, limitação e perda de qualidade de vida, especialmente quando se trata da população idosa. Atualmente, cerca de 14 milhões de brasileiros vivem sem nenhum dente, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Saúde realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse total, 31,7% são indivíduos com 60 anos ou mais. 

A perda dentária, condição conhecida como edentulismo, não é reflexo do envelhecimento, como muitas pessoas imaginam. Trata-se, na verdade, de uma consequência do histórico de falta de políticas preventivas em saúde bucal, que no Brasil só começaram a ser implementadas a partir dos anos 2000. Segundo a professora de Odontologia da UniSociesc, Flaira Rita dos Santos, a boca é a porta de entrada para a saúde geral, e a ausência de dentes desencadeia uma série de prejuízos.  

“Os nossos dentes são considerados órgãos do nosso corpo, cada um com uma função específica”, explica. Os incisivos e caninos cortam os alimentos, enquanto pré-molares e molares são responsáveis por triturá-los. Quando um dente é perdido, toda a engrenagem mastigatória fica comprometida. Os dentes remanescentes são sobrecarregados, e o idoso tende a selecionar alimentos mais pastosos ou líquidos, ou passa a engolir pedaços mal triturados. 

Essa mudança involuntária na dieta tem repercussão direta no sistema digestivo e no estado nutricional. “Tudo isso pode acarretar inúmeros problemas digestivos e nutricionais, como úlceras, gastrite e perda de peso”, alerta Flaira. Muitos idosos que se sentem mais fracos ou com ossos debilitados podem estar, na realidade, enfrentando as consequências de uma nutrição inadequada, agravada pela dificuldade de mastigação.

 

O impacto emocional: quando o sorriso se apaga 

A saúde bucal também tem reflexos profundos na autoestima e na vida social dos idosos. O sorriso, símbolo de alegria e confiança, pode se tornar motivo de constrangimento quando há falhas dentárias. “Nosso sorriso é o nosso cartão de visita. Muitos pacientes relatam evitar sorrir ou gargalhar por medo de a prótese se soltar, o que afeta diretamente a autoestima e as relações sociais”, observa Flaira.  

Situações simples, como comer em público, tornam-se motivo de ansiedade. Essa limitação acaba restringindo os prazeres cotidianos e os momentos de convivência, o que pode contribuir para isolamento e sintomas depressivos. “A dificuldade de sorrir e se alimentar com liberdade tira da pessoa idosa uma parte importante da sua alegria de viver”, completa a professora.

 

Prevenção e os sinais de alerta 

Manter os dentes saudáveis ao longo da vida é possível, inclusive na terceira idade. Os pilares são os mesmos em qualquer faixa etária: escovação adequada, uso do fio dental e visitas regulares ao dentista. “Com esses três cuidados bem alinhados, conseguimos envelhecer com saúde e segurança. O segredo está na constância”, destaca Flaira. 

A professora também lembra que, com o avanço da idade, a percepção de sede tende a diminuir. Isso leva muitos idosos a beberem pouca água, o que reduz a produção de saliva, um dos mecanismos naturais de defesa contra as cáries. “A hidratação é essencial para a saúde bucal. A saliva ajuda a neutralizar ácidos e proteger os dentes”, explica. 

Embora a perda dentária possa ser evitada, é essencial reconhecer precocemente os sinais de que algo não vai bem. Segundo a especialista, a dor é o primeiro aviso do corpo. Mesmo incômodos leves ou passageiros merecem atenção, pois podem indicar condições como inflamação gengival ou infecção. 

Outros sintomas que exigem avaliação odontológica incluem retração gengival (deslocamento da gengiva em direção à ponta da raiz dentária), amolecimento dos dentes, mau hálito persistente e presença de secreção. “Quando identificamos o problema cedo, há grandes chances de salvar o dente. O que não pode acontecer é esperar até o ponto em que a extração se torna a única alternativa”, alerta.

