Especialista do Hospital e Maternidade Pro Matre
Paulista destaca como a vacinação materna, a imunização de bebês e medidas
rigorosas de higiene podem reduzir casos graves de bronquiolite em
recém-nascidos
Com a chegada do outono e possíveis quedas de temperaturas, fica o alerta para o aumento da circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), e a importância da vacinação durante a gestação e a imunização de recém-nascidos para proteger os bebês nos primeiros meses de vida.
“O VSR é um dos vírus que mais preocupa nesse período do ano porque está diretamente associado a casos de bronquiolite e pneumonias em bebês, que muitas vezes exigem atendimento hospitalar. A bronquiolite, inclusive, é a principal causa de internação por doenças infecciosas do primeiro ano de vida. A vacinação da gestante contra o vírus é uma estratégia importante, porque permite que o bebê receba anticorpos ainda durante a gestação e já nasça com proteção nos primeiros meses de vida. Além disso, contamos também com um imunobiológico específico que pode ser aplicado logo ao nascer ou até o segundo ano de vida, ampliando a prevenção justamente na temporada de maior circulação do vírus”, explica Dr. Lívio Dias, infectologista da Pro Matre Paulista.
Além da imunização, o período pede atenção redobrada com ambientes fechados e pouco ventilados, onde partículas virais tendem a permanecer por mais tempo e aumentar a chance de contágio. Isso é particularmente relevante durante a gestação, fase em que o organismo passa por adaptações fisiológicas importantes.
“A recomendação principal é priorizar locais arejados, manter janelas abertas sempre que possível para garantir a renovação do ar e considerar o uso de máscara em locais de grandes aglomerações. Essas ações reduzem de forma importante o risco de contrair infecções respiratórias que podem afetar o bem-estar da gestante e, indiretamente, o desenvolvimento do bebê”, orienta Dr. Livio.
A atenção se justifica também porque quadros respiratórios mais intensos durante a gravidez podem atuar como gatilho para desfechos indesejados. Infecções virais, crises de asma e processos inflamatórios sistêmicos podem aumentar o estresse fisiológico materno e comprometer a oxigenação, elevando o risco de parto prematuro e de ruptura prematura de membranas em alguns casos. Quando há redução de oxigenação de forma sustentada, também pode haver impacto no desenvolvimento fetal, com restrição de crescimento e baixo peso ao nascer. Por isso, o acompanhamento pré-natal, o controle adequado de comorbidades e a busca por avaliação médica diante de sinais de alerta, como febre persistente, falta de ar, piora progressiva dos sintomas ou desidratação, são medidas essenciais durante os meses de maior circulação de vírus respiratórios.
Do lado dos recém-nascidos e bebês pequenos, a prevenção envolve proteger um sistema imunológico ainda em desenvolvimento. O infectologista reforça que medidas de higiene e redução de exposição continuam sendo fundamentais, mesmo com o avanço da vacinação e dos imunobiológicos: “É importante evitar levar o bebê a ambientes fechados ou com aglomerações desnecessárias, priorizando a higienização constante das mãos com água e sabão ou álcool em gel 70% antes de qualquer contato. Os pais e os demais contatos do bebê devem manter as vacinas contra outras doenças em dia, especialmente contra a influenza, coqueluche e COVID-19. Também é recomendado evitar que visitas toquem no rosto ou nas mãos da criança. e manter brinquedos e superfícies de uso frequente sempre limpos, porque essas barreiras simples ajudam a reduzir o risco de infecções como bronquiolite e pneumonia”, afirma o especialista.
Outro ponto que costuma ser negligenciado nessa época do ano é a hidratação. Com o ar mais seco e temperaturas mais amenas, a sensação de sede tende a diminuir, embora a perda de líquidos e o ressecamento das mucosas continuem ocorrendo. Quando as mucosas das vias aéreas ficam desidratadas, perdem eficiência como barreira natural, o que facilita a entrada de vírus e bactérias.
“Beber
água com regularidade, mesmo sem sede imediata, ajuda a manter a fluidez do
muco e a eficiência das defesas do organismo. É uma medida simples, mas muito
eficaz para reduzir o risco de complicações respiratórias nesse período de
transição climática”, conclui Dr. Livio.
Pro Matre
www.promatre.com.br
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