Além das sessões da peça, o projeto traz ações paralelas como aulão de tango em espaço público, exposição de fotos de bailarinos 50+, oficina lúdica para idosos e ciclo de debate sobre o envelhecer e ação formativa em escola pública
O projeto O Último Tango – A Rota dos Bem-vividos,
da Criaturas Alaranjadas, uma das companhias de teatro
mais atuantes de Brasília (DF), é um compasso entre dança, teatro, audiovisual
e música. O espetáculo, com direção de Sérgio Maggio, desembarca para
uma curtíssima temporada em São Paulo no Teatro Arthur Azevedo, entre os
dias 19 e 22 de novembro, de quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às
19h.
O trabalho é uma espécie de lampejo lúdico, inovador e essencial
para a sociedade discutir e repensar o etarismo e a intolerância religiosa como
importantes temas de política pública. Multicultural, o projeto foi contemplado
pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) do Governo do Distrito Federal e traz em
seu escopo uma série de atividades em torno da itinerância, que abre as
comemorações dos 20 anos da Criaturas Alaranjadas.
Além da peça, o projeto propõe uma intensa vivência na capital
paulista com exposição de fotografias de bailarinos 50+ no foyer do teatro;
aulão de tango na entrada do teatro; uma oficina de jogos teatrais para pessoas
na maturidade; debate sobre o papel da arte contra o etarismo e uma ação
formativa em escola pública em três movimentos (os artistas vão à escola; a
escola vai ao teatro; e os estudantes dão um retorno sobre a
experiência).
A encenação
O Último Tango mergulha
no universo de dois desconhecidos que se unem em razão da paixão pelo tango e
que revoluciona as suas vidas. Os personagens, Antônio (Miqueias
Paz) e Manoel (Jones Abreu Schneider) apontam
para a capacidade de reinvenção do ser humano em qualquer faixa etária da
vida.
Executados pelos musicistas Janaina Sabino (piano digital) e Pedro
Tupã, o tango e canções de matriz africana são temas para
reflexões profundas sobre encontros e superação. Temas como finitude, etarismo,
intolerância religiosa, homofobia e os horrores e contradições de um tempo que
flerta com o fascismo vão sendo costurados e resultam em um palco para
reflexões sobre a vida e a autonomia na terceira idade.
Com texto inédito de Santiago
Serrano e dirigido pelo dramaturgo e roteirista baiano Sérgio
Maggio, o espetáculo reúne um time talentoso de diversas
gerações da capital federal. A cineasta Catarina Accioli assina o vídeo
dança que intercala o espetáculo, filmado em uma reserva natural do Distrito
Federal com os bailarinos Lenna Siqueira (RJ) e Dilo Paulo (ANGOLA), na Cia.
Corpus entre Mundos.
Agraciada com o Prêmio de Estímulo ao Teatro Funarte 2022, a
montagem estreou no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, em 2023, e percorreu
seis cidades do Distrito Federal, sendo vista por mais de 5 mil pessoas em 40
sessões. “Circular é o maior objetivo de quem faz teatro. Nasci e aprendi a
compreender a força do teatro em Salvador. Chegar à cidade com uma montagem tão
especial em nossa trajetória é um sonho”, aponta Sérgio Maggio.
A peça foi apontada pela crítica como um dos destaques da cena
brasiliense em 2023/2024:
“O Último Tango discute temas importantes como o etarismo, a
homofobia, o racismo, o racismo religioso, preconceitos em suas mais variadas
vertentes, de uma forma profunda e ao mesmo tempo leve, com muita emoção, mas
também com bom humor, flutuando pelas questões sociais e existenciais do nosso
tempo. Uma poesia sobre o hoje, sobre ser, sobre todos nós, sobre a importância
da solidariedade, sobre ser humano e o inevitável, envelhecer; mas
principalmente sobre manter a chama da vida acesa e buscar caminhos”. (Rodrigo Ferret, Crítica em Cena)
Ações paralelas
O projeto prevê as seguintes atividades que acontecem paralelas ao espetáculo:
- Aula de Tango:
direcionada ao público passante e aberta a qualquer pessoa, sem
limite de idade.
- Corpos que
dançam não envelhecem: no foyer do teatro, enquanto
espera o primeiro sinal, o espectador vai apreciar a exposição "Corpos que
Dançam não Envelhecem", da fotógrafa Nityama Macrini. A mostra surge como
uma proposta ousada e necessária para desmistificar a ideia de que a dança é
uma prática reservada apenas ao corpo jovem. Ao clicar dançarinos na
maturidade, o projeto desconstrói os preconceitos associados ao corpo do
artista e à sua suposta “data de validade”.
Foram fotografados, em Brasília, ícones da dança do DF: Yara de
Cunto (bailarina clássica, coreógrafa contemporânea e criadora do Balé do
Teatro Guaíra), Gisèle Santoro (bailarina clássica, coreógrafa e mentora do
Seminário Internacional de Dança), Lenora Lobo (dançarina e coreógrafa da Alaya
Cia. de Dança) e Luciana Lara (dançarina e coreógrafa Anti Status Quo Cia. de
Dança), e bailarino e coreógrafo moçambicano Idio Chichava, que fez residência
na capital.