 

Evolução da odontologia: novas possibilidades de tratamento 

Se, no passado, a dentadura era praticamente a única alternativa para quem perdia os dentes, hoje a odontologia oferece opções mais modernas e confortáveis. As próteses fixas e os implantes dentários transformaram o conceito de reabilitação oral. “A dentadura ainda é bastante usada por ser uma alternativa mais acessível, mas os implantes representam um avanço enorme. Eles devolvem a função mastigatória e a estética com muito mais conforto e estabilidade”, afirma a professora. 

Ela costuma usar uma comparação simples para explicar a diferença: “A dentadura é como um Fusca, enquanto os implantes são uma caminhonete Hilux. Ambos podem levar ao mesmo lugar, mas a experiência é completamente diferente.”

 

O papel da família e dos cuidadores 

O apoio da família e de cuidadores é um pilar fundamental para a manutenção da saúde bucal do idoso. É importante incentivar e, se necessário, auxiliar na higiene oral, que deve ser feita após cada refeição. Para idosos com próteses, é essencial a higienização tanto da mucosa quanto do aparelho. Manter a autonomia do idoso é positivo, mas a supervisão é necessária para garantir que a limpeza seja eficaz. 

Por fim, a professora reforça que envelhecer com saúde e dignidade passa, inevitavelmente, por cuidar da saúde bucal. “Preservar o sorriso é, no fim das contas, preservar a capacidade de se nutrir, de interagir e de encontrar prazer nos pequenos momentos da vida”, finaliza Flaira. A recomendação é procurar avaliação odontológica regular, especialmente em caso de perda recente de dentes ou desconforto durante a mastigação.


UniSociesc

 

Alterações climáticas pioram casos de pneumonia

Especialistas do Sabará Hospital Infantil fala sobre a importância da vacinação em crianças

 

O Dia Mundial da Pneumonia é celebrado em 12 de novembro e tem como objetivo de divulgar a relevância da doença, destacar a importância da prevenção, do diagnóstico e tratamento precoces. A pneumonia é uma infecção pulmonar que pode ser grave e representa uma das principais causas de morte no mundo, especialmente em crianças. Os familiares precisam reconhecer os sinais que alertam para a possibilidade de uma pneumonia e buscar atendimento médico o mais rápido possível: febre persistente, prostração, respiração mais rápida e ofegante, dificuldade para se alimentar e tosse. 

De acordo com os índices apresentados pelo estudo Global Burden of Diseases, Injuries and Risk Factors (GDB) em 2023, cerca de 2,5 milhões de pessoas, incluindo 610 mil crianças menores de 5 anos, foram a óbito por pneumonia no mundo. A pneumonia é a maior causa de morte por doença infecciosa em menores de 5 anos, ceifando a vida de mais de 700mil crianças por ano. 

A mortalidade por pneumonia no Brasil ainda é alta. Em 2024 houve cerca de 118 mil mortes por pneumonia e as faixas etárias mais afetadas sempre são idosos (acima de 80 anos) e crianças pequenas. Nos últimos anos houve um aumento preocupante no número de casos, da ordem de 30%, principalmente no Sudeste do país, com mais de 659 mil internações. Durante o ano de 2025, nos meses de outono e inverno, o Governo do Estado de São Paulo computou cerca de 68 mil hospitalizações por pneumonia em menores de 5 anos. No Sabará Hospital Infantil, de janeiro a outubro de 20225, foram 600 crianças diagnosticadas com pneumonia e o número de internações ultrapassou 170 casos. 

Os principais agentes causadores de pneumonia são os vírus respiratórios, entre eles o vírus respiratório sincicial (VRS) e o influenza. Importante lembrar que a vacina contra influenza está disponível todos os anos, gratuitamente, no SUS. Pode ser aplicada a partir dos 6 meses de vida e está indicada a vacinação da gestante para proteção do bebê até que ele possa ser vacinado. A partir de novembro de 2025, as gestantes também poderão ser vacinadas contra o VRS no SUS. Nos países onde essa medida preventiva já foi adotada, a eficácia da vacinação na prevenção de formas graves da bronquiolite e suas complicações está em 80% para bebês até três meses de idade. 

