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quinta-feira, 21 de julho de 2016

ABHH alerta: sangue de cordão umbilical não é seguro de saúde



Em nota, ABHH manifesta sua preocupação quanto ao armazenamento do sangue de cordão umbilical para uso autólogo em bancos privados


A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), entidade sem fins lucrativos cuja missão é representar a comunidade de profissionais da área de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, manifesta por meio de nota oficial sua preocupação quanto ao armazenamento do sangue de cordão umbilical para uso autólogo (células-tronco do sangue de cordão do próprio indivíduo transfundido para ele mesmo), em casos que não haja indicação médica. 

Não existe justificativa para armazenar o sangue de cordão umbilical para uso autólogo. No Brasil, os bancos privados de sangue de cordão têm alimentado um comércio baseado em propaganda enganosa, uma vez que vendem a ideia de que com esse ato é possível garantir qualidade de vida e salvamento em casos de doenças no futuro. Sangue de cordão não é seguro de vida.
 
A leucemia, por exemplo, principal causa de câncer em crianças, é a mais citada como argumentação dos bancos privados junto aos pais, como forma de prevenção à saúde. Mas a utilização do próprio sangue de cordão para o transplante desta criança será inútil. Trabalhos na literatura médica demonstram que a carga genética para a leucemia já se encontra presente desde o nascimento.  

Portanto, em vez de a família pagar a taxa para coletar as células durante o parto, seu congelamento e manutenção, ela pode, se precisar no futuro, acionar a rede pública para realizar o transplante com células de outro doador - já que a compatibilidade necessária para o transplante de células-tronco do sangue de cordão umbilical é menor do que a requerida pelo transplante de medula óssea. 

No Brasil não há regulamentação para o uso do sangue de cordão umbilical e placentário para fins terapêuticos. A Comunidade Europeia é contra o armazenamento privado, sendo a prática proibida em muitos de seus países. Enquanto isso, os bancos privados de sangue de cordão umbilical brasileiros mudaram a estratégia. Agora querem convencer que o congelamento é necessário porque, no futuro, este sangue pode se utilizado em Medicina Regenerativa.  

A utilização de sangue de cordão, apesar de ser uma excelente fonte de obtenção de células-tronco, neste tipo de terapia celular ainda se encontra em fase experimental e não deve ser realizada cobrança para estas coletas, já que não há respaldo científico, nem indicações clínicas precisas que deem suporte para este tipo de procedimento. Para se ter uma ideia, o sangue ainda conserva suas propriedades até 20 anos após a coleta, após esse período a “qualidade” desse sangue é reduzida.

O país já possui bancos de armazenamento de sangue de cordão umbilical e placentário públicos, como a Rede BrasilCord, lançada pelo Ministério da Saúde em 2004, para o atendimento de pacientes que necessitam de células-tronco e que aguardam transplante de medula óssea.

O material é coletado por equipes treinadas, em maternidades conveniadas aos bancos públicos,  sob rígidos critérios de seleção de gestantes. As mães assinam um termo de consentimento informado para efetivar a doação aos bancos públicos. Além disso, para ser aceita como doadora de sangue de cordão a mãe passa por uma anamnese semelhante ao doador de sangue, além de uma investigação sobre doenças familiares e maternas, que possam inviabilizar a utilização da bolsa.

 Atenciosamente, 

Diretoria da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular

Quero ser mãe, mas não consigo, e agora?



O ginecologista e obstetra, Dr. Alfonso Massaguer, especialista em reprodução, lista diversas alternativas para você engravidar


Para a maioria dos casais a tão desejada gravidez acontecerá naturalmente, sem maiores dificuldades. Porém de 10 a 15% dos casos a gestação não acontecerá nos primeiros 12 meses de tentativas e, nesse caso, o casal terá que recorrer ao auxílio médico especializado para investigar as causas do problema. “Fazer periodicamente exames gerais e utilizar procedimentos de reprodução humana, podem ser alternativas para sua gestação”, afirma Dr. Alfonso Massaguer, ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana. 

O médico aponta quais são os tratamentos disponíveis para a infertilidade conjugal: 

1- Inseminação Artificial ou Inseminação Intra Uterina 
Consiste em depositar espermatozoides previamente capacitados no interior do útero.
Indicações:
- ciclo menstrual irregular, com ou sem tratamento;
- muco cervical hostil;
- alterações leves no espermograma;
- uso de esperma doado;
- infertilidade sem causa aparente, entre outras. 
É necessário que as trompas estejam desobstruídas para permitir o encontro do óvulo com o espermatozoide dentro do corpo materno, com consequente fecundação. 

