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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Destaque na cena teatral brasiliense, O Último Tango leva discussão sobre envelhecimento e intolerância religiosa ao Teatro Arthur Azevedo em novembro

 



Além das sessões da peça, o projeto traz ações paralelas como aulão de tango em espaço público, exposição de fotos de bailarinos 50+, oficina lúdica para idosos e ciclo de debate sobre o envelhecer e ação formativa em escola pública

 

O projeto O Último Tango – A Rota dos Bem-vividos, da Criaturas Alaranjadas, uma das companhias de teatro mais atuantes de Brasília (DF), é um compasso entre dança, teatro, audiovisual e música. O espetáculo, com direção de Sérgio Maggio, desembarca para uma curtíssima temporada em São Paulo no Teatro Arthur Azevedo, entre os dias 19 e 22 de novembro, de quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h. 

O trabalho é uma espécie de lampejo lúdico, inovador e essencial para a sociedade discutir e repensar o etarismo e a intolerância religiosa como importantes temas de política pública. Multicultural, o projeto foi contemplado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) do Governo do Distrito Federal e traz em seu escopo uma série de atividades em torno da itinerância, que abre as comemorações dos 20 anos da Criaturas Alaranjadas.

Além da peça, o projeto propõe uma intensa vivência na capital paulista com exposição de fotografias de bailarinos 50+ no foyer do teatro; aulão de tango na entrada do teatro; uma oficina de jogos teatrais para pessoas na maturidade; debate sobre o papel da arte contra o etarismo e uma ação formativa em escola pública em três movimentos (os artistas vão à escola; a escola vai ao teatro; e os estudantes dão um retorno sobre a experiência). 


A encenação

O Último Tango mergulha no universo de dois desconhecidos que se unem em razão da paixão pelo tango e que revoluciona as suas vidas. Os personagens, Antônio (Miqueias Paz) e Manoel (Jones Abreu Schneider) apontam para a capacidade de reinvenção do ser humano em qualquer faixa etária da vida. 

Executados pelos musicistas Janaina Sabino (piano digital) e Pedro Tupã, o tango e canções de matriz africana são temas para reflexões profundas sobre encontros e superação. Temas como finitude, etarismo, intolerância religiosa, homofobia e os horrores e contradições de um tempo que flerta com o fascismo vão sendo costurados e resultam em um palco para reflexões sobre a vida e a autonomia na terceira idade. 

Com texto inédito de Santiago Serrano e dirigido pelo dramaturgo e roteirista baiano Sérgio Maggio, o espetáculo reúne um time talentoso de diversas gerações da capital federal. A cineasta Catarina Accioli assina o vídeo dança que intercala o espetáculo, filmado em uma reserva natural do Distrito Federal com os bailarinos Lenna Siqueira (RJ) e Dilo Paulo (ANGOLA), na Cia. Corpus entre Mundos.

Agraciada com o Prêmio de Estímulo ao Teatro Funarte 2022, a montagem estreou no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, em 2023, e percorreu seis cidades do Distrito Federal, sendo vista por mais de 5 mil pessoas em 40 sessões. “Circular é o maior objetivo de quem faz teatro. Nasci e aprendi a compreender a força do teatro em Salvador. Chegar à cidade com uma montagem tão especial em nossa trajetória é um sonho”, aponta Sérgio Maggio.

A peça foi apontada pela crítica como um dos destaques da cena brasiliense em 2023/2024:  

“O Último Tango discute temas importantes como o etarismo, a homofobia, o racismo, o racismo religioso, preconceitos em suas mais variadas vertentes, de uma forma profunda e ao mesmo tempo leve, com muita emoção, mas também com bom humor, flutuando pelas questões sociais e existenciais do nosso tempo. Uma poesia sobre o hoje, sobre ser, sobre todos nós, sobre a importância da solidariedade, sobre ser humano e o inevitável, envelhecer; mas principalmente sobre manter a chama da vida acesa e buscar caminhos”. (Rodrigo Ferret, Crítica em Cena)


Ações paralelas

O projeto prevê as seguintes atividades que acontecem paralelas ao espetáculo: 

- Aula de Tango: direcionada ao público passante e aberta a qualquer pessoa, sem limite de idade.

- Corpos que dançam não envelhecem: no foyer do teatro, enquanto espera o primeiro sinal, o espectador vai apreciar a exposição "Corpos que Dançam não Envelhecem", da fotógrafa Nityama Macrini. A mostra surge como uma proposta ousada e necessária para desmistificar a ideia de que a dança é uma prática reservada apenas ao corpo jovem. Ao clicar dançarinos na maturidade, o projeto desconstrói os preconceitos associados ao corpo do artista e à sua suposta “data de validade”. 

Foram fotografados, em Brasília, ícones da dança do DF: Yara de Cunto (bailarina clássica, coreógrafa contemporânea e criadora do Balé do Teatro Guaíra), Gisèle Santoro (bailarina clássica, coreógrafa e mentora do Seminário Internacional de Dança), Lenora Lobo (dançarina e coreógrafa da Alaya Cia. de Dança) e Luciana Lara (dançarina e coreógrafa Anti Status Quo Cia. de Dança), e bailarino e coreógrafo moçambicano Idio Chichava, que fez residência na capital.  

