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segunda-feira, 19 de março de 2018

Compartilhamento de notícias falsas dificulta trabalho de profissionais da saúde


Provavelmente você já recebeu algum conteúdo através das redes sociais ou de aplicativos para celular e se questionou: "será que isso é verdadeiro?". A realidade é que muitas pessoas compartilham notícias ou materiais recebidos sem verificar a veracidade dos arquivos, que muitas vezes são falsos. E isso, às vezes por inocência ou falta de conhecimento, está dificultando o trabalho dos profissionais da área da saúde.
Desde que um novo surto de febre amarela atingiu o Brasil, no primeiro semestre de 2017, pessoas de diversas localidades se dirigiram às unidades de saúde para se vacinar contra a doença. No entanto, diversas notícias compartilhadas, principalmente no Whatsapp, trouxeram medo e confundiram muitas pessoas.


Segundo o pesquisador do Laboratório de Comunicação e Saúde (Laces), do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS), Igor Sacramento, os boatos na área da saúde, principalmente relacionados às vacinações, são antigos no país: "Os boatos com relação à vacina, eles fazem parte da história da imunização no Brasil", disse. Sacramento citou os casos de vacinação contra a gripe para idosos, em 2000, e mais recentemente contra contra HPV, em 2014, e contra H1N1, em 2016, como exemplos de campanhas que também sofreram com boatos. "Essa coisa de que o governo quer matar as pessoas para diminuir a população brasileira. Isso sempre aparece", afirma.

A propagação de notícias falsas avançou de forma significativa com o avanço da tecnologia, que facilitou o acesso e aumentou o alcance dos conteúdos. "Essa é a grande transformação contemporânea da circulação desses boatos. Antes esses boatos ocorriam, eles existiam, mas eram mais em comentários com a família, com amigos. Agora eles têm uma outra dimensão por causa da internet", afirma Sacramento. Segundo ele, a tendência é que isso aumente ainda mais ao longo do tempo: "A tendência é aumentar. Isso não cabe a nós o controle, não tem como. O que nós temos que fazer é entender a lógica. Nós vivemos em um interativo comunicacional onde todo mundo está buscando estar conectado nas redes sociais, no Whatsapp", afirma.

Para Sacramento, outros fatores contribuem para a presença e propagação dos boatos, como a própria cultura do povo brasileiro, que gosta de se comunicar, e a falta de credibilidade das instituições. "Nós temos uma cultura baseada na oralidade, na persualidade, na intimidade. E por outro lado, tem uma crise nas instituições e no sistema de confiança nas instituições", disse.

Sacramento também destaca que, conteúdos que possuem relatos de pessoas que passaram por experiências negativas - muitas vezes não verídicas - costumam impactar mais o público. "O que eu achei muito curioso em relação às fakes news, a esses boatos, é o relato de experiência em comunidades no Facebook, em vídeos no Youtube. Pessoas compartilham no Whatsapp. É muito forte o relato de experiência. Pessoas que tomaram a vacina, ou os filhos da pessoa, relatam experiências desastrosas, complicadas, com efeitos adversos. Isso tem um apelo muito forte, com persuasão. As pessoas crêem em quem está relatando", destaca. Outro aspecto relevante, segundo Sacramento, está na forma como os materiais são feitos. Além do conteúdo, esses boatos são feitos de forma profissional, através de vídeos bem editados ou textos bem escritos e altamente persuasivos: "Eles têm uma nova roupagem. São muito bem feitos. Parecem reportagens de jornal, vídeos que parecem matérias televisivas", afirma.

Para Sacramento, para concorrer com essas notícias falsas, as instituições devem criar estratégias eficazes de comunicação com o público, principalmente através das redes sociais: "É necessário que se criem novas estratégias. Estratégias que possam concorrer com esses boatos e utilizar cada vez mais as redes sociais online e particularmente o Whatsapp", afirma. Segundo ele, os órgãos devem capacitar seus profissionais da área da comunicação para que possam estabelecer um diálogo aberto e que transmita confiança para o público: "Eu acho que para amenizar isso são dois movimentos. O primeiro é o das redes sociais online. O primeiro movimento é tentar entender. Nas instituições, na comunicação, ainda estamos acostumados com os paradigmas da comunicação de massa. Então ainda fazemos comunicação pensando nos veículos de comunicação de massa. Acho que há novidades e especificidades que são próprias desses outros espaços de produção de comunicação", disse.

