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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

10 mitos e verdades sobre seletividade alimentar

Médica nutróloga explica o que é mito, quais são os sinais de alerta e como a família pode ajudar sem transformar as refeições em uma disputa 

 

“Ele só come três coisas.” “Ela não aceita nada que seja verde.” “Se eu trocar a marca do biscoito, ela percebe.” Para muitas famílias, situações como essas fazem parte da rotina. A seletividade alimentar pode aparecer como uma preferência restrita por determinados alimentos, preparações, texturas ou formas de apresentação e, em alguns casos, ultrapassar o comportamento esperado para uma fase do desenvolvimento.

 

O quadro é especialmente frequente entre crianças atípicas, como autistas e com TDAH, mas também pode ocorrer em crianças neurotípicas. E um dos primeiros passos para lidar com a questão é separar os mitos dos sinais que realmente merecem atenção.

 

Para a médica nutróloga , cofundadora da Salty Way, Dra. Ana Luísa Vilela, interpretar toda recusa alimentar como “birra” pode atrasar a identificação das causas e aumentar o estresse familiar. “Antes de julgar o comportamento, é importante entender o que está por trás daquela recusa. Para algumas crianças, determinados cheiros, texturas, temperaturas ou sabores provocam um desconforto real”, explica.

 

1. “Seletividade alimentar é apenas uma fase” - MITO

É verdade que muitas crianças passam por períodos de maior “neofobia alimentar”: uma resistência natural a experimentar alimentos novos, especialmente nos primeiros anos de vida. Mas nem toda restrição deve ser encarada como uma fase que simplesmente vai passar.

O alerta aparece quando o repertório alimentar fica cada vez menor, a criança deixa de aceitar alimentos que antes consumia, apresenta forte resistência a mudanças na preparação ou na marca, ou quando as refeições se tornam momentos frequentes de ansiedade e conflito. Quando a restrição interfere no crescimento, na ingestão de nutrientes ou na rotina familiar, é importante buscar avaliação profissional.

 

2. “Criança seletiva faz isso para chamar atenção” - MITO

A recusa pode ter diferentes origens. Em crianças autistas, por exemplo, alterações no processamento sensorial podem fazer com que textura, cheiro, temperatura ou aparência de determinados alimentos sejam percebidos de maneira muito intensa. Também é preciso considerar questões como dificuldade de mastigação, medo de engasgar, ansiedade, experiências negativas anteriores e problemas gastrointestinais.

“Uma criança pode não estar simplesmente dizendo ‘não quero’. Ela pode estar comunicando, por meio da recusa, que alguma coisa naquele alimento ou naquele momento está sendo difícil para ela”, afirma a nutróloga.

 

3. “Dor e desconforto podem estar por trás da seletividade.” - VERDADE

Refluxo, constipação, dor abdominal, náusea, dificuldades para mastigar ou engolir e outras condições podem fazer com que a criança associe alimentação a desconforto. Por isso, diante de uma recusa persistente, não basta olhar apenas para o comportamento.

“É preciso sempre procurar investigar se existe alguma causa física. Antes de pensar que a criança está simplesmente recusando a comida, precisamos perguntar se comer está sendo desconfortável para ela”, diz a médica.

 

4. “Obrigar a criança a experimentar faz com que ela aprenda a comer de tudo” - MITO

Transformar cada refeição em uma disputa pode aumentar a ansiedade e reforçar associações negativas com a comida. A aproximação de um alimento novo pode precisar acontecer em etapas. Primeiro a criança pode aceitar que ele esteja na mesa, depois no prato e em seguida, pode tocar, cheirar e, eventualmente, experimentar.

“O objetivo não é fazer a criança comer determinado alimento a qualquer custo. É construir segurança para que ela consiga se aproximar dele”, explica Dra. Ana Luísa.

 

5. “Esconder legumes e outros alimentos é uma boa estratégia para melhorar a alimentação.” - DEPENDE (ISSO PODE SER UM PROBLEMA)

Adicionar vegetais ou outros ingredientes às preparações pode aumentar a variedade nutricional da refeição, mas esconder sistematicamente os alimentos não trabalha a aceitação daquele ingrediente. Além disso, quando a criança percebe que um alimento que rejeita foi colocado escondido em sua comida, isso pode aumentar a desconfiança em relação às refeições. A estratégia mais consistente é combinar preparações nutricionalmente adequadas com uma exposição gradual e previsível aos alimentos.