-A Arte Contra o Etarismo: o debate discute a memória e as experiências de envelhecimento em populações consideradas vulneráveis. 

-Jogos Lúdicos para a Maturidade (com Jones Abreu Schneider): estimular a criatividade, a memória e o bem-estar emocional são os principais objetivos dessa iniciativa para promover a interação e a socialização entre os idosos.

-Formação de plateia em 3 Movimentos: o grupo visita uma escola pública e fala sobre teatro e a temática da peça. Depois, a escola recebe o convite para levar os estudantes em dois ônibus para o teatro, onde assistem à peça e participam de um bate-papo. Por fim, o grupo aplica um questionário sobre a experiência.


Sobre Criatura Alaranjadas

Sediado em Brasília, o Coletivo surgiu em 2007 no encontro entre o dramaturgo e diretor Sérgio Maggio e o ator e artista visual Jones Schneider, surgindo assim um dos grupos mais inventivos e atuantes do Centro-Oeste. 

Com uma produção continuada, conquistou importantes prêmios e patrocínios nacionais como Petrobras BR (Eu Vou Tirar Você Deste Lugar – As Canções de Odair José e Eros Impuro), Banco do Brasil (L, O Musical, Odair José, Duas Gotas de Lágrimas no Frasco de Perfume, Mitos do Teatro Brasileiro); Funarte (Cabaré das Donzelas Inocentes, Eros Impuro e O Último Tango). O grupo tem uma pesquisa sobre teatro musical popular brasileiro (TMBP) com indicações aos prêmios Bibi Ferreira e Reverência. 


Ficha Técnica

Direção de cena: Sérgio Maggio

Direção de imagens: Catarina Accioly

Dramaturgia: Santiago Serrano

Tradução: Carmem Moretzsohn

Intérpretes: Miqueias Paz (Antônio) e Jones Abreu Schneider (Manoel)

·         Musicista: Janaina Sabino (piano digital), Pedro Tupã (percussão) 

·         Bailarinos em videoarte: Dilo Paulo e Lenna Siqueira (Corpus entre Mundos)

·         Fotógrafa exposição: Nityama Macrini.

·         Bailarinos exposição: Yara de Cunto, Gisèle Santoro, Lenora Lobo, Luciana Lara e Idio Chichava  

·         Cenografia: Maria Carmem de Souza

·         Coreografia cênica: Dilo Paulo

·         Desenho de luz original: Rodrigo Lélis

·         Iluminação itinerância: Gabriel Martins.

·         Preparação e coreografias de tango: Paulo Pivetta

·         Edição e câmeras: João Paulo Procópio e Gui Campos

·         Pesquisa de figurino e objetos de cena: Astaruth Lira, Jones Abreu Schneider e Sérgio Maggio

·         Figurino: Jones Schneider

·         Artesã bonecos: Edinartesgomes

·         Coordenação de acessibilidade: Criaturas Alaranjadas

·         Identidade visual: Fernando Lopes

·         Design: Jana Ferreira

·         Redes sociais: Criaturas Alaranjadas

·         Produção Local: Ana Nero (SP)

·         Produção: Criaturas Alaranjadas.


Sinopse

Na vida de Antônio, um octogenário viúvo que vive sob a pressão de seus filhos, a perda de memória parece um fardo. No entanto, seu espírito sonhador ainda brilha ao lembrar-se da promessa feita a sua falecida esposa, Elvira: aprender a dançar tango e conhecer Buenos Aires. Por outro lado, Manoel, um artista maduro sem residência fixa, enfrenta dificuldades financeiras enquanto ensina tango nas praças. Quando os caminhos de Antônio e Manoel se cruzam, eles descobrem uma conexão inesperada que transforma suas vidas. Juntos, eles se unem ao ritmo vibrante do tango portenho, rompendo as barreiras do tempo e da solidão, e criando uma narrativa poderosa sobre sonhos, solidariedade e a luta contra as adversidades. Uma história que se impõe à sociedade, urgentemente convidando à reflexão.


 Serviço

O Último Tango, com Criaturas Alaranjadas

 Sessões: 19 a 22 de novembro de 2026

De quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h 

Teatro Arthur Azevedo - Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca, São Paulo

Ingressos: Grátis, devem ser retirados uma hora antes da bilheteria

Classificação indicativa: 12 anos

  Duração: 70 minutos

 Acessibilidade: teatro acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

 

  Aula de Tango

Quando: 20 de novembro, sexta. das 17h às 18h

Na entrada externa do teatro. Grátis

 

Oficina de Jogos para Pessoas na Maturidade

Quando: 21 de novembro, sábado, das 17h às 18h

Grátis

 

 Debate - A Arte Contra o Etarismo

Quando: 22 de novembro, domingo, às 17h

Grátis

 

Exposição Corpos que dançam não envelhecem

 acontecerá durante a temporada no foyer

Grátis

 

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