2- Fertilização in Vitro – FIV 
Consiste em formar embriões fora do corpo materno, em laboratório. 
O tratamento se inicia com o estímulo dos ovários maternos e consequente produção de óvulos que serão coletados por punção e unidos a espermatozoides previamente preparados, a fim de que aconteça a fertilização.
Após a formação de embriões, estes serão transferidos para o útero materno onde se desenvolverão durante a gestação. 
Indicações:
- Mulheres com trompas alteradas ou obstruídas, quando o encontro natural dos gametas não é possível; 
- Óvulos de má qualidade, em pequena quantidade ou óvulos doados;
- Alterações moderadas do espermograma.

3- ICSI – Injeção Intra Citoplasmática
Técnica de fertilização in vitro que se caracteriza pela introdução do espermatozoide diretamente dentro do óvulo utilizando-se uma micro agulha, um único espermatozoide basta. 
Indicações:
- Espermatozoides em quantidade mínima ou ausente no ejaculado, com formato e/ou mobilidade alteradas;
- Doenças infecciosas como HIV e Hepatite C. 

4- Preservação de gametas
Congelação de óvulos ou espermatozoides para utilização futura.
É possível criopreservar espermatozoides resultantes de sêmen ejaculado e de punção de testículos, 
Indicações:
- Doação de sêmen;
- Pacientes que serão submetidos a tratamentos médicos, cirúrgicos,  de rádio ou quimioterapia;
- Pacientes com doenças que podem causar infertilidade;
- Antes de vasectomias;
- Após punções de testículos.
Embora mais recente, o congelamento de óvulos poderá preservar a fertilidade de mulheres que necessitem adiar a maternidade por questões pessoais ou de saúde.

5- Preservação de embriões:
Uma vez fertilizados, gametas tornam-se embriões que, conforme desejo do casal, também poderão ser congelados.
Indicações:
- Preservação de embriões excedentes;
- Escolha do momento mais adequado de transferência;
- Minimização de risco de hiperestímulo;
- Multiplicação das possibilidades transferências embrionárias após coleta.
Biópsia Embrionária, “PGD” ou Diagnóstico Pré Implantacional:
Consiste na retirada de uma ou mais células de embrião, ainda em laboratório, para estudo genético e cromossômico.
Cerca de 130 alterações podem ser detectadas evitando-se implantação uterina de embriões alterados.

6- Doação de espermatozoides:
Processo legal, voluntário, não remunerado e confidencial pelo qual homens maiores de 18 anos doam gametas a bancos de sêmen.
Candidatos são avaliados por testes laboratoriais sorológicos e de tipagem sanguínea.
A coleta de amostra é indolor, realizada por masturbação. 
O material coletado é criopreservado pelo período de 6 meses, quando novos exames sorológicos são realizados no doador.
A amostra é liberada para doação se os exames se mantiveram negativos.
Características físicas, intelectuais, profissionais, psíquicas e tipagem sanguínea do doador são relatadas a fim de compatibilizar receptores e doadores.
Indicações:
- ausência de espermatozoides no ejaculado e  biopsia testicular;
- falha repetidas após técnicas de reprodução;
- doenças genéticas paternas não passíveis de estudo pré implantacional;
- mulheres sem parceiro masculino. 

7- Ovodoação:
A ovodoação segue a mesma regulamentação ética e legal da doação de sêmen sendo voluntária, não remunerada e confidencial.
A coleta para a doação de óvulos é realizada após estimulação ovariana de forma idêntica a utilizada na técnica de FIV.
Os óvulos coletados poderão ser doados em sua totalidade ou compartilhados, quando parte dos óvulos coletados é utilizada para fertilização pessoal e óvulos excedentes são doados a outro casal. Tipagem sanguínea, sorologias, dados físicos, intelectuais, profissionais e psíquicos também são compilados a fim de compatibilizar ao máximo receptoras e doadoras. 
Indicações:
- ausência ou má qualidade de óvulos, normalmente secundárias a idade materna avançada e/ou menopausa precoce;
- doenças genéticas maternas transmissíveis;
- más respondedoras;
- falhas repetidas de fertilização;
- aborto de repetição.

Conhecendo os tratamentos de reprodução humana o casal fica mais confiante em investigar sua saúde, suas dificuldades e possibilidades reprodutivas.

