Especialista Andrezza Botelho explica como a nutrição vem
deixando de lado dietas restritivas para olhar de forma mais individualizada
para rotina, metabolismo e comportamento alimentar
No dia 31 de agosto, quando é celebrado o
Dia do Nutricionista, a discussão sobre alimentação saudável ganha espaço — e
também reforça uma mudança importante na relação das pessoas com a comida. Se
durante muito tempo a nutrição esteve associada principalmente a dietas
restritivas, perda de peso e contagem de calorias, hoje o olhar do profissional
está cada vez mais voltado para a individualidade, a rotina e a construção de
hábitos sustentáveis.
Para a nutricionista Andrezza Botelho, esse
movimento representa uma evolução na própria forma de compreender a
alimentação. “Não existe uma estratégia alimentar que funcione da mesma maneira
para todas as pessoas. O que precisamos entender é o contexto de cada
indivíduo: sua rotina, seus objetivos, suas preferências, seu histórico e até a
relação que estabelece com a comida”, explica.
Segundo a especialista, a busca por uma
alimentação equilibrada vai além do controle de peso — passa por energia,
disposição, saúde intestinal, qualidade do sono, imunidade e prevenção de
doenças. “Quando falamos em alimentação saudável, não estamos falando apenas
sobre o que precisa ser retirado do prato. É preciso olhar para aquilo que pode
ser incorporado à rotina e que faça sentido no longo prazo. Uma alimentação
equilibrada precisa ser possível de ser mantida”, afirma Andrezza.
Da
dieta à mudança de hábitos
A popularização de informações sobre
nutrição nas redes sociais também trouxe um novo desafio para os profissionais
da área. São milhares de conteúdos sobre alimentos, suplementos, jejum, dietas
e tendências circulando diariamente, muitas vezes sem considerar as
necessidades individuais.
Nesse cenário, o nutricionista assume
também o papel de traduzir informação científica para a vida real, ajudando o
paciente a diferenciar evidências de modismos. “Hoje temos acesso a uma
quantidade enorme de informação, mas informação não significa necessariamente
conhecimento. O papel do nutricionista é justamente avaliar o que faz sentido
para aquela pessoa e transformar a ciência em estratégias que possam ser
aplicadas no cotidiano”, destaca a profissional.
Para Andrezza, a principal tendência para
os próximos anos caminha na mesma direção: uma nutrição menos baseada em regras
universais e mais centrada em autonomia. “Acredito em uma nutrição que ensina,
orienta e dá autonomia. Mais do que entregar uma dieta pronta, precisamos
ajudar o paciente a entender o próprio corpo e fazer escolhas melhores de forma
consistente.”
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