Psicólogas orientam como pequenas atitudes,
descanso, lazer e limites saudáveis contribuem para o bem-estar emocional
Cerca de 15% da população mundial vivia com algum
transtorno mental em 2021, segundo estimativa divulgada pela Organização
Mundial da Saúde (OMS) em 2025. Diante de uma rotina marcada por múltiplas
responsabilidades, excesso de telas e dificuldade para conciliar trabalho,
descanso e vida pessoal, incorporar práticas de autocuidado ao cotidiano contribui com a promoção do bem-estar.
De acordo com Caroline Rodrigues da Silva e Luana
Pimentel, psicólogas do CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João
Amorim”, autocuidado é o conjunto de atitudes e comportamentos intencionais
adotados para preservar e promover a saúde física, mental, emocional e social.
Mais do que um momento de descanso ou uma ação isolada, ele envolve práticas
contínuas e escolhas conscientes, adaptadas às necessidades e possibilidades de
cada pessoa.
Um dos equívocos mais comuns, segundo as
profissionais, é acreditar que cuidar de si exige muito tempo, dinheiro ou
condições especiais.
“Não existe uma fórmula única de autocuidado: o que promove bem-estar para uma pessoa pode não ser o mesmo para outra”, explicam as psicólogas.
A
seguir, as especialistas apresentam orientações para incorporar esse cuidado à
rotina de forma realista, sem transformá-lo em uma nova fonte de cobrança:
1. Inserção de pequenas pausas
no cotidiano
Para quem precisa conciliar trabalho, família e
outras responsabilidades, o autocuidado pode começar com pausas de alguns
minutos durante o dia, como
interromper
temporariamente uma atividade, descansar ou reservar um breve período para
fazer algo prazeroso. Esses
momentos não precisam seguir duração ou frequência rígidas, mas devem ser adaptados às
possibilidades individuais.
O objetivo não é incluir mais uma obrigação na
agenda, mas encontrar formas possíveis de atender às próprias demandas.
“Pequenas ações, realizadas de forma consistente e
respeitando a realidade de cada pessoa, tendem a ser mais eficazes do que
mudanças radicais que são difíceis de manter. O autocuidado deve aliviar a
sobrecarga, e não se tornar mais uma fonte de cobrança”, destacam as
profissionais.
2. Organização de uma rotina
possível
Manter uma rotina organizada, com horários
equilibrados para trabalho, descanso e lazer, ajuda a reduzir o estresse e
proporciona maior sensação de controle sobre o cotidiano. Isso não significa
preencher a agenda com novas tarefas, mas estabelecer metas realistas e
organizar os compromissos de acordo com o tempo e as condições de cada pessoa.
O autoconhecimento é uma parte importante desse
processo. Através dele, o indivíduo consegue identificar quais práticas fazem
sentido no seu dia
a dia e quais
expectativas precisam ser revistas.
Para as psicólogas, o autocuidado não deve ser
adiado até que todas as responsabilidades sejam cumpridas. Ele pode estar
presente na maneira como a pessoa se organiza, toma decisões,
respeita os próprios limites e reserva um tempo para si.
3. Reconhecimento do descanso
como necessidade
Assim como o trabalho e as demais
responsabilidades, as pausas são essenciais para a recuperação física e
mental e devem fazer parte do
cotidiano.
Sempre que possível, deve-se equilibrar sono de
qualidade com momentos de descanso, trabalho, lazer e atividade
física. Além disso, é essencial estar atento à diferença entre a
necessidade natural de repouso e um cansaço intenso e persistente.
“O descanso deve ser entendido como uma
necessidade, e não como um sinal de preguiça ou falta de produtividade”,
ressaltam as especialistas.
Quando o cansaço se torna frequente, intenso ou
começa a interferir nas atividades diárias, pode ser um sinal de esgotamento ou
de outros problemas de saúde mental, e demanda avaliação profissional.
4. Valorização do lazer e das
atividades prazerosas
O lazer desempenha um papel primordial no autocuidado porque
oferece momentos de pausa e recuperação emocional. Ler um livro, caminhar em um
parque, desenvolver um hobby, encontrar pessoas queridas ou realizar outra atividade
descontraída são algumas das
possibilidades.
Além de contribuir para a redução do estresse e a
melhora do humor, o lazer favorece a criatividade e pode ajudar a estabelecer
maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.
Por isso, não deve ser tratado como perda de tempo
nem como uma recompensa permitida somente depois que todas as obrigações forem
cumpridas. Reservar espaço para atividades prazerosas também é uma maneira de
preservar a saúde.
5. Revisão do uso excessivo de
telas
O uso excessivo de telas, redes sociais e jogos online, assim
como outros comportamentos compulsivos, pode afetar o sono, o humor, os
relacionamentos e a qualidade de vida sem que a pessoa perceba imediatamente.
Rever esses hábitos e observar como eles interferem
no cotidiano são formas de autocuidado. O objetivo não é estabelecer uma
proibição generalizada, mas buscar uma relação mais equilibrada com a
tecnologia.
Observar o tempo de uso, o impacto dos conteúdos
consumidos e a dificuldade para se desconectar auxilia a
identificar a necessidade de mudanças na rotina.
6. Estabelecimento de limites
e cultivo de relações saudáveis
As conexões interpessoais também são um aspecto
importante do autocuidado. Manter vínculos saudáveis com familiares, amigos e
outras pessoas promove o sentimento de pertencimento, fortalece a rede de apoio
e contribui para o desenvolvimento pessoal e emocional.
Ao mesmo tempo, é necessário reconhecer situações
que geram desgaste e aprender a definir prioridades e respeitar as próprias
necessidades. Esse processo começa pelo autoconhecimento e pela identificação
dos momentos em que é preciso se posicionar.
Uma
comunicação aberta contribui
para relações mais equilibradas. A psicoterapia é uma aliada nesse processo, oferecendo maior
clareza sobre a maneira como a pessoa se relaciona consigo mesma e com os
outros.
7. Atenção às mudanças no funcionamento diário
Sensação constante de exaustão, dificuldade para equilibrar as diferentes áreas da vida, alterações no sono ou no apetite, oscilações de humor, aumento da ansiedade, irritabilidade, desânimo, fadiga persistente e redução da produtividade estão entre os sinais que merecem atenção.
O isolamento social deve ser observado, principalmente quando a pessoa passa a evitar o convívio com familiares e amigos ou perde o interesse por atividades que antes lhe proporcionavam prazer. Sintomas físicos incluem falta de ar, palpitações e sudorese.
Uma
maneira simples de realizar um “check-up emocional” é observar mudanças no
próprio funcionamento, considerando sua duração e seu impacto no cotidiano.
8. Busca por apoio
profissional quando necessário
O autocuidado é uma ferramenta importante para
promover o bem-estar, mas há momentos em que ele, sozinho, não é suficiente.
Tentar enfrentar sozinho dificuldades mais profundas e adiar a busca por
atendimento não são ações
recomendadas. Mudanças nessa área exigem
tempo, dedicação e constância .
“Quando o sofrimento emocional é intenso,
persistente ou começa a comprometer a rotina, os relacionamentos e a qualidade
de vida, é hora de procurar ajuda psicológica”, finalizam as profissionais.
Nos casos de transtornos como ansiedade e depressão, o acompanhamento psicológico é fundamental e, quando necessário, deve ser associado ao tratamento psiquiátrico.
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial
Nenhum comentário:
Postar um comentário