É a decisão correta da mulher que deseja tornar-se mãe. 



Dr. Alfonso Araújo Massaguer - CRM 97.335 -  Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Ginecologista e Obstetra pelo Hospital das Clínicas e Especialista em Reprodução Humana pelo Instituto Universitário Dexeus – Barcelona. Dr. Alfonso é diretor clínico da MAE (Medicina de Atendimento Especializado) especializada em reprodução assistida. É professor responsável pelo curso de reprodução humana da FMU e membro da Federação Brasileira da Associação de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), das Sociedades Catalãs de Ginecologia e Obstetrícia e Americana de Reprodução Assistida (ASRM). Também é diretor técnico da Clínica Engravida e autor de vários capítulos de ginecologia, obstetrícia e reprodução humana em livros de medicina.

Infecção dos ouvidos: principais cuidados com os bebês no tempo frio



Popularmente conhecida por infecção dos ouvidos a otite média aguda acomete a orelha média e é muito mais frequente em crianças, principalmente bebês. Isso acontece em virtude de uma formação anatômica do canal auditivo. "As crianças de 0 a 3 anos de idade têm maior propensão a desenvolver a otite média aguda porque elas têm o canal que comunica o ouvido com o nariz, chamado tuba auditiva ou trompa de eustáquio, mais horizontalizado e mais largo. Portanto é muito mais fácil qualquer processo vindo do nariz chegar até a orelha média e desencadear uma infecção", explica o Dr. José Eduardo Lutaif Dolci, professor titular e diretor do curso de Graduação em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Os quadros alérgicos e infecções das vias aéreas superiores -, mais prevalentes nos períodos de tempo seco e frio, como resfriados, sinusites, rinossinusites, rinites são as principais causas das otites médias agudas em bebês e crianças.

"Existem crianças que são denominadas como "criança catarral", que são aquelas que têm repetidos episódios de otite na primeira infância. Algumas com episódios a cada 2 meses e com secreção. São as otites médias supuradas. São crianças que têm, geneticamente, a característica de serem alérgicas à poeira, ácaro, fungo, pelo de animal, alimentos e têm quadros repetidos de obstrução nasal, levando também ao desenvolvimento da otite", afirma o professor.

O Dr. Dolci explica que ao romper a membrana do tímpano, o pus extravasa e alivia a dor. Com o tratamento adequado e acompanhamento, os episódios evoluem para a cura, fechando a membrana rompida muito rapidamente. Nesses episódios, a recomendação é afastar a criança da creche ou da escola, porque nesse ambiente sempre há uma criança com quadro viral. "E o processo, geralmente, é contínuo. As crianças saram e voltam a ter esses quadros. Portanto, a criança catarral, que já tem maior propensão a desencadear a otite, sofre repetidos episódios", afirma o professor.

O especialista ressalta que é fundamental tratar a infecção, pois ela pode evoluir para casos mais graves e complicações intracranianas como meningite, abscesso cerebral. De acordo com ele, não é muito comum que esses quadros evoluam dessa forma, porém os casos também não são raros.

Para a prevenção, é fundamental identificar os fatores que provocam reação alérgica e tratar sempre que esse quadro aparecer, com acompanhamento médico.

"Cirurgia é sempre a última opção. Somente é recomendada para crianças que têm adenoidites de repetição, ou uma hipertrofia ou aumento muito grande da adenoide, que impede de respirar adequadamente, explica o professor Dolci. "Isso porque a partir de 7 ou 8 anos as crianças que apresentaram episódios repetidos de otite já passam a ter uma melhora muito expressiva, com queda brutal na frequência do quadro", finaliza.

Como identificar um processo infeccioso no ouvido:

 Irritação constante da criança
 Alteração no apetite, deixa de querer mamar
 Choros constantes
 Alteração no sono
 Febre

Recomendações para as mães:
Para as mães que amamentam ou dão mamadeira, a recomendação para evitar episódios de otite é nunca dar o leite para a criança deitada. É fundamental que o bebê esteja inclinado, pelo menos 45° em relação ao plano horizontal, porque deitado é mais fácil o leite refluir pelo nariz e, assim, chegar a orelha média e provocar a otite. 
Outra recomendação é afastar a criança da natação no tempo frio/seco, em virtude do choque térmico do clima com a temperatura da água na piscina. Esse contato pode desencadear quadros alérgicos que podem levar à otite.


Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo - www.fcmsantacasasp.edu.br.

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