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sexta-feira, 27 de março de 2026

Câncer de pênis: diagnóstico tardio aumenta mortalidade e leva a quase 3 mil amputações no Brasi

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Dados levantados pela SBU revelam cenário crítico de saúde masculina; câncer de pênis causou 2,3 mil mortes entre 2021 e 2025 no país. 

 

O Brasil enfrenta um cenário crítico de saúde pública masculina, onde o câncer de pênis tem se mostrado uma patologia de alta mortalidade devido ao diagnóstico tardio. Entre 2021 e 2025, a doença foi a causa direta de 2,3 mil óbitos no país, de acordo com dados publicados no início deste ano pelo Ministério da Saúde levantados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Um crescimento estimado em cerca de 15%, em relação ao período de 2011 a 2020 quando o país registrava uma média aproximada de 450 óbitos anuais, totalizando cerca de 4,5 mil mortes em dez anos. 

 

A letalidade da condição apresenta concentrações geográficas alarmantes, especialmente na região Sudeste, que registra o maior volume total de mortes. O estado de São Paulo lidera as estatísticas com 390 óbitos, seguido por Minas Gerais com 178 e o Rio de Janeiro com 140 falecimentos. No Sul, o Rio Grande do Sul é o estado com maior número de perdas, contabilizando 117 casos, enquanto no Centro-Oeste, o estado de Goiás registrou 99 óbitos no período analisado.

 

O urologista e professor de Medicina da Afya Ipatinga, Dr Renato Martins Araújo, explica que o câncer de pênis é uma neoplasia maligna rara, sendo que grande parte dos casos correspondem ao carcinoma espinocelular (CEC), que se origina do epitélio da glande ou do prepúcio. 

 

“A doença ocorre com maior frequência entre a quinta e a sexta décadas de vida e está associada à infecção pelo HPV em cerca de metade dos casos. Os sinais e sintomas mais comuns incluem a presença de uma lesão persistente no pênis, que pode se manifestar como úlcera, lesão verrucosa ou área eritematosa. Também podem ocorrer secreção com odor fétido, sangramento e dor, geralmente em fases mais tardias. Além disso, pode haver aumento dos linfonodos inguinais”.

 

Juntamente do índice de mortalidade está a realidade das sequelas físicas. No mesmo período de quatro anos, o país registrou 2,9 mil amputações de pênis. O urologista comenta que a prevenção contra procedimentos mais agressivos, como a amputação, depende fundamentalmente do diagnóstico precoce. 

 

“Quando a doença é identificada em estágios iniciais, é possível adotar abordagens conservadoras, com o objetivo de preservar o órgão. Nesses casos, podem ser realizados tratamentos como excisão local, glansectomia (remoção parcial ou total da glande do pênis), uso de laser ou radioterapia. Já a penectomia (cirúrgica parcial ou total) fica reservada para situações mais avançadas, em que não há possibilidade de controle da doença por métodos menos invasivos”, complementa o especialista da Afya Ipatinga.


 

Como evitar o câncer e as amputações de pênis? 

 

Embora o câncer de pênis possa acometer diversos perfis, a incidência é notavelmente maior em homens acima dos 50 anos, muitas vezes residentes em áreas com menor acesso a saneamento básico ou infraestrutura de saúde, embora os grandes centros urbanos não estejam imunes. 

 

Dr. Renato Martins Araújo, ressalta que a prevenção contra procedimentos agressivos, como a amputação, depende fundamentalmente do diagnóstico precoce e da observação de sinais como lesões persistentes, úlceras ou alterações na região da glande. Para reduzir os riscos e garantir a saúde masculina, o urologista da Afya lista 4 recomendações essenciais:  

1) Higiene genital adequada: A limpeza diária da região é a medida simples mais eficaz para evitar processos de inflamação crônica e o acúmulo de secreções que podem favorecer o surgimento de doenças. 

2) Vacinação e proteção sexual: A vacinação contra o HPV é uma estratégia preventiva crucial, já que o vírus está associado a cerca de metade dos casos. O uso de preservativos também é indispensável para evitar infecções sexualmente transmissíveis. 

3) Atenção à fimose e circuncisão: Condições como a fimose dificultam a higiene correta. A realização da circuncisão, quando indicada por um médico, atua como um fator de proteção importante. 

4) Estilo de vida e cessação do tabagismo: A interrupção do tabagismo é recomendada para reduzir o risco de desenvolvimento da neoplasia, além de contribuir para a saúde urológica geral.

 

 

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