Sacramento defende que a principal forma de concorrer com os boatos é produzir conteúdos informativos que atraiam a atenção das pessoas: "Essa informação tem que ser qualificada. Então nós, do ponto de vista de instituições de saúde, também temos que produzir informações para que as pessoas possam, ao pesquisar, nos achar também", afirma. Outra sugestão de Sacramento consiste em uma comunicação interna mais eficiente entre os órgãos públicos e instituições subordinadas: "Há momentos em que essa comunicação tem que ser integrada", defende. Ele também defende que os órgãos devem interagir e responder o público, principalmente via redes sociais, que é o canal de comunicação mais utilizado atualmente: "A pessoa não se sente participante. Nós vivemos em uma sociedade onde as pessoas querem ser participantes. Elas querem interagir. Tem que ser feito um trabalho para responder, mas não só com respostas prontas. Tem que responder, tem que atuar. Não pode deixar aquilo em silêncio", afirma.

Segundo Sacramento, outra dificuldade está presente nos veículos de comunicação de massa, como televisão e rádio. Para ele, apesar de muitas pessoas terem conhecimento de campanhas na área da saúde através desses meios de comunicação, eles priorizam acontecimentos trágicos e geralmente negativos em sua programação: "Não devem noticiar só a morte, que é um momento extremamente sensacionalista, mas também a importância da vacinação", defende.

Não há como definir qual é a motivação das pessoas que criam notícias falsas na área da saúde. Para Sacramento, a principal influência está em pessoas que são contra qualquer espécie de vacinação e pessoas contrárias ao governo: "Têm pessoas que são contra a vacinação. É um movimento que vem crescendo no Brasil. É uma questão mais de estilo de vida. E aparece um pouco, mas existe, a questão do governo", afirma.

Diante disso, é fundamental que cada setor faça a sua parte no combate às notícias falsas, que, a cada dia, são compartilhadas. O ideal é que os órgãos públicos, principalmente na área da saúde, devem capacitar seus profissionais do setor de comunicação para que sejam desenvolvidos conteúdos informativos para competir com as notícias falsas. Cada um deve se atentar e verificar se os conteúdos recebidos e compartilhados via redes sociais ou aplicativos para celular são verdadeiros.





Paulo Henrique Gomes
Fonte: Agência do Rádio Mais 


A tragédia educacional e os riscos anunciados às próximas gerações



O Brasil tem ao menos três graves problemas estruturais: uma baixa qualidade escolar; uma enorme desigualdade social e o gigantismo da máquina pública. Neste artigo trataremos da baixa qualidade escolar. Apesar dos reconhecidos esforços de vários governos em um passado recente, investindo em campanhas para evitar evasão escolar, colocar mais alunos nas escolas, propor novos curriculums escolares, aumentarem as horas de permanência dos alunos em escolas públicas, buscarem uma modernização dos métodos de ensino, um fato persiste: nossa qualidade de ensino é muito baixa.

Em recente estudo largamente divulgado, o Banco Mundial chegou a conclusão, analisando os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) por vários anos, que o Brasil demorará 260 anos - exatos, 260 anos - para alcançar a proficiência em leitura e 75 em matemática, comparando-se com os atuais níveis dos países desenvolvidos. Mesmo na hipótese desses dados serem contestados, a nossa desigualdade é abissal e por si só, uma vergonha.

O Brasil nunca teve uma efetiva política de governo voltada para a educação básica, quer seja estadual ou municipal, as esferas de governo encarregadas desta etapa da educação. Seria muito lógico que a educação infantil (creche e pré-escola) e o ensino fundamental (9 anos de estudo), fossem responsabilidades dos municípios. A criança deveria estudar o mais perto de sua casa possível. Mas nossos municípios estão aparelhados para isso?

O governo federal a partir de Ministério da Educação, deveria ter um rígido programa de fiscalização escolar em todos os municípios brasileiros. Caso as metas estipuladas não fossem atingidas o município deveria perder sua autonomia administrativa, ter uma intervenção. Simples assim. 

