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sexta-feira, 27 de março de 2026

Estresse pesa mais que salário na qualidade de vida dos médicos, aponta estudo inédito publicado no BMJ Ope

 Desenvolvido pela Afya, primeiro indicador nacional que mede o bem-estar dos médicos mostra que jornadas acima de 60 horas elevam significativamente o estresse, enquanto o aumento da renda tem impacto limitado na percepção de qualidade de vida 

 

O estresse percebido, e não a renda, é o principal fator que afeta a qualidade de vida dos médicos brasileiros, segundo o primeiro levantamento nacional sobre bem-estar desses profissionais (Índice Afya MedQoL) publicado no BMJ (British Medical Journal) Open. Aplicado a mais de 2 mil profissionais em todo o país, o estudo identificou que jornadas superiores a 60 horas semanais elevam de forma significativa os níveis de estresse, enquanto ganhos acima de R$ 25 mil mensais têm impacto limitado na percepção de bem-estar. 

Desde 2023, a Afya realiza pesquisa sobre a qualidade de vida do médico, com dados isolados sobre ansiedade, síndrome de Burnout, estresse e outros aspectos. Agora, uma métrica única permite medir e comparar o progresso ao longo do tempo sob uma perspectiva multidimensional, que integra aspectos mentais, físicos, sociais e ocupacionais. “O Índice Afya MedQoL é um marco, porque traduz a complexidade do bem-estar médico em uma ferramenta prática e cientificamente rigorosa”, afirma Marcelo Gobbo, médico da família e um dos autores do estudo. 

Para garantir o rigor científico do estudo, a metodologia do Afya MedQoL utilizou um índice exclusivo composto por 13 itens estratégicos, selecionados a partir de uma filtragem rigorosa de 40 indicadores e estruturados em uma escala de 5 pontos para mensurar a percepção dos profissionais. Com base nos dados encontrados, o indicador mostra um número global de 0 a 100, que indica a percepção sobre a situação de saúde e da qualidade de vida dos médicos no período avaliado. Quanto mais próximo de 100, mais positiva é essa percepção. 

A análise segmenta o bem-estar médico em três dimensões fundamentais: a Qualidade de Vida Pessoal, que avalia a base de sustentação do indivíduo (como lazer, recursos financeiros e saúde própria); o Suporte Institucional, que mede o clima organizacional e a segurança psicológica frente ao erro; e o Estresse Percebido, que identifica o ponto de transbordamento negativo da carga de trabalho sobre o desempenho clínico e os relacionamentos pessoais. 

O primeiro resultado indicou uma pontuação geral de 67,2 entre os médicos. A dimensão bem-estar apresentou um resultado acima do índice geral, com 69,5, enquanto as dimensões apoio institucional e estresse percebido apresentaram pontuação de 64,1 e 62,5, respectivamente.


Dinheiro compra bem-estar, mas só até certo ponto

Estresse percebido foi o fator mais crítico apontado nos primeiros resultados. Médicos que trabalham 60 horas ou mais por semana tiveram pontuações de estresse 8,8 pontos maiores que os que trabalham até 44 horas. 

 


Essa dimensão diminui significativamente com o aumento do tempo de exercício profissional desde a graduação, ou seja, médicos com mais tempo de formação, com maior estabilidade e, possivelmente, maior controle da agenda relatam ter um estresse percebido menor.

 

“O estresse percebido é considerado o termômetro mais sensível em nosso estudo, porque ele responde ao gênero, à fase da carreira e à cultura organizacional”, afirma o Dr. Gobbo.

 

A renda mensal também influencia a percepção de bem-estar, que é maior à medida que a suficiência financeira aumenta, mas se estabiliza ao atingir o patamar de R$ 25 mil mensais. Acima desse valor, ganhar mais mil reais quase não altera o nível de felicidade do médico. Os pesquisadores chamam isso de "saciação de renda". Na prática, após garantir o conforto material, o que passa a valer para o médico é o controle sobre seu tempo e a autonomia no trabalho. O estudo sugere que, para quem já ganha bem, reduzir a jornada pode ser mais eficaz para a saúde mental do que receber um aumento.


 

Sobre o Índice Afya MedQoL


A Afya acompanha de perto os desafios vivenciados por médicos e estudantes de medicina ao longo da formação e da prática profissional. Por isso, a promoção da saúde mental e da qualidade de vida desses profissionais é um compromisso permanente da companhia. Iniciativas como o Índice Afya MedQoL fazem parte desse esforço de compreender, com base em evidências, as transformações da carreira médica.

 

O Índice Afya MedQoL é um instrumento desenvolvido e validado para mensurar, de forma concisa e específica, a qualidade de vida de médicos no Brasil. A pesquisa foi conduzida por meio de um levantamento nacional, transversal e online, realizado entre 2 de julho e 6 de agosto de 2024, com a participação de médicos atuantes nas cinco macrorregiões do país e vinculados aos 27 Conselhos Regionais de Medicina.

 

O estudo contou com 2.005 médicos respondentes, com idade média de aproximadamente 39 anos e predominância feminina (cerca de 51% a 56%, conforme a base analisada). Pouco mais da metade dos participantes concluiu a graduação até 2014 e possuía 10 anos ou mais de prática profissional. A renda líquida média mensal declarada foi de R$ 18.300.

 

A validação psicométrica do índice incluiu análise fatorial exploratória e confirmatória (CFA), calibração por teoria de resposta ao item multidimensional e ponderação pós-estratificação com base no Censo Demográfico Médico Brasileiro de 2025. Além de validar a escala, o estudo também investigou associações entre bem-estar médico e variáveis sociodemográficas e ocupacionais.

 



Afya
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