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terça-feira, 10 de abril de 2018

Técnica de estimulação cerebral auxilia na recuperação de pacientes com doenças do sistema nervoso


Fisioterapia com neuromodulação é indolor e não-invasiva


            A neuromodulação consiste na aplicação de um campo elétrico ou magnético que modifica e modula o Sistema Nervoso Central ou Periférico. Segundo a fisioterapeuta e sócia do Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (CERNE), Mariana Carvalho Krueger, a técnica é utilizada no tratamento de pacientes com dores crônicas, Doença de Parkinson, Acidente Vascular Encefálico (AVE), traumatismo raquimedular e traumatismo cranioencefálico, esclerose múltipla, paralisia cerebral e autismo.

            A prática se dá por meio da aplicação de corrente contínua de baixa intensidade sobre o crânio, a qual é capaz de gerar excitabilidade ou inibição cortical e, assim interferir no desempenho de diferentes funções neurológicas. Desta forma, o procedimento pode influenciar as funções motoras, sensoriais e cognitivas. Já os efeitos dependem principalmente da polaridade de corrente aplicada, da intensidade, do tempo de aplicação, da área estimulada e da densidade desta corrente.

            A Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC) consiste na aplicação de correntes contínuas de baixa intensidade (de 1 a 2 mil ampéres) por meio de eletrodos colocados sobre o couro cabeludo, para aumentar ou inibir a atividade elétrica de determinadas áreas do cérebro e, desta forma, modular a excitabilidade cortical e interferir no desempenho de diferentes funções. O aparelho é constituído basicamente por quatro componentes principais: eletrodos (ânodo e cátodo), amperímetro (medidor de amplitude de corrente elétrica), potenciômetro (componente que permite a manipulação da amplitude da corrente) e baterias para gerar a corrente aplicada. “A técnica é indolor, o paciente sente apenas um leve formigamento no local”, destaca a fisioterapeuta. 

            Já a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) utiliza os princípios da indução eletromagnética para produzir correntes iônicas focais no cérebro de indivíduos conscientes. A corrente induzida tem a capacidade de despolarizar neurônios ou modular a atividade neural. 

O estimulador magnético é composto por duas unidades principais, uma bobina e um gerador de corrente. Para interferir na atividade neuronal, a bobina deve ser posicionada sobre o escalpo do indivíduo e direcionada para a área de interesse. A mudança constante da orientação da corrente elétrica dentro da bobina é capaz de gerar um campo magnético, induzindo correntes elétricas em áreas corticais, as quais podem despolarizar neurônios e gerar potenciais de ação que fazem a neuromodulação.

Segundo a fisioterapeuta, o procedimento das duas correntes tem sido utilizado com resultados positivos na recuperação motora e principalmente na instabilidade postural de pacientes que enfrentam a doença de Parkinson,  na espaticidade e aprendizado motor pós AVC, depressão e para melhora da memória e das habilidades motoras e cognitivas.

            Em nenhum dos casos é preciso raspar o cabelo do paciente. “No caso da EMT, como é preciso acoplar perfeitamente a bobina na região e mantê-la imóvel durante a aplicação, poderá ser usada uma toca, que impede a bobina de escorregar”, explica Mariana.




CERNE - Centro de Excelência em Recuperação Neurológica
Avenida Presidente Getúlio Vargas, 4390 - Vila Izabel
Telefone: 41 3092-6366
           


OMS indica Terapia por Pressão Negativa para reduzir incidência de infecções pós-operatórias


No Brasil, 11% de todos os procedimentos cirúrgicos realizados resultam em uma infecção deste tipo.[1]


Recentemente, a Organização Mundial da Saúde divulgou, pela primeira vez, diretrizes para a prevenção e controle das Infecções do Sítio Cirúrgico (ISCs)[ii] – que ocorrem quando bactérias contaminam as incisões feitas nas cirurgias – com o intuito de gerar visibilidade para o impacto dessas ocorrências ao redor do mundo. Dentre as recomendações da agência global, a terapia por pressão negativa profilática foi apontada como uma solução para a redução da incidência de ISCs em incisões fechadas com alto risco de infecção2

A terapia por pressão negativa é um mecanismo que promove a melhora do ambiente celular e acelera o fechamento da ferida por meio da assepsia, do controle da umidade no local e da drenagem de fluidos. A partir de uma revisão sistemática, a OMS concluiu que esse tipo de terapia reduziu significativamente a probabilidade de ISCs em pacientes com uma incisão de alto risco fechada (como, por exemplo, cirurgias abdominais, vasculares, de trauma ortopédico, entre outras), comparadas aos curativos pós-operatórios tradicionais2. A análise dos estudos observacionais demonstrou uma redução de mais de 7% na incidência desse tipo de infecção nos casos em que a terapia por pressão negativa foi utilizada[iii]. Os achados foram publicados na revista Medicine3.

