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Você já parou para pensar em como uma criança enxerga
o mundo ao seu redor? Nos primeiros anos de vida, a visão tem papel fundamental
no desenvolvimento, no aprendizado e na interação com o ambiente. Por isso,
cuidar da saúde ocular desde o nascimento é essencial para identificar
precocemente alterações que podem comprometer a visão e até mesmo o
desenvolvimento infantil.
Com a proximidade do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro,
o alerta é para que pais e responsáveis estejam atentos não apenas às queixas
visuais, mas também ao acompanhamento oftalmológico preventivo. O cuidado
começa ainda na maternidade, com o teste do olhinho, e deve continuar ao longo
da infância.
“O sistema visual da criança está em constante desenvolvimento,
principalmente nos primeiros anos de vida. Qualquer alteração que impeça um dos
olhos ou ambos de receberem uma imagem adequada pode interferir nesse processo.
Por isso, o diagnóstico precoce é tão importante”, explica a Dra. Márcia
Ferrari, oftalmopediatra e diretora clínica do H.Olhos.
O teste do olhinho, também conhecido como teste do reflexo
vermelho, é um exame simples e rápido realizado nos primeiros dias após o
nascimento, devendo ser repetido no primeiro ano de vida. Ele pode ajudar a
identificar alterações que exigem investigação e tratamento, como catarata
congênita, glaucoma congênito e outras condições que podem comprometer a visão.
“Mesmo que o bebê não apresente nenhum sinal aparente de
alteração, o acompanhamento oftalmológico é necessário. O fato de a criança
parecer enxergar bem não significa que o desenvolvimento visual esteja
acontecendo de maneira adequada”, ressalta a especialista.
Durante a infância, outro ponto que merece atenção é o aumento dos
casos de miopia. O uso prolongado de telas e a redução do tempo dedicado a
atividades ao ar livre estão entre os fatores associados ao avanço da condição.
“A miopia infantil tem se tornado uma preocupação importante. Além da
predisposição genética, os hábitos da vida moderna também influenciam. Por
isso, é importante estimular as crianças a passarem tempo ao ar livre e evitar
o excesso de atividades que exigem foco prolongado de perto”, orienta Dra.
Márcia.
Alguns comportamentos também podem indicar que a criança está
tendo dificuldade visual. Aproximar-se demais da televisão ou dos livros,
apertar os olhos para observar objetos distantes, inclinar a cabeça para
enxergar, apresentar dores de cabeça frequentes, dificuldade de concentração ou
queda no rendimento escolar são sinais que merecem avaliação.
“Crianças pequenas nem sempre conseguem perceber ou explicar que
não estão enxergando bem. Muitas vezes, elas simplesmente se adaptam à
dificuldade visual. Por isso, observar o comportamento da criança é uma ferramenta
importante para os pais”, afirma a oftalmopediatra.
A especialista reforça ainda que o acompanhamento não deve ser
feito apenas diante de sintomas. “A consulta oftalmológica permite avaliar se a
visão está se desenvolvendo de forma adequada, identificar alterações de grau e
investigar condições que podem passar despercebidas no dia a dia. Quanto mais
cedo uma alteração é descoberta, maiores são as possibilidades de intervenção”,
destaca.
Para a Dra. Márcia, o cuidado com a visão deve fazer parte da
rotina familiar. “Além das consultas, é importante criar hábitos saudáveis
desde cedo, como incentivar brincadeiras ao ar livre, estabelecer limites para
o uso de telas, garantir boas condições de iluminação durante atividades de
perto e ficar atento a qualquer mudança no comportamento visual da criança”,
orienta.
Mais do que uma preocupação relacionada ao Dia das Crianças, o cuidado com os olhos deve acompanhar todas as fases do crescimento. “A visão participa de praticamente todas as experiências da criança. Dar atenção à saúde ocular também significa favorecer o aprendizado, a autonomia, a interação social e o desenvolvimento. A prevenção começa cedo e precisa fazer parte da infância”, finaliza a Dra. Márcia Ferrari.

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