Entre os patógenos bacterianos relacionados a pneumonia, o GBD aponta o Streptococcus pneumoniae (pneumococo) como o mais frequente (28%). A comunidade médica e as pesquisas sobre pneumonias na infância buscam avaliar o comportamento do pneumococo e as melhores formas de prevenção e tratamento, visto esse ser o agente mais frequente. Aqui no Brasil e em outros países da América Latina e Caribe, existe um acompanhamento dos pneumococos isolados em pacientes com doenças invasivas por esse agente, como meningites e pneumonias. O Projeto SIREVA existe desde 1991 e o grande colaborador na coleta desses dados no Brasil é o Instituto Adolfo Lutz. Esse monitoramento é muito importante para avaliar quais os sorotipos de pneumococo estão circulando na nossa comunidade e, por exemplo, decidir qual a vacina mais indicada para os programas de saúde pública. 

“Quase todas as mortes por pneumonia são evitáveis. As vacinas não conseguem acabar com a pneumonia infantil, mas podem evitas as pneumonias graves, que levam a internações”, explica a Dra Maria Helena Bussamra, responsável pelo Departamento de Pneumologia do Sabará Hospital Infantil. 

Os dados do SIREVA também mostram que ao longo dos anos, a resistência do pneumococo aos antibióticos utilizados para tratamento, só aumenta. Isso afeta a escolha do tratamento empírico inicial dos casos de pneumonia e aumenta a chance de o paciente precisar de uma hospitalização para receber medicamentos mais potentes e de aplicação endovenosa. 

Entre outras causas do aumento de casos de pneumonia e suas complicações, destacam-se as mudanças climáticas e a poluição ambiental. Os ambientes fechados durante o outono e inverno facilitam a disseminação de vírus e bactérias por gotículas respiratórias. Cerca de 2 bilhões de crianças de 0 a 17 anos vivem em áreas onde a poluição do ar externo excede os limites tolerados internacionalmente. Em 2024, a cidade de São Paulo ficou em primeiro lugar dentre as cidades mais poluídas do planeta durante algumas semanas. Ainda é preciso considerar os efeitos do tabagismo passivo na saúde respiratória das crianças. A saúde respiratória está intimamente relacionada ao ambiente onde a criança vive. 

“Além da vacinação, outras ações podem auxiliar na prevenção de pneumonia como o aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida, responsável pelo fortalecimento do sistema imunológico, assim como alimentação saudável, prática de atividades físicas principalmente ao ar livre, que também contribuem para fortalecer imunidade e a redução da poluição do ar doméstico” finaliza a Dra. Miriam Eller, pneumologista pediátrica do Sabará Hospital Infantil”.

 

Sabará Hospital Infantil – cuidado especializado, nas situações mais complexas!


Cuidados paliativos priorizam qualidade de vida e o alívio do sofrimento de pacientes

Getty Images
Médico do CEJAM explica a importância dessa abordagem no tratamento de doenças crônicas e sem cura 


Os cuidados paliativos representam uma forma diferente de olhar e cuidar do paciente. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 625 mil pessoas no Brasil necessitam desse tipo de atenção, que busca garantir conforto, dignidade e qualidade de vida mesmo diante de doenças graves ou sem cura.

O Dr. Marco Acras, intensivista da UTI da Santa Casa de São Roque, unidade gerenciada pelo CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”), em parceria com a prefeitura da cidade, descreve que: cuidar paliativamente é garantir que o paciente não sofra, não sinta dor, nem cansaço, ânsia de vômito ou outros desconfortos. É cuidar de forma integral, buscando que ele viva da melhor maneira possível, mesmo diante das limitações impostas pela doença.”

O médico ressalta que os cuidados paliativos se aplicam a todas as pessoas com doenças ameaçadoras à vida, e não apenas em estágios terminais. Pacientes com câncer, AIDS, diabetes, insuficiência cardíaca, AVC e até condições genéticas, como a Síndrome de Down, podem se beneficiar dessa abordagem, que prioriza o bem-estar físico, emocional, social e espiritual.

