Doença crônica é frequentemente confundida com
obesidade e linfedema e exige diagnóstico adequado e tratamento
multidisciplinar
O acúmulo desproporcional e bilateral de gordura nos membros, acompanhado de
dor, sensibilidade e, em alguns casos, inchaço, pode ser um sinal de lipedema,
condição crônica que ainda é pouco conhecida e frequentemente confundida com
obesidade e linfedema. O diagnóstico equivocado pode atrasar o início do
acompanhamento adequado e impactar a qualidade de vida das pacientes.
O
lipedema é caracterizado por uma alteração na distribuição do tecido adiposo,
que ocorre de forma simétrica e afeta principalmente os membros inferiores,
podendo também atingir os membros superiores. Entre os sintomas estão dor,
sensação de peso, sensibilidade ao toque e formação de edemas.
Um
estudo publicado no Jornal Vascular brasileiro estimou que 12,3% das mulheres
adultas do país podem apresentar sintomas compatíveis com lipedema, o que
equivale a milhões de brasileiras. O dado reforça a importância de ampliar o
conhecimento sobre a condição e de investir em diagnósticos mais precisos.
Para
Vanessa Rocha, professora de Fisioterapia da Universidade Veiga de Almeida
(UVA), um dos principais desafios no tratamento é reconhecer as
particularidades de cada paciente. “Não existe uma única forma de tratar todas
as pessoas com lipedema. É necessário olhar para quem é esse paciente, quais
são suas limitações, suas dores e suas necessidades. A partir disso, definimos
as melhores estratégias para o tratamento”, afirma.
A
especialista explica que o cuidado pode envolver diferentes profissionais e
modalidades. A prática de exercícios físicos orientados, por exemplo, contribui
para a melhora da circulação, do condicionamento e da funcionalidade. O
acompanhamento nutricional também pode fazer parte da estratégia, assim como
terapias compressivas e outras intervenções indicadas de acordo com cada caso.
“Precisamos
inserir a atividade física na rotina do paciente de uma forma possível e
sustentável. Exercícios aeróbicos e de fortalecimento podem ser importantes,
mas o tratamento deve ser individualizado e considerar a realidade de cada
pessoa”, destaca Vanessa.
Nesse
processo, a fisioterapia pode desempenhar um papel importante no manejo dos
sintomas e na manutenção da mobilidade e da funcionalidade. Para aumentar a
adesão aos exercícios, recursos tecnológicos e atividades lúdicas também podem
tornar as sessões mais dinâmicas. A realidade virtual, por exemplo, pode ser
utilizada para estimular movimentos específicos durante jogos interativos.
“Às
vezes, o paciente tem dificuldade ou sente dor para realizar determinado
movimento. Podemos transformar esse exercício em uma atividade mais divertida,
utilizando, por exemplo, jogos que estimulem determinados movimentos. A
fisioterapia pode ser desafiadora e, muitas vezes, desconfortável, mas, quando
conseguimos trazer um elemento lúdico, aumentamos o engajamento e a adesão ao
tratamento”, explica a professora.
Diante
de sintomas como acúmulo de gordura desproporcional, dor e inchaço persistente
nos membros, a recomendação é procurar inicialmente um serviço de saúde para
avaliação. A partir do atendimento, o paciente poderá ser encaminhado para
especialistas e profissionais de diferentes áreas, de acordo com a necessidade
de cada caso.
O
diagnóstico correto é fundamental para evitar que o lipedema seja tratado
apenas como uma questão estética ou de excesso de peso. “Quanto mais informação
e conhecimento tivermos sobre a condição, maiores são as chances de identificar
o problema e oferecer um cuidado que realmente faça sentido para aquela
pessoa”, conclui a professora.
Centro de Saúde e Pesquisa Veiga de Almeida
Para mais informações acesse: Link ou ligue para (21)99583-5274.

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