No Dia Nacional da Saúde e da Nutrição, docente da Faculdade Santa Casa de SP defende ampliação de políticas públicas
Em meio ao aumento dos casos de obesidade
infantil no mundo, dados da World Obesity Federation indicam que a doença pode
atingir mais de 500 milhões de crianças e adolescentes até 2040. No Dia
Nacional da Saúde e da Nutrição, celebrado em 31 de março, o tema ganha
destaque com o debate sobre prevenção e, principalmente, os desafios no acesso
ao tratamento no Brasil.
Mais do que falar sobre hábitos alimentares, a data tem como propósito reforçar a compreensão sobre a obesidade infantil, uma doença complexa e interdisciplinar. Na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), o tema ganha relevância para ampliar os debates sobre a obesidade infantil e o papel que uma instituição de ensino e saúde deve exercer.
De acordo com a professora Rachel Helena
Vieira Machado, docente do curso de Nutrição da Faculdade e doutoranda em saúde
materno-infantil, o Dia Nacional da Saúde e da Nutrição é um momento propício
para discutir o acesso à prevenção e ao tratamento.
"A obesidade surge não pela falta de
força de vontade, não é só 'comer menos'. Na realidade, estamos em um momento
em que devemos reforçar nossa cobrança junto aos gestores de saúde e de
políticas públicas, ao mesmo tempo em que relembramos a importância do estilo
de vida saudável", aponta a professora.
Há quase três décadas, a Organização
Mundial da Saúde (OMS) reconhece que a obesidade é uma doença multifatorial, ou
seja, entende que o excesso de peso não depende apenas do indivíduo, mas de uma
série de fatores biológicos, sociais e psicológicos.
Entre os fatores exemplificados, a
nutricionista Rachel enfatiza o acesso a locais para lazer, a estrutura das
escolas com cozinhas e refeitórios, a segurança pública, a disponibilidade
financeira e de tempo para as famílias cozinharem juntas e a jornada de
trabalho e estudo de cada membro da família.
Nos casos de crianças que já estão acima do
peso, a professora destaca o papel das telas no sedentarismo, além do impacto
do bullying e do uso da alimentação como válvula de escape para a ansiedade.
Diante dos aspectos que contribuem para a
obesidade, torna-se necessário ampliar políticas públicas de tratamento mais
robustas:
"O Brasil tem múltiplos programas,
políticas e ações focadas na prevenção da obesidade infantil, principalmente no
quesito alimentação. A capilaridade dessas ações, ou seja, como são
implementadas em cada região do país, depende muito da gestão do SUS em cada
uma das regiões, mas esse planejamento existe. A questão é que, para o
tratamento da obesidade, ainda estamos muito aquém do esperado, e as políticas
públicas ainda tratam a obesidade como se fosse apenas uma questão de comer bem
e fazer exercício, mas não é."
Para a professora, é necessário cobrar
gestores de saúde e de políticas públicas para garantir o acesso a medidas de
prevenção e a tratamentos de ponta. Além disso, é papel da instituição de
ensino preparar futuros gestores, médicos e nutricionistas para superar essa
insuficiência de forma compartilhada.
Além da formação acadêmica, a Faculdade
Santa Casa de São Paulo desenvolve uma série de ações práticas voltadas à
comunidade, com foco na prevenção e no enfrentamento da obesidade desde a
infância.
"Através das atividades de extensão,
nossos alunos vivenciam, na prática, o manejo do excesso de peso e a promoção da
saúde, oferecendo diagnósticos e orientações para pessoas que, muitas vezes,
nunca receberam um detalhamento real sobre sua composição corporal e riscos à
saúde."
Entre as iniciativas, estão ações de
vigilância nutricional, em que alunos realizam diagnósticos detalhados da
composição corporal de pacientes e orientam sobre riscos à saúde, além de
encaminhamentos para acompanhamento adequado.
Outro destaque são as atividades em
escolas, onde os estudantes promovem ações lúdicas de educação alimentar com crianças,
incentivando hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida.
Os projetos também envolvem parcerias com
hospitais e outras instituições de saúde, permitindo que os alunos acompanhem,
na prática, o manejo do excesso de peso em diferentes contextos sociais.
As ações são desenvolvidas de forma
integrada com outras áreas, como Medicina, Psicologia e Educação Física, refletindo
a abordagem interdisciplinar necessária para o tratamento de doenças complexas,
como a obesidade.
A atuação da Faculdade Santa Casa de São Paulo reforça o papel
das instituições de ensino na formação de profissionais preparados para
enfrentar desafios de saúde pública, como a obesidade infantil. Para
especialistas, o avanço no combate à doença depende tanto da qualificação
técnica quanto da articulação entre políticas públicas, educação e acesso ao
cuidado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário