Dr. Daniel Knupp, líder médico na Alice, lista cinco atitudes de prevenção e explica por que o desafio do rastreamento não é a falta de exame
Mais de 60% dos diagnósticos de câncer de
intestino no Brasil acontecem quando a doença já está em estágio avançado — III
ou IV, quando o tumor invadiu estruturas profundas ou gerou metástases. O dado
é de estudo da Fundação do Câncer publicado em novembro de 2025, que analisou
mais de cem mil casos registrados em hospitais públicos e privados e chama
atenção justamente pelo tipo de tumor de que se trata: o câncer de intestino é
um dos poucos que dão anos de aviso. A maioria dos brasileiros, porém, descobre
a doença na fase em que ela é mais difícil de tratar, e não na fase em que ela
é quase totalmente evitável.
Neste mês, o Ministério da Saúde incluiu o
teste imunoquímico fecal (FIT) na tabela de procedimentos do SUS para o
rastreamento do câncer colorretal em homens e mulheres assintomáticos entre 50
e 75 anos, com repetição a cada dois anos. A pesquisa de sangue oculto nas
fezes já é uma prática estabelecida de rastreamento no país. O que a medida faz
é incorporar formalmente um método de análise mais sensível e de leitura
automatizada, que já vinha sendo o mais usado na rotina dos laboratórios. Os
métodos anteriores, baseados em guaiaco, tem acurácia um pouco menor e hoje são
oferecidos por poucos serviços.
"Vale dizer o que essa medida é e o que
ela não é. Não se trata de um exame novo nem de uma mudança na recomendação
sobre quem deve se rastrear. É a atualização de um método de análise das fezes
que a maior parte dos laboratórios já utilizava, e que pode agregar valor aos
métodos já em uso. Para quem vai fazer o exame, na prática, muda pouco",
explica Daniel Knupp, líder médico na Alice. "O ponto mais útil talvez
seja recolocar o rastreamento do câncer colorretal na conversa. Esse, sim, é o
assunto que precisa de atenção."
A urgência tem tamanho. O câncer colorretal é
um dos tipos mais frequentes no país, com estimativa de 53,8 mil novos casos
por ano no triênio 2026–2028, segundo o INCA.
Para Knupp, o rastreamento ajuda a inverter a
lógica de como muitas pessoas se relacionam com a própria saúde. "Todo
mundo entende ir ao médico quando algo dói. Rastreamento é o contrário disso: é
fazer um exame justamente porque nada está acontecendo. É contra intuitivo, e
por isso depende de alguém explicando, lembrando e acompanhando", afirma.
Cinco
atitudes que aumentam a chance de encontrar o câncer de intestino a tempo:
- Fazer o rastreamento na
idade indicada: para
homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos, a recomendação é a
pesquisa de sangue oculto nas fezes a cada dois anos.
- Antecipar se houver
histórico familiar:
parentes de primeiro grau com câncer colorretal, doença inflamatória
intestinal ou síndromes genéticas podem mudar a estratégia e a idade de
início do acompanhamento. A avaliação deve ser individualizada.
- Não atribuir automaticamente
um sangramento a hemorroidas:
sangramento retal pode ter diferentes causas e merece avaliação,
especialmente quando é recorrente ou aparece acompanhado de outros
sintomas.
- Levar a sério mudanças
persistentes:
alterações no hábito intestinal, dor abdominal contínua, anemia ou perda
de peso sem explicação merecem avaliação médica.
- Cuidar dos fatores modificáveis: sedentarismo, obesidade, consumo elevado de álcool, carnes processadas e uma alimentação pobre em fibras estão associados a maior risco de câncer colorretal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário