É preciso dizer com todas as letras: os três poderes da República e suas mais importantes instituições sucumbiram. Não se trata de discurso eleitoral ou indignação seletiva, mas da grave realidade de uma nação à deriva e atolada na lama da corrupção. Honra, ética, respeito ao dinheiro público e à democracia foram abandonados. A transparência foi sufocada pela blindagem das mais altas autoridades do país, investigadas pela Polícia Federal sob o comando do próprio Supremo Tribunal Federal (STF).
Os escândalos acumulam-se e revelam uma degradação
moral sem precedentes, atingindo agora o Poder Judiciário. Ninguém escapa: nem
idosos, deficientes, pensionistas ou beneficiários do INSS que sobrevivem com
um mísero salário-mínimo. A crueldade não encontra limites.
O mais recente escândalo, o do Banco Master,
escancara o envolvimento da elite política e institucional em um rombo recorde
de R$ 85 bilhões. O esquema lesou fundos de pensão e bancos estaduais,
articulado por um único banqueiro que cooptou governadores, ministros, membros
do Banco Central, congressistas e o topo do Ministério Público Federal. Uma
rede regada a luxos e contratos milionários que lembra a célebre frase de
Ulysses Guimarães: o cadáver foi aberto e está fedendo.
Diante disso, o que esperam as forças vivas da
sociedade — OAB, entidades intelectuais, sindicatos, empresários e a imprensa?
A corrupção atingiu um nível insuportável de impunidade. É preciso estancar a
sangria e punir todos os responsáveis com o rigor da lei, independentemente do
cargo. Este não pode continuar sendo o país dos intocáveis.
É urgente enfrentar as causas desse colapso, a
começar pelo instituto da reeleição no Executivo. A reeleição mostrou-se
desastrosa: o governante assume pensando no próximo mandato, substituindo o
governo de coalizão por governos de cooptação, onde o "toma-lá-dá-cá"
virou moeda corrente.
Enquanto isso, a conta é paga por mais de 100
milhões de brasileiros empobrecidos. São 60 milhões sofrendo com a corrosão
inflacionária do Bolsa Família e a mudança na fórmula do salário-mínimo, sob o
pretexto de uma austeridade fiscal fictícia diante de um déficit de R$ 1
trilhão ao ano. O dinheiro da corrupção engorda o patrimônio dos corruptos
enquanto a desigualdade social se aprofunda.
O Brasil não merece esse destino e ninguém pode se
omitir. Ao cidadão comum cabe mais do que rezar: nas urnas, o poder de cada
voto é rigorosamente igual ao dos intocáveis. Os cidadãos de bem somam mais de
200 milhões — e a mudança está em suas mãos.
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