Brasil se une à mobilização mundial que defende o
acesso universal aos cuidados paliativos e destaca o controle adequado da dor
como parte essencial da assistência
O controle da dor como parte essencial dos cuidados paliativos será o foco do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos (World Hospice and Palliative Care Day – WHPCD), celebrado em 10 de outubro. A mobilização internacional, organizada pela Worldwide Hospice and Palliative Care Alliance (WHPCA), conta com o apoio da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), das Estaduais e Distrital, e busca chamar a atenção de governos, profissionais de saúde e sociedade para a necessidade de garantir dignidade, conforto e assistência adequada às pessoas que vivem com doenças graves.
A data reforça uma questão central da assistência em saúde: o acesso ao controle da dor não deve ser restrito aos últimos momentos de vida. Os cuidados paliativos podem ser oferecidos desde o diagnóstico de uma doença grave, de forma integrada ao tratamento, com o objetivo de aliviar o sofrimento e preservar a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.
Para o presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), Dr. João Batista Garcia, especialista em dor, o enfrentamento adequado desse sintoma deve ser tratado como uma prioridade assistencial.
“A dor não pode ser encarada como uma consequência inevitável de uma doença grave. O cuidado paliativo busca justamente reconhecer e tratar o sofrimento de forma integral, e o controle da dor é uma das dimensões mais importantes desse cuidado. Aliviar a dor significa preservar autonomia, dignidade e qualidade de vida, permitindo que o paciente participe das decisões sobre seu próprio tratamento”, afirma o médico.
A mobilização mundial também chama atenção para a necessidade de políticas públicas capazes de ampliar o acesso aos cuidados paliativos. A Assembleia Mundial da Saúde, órgão de governança da Organização Mundial da Saúde (OMS), aprovou uma resolução que orienta os países a fortalecerem os cuidados paliativos como componente do cuidado integral ao longo de toda a vida.
O
modelo de saúde pública desenvolvido pela OMS para os cuidados paliativos
contempla diferentes frentes, entre elas políticas públicas, educação dos
profissionais, disponibilidade de medicamentos, participação das comunidades,
pesquisa e implementação dos serviços. Apesar dos avanços, ainda existem
importantes barreiras para que esses componentes estejam disponíveis de maneira
ampla e equitativa.
Uma necessidade mundial
Dados da Comissão Lancet de Cuidados Paliativos e Alívio da Dor estimam que mais de 73 milhões de pessoas necessitem de cuidados paliativos todos os anos. Desse total, 67% são adultos com mais de 50 anos e pelo menos 14% são crianças. A maior parte das pessoas que necessita desse tipo de assistência ainda não está no último ano de vida, o que reforça a importância de ampliar a compreensão de que cuidados paliativos não são sinônimo de cuidados exclusivamente de fim de vida.
“Quando falamos em cuidados paliativos, estamos falando em cuidado ativo e especializado para pessoas que enfrentam doenças graves e seus familiares. O objetivo é aliviar sintomas, controlar a dor e outros sofrimentos e ajudar o paciente a viver da melhor maneira possível durante o curso da doença. Isso exige uma equipe preparada e uma rede de atenção capaz de oferecer esse cuidado no momento adequado”, destaca Dr. João Batista Garcia.
Apesar da dimensão dessa necessidade, os cuidados paliativos ainda não estão disponíveis para a maioria das pessoas que deles necessitam, especialmente nos países de baixa e média renda. A ampliação do acesso é, portanto, um dos principais desafios para os sistemas de saúde.
No
Brasil, Academias Estaduais e a Academia Distrital de Cuidados Paliativos
promovem, em diferentes cidades, ações e eventos destinados a ampliar a
conscientização sobre o tema, compartilhar experiências e fortalecer a
discussão sobre políticas e práticas de cuidado.
Acesso aos cuidados paliativos é direito à saúde
O Dia Mundial dos Cuidados Paliativos é celebrado anualmente no segundo sábado de outubro e representa uma mobilização internacional em defesa da ampliação do acesso a esse modelo de assistência. A iniciativa reúne instituições, profissionais de saúde, pacientes, familiares e comunidades em torno de uma mesma mensagem: ninguém deveria enfrentar uma doença grave ou o fim da vida sem acesso a cuidados capazes de aliviar o sofrimento e preservar sua dignidade.
A WHPCA reúne mais de 500 organizações em mais de 100 países e atua para acelerar o acesso universal a cuidados paliativos de qualidade.
No Brasil, a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), fundada em 2005, é a principal entidade científica e multiprofissional dedicada ao desenvolvimento, ensino e implementação dos cuidados paliativos. A entidade atua na representação dos profissionais da área, na promoção da educação e da pesquisa e na articulação de políticas públicas voltadas à garantia de uma assistência integral e humanizada.
Para
a ANCP, ampliar o acesso aos cuidados paliativos significa também fortalecer o
direito à saúde e assegurar que pessoas com doenças graves tenham suas
necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais reconhecidas e cuidadas
ao longo de toda a trajetória da doença.
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