​​Segundo ele, um dos equívocos mais comuns é associar a atenção paliativa apenas ao fim da vida. O cuidado paliativo começa no diagnóstico de uma doença grave, e não no último momento. Há pessoas que vivem anos, até décadas, acompanhadas por uma equipe paliativista”, afirma​​ . ​​​

Ele cita pacientes com AIDS ou insuficiência cardíaca que seguem suas rotinas com apoio contínuo. “Nosso papel é garantir que a pessoa continue vivendo com propósito, com prazer, com dignidade. O maior erro é deixar alguém morrer antes de morrer. Ou seja, perder o sentido da vida antes do tempo.”

A equipe paliativista é multiprofissional e integrada. Médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas, técnicos de enfermagem, equipe de limpeza e familiares participam do processo. “Todos que cercam o paciente fazem parte desse cuidado. Às vezes, o simples gesto de sentar e ouvir o que ele tem a dizer já é uma forma de acolher”, afirma o médico.

Compreender os cuidados humanizados, explica Dr. Acras, também exige discutir bioética, área que busca equilibrar os avanços tecnológicos da medicina com o respeito à dignidade humana. Nem tudo o que é tecnicamente possível é eticamente desejável. A bioética define o limite entre o que a tecnologia pode fazer e o que o ser humano realmente precisa”, pontua.

Os pilares que orientam essa prática são quatro: autonomia, que garante ao paciente o direito de escolher o caminho do tratamento; beneficência, que determina que toda intervenção deve buscar o benefício do paciente; não maleficência, que preza por evitar danos desnecessários; e justiça, que assegura o mesmo cuidado e acolhimento a todos, independentemente de classe social, religião ou condição econômica.

Dr. Marco também compartilha relatos emocionantes que mostram o impacto dessa abordagem. “Nunca me esqueço de um paciente que, ao receber da equipe de oncologia a notícia de que não havia mais tratamentos disponíveis, perguntou se poderia retomar alguns hábitos antigos. Às vezes, é isso: é permitir que a pessoa continue vivendo dentro do que lhe dá prazer, mesmo em circunstâncias difíceis.

Ele lembra ainda de uma senhora que, ciente de que se aproximava do fim da vida, internou-se para receber cuidado integral, mas pediu para passar o Natal em casa. Movemos o mundo para realizar o desejo dela. Ela saiu do hospital na noite de 24 de dezembro, por volta das 20h, passou a meia-noite em casa e voltou para o hospital às 3 horas da manhã, ela pôde aproveitar aquele momento com dignidade. Faleceu no dia 26.”

Outras histórias também marcaram sua trajetória, como a de uma paciente que conseguiu se casar no hospital para garantir os direitos do companheiro, e de famílias que encontraram acolhimento e apoio durante o luto. “Cuidar paliativamente é enxergar a pessoa por inteiro, suas dores, desejos, medos e sonhos e não apenas a doença que ela carrega, destaca.

O especialista reforça ainda que espiritualidade não se limita à religião: está ligada à capacidade de cada pessoa se conectar consigo mesma e encontrar sentido em sua jornada. É o que ajuda o paciente a seguir em paz, independente de crenças.”

Para o Dr. Acras, o grande aprendizado da atenção paliativa é lembrar que a vida é finita e que a medicina deve caminhar lado a lado com o afeto. “A única certeza que temos é a de que um dia vamos morrer. Então, que a vida seja boa enquanto durar. Cuidar não é curar. É aliviar o sofrimento, acolher, escutar e respeitar a história de cada um”, finaliza.