“É a primeira vez que a OMS divulga diretrizes sobre esse tipo de infecção, uma das mais recorrentes no pós-operatório; o que mostra a importância da prevenção das infecções do sítio cirúrgico”, comenta Débora Sanches, presidente da Sociedade Brasileira de Tratamento Avançado de Feridas (SOBRATAFE). “As medidas vão desde a higiene dos pacientes e do uso adequado de antibióticos até a utilização de terapias mais modernas, como a terapia por pressão negativa, para conter o problema”, completa.

No Brasil, as infecções do sítio cirúrgico ocorrem frequentemente nos serviços de saúde e representam de 14% a 16% das ocorrências encontradas em pacientes hospitalizados1. Cerca 11% de todos os procedimentos cirúrgicos analisados pelo Ministério da Saúde resultaram em uma infecção deste tipo1

A taxa de infecção varia de acordo com fatores relacionados à população atendida e aos procedimentos realizados, sendo que em países com baixa e média renda o risco de ISCs é de 3 a 5 vezes maior que nos de alta renda[iv]
 
Além do tratamento das infecções do sítio cirúrgico, as terapias por pressão negativa vêm sendo utilizadas ao redor do mundo desde a década de 90 como aliadas no tratamento de feridas complexas (lesões agudas ou crônicas de cicatrização complicada), como as de pés diabéticos, as úlceras por pressão, as de fraturas expostas, entre outros. 


Conscientização: o tempo não cicatriza

Promover a conscientização é um dos motivos da união de sete organizações, entre sociedades de enfermagem, como a SOBRATAFE, e médicas e associação de pacientes, com apoio da ACELITY, na campanha O Tempo Não Cicatriza. Para feridas complexas, o tratamento é o melhor remédio no Brasil. A iniciativa espera informar a população sobre feridas complexas e seus riscos, levando as pessoas a procurarem um profissional da saúde que possa avaliar a utilização de tratamentos mais adequados. As opções terapêuticas variam de acordo com o tipo de lesão e com a região do corpo em que estão localizadas. 

A campanha é promovida pelas sociedades brasileiras de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), de Queimaduras (SBQ), de Tratamento Avançado de Feridas (SOBRATAFE), a de Atendimento Interligado ao Traumatizado (SBAIT); de Estomaterapia (SOBEST) e a de Enfermagem em Dermatologia (SOBENDE), e a Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD).

Atualmente, estão disponíveis no País soluções inovadoras como curativos avançados com propriedades antimicrobiana, antiodor, regenerativa ou hidratante, que contribuem para a cicatrização. Também existem tecnologias hospitalares e domiciliares, como o sistema de pressão negativa, que utiliza a pressão controlada e localizada sobre a lesão por meio de um curativo de espuma coberto por uma película e ligado a um sistema de drenagem, e a câmara hiperbárica que permite ao paciente respirar oxigênio puro enquanto fica sob uma pressão de duas a três vezes superior à pressão atmosférica ao nível do mar. Ambas as tecnologias aceleram o tempo de cicatrização de feridas.






Sociedade Brasileira de Tratamento Avançado de Feridas (SOBRATAFE)



[1] AGÊNCIA Nacional de Vigilância Sanitária. SÍTIO CIRÚRGICO - Critérios Nacionais de Infecções relacionadas à assistência à saúde. Março de 2009. Acessado em agosto de 2017 e disponível em: http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/criterios_nacionais_ISC.pdf

[ii] WORLD Heatlh Organization. Global Guidelines for the Prevention of Surgical Site Infection. World Health Organization, 2016. Acessado em Agosto de 2017 e disponível em:  http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/250680/1/9789241549882-eng.pdf?ua=1

[iii] DE VRIES, Fleur EE et al. A systematic review and meta-analysis including GRADE qualification of the risk of surgical site infections after prophylactic negative pressure wound therapy compared with conventional dressings in clean and contaminated surgery. Medicine, v. 95, n. 36, 2016. Acessado em agosto de 2017. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5023882/

[iv] WORLD Health Organization. Stop Infections after Surgery (Infográfico). World Health Organization, 2016. Acessado em Agosto de 2017 e disponível em: http://www.who.int/gpsc/ssi-infographic.pdf?ua=1


Campanha Abril Marrom orienta sobre a prevenção da cegueira


As principais causas da perda da visão no Brasil podem ser curadas ou tratadas quando diagnosticadas precocemente


Segundo estimativas do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), existem cerca de 1,2 milhões de brasileiros cegos. As principais causas para a perda da visão são a catarata, o glaucoma e a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), doenças que podem ser tratadas ou estabilizadas com o diagnóstico precoce.

