Animação "A Voz da Onça-Parda" estreia em 30 de agosto, com participação de Sandy e André Trigueiro
Sandy aceitou o convite da Ampara Animal para emprestar sua voz à personagem da onça-parda, dando vida à protagonista do curta e contribuindo para transmitir, de forma sensível e emocionante, a realidade enfrentada pela espécie.
Já André
Trigueiro será responsável pela locução da mensagem final do filme, reforçando
o alerta sobre a perda de habitat, a importância da conservação das florestas e
corredores ecológicos e a necessidade de coexistência entre os seres humanos e
a fauna silvestre.
Dezenas de onças-pardas (Puma concolor) tiveram que ser resgatadas em áreas urbanas em todo o Brasil somente em 2025. Na maioria dos casos, esses animais deixaram a mata em busca de alimento e abrigo após perderem parte de seu habitat natural. Para chamar a atenção para uma das principais causas desse cenário, o Instituto Ampara Animal lança, no dia 30 de agosto, em celebração ao Dia Internacional da Onça-Parda, o curta de animação "A Voz da Onça-Parda", que narra, sob a perspectiva do próprio animal, as consequências da fragmentação dos ecossistemas e da perda da conectividade entre os habitats e outros recursos naturais.
Idealizado pela publicitária, terapeuta integrativa e defensora da fauna silvestre Daniela Andrade, o projeto nasceu da preocupação com a realidade enfrentada pela fauna brasileira, especialmente no Estado de São Paulo, onde o crescimento urbano, a expansão de condomínios e a fragmentação das áreas naturais vêm reduzindo cada vez mais o espaço disponível para a vida silvestre e no caso, para essas espécies que necessitam de amplas áreas de vida. A proposta do filme é sensibilizar o público para a importância da conservação dos habitats, da implantação de corredores ecológicos e passagens de fauna e da construção de uma relação mais harmoniosa entre pessoas e animais silvestres.
Com cerca de dois minutos e meio de duração, a animação acompanha a trajetória de um filhote desde os primeiros dias de vida ao lado da mãe, em uma floresta preservada. Embalada pelos sons da natureza, a narrativa apresenta um ambiente onde o silêncio é interrompido apenas pelo canto dos pássaros, pelo vento entre as árvores e pelos primeiros passos curiosos da pequena onça, compondo assim uma paisagem sonora da floresta.
A tranquilidade termina quando a mãe sai para caçar e deixa o filhote escondido entre os canaviais, comportamento hoje utilizado por esses animais para transitarem entre um fragmento e outro de mata. Pouco depois, o ronco das colheitadeiras substitui os sons da floresta. Assustada com a aproximação das máquinas, a filhote corre em meio à plantação e se perde. Quando a mãe retorna para buscá-la, encontra apenas o rastro da destruição deixada pela colheitadeira. E assim, o reencontro não acontece.
A partir desse momento, o curta acompanha o crescimento da onça em um ambiente completamente transformado pela ação humana. Já adulta, ela percorre rodovias, cruza bairros, desvia de carros, enfrenta o barulho das cidades e procura apenas aquilo que sempre encontrou na floresta: abrigo, alimento, interação com outras espécies e um lugar seguro para viver.
Em uma de suas incursões em uma área urbana, o animal acaba acuado e é resgatado por equipes ambientais. Encaminhada para um recinto de reabilitação, a personagem faz uma reflexão que resume a mensagem do filme:
"Dizem que me salvaram… Mas o que é ser salva sem poder voltar para casa?"
Produzido com linguagem poética, animação sensível e uma trilha sonora que acompanha a transformação da paisagem — dos sons naturais ao silêncio provocado pela perda da floresta —, o curta termina com um pedido dirigido ao público:
"A floresta é meu lar. É nosso lar. Só peço uma chance de coexistirmos."
As cenas finais reforçam que a história retratada não é um caso isolado. A narração destaca que centenas de onças-pardas e outros animais vêm sendo encontradas em áreas urbanas porque perderam território, presas naturais, abrigo e outros recursos. Muitas delas jamais conseguem retornar à vida livre.
"Quando a floresta deixa de existir, nós também perdemos o equilíbrio que mantém nossas cidades vivas. Aprender a coexistir não é escolha. É sobrevivência. Se ela tem a sua casa, nós teremos a nossa."
Segundo Daniela Andrade, a proposta sempre foi contar essa história pela perspectiva do próprio animal, despertando empatia e aproximando as pessoas da realidade vivida pela fauna silvestre.