 

CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”

@cejamoficial

42% da população brasileira sente impacto das mudanças climáticas na saúde mental e mulheres são o grupo mais atingido, aponta estudo do Instituto Cactus

A 4ª coleta do Panorama da Saúde Mental realizada em parceria com a AtlasIntel avaliou, pela primeira vez, nível de ansiedade climática dos brasileiros

 

As mudanças climáticas têm efeitos não apenas na saúde física das populações, mas também estão intimamente conectadas com a sua saúde mental. Dados da 4ª coleta do Panorama da Saúde Mental, realizada pelo Instituto Cactus — organização independente e referência nacional em prevenção de doenças e promoção da saúde mental — em parceria com a AtlasIntel — empresa especializada em inteligência de dados —, mostrou que 54% dos brasileiros afirmam se preocupar diariamente ou semanalmente com os impactos da crise climática. O efeito dessa preocupação já tem reflexos: quase 42% da população acredita que as mudanças climáticas tiveram impacto em sua saúde mental, sendo as mulheres o grupo mais atingido, 47,4% delas relatam se preocupar diariamente com as mudanças climáticas, enquanto entre os homens esse índice é de 27,9%. 

O levantamento realizado em 2025 teve como base uma pesquisa realizada por meio de recrutamento digital aleatório, na qual participaram 10.025 pessoas maiores de 16 anos de todas as regiões do país. Lançado às vésperas da COP 30, esta edição teve como tema de seu módulo variável os efeitos das mudanças climáticas na saúde mental da população.

O levantamento revela que 74,3% das pessoas já vivenciaram consequências diretas de desastres — como enchentes, queimadas e ondas de calor — e aponta para os efeitos emocionais e psicológicos da crise climática na vida cotidiana da população. Mais da metade dos entrevistados relatam sentir-se nervosos, ansiosos ou inquietos (58%) e demonstram medo (51%) diante das mudanças climáticas, enquanto 44% se dizem excessivamente preocupados. Entre 34% e 36% das pessoas relatam enfrentar dificuldades para dormir, trabalhar ou se relacionar socialmente em função da ansiedade climática, demonstrando que os efeitos emocionais da crise climática têm prejudicado o cotidiano e a qualidade de vida das pessoas. 

“As mudanças climáticas já têm um impacto direto no cotidiano e na saúde emocional de milhões de brasileiros. Não se trata apenas de uma questão ambiental, mas também humana e social. Quando uma família perde a casa em um desastre, ou quando uma chuva mais forte desperta o medo de perder o pouco que tem, isso também afeta o equilíbrio mental. As transformações do clima ameaçam a segurança, a moradia e os vínculos comunitários; por isso, trabalhar para mitigar as mudanças climáticas é também cuidar da saúde mental individual e coletiva", avalia Maria Fernanda Quartiero, diretora-presidente do Instituto Cactus. 

Os dados também apontam para impactos distintos das mudanças climáticas entre mulheres e homens. As mulheres, em especial, relatam sentir mais os efeitos das mudanças climáticas em sua saúde mental: 47,4% relatam se preocupar diariamente com as mudanças climáticas, enquanto entre os homens esse índice é de 27,9%. Além disso, 49,2% das mulheres afirmam que as mudanças climáticas já afetaram a sua saúde mental, ante 34,3% dos homens. Elas também sentem maior responsabilidade individual sobre o tema: 47% dizem que precisam contribuir para resolver o problema, contra 25,5% dos homens. Esses resultados mostram que a crise climática impacta de maneira desigual mulheres e homens, refletindo diferenças sociais e emocionais na forma como cada grupo vivencia e reage a esse desafio.
 

Destaques

Além de explorar aspectos da ansiedade climática, o relatório revela dados gerais sobre o estado da saúde mental no país. O Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental (ICASM) da população geral, que varia de 0 a 1000 e é analisado em todas as coletas, registrou uma leve queda em relação à última medição, passando de 682 para 667. Jovens de 16 a 24 anos e mulheres, públicos prioritários do Instituto Cactus, seguem apresentando indicadores de saúde mental mais inferiores quando comparados com a população em geral. 

Os destaques da nova pesquisa mostram que os aspectos sociais e as questões econômicas seguem associados à saúde mental dos brasileiros. De acordo com o relatório, 83% dos entrevistados afirmam ter preocupações com sua situação financeira. 