A escola básica deveria ser prioridade de governo absoluta. Os professores deveriam ter um preparo adequado e ter condições adequadas para o seu magistério. E este desempenho deveria ser sempre mensurado e cobrado. Por outro lado, um professor deveria ganhar sempre mais do que um vereador; afinal, ele, o professor, lida com o componente social mais importante da nação: o futuro. 

Talvez assim consigamos reduzir aquele tempo que nos separa do desenvolvimento. Claro que parece difícil de acontecer, no entanto se acreditarmos nesse sonho, ele se tornará realidade. Façamos uma revolução silenciosa, vamos inundar as redes sociais falando do descaso com a educação. Façamos petições aos congressistas pedindo que a educação seja a prioridade de qualquer governo. Se nós não mudarmos, nada mudará e estaremos condenando as futuras gerações a um atraso sem fim.







Celso Luiz Tracco - economista e autor do livro Às Margens do Ipiranga - a esperança em sobreviver numa sociedade desigual.


Ciência de dados e o perfil do cientista de dados


Nunca se gerou tanta informação como nos dias atuais – e essa informação é originada a partir de dados. Dados produzidos por sistemas, celulares, sensores, câmeras, dispositivos de segurança, tudo isso em grande volume e velocidade.

Nesse contexto, entra o papel da ciência de dados, trazendo ferramentas, métodos e tecnologias para analisar, visualizar e tomar decisões a partir dos dados. A ciência de dados é um processo, não um evento. É o processo de usar dados para entender o mundo, é a arte de descobrir os insights e tendências que estão escondidos atrás dessas informações.

A ciência de dados em si é uma área interdisciplinar que envolve várias áreas de conhecimento, tais como: estatística, matemática, programação, computação e conhecimento de negócios. Essas áreas corroboram com técnicas e teorias como a modelagem, análise preditiva, mineração e visualização de dados.

A ciência de dados se baseia em três pilares. O primeiro pilar é base, que se vale da matemática e da estatística, utilizando as regras de Machine Learning, necessárias para a criação de modelos preditivos de análise de dados. O segundo pilar refere-se à área de negócio. É daqui que surgem os problemas específicos que necessitam da ciência de dados para serem resolvidos. Marketing, vendas, finanças, saúde, entre outras áreas, são o ponto de partida para os projetos em que os dados serão coletados e analisados com objetivo de responder perguntas formuladas pelas áreas de negócio.

O terceiro pilar é a ciência da computação. Neste caso, estamos falando da programação de computadores, infraestrutura de banco de dados, armazenamento e segurança. Essa área de conhecimento vai oferecer as ferramentas necessárias para análise, além de permitir a automatização do processo. Novas tecnologias de banco de dados, como NoSQL, começam a ganhar cada vez mais espaço no mercado, uma vez que o volume, variedade e velocidade de dadosexige novas formas de armazenamento.

As empresas estão cada vez mais cientes que precisam tomar decisões baseadas em informações, principalmente aquelas que pensam sobre Big Data. Sendo assim, nunca houve um melhor momento para ser um cientista de dados.

Um cientista de dados precisa de alguma familiaridade com plataformas de análise, mas esse ponto dispõe apenas suas habilidades técnicas. Além do conhecimento técnico, há outras características que até podem ser apontadas como mais importantes. O perfil do cientista de dados é ser curioso, extremamente argumentativo e julgador. Curiosidade é absolutamente necessária. Se você não é curioso, não sabe o que fazer com os dados. Julgador porque, se você não tiver noções preconcebidas, não sabe por onde começar. Argumentativo porque, se você pode argumentar, então pode defender um caso ou, pelo menos, começar em algum lugar. Então, aprende com os dados e poderá modificar suas suposições e hipóteses.

E a última coisa que um cientista de dados precisa ter é a capacidade de contar uma história. Uma vez que você tem sua análise e suas tabulações, deve ser capaz de contar uma grande história a partir delas.

Lembre-se: comunicação é um dos requisitos principais de um cientista de dados. Afinal, de nada adianta realizar um excelente trabalho de análise se você não for capaz de mostrá-lo e contar uma história por meio das informações.





Débora Morales é mestra em Engenharia de Produção (UFPR) na área de Pesquisa Operacional com ênfase a métodos estatísticos aplicados à engenharia e inovação e tecnologia, especialista em Engenharia de Confiabilidade (UTFPR), graduada em Estatística e em Economia. Atua como Estatística no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).


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