 

6. “Uma criança seletiva pode ter deficiências nutricionais mesmo comendo todos os dias.” - VERDADE

Comer diariamente não significa necessariamente consumir todos os nutrientes necessários. Quanto menor a variedade do cardápio, maior pode ser o risco de inadequações nutricionais. Dependendo dos alimentos aceitos, podem faltar proteínas, fibras, ferro, cálcio, vitaminas e outros micronutrientes. Cansaço, palidez, alterações no crescimento, prisão de ventre, queda de cabelo e unhas frágeis são alguns sinais que merecem avaliação, embora não sejam específicos de seletividade alimentar.

 

7. “Se a criança está com peso normal, significa que está bem nutrida.” - MITO

Peso e estado nutricional não são sinônimos. Uma criança pode apresentar peso adequado e, ainda assim, ter uma alimentação muito limitada e consumir quantidades insuficientes de proteínas, fibras, vitaminas e minerais.

Quando o cardápio fica concentrado em poucos alimentos, principalmente produtos ricos em carboidratos e ultraprocessados, a quantidade não garante necessariamente qualidade nutricional. Por isso, a avaliação deve considerar também crescimento, composição corporal, variedade alimentar, funcionamento intestinal e exames laboratoriais, quando indicado.

 

8. “Suplementar não resolve a seletividade alimentar.” - VERDADE

Suplementos podem fazer parte da estratégia nutricional em situações específicas, mas não substituem o trabalho de ampliar o repertório alimentar nem tratam a causa da seletividade. Em alguns casos, durante o processo de ampliação da alimentação, o profissional pode avaliar estratégias para aumentar a densidade nutricional das preparações que a criança já aceita.

“Uma possibilidade é a fortificação da comida com ingredientes nutricionalmente adequados. A Salty Way, por exemplo, desenvolveu uma proteína culinária salgada que pode ser incorporada a preparações como arroz, feijão, purês, sopas, molhos e omeletes. A estratégia, entretanto, deve ser individualizada e introduzida gradualmente, principalmente quando a criança apresenta grande sensibilidade a alterações de sabor, cheiro ou textura”, explica a Dra. Ana Luísa, que é também a idealizadora da marca. 

 

9. “A criança precisa aprender a comer sozinha, procurar ajuda profissional é exagero.” - MITO

Quando a seletividade é intensa ou interfere na saúde e na rotina, uma abordagem multidisciplinar pode ser necessária. O nutricionista pode trabalhar a adequação da alimentação, o terapeuta ocupacional pode atuar nas questões sensoriais e relacionadas à alimentação, o psicólogo pode ajudar em situações envolvendo ansiedade, medo e conflitos e o médico pode investigar condições clínicas associadas. O objetivo não é simplesmente aumentar o número de alimentos consumidos, mas compreender porque determinados alimentos são recusados e construir uma alimentação possível, adequada e sustentável.

 

10. “Seletividade alimentar só acontece na infância.” - MITO

Os padrões alimentares restritivos podem permanecer na adolescência e na vida adulta, especialmente quando não são identificados e trabalhados. No adulto, a dificuldade pode aparecer de maneira menos evidente: evitar restaurantes, levar a própria comida, pesquisar antecipadamente os cardápios, restringir viagens ou encontros sociais e evitar situações em que precise comer diante de outras pessoas.

“Muitos adultos passaram anos sendo chamados de ‘difíceis para comer’, quando talvez existisse uma dificuldade alimentar que nunca foi compreendida”, observa a nutróloga. 




Salty Way
Uma médica que cuida e nutre com amor (Dra. Ana Luísa Vilela), que se uniu a uma administradora que enxergou um movimento onde havia um produto (Flavia Galleazzi) e uma jovem empreendedora que sabe que saúde precisa caber dentro da vida real e trouxe um olhar contemporâneo para a marca (Luiza Galleazzi), assim nasceu a Salty Way.
https://www.saltywayproteina.com.br/
Instagram da Marca: @saltywayproteina


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