Médica nutróloga explica o que é mito, quais são os sinais de alerta e como a família pode ajudar sem transformar as refeições em uma disputa
“Ele só come
três coisas.” “Ela não aceita nada que seja verde.” “Se eu trocar a marca do
biscoito, ela percebe.” Para muitas famílias, situações como essas fazem parte
da rotina. A seletividade alimentar pode aparecer como uma preferência restrita
por determinados alimentos, preparações, texturas ou formas de apresentação e,
em alguns casos, ultrapassar o comportamento esperado para uma fase do
desenvolvimento.
O quadro é
especialmente frequente entre crianças atípicas, como autistas e com TDAH, mas
também pode ocorrer em crianças neurotípicas. E um dos primeiros passos para
lidar com a questão é separar os mitos dos sinais que realmente merecem
atenção.
Para a médica
nutróloga , cofundadora da Salty Way, Dra. Ana Luísa Vilela,
interpretar toda recusa alimentar como “birra” pode atrasar a identificação das
causas e aumentar o estresse familiar. “Antes de julgar o comportamento, é importante
entender o que está por trás daquela recusa. Para algumas crianças,
determinados cheiros, texturas, temperaturas ou sabores provocam um desconforto
real”, explica.
1.
“Seletividade alimentar é apenas uma fase” - MITO
É verdade que
muitas crianças passam por períodos de maior “neofobia alimentar”:
uma resistência natural a experimentar alimentos novos, especialmente nos
primeiros anos de vida. Mas nem toda restrição deve ser encarada como uma fase
que simplesmente vai passar.
O alerta aparece
quando o repertório alimentar fica cada vez menor, a criança deixa de aceitar
alimentos que antes consumia, apresenta forte resistência a mudanças na
preparação ou na marca, ou quando as refeições se tornam momentos frequentes de
ansiedade e conflito. Quando a restrição interfere no crescimento, na ingestão
de nutrientes ou na rotina familiar, é importante buscar avaliação profissional.
2.
“Criança seletiva faz isso para chamar atenção” - MITO
A recusa pode
ter diferentes origens. Em crianças autistas, por exemplo, alterações no
processamento sensorial podem fazer com que textura, cheiro, temperatura ou
aparência de determinados alimentos sejam percebidos de maneira muito intensa.
Também é preciso considerar questões como dificuldade de mastigação, medo de
engasgar, ansiedade, experiências negativas anteriores e problemas
gastrointestinais.
“Uma
criança pode não estar simplesmente dizendo ‘não quero’. Ela pode estar
comunicando, por meio da recusa, que alguma coisa naquele alimento ou naquele
momento está sendo difícil para ela”,
afirma a nutróloga.
3.
“Dor e desconforto podem estar por trás da seletividade.” - VERDADE
Refluxo,
constipação, dor abdominal, náusea, dificuldades para mastigar ou engolir e
outras condições podem fazer com que a criança associe alimentação a
desconforto. Por isso, diante de uma recusa persistente, não basta olhar apenas
para o comportamento.
“É
preciso sempre procurar investigar se existe alguma causa física. Antes de
pensar que a criança está simplesmente recusando a comida, precisamos perguntar
se comer está sendo desconfortável para ela”,
diz a médica.
4.
“Obrigar a criança a experimentar faz com que ela aprenda a comer de tudo” -
MITO
Transformar cada
refeição em uma disputa pode aumentar a ansiedade e reforçar associações
negativas com a comida. A aproximação de um alimento novo pode precisar
acontecer em etapas. Primeiro a criança pode aceitar que ele esteja na mesa,
depois no prato e em seguida, pode tocar, cheirar e, eventualmente,
experimentar.
“O
objetivo não é fazer a criança comer determinado alimento a qualquer custo. É
construir segurança para que ela consiga se aproximar dele”, explica Dra. Ana Luísa.
5.
“Esconder legumes e outros alimentos é uma boa estratégia para melhorar a
alimentação.” - DEPENDE (ISSO PODE SER UM PROBLEMA)
Adicionar
vegetais ou outros ingredientes às preparações pode aumentar a variedade
nutricional da refeição, mas esconder sistematicamente os alimentos não
trabalha a aceitação daquele ingrediente. Além disso, quando a criança percebe
que um alimento que rejeita foi colocado escondido em sua comida, isso pode
aumentar a desconfiança em relação às refeições. A estratégia mais consistente
é combinar preparações nutricionalmente adequadas com uma exposição gradual e
previsível aos alimentos.