Sono irregular e cansaço diurno também fazem parte da rotina da população: 72% dos respondentes dormiram menos de seis horas em pelo menos uma noite nas últimas duas semanas, e 64% relataram sentir forte sonolência durante o dia. Sentimentos de inadequação física e intelectual também permanecem em níveis elevados: 48% dos participantes se sentiram feios ou pouco atraentes, e 35% se consideraram pouco inteligentes pelo menos uma vez nas duas semanas anteriores à pesquisa. 

Esses dados reforçam a necessidade de se entender a saúde mental como uma complexa interação entre aspectos individuais, coletivos e sociais. Mudanças estruturais demandam políticas públicas intersetoriais e ações de cuidado que considerem as particularidades de cada grupo, especialmente jovens e mulheres, visando reduzir vulnerabilidades e promover uma sociedade mais saudável do ponto de vista da saúde mental.
 

Sobre o Panorama

O Panorama da Saúde Mental é uma iniciativa do Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel, criada em 2022 para monitorar a saúde mental da população brasileira. O estudo utiliza o Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental (ICASM), que avalia dimensões como confiança, vitalidade e foco em uma escala de 0 a 1000 pontos. A iniciativa busca oferecer dados confiáveis para subsidiar políticas públicas, ações de prevenção e estratégias de promoção da saúde emocional.

O relatório completo da 4ª coleta do Panorama da Saúde Mental está disponível em:www.panoramasaudemental.org 



Instituto Cactus - organização filantrópica e de direitos humanos, sem fins lucrativos, independente, que atua para ampliar e qualificar o ecossistema da saúde mental no Brasil, por meio de projetos voltados aos cuidados em prevenção de doenças e promoção da saúde mental, principalmente para dois públicos: mulheres e adolescentes.

AtlasIntel - empresa brasileira de inteligência de dados e análise de risco, especializada em pesquisas de alta frequência sobre opinião pública.


Brasil registra mais de mil mortes de idosos por engasgo a cada ano

Especialistas da Universidade Veiga de Almeida alertam para perda da sensibilidade oral e dão dicas de como agir em casos de engasgo em idosos

 

Um levantamento da Universidade Veiga de Almeida (UVA), com base em dados do Painel de Monitoramento da Mortalidade CID-10, do Ministério da Saúde, mostra que o Brasil registrou em média mais de mil mortes de pessoas com 60 anos ou mais por engasgo nos últimos três anos. 

Entre 2022 e 2024, foram 3.704 óbitos por obstrução do trato respiratório causada pela inalação ou ingestão de alimentos ou outros objetos, uma média de 1.235 mortes por ano. 

Engasgar ocasionalmente é algo comum, mas quando começa a acontecer com frequência, especialmente com o passar dos anos, pode ser um sinal de que o corpo está passando por mudanças naturais relacionadas ao envelhecimento, alerta Guilherme Zica, professor de Fonoaudiologia da UVA. 

“A capacidade de engolir, chamada de deglutição, depende de um trabalho conjunto entre músculos, nervos e estruturas da boca e da garganta. Com o tempo, esses mecanismos podem ficar mais lentos ou menos sensíveis, tornando o ato de se alimentar um pouco mais desafiador”, explica o especialista. 

A perda de sensibilidade oral pode decorrer de alterações neurológicas, traumatismos locais, cirurgias orofaciais, infecções virais, uso de medicamentos, envelhecimento fisiológico, entre outros. Essa redução sensorial está relacionada ao comprometimento dos nervos trigêmeo, facial, glossofaríngeo e vago, responsáveis pela inervação tátil, térmica e gustativa da cavidade oral. Os sinais clínicos incluem diminuição da percepção de temperatura, sabor e textura dos alimentos, dificuldade para perceber resíduos na boca, alterações no controle do bolo alimentar e aumento do risco de engasgos ou aspiração silenciosa (tosse durante alimentação, engasgos, perda de peso e pneumonias). 