"Quando um animal silvestre aparece próximo às pessoas, quase sempre ele está tentando sobreviver em um ambiente que foi transformado pelo próprio ser humano. Precisamos aprender a coexistir e compreender que proteger esses animais significa proteger também o futuro dos nossos ecossistemas. A ideia deste curta nasceu justamente da vontade de dar voz à onça-parda e mostrar que ela não invade nossas cidades: somos nós que transformamos o caminho que ela sempre percorreu.
" Para ampliar o alcance da mensagem e fortalecer seu caráter educativo, Daniela convidou o Instituto Ampara Animal para abraçar a iniciativa. A organização passou a assinar institucionalmente o projeto, incorporando o filme às suas ações de mobilização para a conservação da biodiversidade e coexistência entre seres humanos e fauna silvestre.
Para Juliana Camargo, presidente do Instituto Ampara Animal, o aumento dos registros de onças-pardas em centros urbanos revela a necessidade de ampliar o debate sobre conservação dos habitats naturais.
"Quando uma onça-parda aparece em uma cidade, ela não está ali porque escolheu estar. Ela chegou até aquele local porque seu território foi reduzido, fragmentado ou deixou de oferecer as condições necessárias para sua sobrevivência. 'A Voz da Onça-Parda' procura mostrar essa realidade por uma perspectiva pouco explorada: a do próprio animal. Esperamos que as pessoas compreendam que proteger as florestas é a forma mais eficiente de proteger também a fauna, reduzir conflitos e preservar o equilíbrio ambiental."
O curta contou ainda com a colaboração de duas produtoras
especializadas. A Bóson Post foi responsável pela pós-produção e finalização da
animação, transformando o roteiro em uma experiência audiovisual capaz de
emocionar e aproximar o público da história. Já a Blood Audio assinou a trilha
sonora original e o desenho de som, criando uma linguagem cinematográfica que
utiliza tanto a música quanto o silêncio para acompanhar a transformação da
paisagem e intensificar a experiência sensorial da narrativa.
Lançamento durante a Semana da Suçuarana
A estreia oficial de "A Voz da Onça-Parda" aconteceu no dia 29 de agosto, no Parque Natural Municipal do Itaim, uma unidade de conservação na zona sul de São Paulo, como parte da programação da Semana da Suçuarana, iniciativa promovida anualmente pelo Programa de Conservação Mamíferos do Cerrado em celebração ao Dia Internacional da Onça-Parda.
Vale lembrar que o Itaim integra a Trilha Interparques, uma iniciativa das unidades de conservação municipais e demais áreas protegidas, cujo símbolo é a pegada com rastro da onça-parda, animal símbolo da cidade.
Além da exibição inédita do curta, o evento contou com uma saída de observação de natureza promovida pelo programa do instituto AMPARA Animal, Binóculos da Liberdade, além de roda de conversa sobre a coexistência humano fauna e outras atividades de educação ambiental.
Mais do que lançamento, o encontro buscou aproximar a população da realidade das onças-pardas que vivem na maior metrópole do país e em suas áreas periurbanas e rurais. A presença desses animais na região ainda é pouco conhecida, embora eles ocupem importantes remanescentes de Mata Atlântica e Cerrado que resistem dentro e no entorno da cidade. Compreender suas ameaças e estabelecer estratégias de conservação é um passo fundamental para construir cidades mais preparadas para coexistência e proteção da biodiversidade.
Há 16 anos, o Instituto Ampara Animal atua na proteção da fauna brasileira por meio do manejo populacional de animais domésticos, advocacy, educação ambiental, cooperação técnica e projetos de conservação de animais silvestres vítimas de queimadas, atropelamentos, tráfico, desmatamento e outros impactos provocados pela ação humana. A organização também desenvolve campanhas de conscientização e projetos voltados à coexistência entre pessoas e animais silvestres.
Desde 2015 o Instituto Ampara Animal trabalha com a campanha “Todos pelas onças” que visa abordar temas importantes que envolvem as principais ameaças das onças brasileiras e também, ações de advocacy na defesa dos direitos dessas espécies.
Além disso, foi investido cerca de R$4 milhões de reais em construção e melhorias de espaços para atender uma demanda enorme de indivíduos que não podem mais retornar para a natureza. Essa é uma remediação paliativa porém necessária, para trazer dignidade e bem-estar aos impactados pela intervenção humana.
Por isso, o Instituto está em busca de apoio de pessoas
físicas e empresas, para dar continuidade a esta importante frente de atuação.
todospelasoncas.org.br
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