6.
“Uma criança seletiva pode ter deficiências nutricionais mesmo comendo todos os
dias.” - VERDADE
Comer
diariamente não significa necessariamente consumir todos os nutrientes
necessários. Quanto menor a variedade do cardápio, maior pode ser o risco de
inadequações nutricionais. Dependendo dos alimentos aceitos, podem faltar
proteínas, fibras, ferro, cálcio, vitaminas e outros micronutrientes. Cansaço,
palidez, alterações no crescimento, prisão de ventre, queda de cabelo e unhas
frágeis são alguns sinais que merecem avaliação, embora não sejam específicos
de seletividade alimentar.
7.
“Se a criança está com peso normal, significa que está bem nutrida.” - MITO
Peso e estado
nutricional não são sinônimos. Uma criança pode apresentar peso adequado e,
ainda assim, ter uma alimentação muito limitada e consumir quantidades
insuficientes de proteínas, fibras, vitaminas e minerais.
Quando o
cardápio fica concentrado em poucos alimentos, principalmente produtos ricos em
carboidratos e ultraprocessados, a quantidade não garante necessariamente
qualidade nutricional. Por isso, a avaliação deve considerar também
crescimento, composição corporal, variedade alimentar, funcionamento intestinal
e exames laboratoriais, quando indicado.
8.
“Suplementar não resolve a seletividade alimentar.” - VERDADE
Suplementos
podem fazer parte da estratégia nutricional em situações específicas, mas não
substituem o trabalho de ampliar o repertório alimentar nem tratam a causa da
seletividade. Em alguns casos, durante o processo de ampliação da alimentação,
o profissional pode avaliar estratégias para aumentar a densidade nutricional
das preparações que a criança já aceita.
“Uma
possibilidade é a fortificação da comida com ingredientes nutricionalmente
adequados. A Salty Way, por exemplo, desenvolveu uma proteína culinária salgada
que pode ser incorporada a preparações como arroz, feijão, purês, sopas, molhos
e omeletes. A estratégia, entretanto, deve ser individualizada e introduzida
gradualmente, principalmente quando a criança apresenta grande sensibilidade a
alterações de sabor, cheiro ou textura”,
explica a Dra. Ana Luísa, que é também a idealizadora da marca.
9.
“A criança precisa aprender a comer sozinha, procurar ajuda profissional é
exagero.” - MITO
Quando a
seletividade é intensa ou interfere na saúde e na rotina, uma abordagem
multidisciplinar pode ser necessária. O nutricionista pode trabalhar a
adequação da alimentação, o terapeuta ocupacional pode atuar nas questões
sensoriais e relacionadas à alimentação, o psicólogo pode ajudar em situações
envolvendo ansiedade, medo e conflitos e o médico pode investigar condições
clínicas associadas. O objetivo não é simplesmente aumentar o número de
alimentos consumidos, mas compreender porque determinados alimentos são
recusados e construir uma alimentação possível, adequada e sustentável.
10.
“Seletividade alimentar só acontece na infância.” - MITO
Os padrões
alimentares restritivos podem permanecer na adolescência e na vida adulta,
especialmente quando não são identificados e trabalhados. No adulto, a
dificuldade pode aparecer de maneira menos evidente: evitar restaurantes, levar
a própria comida, pesquisar antecipadamente os cardápios, restringir viagens ou
encontros sociais e evitar situações em que precise comer diante de outras
pessoas.
“Muitos
adultos passaram anos sendo chamados de ‘difíceis para comer’, quando talvez
existisse uma dificuldade alimentar que nunca foi compreendida”, observa a nutróloga.
Salty Way
Uma médica que cuida e nutre com amor (Dra. Ana Luísa Vilela), que se uniu a uma administradora que enxergou um movimento onde havia um produto (Flavia Galleazzi) e uma jovem empreendedora que sabe que saúde precisa caber dentro da vida real e trouxe um olhar contemporâneo para a marca (Luiza Galleazzi), assim nasceu a Salty Way.
https://www.saltywayproteina.com.br/
Instagram da Marca: @saltywayproteina

Nenhum comentário:
Postar um comentário