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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

A República no Lodo: O Colapso Moral dos Três Poderes e o Fim da Impunidade

É preciso dizer com todas as letras: os três poderes da República e suas mais importantes instituições sucumbiram. Não se trata de discurso eleitoral ou indignação seletiva, mas da grave realidade de uma nação à deriva e atolada na lama da corrupção. Honra, ética, respeito ao dinheiro público e à democracia foram abandonados. A transparência foi sufocada pela blindagem das mais altas autoridades do país, investigadas pela Polícia Federal sob o comando do próprio Supremo Tribunal Federal (STF). 

Os escândalos acumulam-se e revelam uma degradação moral sem precedentes, atingindo agora o Poder Judiciário. Ninguém escapa: nem idosos, deficientes, pensionistas ou beneficiários do INSS que sobrevivem com um mísero salário-mínimo. A crueldade não encontra limites. 

O mais recente escândalo, o do Banco Master, escancara o envolvimento da elite política e institucional em um rombo recorde de R$ 85 bilhões. O esquema lesou fundos de pensão e bancos estaduais, articulado por um único banqueiro que cooptou governadores, ministros, membros do Banco Central, congressistas e o topo do Ministério Público Federal. Uma rede regada a luxos e contratos milionários que lembra a célebre frase de Ulysses Guimarães: o cadáver foi aberto e está fedendo. 

Diante disso, o que esperam as forças vivas da sociedade — OAB, entidades intelectuais, sindicatos, empresários e a imprensa? A corrupção atingiu um nível insuportável de impunidade. É preciso estancar a sangria e punir todos os responsáveis com o rigor da lei, independentemente do cargo. Este não pode continuar sendo o país dos intocáveis. 

É urgente enfrentar as causas desse colapso, a começar pelo instituto da reeleição no Executivo. A reeleição mostrou-se desastrosa: o governante assume pensando no próximo mandato, substituindo o governo de coalizão por governos de cooptação, onde o "toma-lá-dá-cá" virou moeda corrente. 

Enquanto isso, a conta é paga por mais de 100 milhões de brasileiros empobrecidos. São 60 milhões sofrendo com a corrosão inflacionária do Bolsa Família e a mudança na fórmula do salário-mínimo, sob o pretexto de uma austeridade fiscal fictícia diante de um déficit de R$ 1 trilhão ao ano. O dinheiro da corrupção engorda o patrimônio dos corruptos enquanto a desigualdade social se aprofunda. 

O Brasil não merece esse destino e ninguém pode se omitir. Ao cidadão comum cabe mais do que rezar: nas urnas, o poder de cada voto é rigorosamente igual ao dos intocáveis. Os cidadãos de bem somam mais de 200 milhões — e a mudança está em suas mãos. 

 

Samuel Hanan é engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva”, “Caminhos para um país sem rumo” e “Amazônia Brasileira, preservar para viver, responsabilidade mundial”. Site: https://samuelhanan.com.br 


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