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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Lipedema: condição ainda pouco reconhecida causa acúmulo de gordura e dor

Doença crônica é frequentemente confundida com obesidade e linfedema e exige diagnóstico adequado e tratamento multidisciplinar


O acúmulo desproporcional e bilateral de gordura nos membros, acompanhado de dor, sensibilidade e, em alguns casos, inchaço, pode ser um sinal de lipedema, condição crônica que ainda é pouco conhecida e frequentemente confundida com obesidade e linfedema. O diagnóstico equivocado pode atrasar o início do acompanhamento adequado e impactar a qualidade de vida das pacientes.
 

O lipedema é caracterizado por uma alteração na distribuição do tecido adiposo, que ocorre de forma simétrica e afeta principalmente os membros inferiores, podendo também atingir os membros superiores. Entre os sintomas estão dor, sensação de peso, sensibilidade ao toque e formação de edemas. 

Um estudo publicado no Jornal Vascular brasileiro estimou que 12,3% das mulheres adultas do país podem apresentar sintomas compatíveis com lipedema, o que equivale a milhões de brasileiras. O dado reforça a importância de ampliar o conhecimento sobre a condição e de investir em diagnósticos mais precisos. 

Para Vanessa Rocha, professora de Fisioterapia da Universidade Veiga de Almeida (UVA), um dos principais desafios no tratamento é reconhecer as particularidades de cada paciente. “Não existe uma única forma de tratar todas as pessoas com lipedema. É necessário olhar para quem é esse paciente, quais são suas limitações, suas dores e suas necessidades. A partir disso, definimos as melhores estratégias para o tratamento”, afirma. 

A especialista explica que o cuidado pode envolver diferentes profissionais e modalidades. A prática de exercícios físicos orientados, por exemplo, contribui para a melhora da circulação, do condicionamento e da funcionalidade. O acompanhamento nutricional também pode fazer parte da estratégia, assim como terapias compressivas e outras intervenções indicadas de acordo com cada caso. 

“Precisamos inserir a atividade física na rotina do paciente de uma forma possível e sustentável. Exercícios aeróbicos e de fortalecimento podem ser importantes, mas o tratamento deve ser individualizado e considerar a realidade de cada pessoa”, destaca Vanessa. 

Nesse processo, a fisioterapia pode desempenhar um papel importante no manejo dos sintomas e na manutenção da mobilidade e da funcionalidade. Para aumentar a adesão aos exercícios, recursos tecnológicos e atividades lúdicas também podem tornar as sessões mais dinâmicas. A realidade virtual, por exemplo, pode ser utilizada para estimular movimentos específicos durante jogos interativos. 

“Às vezes, o paciente tem dificuldade ou sente dor para realizar determinado movimento. Podemos transformar esse exercício em uma atividade mais divertida, utilizando, por exemplo, jogos que estimulem determinados movimentos. A fisioterapia pode ser desafiadora e, muitas vezes, desconfortável, mas, quando conseguimos trazer um elemento lúdico, aumentamos o engajamento e a adesão ao tratamento”, explica a professora. 

Diante de sintomas como acúmulo de gordura desproporcional, dor e inchaço persistente nos membros, a recomendação é procurar inicialmente um serviço de saúde para avaliação. A partir do atendimento, o paciente poderá ser encaminhado para especialistas e profissionais de diferentes áreas, de acordo com a necessidade de cada caso. 

O diagnóstico correto é fundamental para evitar que o lipedema seja tratado apenas como uma questão estética ou de excesso de peso. “Quanto mais informação e conhecimento tivermos sobre a condição, maiores são as chances de identificar o problema e oferecer um cuidado que realmente faça sentido para aquela pessoa”, conclui a professora. 



Centro de Saúde e Pesquisa Veiga de Almeida
Para mais informações acesse: Link ou ligue para (21)99583-5274.

 

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