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segunda-feira, 19 de março de 2018
Gestão da Água potável merece atenção de todos no Brasil, alerta especialista
A defesa dos recursos hídricos vai além de apenas garantir o abastecimento dos reservatórios de água das grandes cidades. A água é um recurso natural essencial e valioso para a vida humana. É indispensável para a manutenção dos ecossistemas e para a vida do planeta.
Por isso, adotar e fazer valer medidas responsáveis para o uso da água e de proteção aos mananciais é uma obrigação vital das nações, estados, municípios, populações do campo e das cidades, ou seja, de todos. Essa é a opinião do especialista em Hidrossedimentologia da Universidade de Brasília, Henrique Leite Chaves “O manejo dos recursos hídricos no Brasil, a despeito da nossa legislação hídrica ser bastante avançada, ainda merece muita atenção de todos, dos gestores e da população em geral”, lembra.
A partir desta semana, o país terá a oportunidade de conhecer ideias e de debater ações que possam ser aplicadas para proteger os recursos hídricos. Isso porque ocorre em Brasília o oitavo Fórum Mundial da Água, que pela primeira vez será realizado em um país do hemisfério sul.
A preocupação do especialista tem sentido. Afinal, a água potável não é um recurso natural infinito e as possíveis consequências do manejo inadequado podem ser sentidas de forma geral, em toda população. “Por que não adianta, apenas, governos ou setores técnicos estarem buscando avançar com essa agenda, mas toda a sociedade deve estar participando também porque ela, em última análise, é que pode sofrer as consequências de uma má gestão da água”, alerta.
Até o dia 23 de março, o Fórum Mundial da Água terá a participação de especialistas, gestores e organizações, envolvidos com a defesa e o uso responsável da água. Eles vão analisar os avanços registrados em todo planeta e propor iniciativas que possam se transformar em políticas de Estado na gestão dos recursos hídricos.
De acordo com números do governo federal, mais de 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água potável e menos de 45% do esgoto é tratado no país. O Plano Nacional de Saneamento Básico prevê que universalização do esgoto e da água no Brasil seja atingida em 2033.
Para alcançar este objetivo, o governo terá de investir mais de 300 bilhões de reais no tratamento de esgoto e na distribuição de água potável.
Henrique Leite Chaves lembra que o investimento em saneamento básico representa economia na saúde em proporção de um para quatro, ou seja: a cada real investido em saneamento, o governo economiza quatro em saúde. “É necessário que esse investimento se faça. Por que, de outra maneira, nossos rios continuarão a ser degradados pelo esgoto não tratado”, salienta o especialista.
Setor produtivo
A preservação dos recursos hídricos é fundamental também para a fomentação da economia. A água é recurso indispensável para a produção industrial, para a agricultura e pecuária, por exemplo. O especialista em Hidrossedimentologia da UNB Henrique Leite Chaves, ressalta que o país precisa investir mais dinheiro nas boas ações de gestão dos recursos hídricos para reverter o cenário de desperdício de água. “A questão de gestão de recursos hídricos é indispensável para o crescimento do Brasil, inclusive para a solução de uma série de problemas que nós vivemos, por exemplo: a desigualdade social e do baixo crescimento econômico”.
Um levantamento feito pelo IBGE revela números positivos na relação uso de água e faturamento na economia. De acordo com o indicador de eficiência hídrica do instituto, a cada mil litros de água usados, os setores econômicos faturaram quase 170 reais.
A agricultura e a pecuária são os setores que mais consomem água no Brasil, cerca de 24 bilhões de metros cúbicos por ano, segundo dados do IBGE. Em compensação, o setor agropecuário produziu para a economia cerca de 546, 3 bilhões de reais no passado. Essa é a maior receita do setor nos últimos 27 anos. Os dados são do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
#CompartilhandoÁgua
Cristiano Carlos
Fonte: Agência do Rádio Mais
domingo, 18 de março de 2018
No Dia Mundial da Infância Sociedade Brasileira de Patologia alerta sobre câncer infantojuvenil
No dia 21 de março, é celebrado o Dia Mundial da
Infância. O câncer entre crianças e jovens é o principal motivo de morte por
doença entre pessoas de 1 a 19 anos. Mesmo com a alta probabilidade de cura, o
câncer infantojuvenil, quando descoberto tarde, é tão nocivo quando acomete um
adulto.
Dados do Observatório da Saúde da Criança e do Adolescente da Faculdade
de Medicina da UFMG mostram que o diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil
ainda é o principal agravante da doença entre os jovens. A pesquisa, com jovens
entre 2004 e 2012, mostrou que 42% dos casos confirmados eram de tumores do
sistema nervoso central, que só foram identificados entre quatro e seis meses
depois dos sintomas. Para tumores de partes moles (vísceras e epiderme), o
tempo foi de sete meses. Há casos que o diagnóstico demora até oito anos para
ser confirmado.
“Nos tumores do Sistema Nervoso Central pacientes mais jovens podem
ter o atraso diagnóstico justificado pela incapacidade da criança em descrever
sintomas como cefaleia ou alterações visuais. Os sintomas inespecíficos podem
confundir o quadro clínico e contribuir para o atraso do diagnóstico. Técnicas
modernas de neuroimagem, como a tomografia computadorizada e ressonância
nuclear magnética, devem ser usadas precocemente em pacientes com sintomas
suspeitos”, comenta o patologista e membro da Sociedade Brasileira de
Patologia (SBP), Ricardo Artigiani Neto.
Os patologistas são determinantes no diagnóstico definitivo dos
cânceres. Participam desde a determinação exata do seu diagnóstico (existem
dezenas de diagnósticos diferenciais com sintomas semelhantes), estabelecem
subtipos prognósticos (muito comum em tumores pediátricos a divisão em diversos
subgrupos de diagnóstico e tratamento) e pesquisando na amostra tecidual retirada
marcadores (muitas vezes moleculares) relacionados a tratamento e prognóstico.
“O diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil é mais complicado, pois
na criança há maior dificuldade de diagnóstico de câncer pela superposição de
diagnósticos (tipos de câncer) com características semelhantes, comuns nesta
idade, maior velocidade de crescimento tumoral e sintomatologia menos evidente.
Além disso, na criança dificilmente observamos a presença de lesões
pré-malignas. Neste grupo etário usualmente o diagnóstico se faz com o câncer
já instalado”, comenta o patologista.
Segundo o médico, deve-se ficar
atento as alterações clínicas das crianças e jovens. “O câncer infantil é um
grupo muito heterogêneo de tumores, que se originam desde o Sistema Nervoso
Central até tumores hematológicos, ósseos e viscerais. Esta grande variação de
localização e variedade de tumores prejudicam e muito métodos de detecção
precoce. O que se deve fazer é observar alterações clínicas que indiquem o mais
precocemente possível a existência destes tumores”, completa o Neto.
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