O governo do presidente Lula vive de promessas nunca implementadas em benefício da população e dos cidadãos trabalhadores, sejam empresários, sejam celetistas. Sem contar os mandatos anteriores do atual presidente, somente nesta gestão Lula recorreu ao ditado popular — que parafraseia os escritos do apóstolo Paulo — “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”, ao menos 21 vezes, segundo levantamento do portal Poder360. As falsas promessas tornaram-se seu recurso predileto para ludibriar a sociedade civil e o setor produtivo.
Na realidade,
o Executivo apenas esqueceu de especificar o que efetivamente semeia durante
sua gestão, cujos frutos vêm sendo amargados por todos os brasileiros. A título
de exemplo, destacam-se algumas dessas semeaduras:
Aumento da taxa de juros: A taxa básica
de juros (Selic), em agosto de 2026, situa-se em 14,00% ao ano — patamar
expressivamente superior à média registrada durante o governo Jair Bolsonaro
(2019–2022), que foi da ordem de 6,5% ao ano.
Elevação da carga tributária: De acordo com
levantamento da CNN Brasil, foram implementadas ao menos 37 medidas de elevação
ou criação de tributos, levando a carga tributária nacional ao maior patamar já
registrado pelo Tesouro Nacional.
Explosão do déficit público: Após receber da
gestão anterior, em 2022, um superávit primário de R$ 54,1 bilhões — o primeiro
resultado positivo desde 2013 —, o cenário atual é alarmante: considerando
apenas as contas de 2026 de forma parcial (até junho), o primeiro semestre
encerrou com déficit acumulado de R$ 92,3 bilhões.
Descontrole da dívida: O endividamento
bruto do país ultrapassou a marca histórica de R$ 10 trilhões em 2026,
impulsionado tanto pelo déficit primário persistente quanto pelo custo elevado
da Selic.
Pelos
exemplos citados, percebe-se, com clareza cristalina, o que o atual governo tem
semeado. A colheita é o que vivenciamos no dia a dia: a crise se acentua,
cresce o número de recuperações judiciais de empresas, reduzem-se os quadros de
funcionários e indústrias transferem suas atividades para o país vizinho — o
Paraguai —, onde a tributação não inviabiliza os empreendimentos.
Segundo
estudo divulgado pelo Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo
(CRCSP), o volume de empresas em recuperação judicial no Brasil permaneceu em
patamares recordes no primeiro semestre de 2026. Levantamento do Monitor
RGF-Bizdoc corrobora o dado: junho encerrou com 6.341 empresas sob o regime de
recuperação judicial, um avanço de 6,2% em comparação ao encerramento de 2025.
Entre as
empresas de grande porte que precisaram recorrer à recuperação judicial,
podemos citar: Grupo Casas Bahia: passivos financeiros da
ordem de R$ 17,3 bilhões, após intenso processo de fechamento de lojas e corte
de custos; Marabraz: busca reorganizar cerca de
R$ 140 milhões em dívidas decorrentes da compressão de margens e da retração do
consumo; Tok&Stok: em processo de
reestruturação judicial e financeira para readequação de seu passivo e de seu
fluxo de caixa; Raizen (recuperação extrajudicial): a
gigante do setor sucroalcooleiro e de biocombustíveis movimentou o mercado ao
renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em passivos com seus principais credores; e
Agronegócio (produtores e revendas de médio e grande porte): o
setor registrou volume recorde de pedidos de recuperação judicial em 2026, impulsionado
por quebras de safra localizadas, oscilações nos preços das commodities e alto
custo do crédito.
Outra faceta
dessa colheita é a fuga produtiva: cerca de 230 empresas brasileiras
transferiram etapas de produção — ou abriram novas plantas — no Paraguai,
gerando cerca de 25 mil empregos diretos do outro lado da fronteira. Marcas
consolidadas como Lupo, Brinquedos Estrela, Riachuelo (Grupo Guararapes), JBS e
Cia. Hering figuram entre os exemplos.
Em
contrapartida, no mercado interno, a Americanas fechou centenas de lojas
físicas e desligou mais de 13 mil funcionários. O Grupo Casas Bahia cortou
cerca de 8.600 funcionários apenas ao longo de 2023 e, em agosto de 2026,
anunciou quase 3.000 demissões adicionais. Já o Carrefour Brasil encerrou as
atividades de mais de cem lojas deficitárias no país — envolvendo bandeiras
regionais como Todo Dia, Nacional e Bompreço, especialmente nas regiões Sul e
Nordeste —, resultando no fechamento de milhares de postos de trabalho. (Fonte:
https://sindishopping.com.br/)
Infelizmente,
a sociedade brasileira não colhe as benesses prometidas nos palanques e
entrevistas do governo Lula, mas sim os efeitos concretos do que foi semeado:
juros asfixiantes, carga tributária recorde e descontrole das contas públicas.
Tenho dito!
Bady Curi Neto - advogado fundador do Escritório Bady
Curi Advocacia Empresarial, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas
Gerais (TRE-MG) e professor mestre universitário.
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