Sobrecarga doméstica e profissional amplia afastamentos por transtornos mentais e leva companhias a estruturar políticas de prevenção e gestão de riscos psicossociais
O crescimento dos casos de burnout e outros
transtornos mentais entre mulheres no mercado de trabalho tem levado empresas
brasileiras a rever políticas internas de saúde corporativa. Dados da
Organização Mundial da Saúde indicam que depressão e ansiedade provocam perdas
de cerca de US$ 1 trilhão por ano à economia global, resultado de mais de 12
bilhões de dias de trabalho comprometidos.
No Brasil, o impacto também é crescente. O Painel
Estatístico da Previdência Social registrou 472 mil afastamentos por
transtornos mentais em 2024, o maior número da última década.
Rodrigo Araújo, CEO da Global Work e especialista em saúde ocupacional, afirma que a sobrecarga feminina
tem ampliado os casos de esgotamento emocional no ambiente corporativo.
Mulheres acumulam jornadas profissionais e responsabilidades domésticas, o que
aumenta o estresse e afeta a produtividade. “Quando a dupla jornada se torna
rotina, o desgaste emocional aparece mais rápido”, diz.
Segundo ele, o fenômeno do burnout feminino precisa
ser analisado dentro de uma lógica estrutural de trabalho. “Muitas mulheres
mantêm duas jornadas completas, a profissional e a doméstica. Quando não há
políticas de equilíbrio e suporte dentro da empresa, a tendência é que o
desgaste emocional apareça mais rápido”, afirma.
O especialista observa que empresas que tratam o
tema apenas quando surgem afastamentos acabam pagando mais caro no longo prazo.
“Quando a organização atua de forma preventiva, reduz absenteísmo, melhora o
clima organizacional e ganha produtividade. Saúde mental deixou de ser apenas
uma pauta de bem-estar e passou a ser uma questão estratégica para os
negócios”, diz.
A mudança regulatória também acelerou a procura por
consultorias especializadas. Desde maio de 2025, a atualização da Norma
Regulamentadora nº 1 passou a exigir que companhias incluam riscos
psicossociais como assédio, sobrecarga e desgaste emocional em seus programas
de gestão de saúde e segurança do trabalho.
Para Araújo, a adaptação exige mudança cultural dentro
das organizações. “O primeiro passo é reconhecer que a saúde emocional impacta
diretamente o desempenho das equipes. Quando a empresa ignora esse fator, o
custo aparece em rotatividade, afastamentos e queda de produtividade.” alerta.
Ele também destaca que políticas de apoio às
mulheres no ambiente corporativo ajudam a reduzir esse impacto. “Ambientes que
estimulam equilíbrio entre vida profissional e pessoal conseguem reter mais
talentos e construir equipes mais engajadas.”destaca
A contratação de empresas especializadas em saúde
ocupacional tem sido uma das estratégias adotadas para estruturar essas
iniciativas. Além de atender às exigências da legislação trabalhista, o modelo
permite mapear riscos antes que eles se transformem em afastamentos prolongados.
“Empresas que estruturam programas preventivos
conseguem multiplicar de três a dez vezes o retorno sobre cada valor investido
em saúde corporativa. O impacto aparece tanto na produtividade quanto na
redução de custos assistenciais”, aponta.
O especialista aponta cinco
medidas que ajudam empresas a prevenir burnout feminino e reduzir afastamentos
no trabalho
Especialistas em saúde ocupacional apontam que a
prevenção exige mudanças práticas dentro das organizações. A seguir, cinco
ações consideradas prioritárias para reduzir o risco de esgotamento emocional
nas equipes.
- Mapear
riscos psicossociais no ambiente de trabalho
A nova NR-1 exige que empresas identifiquem fatores como sobrecarga, conflitos internos e pressão excessiva. O diagnóstico permite agir antes que os problemas evoluam para afastamentos médicos. - Treinar
lideranças para reconhecer sinais de exaustão
Gestores preparados conseguem identificar mudanças de comportamento, queda de desempenho e sinais de estresse prolongado, facilitando intervenções mais rápidas. - Criar
políticas de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal
Flexibilidade de jornada, direito à desconexão e metas realistas reduzem o impacto da dupla jornada enfrentada por muitas profissionais. - Oferecer
apoio psicológico e canais de escuta
Programas de atendimento psicológico, telemedicina e acompanhamento emocional ampliam o acesso ao cuidado e ajudam a prevenir crises mais graves. - Integrar
saúde mental à estratégia de gestão
Empresas que tratam o bem-estar como indicador de desempenho organizacional tendem a reduzir custos invisíveis e aumentar o engajamento das equipes.
O aumento dos afastamentos por transtornos mentais e a exigência de gestão de riscos psicossociais colocaram a saúde emocional no centro da agenda empresarial. “A empresa que entende isso primeiro constrói vantagem competitiva. Cuidar da saúde mental não é apenas uma obrigação legal, é uma decisão inteligente de gestão”, conclui.
Rodrigo Araújo - Técnico em Segurança do Trabalho, engenheiro ambiental. Com mais de 20 anos de experiência, atuou como gestor de saúde ocupacional e segurança do trabalho e atuou em grandes empresas como Lacta, Roche Farmacêutica e Ipiranga Química. Especialista em negócios B2B. Há 13 anos, fundou a Global Work com um propósito claro: “Cuidar de forma efetiva e integrada do maior ativo de qualquer negócio, seus colaboradores, e, ao mesmo tempo, oferecer ao empresário um diagnóstico completo, capaz de gerar retornos tangíveis e intangíveis para cada valor investido, com ROI de 3 a 10 vezes”. Atualmente, é CEO da companhia.
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Global Work
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Fontes de pesquisa
Organização Mundial da Saúde (OMS)
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-at-work
Ministério da Previdência Social – Painel Estatístico
https://www.gov.br/previdencia/pt-br/assuntos/estatisticas
Organização Internacional do Trabalho (OIT)
https://www.ilo.org/global/topics/safety-and-health-at-work
Ministério do Trabalho e Emprego – Norma Regulamentadora nº 1
https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-1
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