O envelhecimento está associado a uma redução progressiva das terminações nervosas sensoriais e da densidade das papilas gustativas, além de diminuição da força e coordenação muscular. Essas mudanças fisiológicas podem resultar em hipossensibilidade oral e disfagia (dificuldades ou incapacidades de deglutir). “A prevenção envolve estimulação regular da musculatura orofacial, manutenção da mastigação ativa com diferentes texturas, hidratação adequada e acompanhamento fonoaudiológico periódico. A melhor forma de prevenir qualquer desvio relacionado a idade é a manutenção da saúde física e mental”, afirma Zica. 

A boa notícia é que existem intervenções fonoaudiológicas, como exercícios, que podem promover estimulação tátil, térmica e proprioceptiva da cavidade oral, melhorando a sensibilidade bucal. “Exercícios de mobilidade e resistência da língua, lábios e bochechas, aliados a estímulos sensoriais com diferentes temperaturas e texturas (gelo, algodão, gaze umedecida, contrastes de sabores), são estratégias utilizadas para aumentar a responsividade neuromuscular e melhorar o controle motor oral. Vale ressaltar que as intervenções precisam ser orientadas e prescritas por um fonoaudiólogo”, destaca. 

A higiene oral também influencia na sensibilidade da boca e no risco de engasgos e por isso é essencial para a integridade das mucosas e dos receptores sensoriais orais, prevenindo inflamações e infecções. Além disso, a má higiene oral aumenta o risco de aspiração de secreções contaminadas, podendo levar a pneumonia aspirativa. “Portanto, a limpeza regular da cavidade oral, hidratação das mucosas e controle regular de próteses dentárias são medidas preventivas fundamentais para preservar a sensibilidade e reduzir complicações”, alerta o professor da UVA.
 

Como agir em casos de engasgo em idosos 

De acordo com Lidiane Reis, coordenadora de Enfermagem da UVA e orientadora da Liga de Urgência e Emergência da instituição, o engasgo em idosos é tratado da mesma forma que em adultos e caracteriza-se como Obstrução das Vias Aéreas por Corpo Estranho (OVACE). Ao identificar a situação, é essencial verificar a segurança do local e observar sinais de gravidade, como fraqueza ou ausência de tosse, incapacidade de falar, coloração arroxeada ou alteração do estado mental. Se não houver sinais graves, deve-se incentivar a tosse. 

Caso o idoso permaneça engasgado, é fundamental acionar o serviço de emergência pelo número 192. Segundo Lidiane, se o paciente estiver consciente, o procedimento inclui cinco tapas nas costas seguidos de cinco compressões abdominais, repetindo a sequência até que o objeto seja expelido ou até que a pessoa perca a consciência. Se o idoso ficar inconsciente, deve-se iniciar a RCP (reanimação cardiopulmonar) até a chegada do atendimento médico avançado, seguindo o algoritmo de Suporte Básico de Vida (SBV) em adultos. Lidiane reforça ainda que, em pacientes nos estágios finais da gestação ou quando o socorrista não conseguir circundar o abdome do idoso, devem ser realizadas cinco compressões torácicas.


Dia Nacional de Combate e Prevenção à Surdez: Especialista lista 5 dicas para o uso seguro de fones de ouvido

Relatório Mundial da Audição estima que 2,5 bilhões de pessoas terão algum grau de perda auditiva até 2050.

 

No Dia Nacional de Combate e Prevenção à Surdez, celebrado em 10 de novembro, um alerta para um hábito moderno que se tornou o principal vilão da saúde auditiva: o uso incorreto e excessivo de fones de ouvido. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que mais de 1 bilhão de pessoas entre 12 e 35 anos estão em risco de perda auditiva devido à exposição frequente a ruídos altos e ao uso inadequado de dispositivos de áudio. 

