Celebrado em 31 de agosto, Dia do Nutricionista chama atenção para uma atuação que vai da prevenção de doenças às políticas públicas de alimentação e saúde
As doenças cardiovasculares, os cânceres, o
diabetes, a obesidade e as doenças respiratórias crônicas estão entre as
principais causas de morte no Brasil e no mundo. Em comum, muitas delas têm
fatores de risco que podem ser modificados e a alimentação inadequada está
entre eles. Neste 31 de agosto, Dia do Nutricionista, o Conselho Federal de
Nutrição (CFN) evidencia o papel desse profissional na prevenção de doenças, na
promoção da saúde e no cuidado da população.
Com o tema “Nutricionista: agente de
transformação na saúde e na sociedade”, a campanha deste ano busca ampliar a
percepção sobre uma profissão ainda frequentemente associada ao atendimento
individual, mas cuja atuação alcança diferentes espaços e etapas do cuidado com
a alimentação e a saúde. O nutricionista está presente na alimentação coletiva;
na assistência clínica em hospitais, unidades de saúde, consultórios,
instituições de longa permanência e outros serviços; no esporte e no exercício
físico; nas políticas e nos programas de saúde coletiva, segurança alimentar e
nutricional e assistência social; na cadeia de produção, na indústria e no
comércio de alimentos; e no ensino, na pesquisa e na extensão. Em cada uma
dessas áreas, o profissional contribui para promover saúde, garantir a
qualidade e a segurança dos alimentos e transformar realidades individuais e
coletivas.
Os números ajudam a dimensionar a
importância desse trabalho. Segundo o Ministério da Saúde, as doenças crônicas
não transmissíveis (DCNT) são a maior causa de morbimortalidade no Brasil. Em
2023, foram responsáveis por cerca de 790 mil mortes, o equivalente a 53% de
todos os óbitos registrados no país. Mais de 322 mil brasileiros entre 30 e 69
anos morreram prematuramente em decorrência dessas doenças.
O desafio é mundial. Segundo a Organização
Mundial da Saúde (OMS), as DCNT respondem por cerca de 75% das mortes no
planeta. As doenças cardiovasculares concentram o maior número de óbitos,
seguidas por cânceres, doenças respiratórias crônicas e diabetes. A obesidade
também integra esse cenário e está associada ao maior risco de desenvolvimento
de outras DCNT. A OMS aponta ainda a alimentação inadequada entre os principais
fatores de risco modificáveis para essas doenças.
É justamente nesse ponto que a Nutrição
ganha uma dimensão que vai além da consulta. OMS destaca a alimentação adequada
como parte importante da prevenção das doenças crônicas.
Para a presidente do CFN, Manuela Dolinsky,
investir em Nutrição também significa investir em prevenção. “Grande parte dos
desafios de saúde que enfrentamos hoje está relacionada a doenças que se
desenvolvem ao longo de muitos anos e que têm na alimentação um dos fatores que
podem fazer a diferença. O nutricionista atua justamente nesse caminho: antes
da doença, na prevenção, quando ela já existe, no cuidado, e também nas políticas
e serviços que chegam a milhares de pessoas. Valorizar esse profissional é
reconhecer que a Nutrição faz parte de uma estratégia de saúde para toda a
população”, afirma.
Alimentação
saudável ainda não chega a todos
Falar sobre prevenção, porém, não significa
colocar toda a responsabilidade sobre as escolhas individuais. O acesso à
alimentação adequada também depende de renda, disponibilidade de alimentos,
território, educação e políticas públicas.
Embora o Brasil tenha avançado nos últimos anos,
44,8 milhões de brasileiros ainda não tinham condições financeiras de acessar
uma alimentação saudável em 2025, segundo dados divulgados pela Organização das
Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Esse cenário ajuda a explicar por que a
atuação do nutricionista também acontece fora dos consultórios. O profissional
participa de ações e políticas que envolvem alimentação escolar, atenção à
saúde, segurança alimentar e nutricional, assistência social, alimentação
coletiva e outros espaços que alcançam grupos inteiros da população.
Formação
também é proteção à saúde
A campanha do Dia do Nutricionista deste
ano traz ainda outro alerta: Nutrição é com nutricionista.
Em um cenário de grande circulação de
conteúdos sobre alimentação, dietas e suplementação, o CFN reforça a
importância de diferenciar informação disponível na internet de orientação
profissional. O exercício da Nutrição exige formação, conhecimento
técnico-científico, responsabilidade e habilitação profissional.
O combate ao exercício ilegal, portanto,
não diz respeito apenas à valorização de uma categoria. É também uma questão de
proteção à saúde. Orientações inadequadas podem trazer riscos, especialmente
quando envolvem pessoas com doenças crônicas, crianças, idosos e outros grupos
que demandam cuidados específicos.
Por isso, a recomendação é que a população
procure nutricionistas devidamente habilitados e registrados nos Conselhos
Regionais de Nutrição.
31 de agosto | Dia do Nutricionista
Nutricionista: agente de transformação na saúde e na
sociedade

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