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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Sesc Pompeia e Sesc Belenzinho inauguram exposições inéditas de Rosa Magalhães e Zéh Palito em novembro

Com entrada gratuita, mostras abordam diferentes relações entre artes visuais e cultura popular - da criação de alegorias e figurinos para o Carnaval às pinturas e intervenções que exploram múltiplas referências culturais;

 


 

Obra “Sobre melanina, vitamina e maestria” de Zéh Palito (à esq.) e  mulher com livros e bromélias: croqui de Rosa Magalhães para o desfile da Imperatriz Leopoldinense (à dir.).

 

O Sesc São Paulo inaugura, neste mês, duas exposições que exploram diferentes diálogos entre artes visuais e cultura popular. A partir de 10 de novembro, o Sesc Belenzinho recebe Do pranto o oceano, e nadamos no amor, de Zéh Palito, que ocupa os espaços da unidade com pinturas e intervenções em tons de rosa, abordando temas como afeto, ancestralidade e pertencimento. No dia 11, o Sesc Pompeia abre Rosa Magalhães: Esplendor Caleidoscópio, mostra que percorre a trajetória de uma das principais referências do Carnaval carioca e apresenta outras facetas da artista, cuja produção vai muito além dos desfiles e alegorias. Desenhos, croquis, figurinos, maquetes e outros registros revelam a multiplicidade de sua criação e a diversidade de linguagens que marcou sua carreira.


Zéh Palito traz irreverência e obras inéditas ao Sesc Belenzinho

Em 10 de novembro, o Sesc Belenzinho inaugura Do pranto o oceano, e nadamos no amor, exposição de Zéh Palito com curadoria de Daniel Rangel. A mostra reúne 23 pinturas, incluindo obras inéditas, e intervenções concebidas especialmente para a unidade, ampliando a experiência do público para além das telas. Entre as instalações estão uma escultura feita com um carro na entrada do Sesc, uma intervenção de 12,5 metros de altura no vão do prédio, uma escultura inflável de um cacho de bananas na piscina externa e dois murais que o artista pinta ao vivo no espaço.

A exposição parte da individual apresentada por Zéh Palito em 2025 no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_BAHIA), sua primeira mostra individual em um museu brasileiro, e ganha novos trabalhos e configurações em São Paulo. A montagem incorpora um núcleo inédito dedicado às festas populares, com referências à relação do artista com o samba, e aprofunda a dimensão afetiva de sua produção. Entre os trabalhos estão pinturas realizadas em colaboração com sua mãe, que borda fuxicos com tecidos trazidos pelo artista de viagens a países africanos, além de retratos de amigos próximos. Uma cortina de fuxico costurada por ela encerra esse espaço, aproximando o público das relações familiares e pessoais que atravessam sua obra.

O rosa, elemento marcante da pintura de Zéh Palito, assume um papel central nessa produção. A cor contribui para criar uma atmosfera lúdica e afetiva na representação de corpos negros, especialmente masculinos, ao mesmo tempo que questiona estereótipos associados à masculinidade negra e à própria ideia de que o rosa pertence exclusivamente ao universo feminino. A identidade brasileira, a ancestralidade, a memória afetiva, a família e o sentimento de pertencimento também estão entre os temas abordados pelo artista.

Carros e piscinas, imagens recorrentes em suas telas, acrescentam outras camadas à exposição. As piscinas fazem referência à proibição do acesso de pessoas negras a esses espaços nos Estados Unidos até a década de 1970, enquanto os carros remetem ao Green Book, guia utilizado por motoristas negros para evitar estabelecimentos e trajetos marcados pelo racismo.

A relação entre as obras e os espaços de convivência do Sesc Belenzinho ganha destaque na montagem, especialmente com a instalação na piscina externa, concebida para a abertura. Ao ocupar ambientes de circulação e lazer, a exposição aproxima a produção artística de um público diverso e reforça o diálogo entre arte, cotidiano e cultura popular.

Com obras em acervos como os do Instituto Inhotim, do Baltimore Museum of Art e do Institute of Contemporary Art Miami, Zéh Palito desenvolve uma trajetória que combina referências brasileiras e internacionais, explorando a pintura como espaço de celebração, afeto e transformação das representações sociais. A mostra fica em cartaz até 27 de junho de 2027.


Rosa Magalhães: Esplendor Caleidoscópio

A partir de 11 de novembro, o Sesc Pompeia apresenta uma exposição inédita dedicada à obra de Rosa Magalhães (1947–2024), artista visual, professora, pesquisadora, cenógrafa e figurinista reconhecida como uma das principais carnavalescas da história do Carnaval carioca na era do Sambódromo. Com curadoria de Leonardo Bora, consultoria de pesquisa de Glaucea Helena de Britto e assistência de curadoria de Rodolfo Colombo, a mostra percorre diferentes dimensões de sua trajetória, evidenciando como a pesquisa histórica, a imaginação e o diálogo com a cultura popular atravessaram sua produção.

Instalada na Área de Convivência, a exposição reúne croquis, desenhos, aquarelas originais, figurinos, maquetes, objetos, imagens de desfiles, publicações e registros audiovisuais, além de obras contemporâneas. Entre os destaques está uma alegoria com mais de quatro metros de altura, concebida pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves especialmente para a montagem. A proposta também recria a atmosfera de um barracão de escola de samba, com tecidos, plumas, purpurinas e adereços, e convida o público a experimentar parte dos figurinos e elementos expostos.

Organizada em cinco núcleos temáticos, a montagem amplia o olhar sobre a produção de Rosa Magalhães para além do Carnaval. A exposição aborda suas referências literárias, históricas e culturais, os processos de criação e experimentação, as viagens e os intercâmbios presentes em sua obra, os diálogos com outros artistas e sua atuação como cenógrafa e figurinista em espetáculos teatrais, operísticos e grandes eventos. Entre seus trabalhos estão os figurinos de Calabar: o Elogio da Traição, de Chico Buarque e Ruy Guerra, sua participação na criação do cenário do balé O Grande Circo Místico e seu trabalho na ópera Ça Ira, de Roger Waters.

Ao longo da carreira, Rosa construiu narrativas visuais que aproximavam episódios históricos, literatura, artes visuais e manifestações populares, propondo interpretações plurais da identidade brasileira. Em um universo historicamente marcado pela predominância masculina, também se destacou como uma das mulheres que ampliaram a participação feminina na criação de desfiles e enredos das escolas de samba. A exposição fica em cartaz até 7 de março de 2027.

 

Do pranto o oceano, e nadamos no amor, de Zéh Palito

Abertura: 10 de novembro de 2026, às 19h
Local: Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho, São Paulo
Período: 10 de novembro de 2026 a 27 de junho de 2027
Horário: terça a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h
Entrada: gratuita
Curadoria: Daniel Rangel


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