A doença, antes associada ao envelhecimento, tem
sido cada vez mais frequente antes dos 40 anos
O colesterol alto deixou de ser uma condição restrita ao envelhecimento. Cada vez mais jovens adultos, especialmente entre os 20 e 40 anos, apresentam alterações nos níveis de colesterol impulsionadas por mudanças no estilo de vida, como o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, o sedentarismo, o estresse e a falta de acompanhamento médico.
O principal desafio é que a condição evolui de forma silenciosa na maioria dos casos, e muitas vezes só é descoberta em uma situação crítica: após um evento cardiovascular grave, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). E, de acordo com a professora da Faculdade São Leopoldo Mandic e médica cardiologista, Dra. Carla Patricia Prado, o aumento de diagnósticos em pacientes mais jovens reflete uma mudança importante no perfil das doenças cardiovasculares.
"Há alguns anos era mais comum encontrarmos alterações importantes do colesterol em pessoas mais velhas. Hoje, vemos pacientes na faixa dos 20 e 30 anos já apresentando fatores de risco que podem comprometer a saúde cardiovascular se não forem identificados e tratados precocemente", afirma.
O colesterol, apesar da fama de vilão da saúde, é indispensável para o organismo. Participa da produção de hormônios, vitamina D e da formação das membranas celulares. O problema surge quando há excesso de LDL, popularmente conhecido como “colesterol ruim”, favorecendo o acúmulo de placas de gordura nas artérias, dificultando a circulação do sangue.
Fatores como predisposição genética, obesidade, diabetes, hipertensão e tabagismo contribuem para o desenvolvimento da condição. Além da alimentação rica em produtos industrializados e da baixa prática de atividades físicas. Com isso, especialistas alertam que a prevenção deve começar antes mesmo do aparecimento de sintomas.
Com diagnóstico precoce (realização periódica do perfil lipídico para avaliar os níveis de colesterol) e adoção de hábitos saudáveis, é possível reduzir o risco de doenças cardiovasculares e preservar a qualidade de vida ao longo dos anos. A frequência dos exames pode ser individualizada considerando idade, histórico familiar e condições clínicas de cada paciente.
São Leopoldo Mandic
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