![]() |
| Freepik |
Dados levantados pela SBU revelam cenário crítico de saúde masculina; câncer de pênis causou 2,3 mil mortes entre 2021 e 2025 no país.
O Brasil enfrenta um cenário crítico de saúde
pública masculina, onde o câncer de pênis tem se mostrado uma patologia de alta
mortalidade devido ao diagnóstico tardio. Entre 2021 e 2025, a doença foi a
causa direta de 2,3 mil óbitos no país, de acordo com dados publicados no
início deste ano pelo Ministério da Saúde levantados pela Sociedade Brasileira
de Urologia (SBU). Um crescimento estimado em cerca de 15%, em relação ao
período de 2011 a 2020 quando o país registrava uma média aproximada de 450
óbitos anuais, totalizando cerca de 4,5 mil mortes em dez anos.
A letalidade da condição apresenta
concentrações geográficas alarmantes, especialmente na região Sudeste, que registra
o maior volume total de mortes. O estado de São Paulo lidera as estatísticas
com 390 óbitos, seguido por Minas Gerais com 178 e o Rio de Janeiro com 140
falecimentos. No Sul, o Rio Grande do Sul é o estado com maior número de
perdas, contabilizando 117 casos, enquanto no Centro-Oeste, o estado de Goiás
registrou 99 óbitos no período analisado.
O urologista e professor de Medicina da Afya
Ipatinga, Dr Renato Martins Araújo, explica que o câncer de pênis é uma
neoplasia maligna rara, sendo que grande parte dos casos correspondem ao
carcinoma espinocelular (CEC), que se origina do epitélio da glande ou do
prepúcio.
“A doença ocorre com maior frequência entre a
quinta e a sexta décadas de vida e está associada à infecção pelo HPV em cerca
de metade dos casos. Os sinais e sintomas mais comuns incluem a presença de uma
lesão persistente no pênis, que pode se manifestar como úlcera, lesão verrucosa
ou área eritematosa. Também podem ocorrer secreção com odor fétido, sangramento
e dor, geralmente em fases mais tardias. Além disso, pode haver aumento dos
linfonodos inguinais”.
Juntamente do índice de mortalidade está a
realidade das sequelas físicas. No mesmo período de quatro anos, o país
registrou 2,9 mil amputações de pênis. O urologista comenta que a prevenção
contra procedimentos mais agressivos, como a amputação, depende
fundamentalmente do diagnóstico precoce.
“Quando a doença é identificada em estágios
iniciais, é possível adotar abordagens conservadoras, com o objetivo de
preservar o órgão. Nesses casos, podem ser realizados tratamentos como excisão
local, glansectomia (remoção parcial ou total da glande do pênis), uso de laser
ou radioterapia. Já a penectomia (cirúrgica parcial ou total) fica reservada
para situações mais avançadas, em que não há possibilidade de controle da
doença por métodos menos invasivos”, complementa o especialista da Afya
Ipatinga.
Como
evitar o câncer e as amputações de pênis?
Embora o câncer de pênis possa acometer
diversos perfis, a incidência é notavelmente maior em homens acima dos 50 anos,
muitas vezes residentes em áreas com menor acesso a saneamento básico ou
infraestrutura de saúde, embora os grandes centros urbanos não estejam
imunes.
Dr. Renato Martins Araújo, ressalta que a prevenção contra procedimentos agressivos, como a amputação, depende fundamentalmente do diagnóstico precoce e da observação de sinais como lesões persistentes, úlceras ou alterações na região da glande. Para reduzir os riscos e garantir a saúde masculina, o urologista da Afya lista 4 recomendações essenciais:
1) Higiene genital adequada: A limpeza diária da região é a medida simples mais eficaz para evitar processos de inflamação crônica e o acúmulo de secreções que podem favorecer o surgimento de doenças.
2) Vacinação e proteção sexual: A vacinação contra o HPV é uma estratégia preventiva crucial, já que o vírus está associado a cerca de metade dos casos. O uso de preservativos também é indispensável para evitar infecções sexualmente transmissíveis.
3) Atenção à fimose e circuncisão: Condições como a fimose dificultam a higiene correta. A realização da circuncisão, quando indicada por um médico, atua como um fator de proteção importante.
4) Estilo de vida e cessação do tabagismo: A
interrupção do tabagismo é recomendada para reduzir o risco de desenvolvimento
da neoplasia, além de contribuir para a saúde urológica geral.

Nenhum comentário:
Postar um comentário