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quinta-feira, 19 de março de 2026

Disfagia: quando engolir se torna um desafio e exige atenção médica

No Dia Nacional de Atenção à Disfagia (20/03), especialistas explicam a condição e apontam sinais que merecem análise e investigação

 

A disfagia é uma condição caracterizada pela dificuldade para engolir alimentos, líquidos ou até mesmo saliva, podendo ter diferentes causas, como doenças neurodegenerativas, pneumonia aspirativa e acidente vascular cerebral (AVC), entre outras. Essa dificuldade ocorre quando há alterações nas estruturas ou nos movimentos envolvidos na deglutição, processo que se inicia na boca, passa pela garganta e segue pelo esôfago até chegar ao estômago. Dados publicados no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology indicam que a prevalência da condição varia entre 2,3% e 22% na população geral, podendo atingir de 10% a 30% entre idosos, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico adequado.

De acordo com a Dra. Daniela Antenuzi da Silva, médica e professora da pós-graduação em Gastroenterologia da Afya Brasília, muitas vezes o problema está relacionado a alterações no esôfago. “A disfagia deve sempre ser investigada. Trata-se de um sintoma que pode comprometer a rotina alimentar e estar associado a diferentes condições, como inflamações, estreitamentos (estenoses), distúrbios de motilidade, alergias e até neoplasias. Em alguns casos, também pode ter relação com doenças neurológicas, efeitos colaterais de medicamentos ou alterações no eixo cérebro-intestino”, explica.

Entre as causas digestivas mais comuns estão a doença do refluxo gastroesofágico, inflamações no esôfago, cicatrizes provocadas pelo refluxo crônico e distúrbios de motilidade, como a acalasia. Nessa condição, há comprometimento da inervação esofágica, o que dificulta a passagem do alimento do esôfago para o estômago e pode levar ao alargamento do órgão. Já em outros casos, a dificuldade ocorre na fase inicial da deglutição, envolvendo boca e garganta, situação conhecida como disfagia de transferência,  que muitas vezes leva o paciente a buscar inicialmente avaliação com o otorrinolaringologista.

Segundo a professora Daniela, a investigação clínica é essencial para identificar a origem do sintoma. “A causa mais frequente da disfagia está relacionada ao refluxo gastroesofágico, que pode provocar espasmos no esôfago, inflamações ou até estreitamentos decorrentes do refluxo crônico. Por isso, uma boa anamnese é fundamental para diferenciar se a dificuldade está na passagem do alimento da boca para a faringe ou se ocorre ao longo do esôfago, o que orienta a escolha do especialista e dos exames necessários”, afirma.

De acordo com  o Dr. Alexandre Martins, médico professor de otorrinolaringologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, sintomas como engasgos e tosse durante as refeições podem indicar alterações na fase inicial da deglutição. “Quando o paciente relata engasgos frequentes, tosse ao engolir ou sensação de alimento parado na garganta, é importante investigar possíveis alterações na fase orofaríngea da deglutição, que envolve estruturas como boca, língua, faringe e laringe”, explica. 

Segundo o especialista, durante o ato de engolir a laringe se fecha para impedir que alimentos entrem nas vias aéreas; quando esse mecanismo não funciona adequadamente, pode ocorrer penetração ou aspiração alimentar, provocando tosse, engasgos ou a sensação de alimento preso na garganta. Nesses casos, a avaliação com o otorrinolaringologista é fundamental para identificar a causa e orientar o tratamento adequado.

Para investigar a causa do problema, podem ser solicitados exames específicos que avaliam as diferentes etapas da deglutição. Entre eles estão a nasofibrolaringoscopia flexível, realizada em consultório e que permite visualizar a faringe e a laringe por meio de uma microcâmera; o videodeglutograma, exame radiológico dinâmico que analisa em tempo real o trajeto do alimento da boca até o esôfago; e a videoendoscopia da deglutição, que avalia como o alimento passa pela garganta e identifica possíveis episódios de aspiração. 

Na investigação das causas digestivas  da disfagia, a endoscopia alta é um dos principais exames, pois permite avaliar a anatomia e a mucosa do esôfago, identificando inflamações, estreitamentos (estenoses), lesões ou neoplasias. Quando há suspeita de distúrbios motores, pode ser indicada a manometria esofágica de alta resolução, exame que analisa o funcionamento da musculatura do esôfago. 

A impedanciometria também pode ser utilizada quando há dúvida sobre a relação entre a doença do refluxo gastroesofágico e os sintomas. Já nos casos de disfagia de transferência, o esofagodeglutograma pode ser especialmente útil, pois realiza uma avaliação dinâmica da deglutição, permitindo identificar alterações anatômicas ou funcionais da faringe e do esôfago que nem sempre são observadas na endoscopia.

Segundo os especialistas, o tratamento depende da causa da disfagia. Em alguns casos, mudanças na alimentação e reabilitação com fonoaudiologia são suficientes. Em outros, pode ser necessário tratamento medicamentoso ou procedimentos médicos. Quando diagnosticada precocemente, a condição costuma ter boa resposta ao tratamento.

 

12 Sinais e sintomas que podem indicar disfagia, de acordo com os especialistas 

1.   Sensação de alimento preso na garganta ou no peito

2.   Engasgos frequentes durante as refeições, ao comer ou beber

3.   Tosse ao engolir alimentos ou líquidos ou durante a deglutição

4.   Dor ou desconforto ao engolir

5.   Necessidade de beber líquidos para ajudar a comida a descer

6.   Necessidade de engolir várias vezes o mesmo alimento

7.   Alteração da voz após engolir

8.   Sensação de impactação do alimento na garganta ou no tórax, com ou sem dor

9.   Necessidade de reduzir a consistência dos alimentos ou mastigar por mais tempo

10.               Refeições que demoram mais que o habitual para serem concluídas

11.               Pneumonias de repetição

12.               Perda de peso sem causa aparente ou progressiva

 

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