Esse cenário preocupante é reforçado pelo último Relatório Mundial da Audição da OMS, que estima que aproximadamente 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo terão algum tipo de perda auditiva até 2050. O problema é grave nas Américas, onde a OMS indica que cerca de 217 milhões de pessoas (21,52% da população regional) já vivem com perda auditiva, número que pode saltar para 322 milhões até 2050.  

O otorrinolaringologista da Afya Ipatinga, Dr Lauro Nunes de Oliveira Filho, explica que o uso de fones de ouvido em volume muito alto e por muito tempo pode provocar lesão nas estruturas internas da orelha responsáveis por captar e transmitir o som, levando ao que se chama de “perda auditiva induzida por ruído”.  

“Esses danos nem sempre causam imediatamente um déficit que a pessoa percebe, é possível escutar normalmente e já haver início de alteração. Em alguns casos o primeiro sinal que aparece pode ser o zumbido, som no ouvido que ninguém mais ouve, mas não é regra que o zumbido seja sempre o primeiro indicativo. Pode vir primeiro uma leve dificuldade para ouvir em ambientes com barulho, sensação de cansaço nos ouvidos ou de que precisa aumentar o volume para entender”. 

No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) indicam que 2,2 milhões de pessoas possuem deficiência auditiva. O risco está diretamente relacionado à intensidade do volume e ao tempo de exposição. Segundo a OMS, sons de até 85 decibéis (dB) permitem uma exposição segura por até oito horas. Contudo, a cada 5 decibéis de aumento, o tempo seguro de exposição cai pela metade: 90 dB (comuns no trânsito intenso) são seguros por apenas quatro horas, e 95 dB por duas horas.  

O perigo real dos fones de ouvido é que muitos dispositivos podem atingir picos de 110 ou 120 decibéis, níveis que podem causar lesões auditivas em questão de minutos. Dr Lauro comenta que nem sempre a perda auditiva induzida por ruído (PAIR) de fones de ouvido é reversível, e que se as exposições se repetem ou se intensificam, ocorrem lesões permanentes nas células da orelha interna ou em suas conexões, que não se regeneram.  

 

Cuidados e recomendações para o uso seguro de fones de ouvido

O uso frequente de fones de ouvido faz parte do dia a dia de muitas pessoas, seja para lazer, trabalho ou estudos. O otorrinolaringologista da Afya Ipatinga ressalta as 5 principais recomendações para manter a saúde auditiva protegida. 

1.   Mantenha o volume em níveis seguros: Procure manter o volume abaixo de 60% da capacidade máxima do dispositivo. Evite compensar o barulho do ambiente aumentando o som, prefira fones com isolamento acústico ou cancelamento de ruído.

2.   Limite o tempo de uso: Procure usar os fones por no máximo 60 minutos seguidos e dê intervalos antes de retomar o uso. Quanto maior o volume, menor deve ser o tempo de exposição.

3.   Faça pausas para descanso auditivo: Dê pausas regulares para que os ouvidos descansem, alguns minutos sem fones já fazem diferença. Essa pausa ajuda a evitar fadiga auditiva e reduz o risco de danos cumulativos à audição.

4.   Prefira ambientes silenciosos: Em locais barulhentos (como ônibus, metrôs ou ruas movimentadas), a tendência é aumentar o volume para “superar” o ruído. Sempre que possível, ouça música ou podcasts em ambientes mais tranquilos. Se for inevitável o uso em locais ruidosos, opte por fones com boa vedação ou tecnologia de cancelamento de ruído.

5.   Utilize recursos de proteção auditiva: Muitos dispositivos contam com funções de alerta de volume alto ou limite de som seguro, ative essas opções. Alguns aplicativos e celulares registram o tempo de uso em volumes elevados, use essas informações para ajustar seus hábitos. 

“O uso diário de fones de ouvido tornou-se parte da rotina de milhões de pessoas. Seja no transporte, na academia ou no trabalho, os fones são companheiros constantes. Mas o uso incorreto, especialmente em volumes altos e por tempo prolongado, pode causar danos permanentes à audição, muitas vezes de forma silenciosa”, complementa Dr Lauro Nunes. 

 


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