Especialistas alertam para fatores de risco da doença e listam 7 sinais que muitas pessoas ignoram
O câncer colorretal é o terceiro tipo de
câncer mais diagnosticado no mundo e a segunda principal causa de morte por
câncer, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, também
representa um importante problema de saúde pública, com cerca de 45 mil novos
casos registrados por ano, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de
Câncer (INCA). A doença geralmente se desenvolve de forma lenta e, nas fases
iniciais, pode não apresentar sintomas. Quando surgem, os sinais mais comuns
incluem presença de sangue nas fezes, alteração persistente do hábito
intestinal, como diarreia ou constipação, dor abdominal, anemia e perda de peso
inexplicada.
A tendência de aumento está relacionada,
entre outros fatores, ao envelhecimento da população e a mudanças no estilo de
vida. Dietas pobres em fibras, consumo frequente de carnes processadas,
sedentarismo, obesidade, tabagismo e ingestão excessiva de álcool aumentam o
risco de desenvolvimento do tumor. A Organização Mundial da Saúde (OMS)
classifica alimentos como salsicha, bacon, presunto e linguiça como
carcinogênicos, enquanto o consumo elevado de carnes vermelhas é considerado
provavelmente carcinogênico.
Em contrapartida, hábitos saudáveis ajudam a
reduzir esse risco. Segundo o Dr. Enilton Monteiro Machado, médico e professor
de coloproctologia no curso de Medicina da Afya Centro Universitário Itaperuna,
o câncer colorretal está significativamente associado ao ambiente e ao
estilo de vida “Uma alimentação rica em fibras, frutas e vegetais, aliada
à prática regular de atividade física, por exemplo, pode diminuir de forma
importante a probabilidade de desenvolver o câncer colorretal”, afirma o
especialista.
De acordo com o Dr. Luciano Souza, médico e
professor de oncologia da Afya Ipatinga, esse cenário reforça a importância do
rastreamento mesmo em pessoas aparentemente saudáveis. “Os tumores iniciais
geralmente não causam sintomas. Por isso, recomenda-se iniciar os exames de
rastreamento a partir dos 45 anos para indivíduos sem fatores de risco
adicionais”, destaca. O médico também destaca que a maioria dos tumores
colorretais se desenvolve a partir de pólipos adenomatosos, pequenas lesões
benignas que surgem na parede do intestino.
“Esse processo de transformação para o câncer
costuma ser lento e pode levar cerca de cinco anos. Por isso, quando
identificamos e retiramos esses pólipos durante exames como a colonoscopia,
conseguimos interromper essa no”, explica.
Existem também síndromes hereditárias raras,
como a Síndrome de Lynch e a Polipose Adenomatosa Familiar, que aumentam
significativamente o risco de desenvolvimento da doença e exigem monitoramento
específico. Nesses casos, o acompanhamento médico costuma começar mais cedo e
pode incluir exames periódicos e avaliação genética, permitindo identificar
alterações precocemente e reduzir o risco de evolução para estágios mais
avançados do câncer.
Embora a maioria dos casos seja considerada
esporádica, cerca de 25% têm relação com histórico familiar ou predisposição
genética. Pessoas que têm parentes de primeiro grau diagnosticados com câncer
colorretal, especialmente antes dos 60 anos, devem iniciar o rastreamento mais
cedo e com acompanhamento médico.
7 sinais precoces de câncer colorretal que muitas pessoas
ignoram
1. Mudança persistente no hábito intestinal
Alterações
como diarreia, prisão de ventre ou alternância entre os dois, especialmente
quando duram várias semanas sem motivo aparente.
2. Presença de sangue nas fezes
Pode
aparecer como sangue vermelho vivo ou fezes mais escuras. Muitas pessoas
associam apenas a hemorroidas e acabam não investigando.
3. Fezes mais finas que o habitual
Quando o calibre
das fezes fica mais estreito por um período prolongado, pode indicar que algo
está interferindo na passagem das fezes pelo intestino.
4. Sensação de evacuação incompleta
Mesmo
após ir ao banheiro, a pessoa continua com a sensação de que o intestino não
foi totalmente esvaziado.
5. Desconforto abdominal frequente
Cólica,
inchaço, gases ou dor abdominal que se repetem com frequência e não melhoram
com mudanças simples na alimentação.
6. Cansaço constante ou fraqueza
Pode
ocorrer devido à anemia causada por pequenos sangramentos intestinais, muitas
vezes imperceptíveis.
7. Perda de peso sem causa aparente
Emagrecimento involuntário, sem mudança na dieta ou aumento da atividade física.
A presença desses sintomas não significa
necessariamente câncer, mas, quando persistem por mais de duas ou três semanas,
devem ser avaliados por um médico. Para os especialistas, campanhas como o
Março Azul-Marinho são fundamentais para ampliar a conscientização da
população. “O câncer colorretal é uma das poucas neoplasias em que podemos agir
antes mesmo que a doença se desenvolva. Quando a população entende a
importância dos hábitos saudáveis e dos exames de rotina, conseguimos reduzir
significativamente os casos e salvar vidas”, reforça Dr. Luciano. Nesse
contexto, informação, prevenção e diagnóstico precoce, aliados a consultas
médicas regulares e à realização dos exames recomendados, podem fazer toda a
diferença no enfrentamento da doença.
Afya
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