Pesquisar no Blog

terça-feira, 17 de março de 2026

Com a entrada em vigor do ECA Digital, Alana lança livro que celebra marco histórico para os direitos de crianças e adolescentes no ambiente digital

Alana lança o livro “Crianças e adolescentes primeiro: como o ECA Digital virou o jogo da proteção on-line no Brasil”, dedicado à Lei Federal nº 15.211/2025, que entra em vigor dia 17 e torna o Brasil pioneiro na América Latina ao exigir proteção por padrão nas plataformas digitais

 

Embora a internet nunca tenha sido pensada para proteger e garantir direitos de crianças e adolescentes, isso começa a mudar no Brasil a partir do dia 17 de março. É quando entra em vigor a Lei Federal nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, que inaugura um capítulo pioneiro na América Latina ao exigir que plataformas digitais venham configuradas de fábrica para proteger quem tem menos de 18 anos. A fiscalização passa a ser realizada pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), e nenhuma tecnologia de provável acesso por por crianças e adolescentes poderá operar sem regras claras de proteção. 

O Alana, que atua há 30 anos pelos direitos de crianças e adolescentes, foi um dos atores centrais na construção e aprovação dessa legislação. Por quatro anos, articulou com lideranças políticas, especialistas e outras organizações da sociedade civil em torno de um ponto de convergência raro num país marcado pela polarização: a defesa dos interesses de crianças e adolescentes. 

Para registrar e compartilhar esse percurso, o Alana lança, no dia 20 de março, o livro Crianças e adolescentes primeiro: como o ECA Digital virou o jogo da proteção on-line no Brasil”. A obra reúne os bastidores do processo que levou à aprovação da lei, da pressão pública às negociações nos corredores do Congresso, passando por denúncias nas redes que chocaram o país e pelas articulações que quase levaram o projeto a naufragar. 

“A entrada em vigor do ECA Digital representa uma mudança importante na forma como pensamos o ambiente digital. Pela primeira vez, a proteção de crianças e adolescentes deixa de depender apenas da supervisão das famílias e passa também a ser incorporada ao próprio desenho das plataformas”, afirma Maria Mello, gerente do Eixo Digital do Alana. “O livro registra como esse avanço foi construído, reúne os principais momentos desse processo e se apresenta como um material de referência para pesquisadores, especialistas, jornalistas, juristas, gestores públicos e todos que atuam na defesa dos direitos de crianças e adolescentes no ambiente digital”.
 

Os bastidores da lei que virou o jogo 

O livro, organizado pelo Alana, conta a história da construção do ECA Digital a partir de quem esteve no centro desse processo. A obra reconstrói o contexto que motivou o debate público, as articulações institucionais que permitiram a aprovação da lei, os desafios para sua implementação e os impactos esperados para a proteção de crianças e adolescentes. 

"Este livro conta como, em um país marcado pela polarização extrema, o ECA Digital uniu pessoas de diferentes espectros ideológicos e acabou produzindo um consenso raro: crianças e adolescentes primeiro. Da pressão pública às negociações nos corredores do Congresso, dos dados que chocaram o país às articulações que quase naufragaram o projeto, aqui estão os bastidores da lei que mudou o jogo", traz o texto da contracapa da publicação. 

O livro será lançado em 20 de março e, a partir dessa data, estará disponível para download gratuito no site do Alana.
 

O que muda com o ECA Digital 

Embora já existissem marcos legais como a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e o Marco Civil da Internet, a responsabilidade pela proteção de crianças no ambiente digital recaía, na prática, sobre as famílias. Pais e responsáveis precisavam configurar controles de privacidade, monitorar usos e denunciar violações sem acesso a informações ou ferramentas adequadas. O ECA Digital inverte essa lógica. 

“O ECA Digital representa uma mudança estrutural na governança do ambiente digital. Em vez de transferir às famílias toda a responsabilidade de proteção, a nova lei estabelece deveres concretos para as empresas que desenvolvem e operam essas tecnologias, garantindo que crianças e adolescentes encontrem ambientes mais seguros desde o primeiro acesso”, afirma a gerente do Eixo Digital do Alana. 

A nova legislação aplica-se a redes sociais, jogos eletrônicos, aplicativos de entretenimento e educacionais, plataformas de streaming, sistemas operacionais de dispositivos móveis, aplicativos de mensagens, chatbots de inteligência artificial e brinquedos conectados à internet. Entre as principais mudanças estão:

  • configurações seguras por padrão;
  • bloqueio automático de conteúdos nocivos;
  • aprimoramento de ferramentas de supervisão parental;
  • fim da autodeclaração como mecanismo de verificação de idade;
  • proibição de publicidade direcionada a crianças e adolescentes, incluindo bets e jogos de azar;
  • e obrigação de canais de denúncia para casos de exploração e abuso.
     

Nas redes sociais, adolescentes com menos de 16 anos deverão ter seus perfis vinculados a responsáveis, que poderão supervisionar o tempo de uso, restringir contatos e gerir os sistemas de recomendação personalizados. As plataformas também ficam obrigadas a publicar relatórios de transparência sobre moderação de conteúdo e práticas de proteção de dados, e a assegurar acesso de pesquisadores independentes a informações sobre os impactos dos ambientes digitais no desenvolvimento de crianças e adolescentes. 

Os dados que sustentam a urgência da lei são contundentes. Pesquisa nacional realizada pelo Datafolha para o Alana em setembro de 2024, com mais de 2 mil entrevistados, mostra que 9 em cada 10 brasileiros afirmam que as empresas de redes sociais fazem menos do que deveriam para proteger crianças e adolescentes on-line. Outros 93% acreditam que crianças e adolescentes estão ficando viciados em redes sociais, e 92% reconhecem que é extremamente difícil para esse público se defender sozinho de violências e conteúdos inadequados.
 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados