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sexta-feira, 27 de março de 2026

Câncer colorretal: tecnologia robótica é aliada no enfrentamento à doença

Com o aumento de diagnósticos em pacientes abaixo dos 50 anos, o diagnóstico precoce e o suporte da cirurgia de alta tecnologia podem ajudar a mudar o desfecho da doença



O câncer colorretal consolidou-se como um dos temas mais críticos da oncologia moderna. Globalmente, a doença ocupa a posição de segundo tumor mais frequente entre mulheres, depois do câncer de mama, e terceiro entre homens, atrás dos cânceres de pulmão e próstata. No Brasil, o cenário não é diferente: o Ministério da Saúde estima que cerca de 40 mil novos casos sejam diagnosticados anualmente. Diante deste panorama, a campanha Março Azul-Marinho ganha relevância ao destacar que a prevenção ativa e o diagnóstico precoce são os principais pilares para transformar o prognóstico da enfermidade.

Diferente de outros tumores que podem surgir de forma súbita e agressiva, a maioria dos cânceres de intestino tem uma origem bem definida: o pólipo adenomatoso. De acordo com o Dr. Dannilo B. Silveira, coloproctologista do Hospital Santa Lúcia Sul, o pólipo funciona como uma "verruga" inicialmente benigna que leva entre 7 a 10 anos para se transformar em um câncer.

Essa característica biológica oferece uma janela de oportunidade para a medicina preventiva. "Durante uma colonoscopia, se o médico encontra um pólipo, ele o remove na hora, através da polipectomia. Ao retirar o pólipo, você interrompe a história natural da doença e impede que o câncer sequer venha a existir", explica o especialista. Por esse motivo, o exame de colonoscopia, além de diagnosticar, é capaz de realizar tratamento profilático imediato.



Marco dos 45 anos e novo perfil epidemiológico

Uma das mensagens centrais da campanha Março Azul-Marinho é a atualização da idade recomendada para o início do rastreio. Se antes a orientação era iniciar os exames aos 50 anos, as diretrizes atuais anteciparam esse marco para os 45 anos. A mudança foi impulsionada por dados epidemiológicos que mostram um aumento preocupante na incidência de câncer colorretal em adultos jovens, abaixo da quinta década de vida.

O Dr. Dannilo B. Silveira aponta que fatores de estilo de vida modernos, como o aumento da obesidade, o sedentarismo e o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, anteciparam o risco nas gerações mais novas. "Pesquisas indicaram que iniciar o rastreamento aos 45 anos salva significativamente mais vidas e reduz a incidência de casos avançados em uma faixa etária altamente produtiva", afirma.

Embora o rastreio preventivo seja a meta, ninguém deve esperar a idade regulamentar caso apresente sinais clínicos atípicos. O corpo costuma emitir sinais que, se ignorados, podem levar a diagnósticos em estágios avançados.

"Pacientes com histórico familiar de doenças genéticas podem precisar iniciar o rastreio mais cedo, em alguns casos aos 15 ou 20 anos", observa Dra. Maria Bianca Corte, coloproctologista do Hospital Santa Lúcia Sul. "Mesmo sem sintomas, o acompanhamento deve ser antecipado nessas situações. Já pacientes com sinais de alerta, ainda que jovens, precisam de indicação de colonoscopia."

Os principais pontos de atenção são:

  • Sangue nas fezes: seja de cor viva ou escurecido.
  • Alteração do hábito intestinal: mudanças que duram mais de um mês, como episódios alternados de prisão de ventre e diarreia sem causa aparente.
  • Fezes afinadas: quando as fezes mudam de calibre, apresentando formato de "fita" ou "lápis".
  • Desconforto abdominal: cólicas ou gases persistentes.
  • Sintomas sistêmicos: perda de peso inexplicável e anemia associada a cansaço extremo.



Genética e hereditariedade

Apesar de 70% a 80% dos casos de câncer colorretal serem esporádicos (sem histórico familiar), o componente genético não pode ser subestimado. Para quem tem parentes de primeiro grau (pais ou irmãos) que tiveram a doença ou pólipos avançados, o protocolo muda.

A sugestão do Dr. Dannilo B. Silveira é iniciar o rastreio 10 anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado. Se um pai teve o diagnóstico aos 48 anos, por exemplo, o filho deve realizar sua primeira colonoscopia aos 38. Além disso, portadores de síndromes genéticas específicas, como a Síndrome de Lynch, exigem uma vigilância muito mais rigorosa e precoce.

A prevenção também passa pelo prato. O intestino é um dos órgãos com maior contato direto com o que é ingerido, e médico destaca três pilares fundamentais para a saúde do cólon:

  • Fibras: funcionam como uma "vassoura", acelerando o trânsito intestinal e reduzindo o tempo de contato de substâncias tóxicas com a parede do órgão.
  • Redução de processados: o excesso de carnes processadas, nitratos e gorduras saturadas gera inflamação crônica, favorecendo mutações celulares indesejadas.
  • Atividade física: o exercício estimula o peristaltismo (movimento natural do intestino) e reduz a inflamação sistêmica, atuando como um fator protetor.


A Dra. Maria Bianca explica que o tratamento do câncer colorretal é, na maioria dos casos, cirúrgico. "Após o diagnóstico, realiza-se o estadiamento para avaliar a extensão do tumor e possíveis metástases. Em tumores de reto, pode haver quimio e radioterapia antes da cirurgia. Na maior parte dos casos, a cirurgia é etapa essencial do tratamento", detalha a especialista.

 

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