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sexta-feira, 27 de março de 2026

Obesidade infantil pode atingir 500 milhões até 2040; especialista aponta desafios no tratamento

No Dia Nacional da Saúde e da Nutrição, docente da Faculdade Santa Casa de SP defende ampliação de políticas públicas

 

 

Em meio ao aumento dos casos de obesidade infantil no mundo, dados da World Obesity Federation indicam que a doença pode atingir mais de 500 milhões de crianças e adolescentes até 2040. No Dia Nacional da Saúde e da Nutrição, celebrado em 31 de março, o tema ganha destaque com o debate sobre prevenção e, principalmente, os desafios no acesso ao tratamento no Brasil.

 

Mais do que falar sobre hábitos alimentares, a data tem como propósito reforçar a compreensão sobre a obesidade infantil, uma doença complexa e interdisciplinar. Na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), o tema ganha relevância para ampliar os debates sobre a obesidade infantil e o papel que uma instituição de ensino e saúde deve exercer.

 

De acordo com a professora Rachel Helena Vieira Machado, docente do curso de Nutrição da Faculdade e doutoranda em saúde materno-infantil, o Dia Nacional da Saúde e da Nutrição é um momento propício para discutir o acesso à prevenção e ao tratamento.

 

"A obesidade surge não pela falta de força de vontade, não é só 'comer menos'. Na realidade, estamos em um momento em que devemos reforçar nossa cobrança junto aos gestores de saúde e de políticas públicas, ao mesmo tempo em que relembramos a importância do estilo de vida saudável", aponta a professora.

 

Há quase três décadas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que a obesidade é uma doença multifatorial, ou seja, entende que o excesso de peso não depende apenas do indivíduo, mas de uma série de fatores biológicos, sociais e psicológicos.

 

Entre os fatores exemplificados, a nutricionista Rachel enfatiza o acesso a locais para lazer, a estrutura das escolas com cozinhas e refeitórios, a segurança pública, a disponibilidade financeira e de tempo para as famílias cozinharem juntas e a jornada de trabalho e estudo de cada membro da família.

 

Nos casos de crianças que já estão acima do peso, a professora destaca o papel das telas no sedentarismo, além do impacto do bullying e do uso da alimentação como válvula de escape para a ansiedade.

 

Diante dos aspectos que contribuem para a obesidade, torna-se necessário ampliar políticas públicas de tratamento mais robustas:

 

"O Brasil tem múltiplos programas, políticas e ações focadas na prevenção da obesidade infantil, principalmente no quesito alimentação. A capilaridade dessas ações, ou seja, como são implementadas em cada região do país, depende muito da gestão do SUS em cada uma das regiões, mas esse planejamento existe. A questão é que, para o tratamento da obesidade, ainda estamos muito aquém do esperado, e as políticas públicas ainda tratam a obesidade como se fosse apenas uma questão de comer bem e fazer exercício, mas não é."

 

Para a professora, é necessário cobrar gestores de saúde e de políticas públicas para garantir o acesso a medidas de prevenção e a tratamentos de ponta. Além disso, é papel da instituição de ensino preparar futuros gestores, médicos e nutricionistas para superar essa insuficiência de forma compartilhada.

 

Além da formação acadêmica, a Faculdade Santa Casa de São Paulo desenvolve uma série de ações práticas voltadas à comunidade, com foco na prevenção e no enfrentamento da obesidade desde a infância.

 

"Através das atividades de extensão, nossos alunos vivenciam, na prática, o manejo do excesso de peso e a promoção da saúde, oferecendo diagnósticos e orientações para pessoas que, muitas vezes, nunca receberam um detalhamento real sobre sua composição corporal e riscos à saúde."

 

Entre as iniciativas, estão ações de vigilância nutricional, em que alunos realizam diagnósticos detalhados da composição corporal de pacientes e orientam sobre riscos à saúde, além de encaminhamentos para acompanhamento adequado.

 

Outro destaque são as atividades em escolas, onde os estudantes promovem ações lúdicas de educação alimentar com crianças, incentivando hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida.

 

Os projetos também envolvem parcerias com hospitais e outras instituições de saúde, permitindo que os alunos acompanhem, na prática, o manejo do excesso de peso em diferentes contextos sociais.

 

As ações são desenvolvidas de forma integrada com outras áreas, como Medicina, Psicologia e Educação Física, refletindo a abordagem interdisciplinar necessária para o tratamento de doenças complexas, como a obesidade.

 

A atuação da Faculdade Santa Casa de São Paulo reforça o papel das instituições de ensino na formação de profissionais preparados para enfrentar desafios de saúde pública, como a obesidade infantil. Para especialistas, o avanço no combate à doença depende tanto da qualificação técnica quanto da articulação entre políticas públicas, educação e acesso ao cuidado.



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