No Dia Mundial da doença, celebrado em 10 de novembro, oftalmologista reforça a importância do diagnóstico precoce para evitar a perda de visão
No próximo dia 10 de novembro é celebrado o Dia
Mundial do Ceratocone, uma doença que afeta principalmente jovens e tem se
tornado cada vez mais comum. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 150
mil brasileiros desenvolvem o problema a cada ano, um número que chama atenção
e reforça a importância do diagnóstico precoce.
O Dr. Leonardo Gulino, oftalmologista do H.Olhos, Hospital de
Olhos da Vision One, explica que o ceratocone é caracterizado pelo afinamento e
pela deformação progressiva da córnea, que passa de um formato arredondado para
um mais pontiagudo. Essa alteração compromete a visão e pode evoluir de forma
silenciosa. “Em muitos casos, o paciente percebe apenas uma leve piora na
nitidez e acredita que precisa trocar o grau dos óculos. O problema é que o
ceratocone não é apenas uma questão de refração — é uma doença estrutural, que
precisa ser identificada e tratada o quanto antes para evitar danos
permanentes”, explica o médico.
Ele ressalta que, apesar de ter origem genética, o ceratocone pode
ser agravado por fatores externos. “O ato de coçar os olhos com frequência é um
dos grandes vilões. Esse atrito repetitivo enfraquece as fibras da córnea e
acelera a progressão da doença. Por isso, é essencial que pessoas alérgicas,
que sentem coceira ou irritação ocular, tenham acompanhamento com um
especialista e evitem o contato excessivo com a região dos olhos”, orienta.
De acordo com o oftalmologista, a tecnologia tem sido uma grande
aliada no diagnóstico e no tratamento do ceratocone. Hoje, exames como a
topografia e a tomografia de córnea permitem detectar a doença ainda em fases
iniciais, mesmo antes de qualquer alteração perceptível na visão. “Quanto mais
cedo identificamos o problema, maiores são as chances de estabilizar a córnea e
impedir a evolução do quadro. O diagnóstico precoce faz toda a diferença para
preservar a visão”, afirma o Dr. Leonardo Gulino.
O tratamento do ceratocone depende do estágio da doença. Nos casos
mais leves, o uso de óculos ou lentes de contato especiais costuma ser
suficiente para melhorar a visão. Em estágios intermediários, procedimentos
modernos como o crosslinking corneano — técnica que utiliza riboflavina
(vitamina B2) associada à luz ultravioleta para fortalecer as fibras de
colágeno da córnea — têm mostrado excelentes resultados. “O crosslinking é um
avanço importante porque aumenta a rigidez da córnea e impede que a deformação
continue progredindo. É um procedimento seguro, rápido e que preserva a
estrutura ocular do paciente”, explica.
Nesses casos intermediários, também pode ser indicada a
implantação do anel intracorneano, desde que a córnea esteja transparente e sem
cicatrizes. “O anel tem um objetivo diferente: enquanto o crosslink estabiliza
o ceratocone, o anel visa melhorar a visão, reduzindo a irregularidade da
córnea e proporcionando maior nitidez visual”, destaca o oftalmologista.
Nos quadros mais avançados, quando há cicatrizes corneanas ou
deformidades significativas, o anel não é recomendado. Nesses casos, o
transplante de córnea pode ser a melhor alternativa. O especialista observa que
as técnicas cirúrgicas atuais são menos invasivas e proporcionam melhor
recuperação. “Hoje conseguimos substituir apenas as camadas comprometidas da
córnea, preservando o tecido saudável e garantindo uma reabilitação visual mais
rápida e estável”, comenta.
O especialista reforça que o ceratocone não tem cura, mas pode ser
controlado com acompanhamento contínuo. “Nosso papel é informar e orientar a
população sobre a importância de manter consultas oftalmológicas regulares. É
uma doença que acomete pessoas jovens, inclusive crianças, e quanto antes for
identificada, melhores são as chances de preservar a visão e a qualidade de
vida”, finaliza o Dr. Leonardo Gulino, oftalmologista do H.Olhos, Hospital de
Olhos da Vision One.

Nenhum comentário:
Postar um comentário