-A Arte Contra o
Etarismo: o debate discute a memória e as experiências de envelhecimento em
populações consideradas vulneráveis.
-Jogos Lúdicos para a Maturidade (com
Jones Abreu Schneider): estimular a criatividade, a
memória e o bem-estar emocional são os principais objetivos dessa iniciativa
para promover a interação e a socialização entre os idosos.
-Formação de plateia em 3 Movimentos: o grupo
visita uma escola pública e fala sobre teatro e a temática da peça. Depois, a
escola recebe o convite para levar os estudantes em dois ônibus para o teatro,
onde assistem à peça e participam de um bate-papo. Por fim, o grupo aplica um
questionário sobre a experiência.
Sobre Criatura Alaranjadas
Sediado em Brasília, o Coletivo surgiu em 2007 no encontro entre o
dramaturgo e diretor Sérgio Maggio e o ator e artista visual Jones Schneider,
surgindo assim um dos grupos mais inventivos e atuantes do Centro-Oeste.
Com uma produção continuada, conquistou importantes prêmios e
patrocínios nacionais como Petrobras BR (Eu Vou Tirar Você Deste Lugar – As
Canções de Odair José e Eros Impuro), Banco do Brasil (L, O Musical, Odair
José, Duas Gotas de Lágrimas no Frasco de Perfume, Mitos do Teatro Brasileiro);
Funarte (Cabaré das Donzelas Inocentes, Eros Impuro e O Último Tango). O grupo
tem uma pesquisa sobre teatro musical popular brasileiro (TMBP) com indicações
aos prêmios Bibi Ferreira e Reverência.
Ficha Técnica
Direção de cena: Sérgio Maggio
Direção de imagens: Catarina Accioly
Dramaturgia: Santiago Serrano
Tradução: Carmem Moretzsohn
Intérpretes: Miqueias Paz (Antônio) e Jones
Abreu Schneider (Manoel)
·
Musicista: Janaina
Sabino (piano digital), Pedro Tupã (percussão)
·
Bailarinos
em videoarte: Dilo Paulo e Lenna Siqueira (Corpus entre Mundos)
·
Fotógrafa
exposição: Nityama Macrini.
·
Bailarinos
exposição: Yara de Cunto, Gisèle Santoro, Lenora Lobo, Luciana Lara e Idio
Chichava
·
Cenografia: Maria
Carmem de Souza
·
Coreografia
cênica: Dilo Paulo
·
Desenho
de luz original: Rodrigo Lélis
·
Iluminação
itinerância: Gabriel Martins.
·
Preparação
e coreografias de tango: Paulo Pivetta
·
Edição
e câmeras: João Paulo Procópio e Gui Campos
·
Pesquisa
de figurino e objetos de cena: Astaruth Lira, Jones Abreu
Schneider e Sérgio Maggio
·
Figurino: Jones
Schneider
·
Artesã
bonecos: Edinartesgomes
·
Coordenação
de acessibilidade: Criaturas Alaranjadas
·
Identidade
visual: Fernando Lopes
·
Design:
Jana Ferreira
·
Redes
sociais: Criaturas Alaranjadas
·
Produção
Local: Ana Nero (SP)
· Produção: Criaturas Alaranjadas.
Sinopse
Na vida de Antônio, um octogenário viúvo que vive sob a pressão de seus filhos, a perda de memória parece um fardo. No entanto, seu espírito sonhador ainda brilha ao lembrar-se da promessa feita a sua falecida esposa, Elvira: aprender a dançar tango e conhecer Buenos Aires. Por outro lado, Manoel, um artista maduro sem residência fixa, enfrenta dificuldades financeiras enquanto ensina tango nas praças. Quando os caminhos de Antônio e Manoel se cruzam, eles descobrem uma conexão inesperada que transforma suas vidas. Juntos, eles se unem ao ritmo vibrante do tango portenho, rompendo as barreiras do tempo e da solidão, e criando uma narrativa poderosa sobre sonhos, solidariedade e a luta contra as adversidades. Uma história que se impõe à sociedade, urgentemente convidando à reflexão. Serviço
O
Último Tango, com Criaturas Alaranjadas
Sessões: 19 a 22
de novembro de 2026
De quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h
Teatro
Arthur Azevedo - Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca, São Paulo
Ingressos: Grátis,
devem ser retirados uma hora antes da bilheteria
Classificação
indicativa: 12 anos
Duração:
70 minutos
Acessibilidade:
teatro acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade
reduzida
Aula
de Tango
Quando: 20 de
novembro, sexta. das 17h às 18h
Na entrada externa do teatro. Grátis
Oficina
de Jogos para Pessoas na Maturidade
Quando: 21 de
novembro, sábado, das 17h às 18h
Grátis
Debate
- A Arte Contra o Etarismo
Quando: 22 de novembro, domingo, às 17h
Grátis
Exposição
Corpos que dançam não envelhecem
acontecerá durante a temporada no foyer
Grátis

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