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terça-feira, 17 de março de 2026

Estudo apresentado no SXSW alerta para o surgimento da “economia do burnout”

Pesquisa do Blue Management Institute aponta que a exaustão crônica está se tornando uma condição estrutural nas organizações


Austin, Texas — O burnout deixou de ser apenas uma questão de bem-estar individual e começa a se consolidar como um fenômeno estrutural da economia global. O alerta foi feito pelo economista Daniel Augusto Motta durante uma sessão realizada no evento South by Southwest (SXSW) 2026, em Austin, nos Estados Unidos. Na apresentação, ele revelou os resultados do estudo “The Burnout Economy: Leading in an Age of Exhaustion” (A Economia do Burnout: Liderança em uma era de exaustão).

A pesquisa, conduzida pela consultoria Blue Management Institute (BMI) junto a executivos e profissionais sênior de diversos setores, indica que os sistemas organizacionais contemporâneos estão consumindo energia humana em ritmo mais rápido do que a biologia consegue repor — criando um patamar persistente de exaustão entre profissionais em todo o mundo.
 

Os dados apresentados no estudo revelam a dimensão do problema:

  • 76% dos trabalhadores relatam experimentar burnout ao menos ocasionalmente
  • 82% estavam em risco de burnout em 2025
  • 55% da força de trabalho dos Estados Unidos afirma sentir-se atualmente esgotada
  • Apenas 11% dizem ter um forte senso de propósito no trabalho

Segundo a pesquisa, o fenômeno não é um efeito passageiro da pandemia de COVID-19. Os dados indicam que os níveis de exaustão já estavam elevados antes da crise sanitária e permaneceram em um platô persistente desde então

O estudo reúne evidências das áreas biológica, organizacional e sociológica para sugerir que o burnout deve ser entendido como um estado de desregulação crônica do sistema nervoso, afetando mecanismos hormonais relacionados ao estresse, sono, motivação e recuperação. 

Uma das conclusões mais inesperadas desafia a visão tradicional sobre as causas do fenômeno. De acordo com a pesquisa proprietária do BMI, apenas entre 26% e 32% da variação do burnout está diretamente associada ao ambiente de trabalho, enquanto 68% a 74% está relacionada a fatores sistêmicos mais amplos da vida contemporânea, como sobrecarga digital, insegurança econômica, privação de sono e enfraquecimento das redes de apoio social. 

A pesquisa também revela um paradoxo da liderança: os gestores responsáveis por enfrentar o burnout estão entre os grupos mais afetados. Segundo o levantamento, 71% dos gerentes de nível médio relatam estar esgotados, enquanto o nível global de engajamento entre líderes permanece abaixo de 30%.

Olhando para o futuro, o estudo aponta que tecnologias emergentes, como a inteligência artificial agêntica, podem impulsionar a próxima onda de burnout — não por aumentarem a carga de trabalho, mas por criarem sistemas em que o trabalho nunca termina

O estudo conclui que o burnout deve ser compreendido principalmente como uma falha de design dos sistemas de trabalho contemporâneos, e não como uma deficiência de resiliência individual.

Nessa perspectiva, o burnout deixa de ser uma exceção e passa a ser o resultado previsível de organizações desenhadas sem levar em conta os limites biológicos humanos — o que sugere que as empresas que prosperarem na próxima década serão aquelas capazes de redesenhar o trabalho em torno da energia humana. 

 

Sobre o SXSW - Realizado anualmente em Austin, Texas, o South by Southwest (SXSW) é amplamente reconhecido como um dos principais encontros globais de inovação, tecnologia, negócios, mídia e cultura. O evento reúne milhares de participantes de todo o mundo e se tornou um dos principais palcos para lançamento de tendências, debates estratégicos e conexões entre diferentes indústrias.

 Daniel Augusto Motta - PhD, MSc, é economista, Founder & Managing Partner do Blue Management Institute (BMI) e Managing Partner da House of Brains, uma consultoria internacional com atuação no Brasil e na América Latina especializada em cultura organizacional, transformação digital, liderança, estratégia e governança corporativa. Com mais de 20 anos de experiência, já assessorou grandes empresas, fundos de private equity e family offices, além de atuar como membro de conselhos de empresas de inovação e educação corporativa. É autor de seis livros best-sellers sobre cultura e estratégia e já atuou como professor de MBA nas áreas de economia, organizações e estratégia.


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