Data
reforça a importância do diálogo e da autonomia nas decisões; SBGG reúne
materiais gratuitos para pacientes, familiares, cuidadores e profissionais de
saúde
Às vésperas do Dia
Mundial de Cuidados Paliativos, 10 de outubro, a Sociedade Brasileira de
Geriatria e Gerontologia (SBGG) destaca a importância de ouvir e respeitar as
vontades do paciente ao longo do tratamento de doenças graves. Mais do que o
controle de sintomas, os cuidados paliativos envolvem acolher a pessoa de forma
integral, considerar suas preferências e garantir que participe das decisões
sobre o próprio cuidado.
“Não estamos falando
apenas de tratar sintomas físicos, mas de olhar para a pessoa como um todo:
seus medos, suas relações, sua história e o que é importante para ela naquele
momento”, explica o geriatra e paliativista Lucíulo Melo, presidente da
Comissão de Cuidados Paliativos da SBGG.
A abordagem pode ser
integrada ao tratamento a partir do diagnóstico de uma doença grave e não se
restringe aos últimos dias de vida. Além do câncer, os cuidados paliativos
podem beneficiar pessoas com condições como insuficiência cardíaca, doença
pulmonar obstrutiva crônica, doença renal, demências, sequelas de acidente
vascular cerebral, dentre outras. O objetivo é aliviar o sofrimento e promover
qualidade de vida, respeitando os valores e as necessidades de cada indivíduo.
Diálogo e autonomia nas
decisões de cuidado
Conversar sobre
preferências e vontades antes de uma situação de urgência pode ajudar pacientes,
familiares e profissionais de saúde a tomar decisões mais alinhadas ao que
realmente importa para aquela pessoa. O planejamento antecipado de cuidados
paliativos permite que desejos, valores e prioridades sejam conhecidos e
considerados ao longo da trajetória de saúde.
“Muitas pessoas chegam a
momentos críticos sem nunca terem conversado sobre o que gostariam que fosse
feito. Isso gera decisões difíceis, muitas vezes, em um ambiente de urgência,
com familiares inseguros e sobrecarregados”, diz Lucíulo.
Para o especialista,
antecipar essas conversas permite conhecer as preferências do paciente e
considerar seus desejos nas decisões de cuidado, inclusive diante de situações
de maior fragilidade. “Falar sobre isso antes da urgência é um ato de cuidado.
Quando as vontades são conhecidas, evitamos sofrimento desnecessário e decisões
que não refletem o que o paciente gostaria”, explica.
SBGG reúne materiais
gratuitos sobre cuidados paliativos
Para ampliar o acesso à informação
e apoiar pacientes, familiares, cuidadores e profissionais de saúde, a SBGG
disponibiliza em seu site uma Aba de
Cuidados Paliativos, que reúne conteúdos explicativos, e-books e
ferramentas práticas sobre a abordagem, tomada de decisão, autonomia e
planejamento antecipado de cuidados.
Entre os recursos está o Minhas Vontades, que auxilia no registro
das preferências do paciente e o projeto Cartas na Mesa, que propõe uma forma
acessível de iniciar conversas sobre valores, desejos e escolhas em saúde.
Os materiais podem
ajudar a esclarecer dúvidas e estimular conversas sobre o cuidado, contribuindo
para que pacientes e familiares compreendam melhor a abordagem e participem das
decisões.
“Os cuidados paliativos não antecipam e nem adiam a morte, eles garantem que a vida, até o fim, seja vivida com dignidade. Quando as pessoas entendem isso, passam a buscá-los mais cedo e vivem melhor, mesmo diante de doenças graves”, conclui o médico.
SBGG
sbgg.org.br/materiais-em-cuidados-paliativos
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