Para conscientizar a população sobre a prevenção da cegueira, neste mês é realizada a campanha Abril Marrom, uma iniciativa de governos, entidades médicas, centro hospitalares e especialistas para ajudar a difundir informações e a importância da prevenção de doenças oculares que podem provocar a perda da visão.  “Fazer um acompanhamento oftalmológico periódico é fundamental para detectar enfermidades que causam cegueira, pois há tratamento quando diagnosticadas no início. Como muitas delas não têm sintomas, se a pessoa não fizer exames regulares, pode perder a visão progressivamente sem perceber”, conta Ana Paula Canto, oftalmologista da Clínica Canto.

A catarata, doença que provoca a opacidade da lente natural do olho, chamada de cristalino, por causa do envelhecimento, é uma das principais causas da cegueira reversível no Brasil, fazendo com que, todos os anos, 350 mil pessoas deixem de enxergar, de acordo com o CBO. Mas, é possível curar a doença. “A catarata é tratada por meio de uma cirurgia, na qual é retirado o cristalino opaco, que é substituído por uma lente artificial transparente. É um procedimento rápido e seguro, que pode ser feito em qualquer estágio da doença, mas pode ter complicações se estiver em estágio muito avançado. Por isso, é importante um acompanhamento do oftalgmologista para decidir o melhor momento para a cirurgia”, ressalta Geraldo Canto, oftalmologista da Clínica Canto.

Já as outras duas principais enfermidades responsáveis pela cegueira no Brasil, o glaucoma e a degeneração macular relacionada à idade, precisam ser tratadas precocemente, pois as perdas de visão provocadas por elas são irreversíveis. “O glaucoma causa uma alteração do nervo óptico, que entra em sofrimento e perde a capacidade de captar e transmitir os raios luminosos. Já a degeneração macular relacionada à idade tem dois tipos: a seca, mais comum e que provoca uma atrofia dos tecidos da mácula, área da retina responsável pela visão central, e a exsudativa, que causa um crescimento anormal dos vasos no fundo do olho, com produção de líquido e hemorragias”, relata Ana Paula Canto. “Entretanto, essas doenças podem ser diagnosticadas ainda no início por meio de exames oftalmológicos regulares e o tratamento consegue evitar a progressão dessas disfunções”, acrescenta.  


Visão na infância

Embora as principais doenças oculares que causem a perda da visão sejam mais comuns à medida que a pessoa envelhece, elas também podem ocorrer na infância. “A criança pode nascer com catarata ou glaucoma congênitos, que podem ser detectados já nos primeiros meses de vida.  Por isso, ainda na maternidade deve ser realizado o Teste do Olhinho. Depois, as avaliações devem ser semestrais até os dois anos e idade. Após esse período, devem ser realizadas consultas anuais ou a cada dois anos”, explica Geraldo Canto. Outro problema grave que ainda pode surgir nos primeiros anos de vida é o retinoblastoma, um tumor maligno que afeta a retina. “Quando não é diagnosticado e tratado corretamente, o retinoblastoma pode causar a morte ou grande dificuldade de enxergar, pois não permite o desenvolvimento da visão”, alerta o oftalmologista.


Complicações da diabetes

A cegueira ainda pode ocorrer pela falta de controle da diabetes. A retinopatia diabética é uma complicação da doença que provoca lesões dos pequenos vasos sanguíneos que nutrem a retina, podendo causar hemorragias e levar à perda da visão. Segundo o CBO, cerca de 50% dos portadores de diabetes desenvolverão algum grau de retinopatia diabética ao longo da vida. “É fundamental que todo diabético tenha um acompanhamento oftalmológico regular para poder realizar um tratamento, quando necessário, e evitar a perda total da visão. Mas, o controle dos níveis de glicose também é fundamental para prevenir a retinopatia diabética”, orienta Ana Paula Canto. 





Clínica Canto


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