Gestão
disciplinada, cultura forte e foco total nas pessoas: o que vai separar
amadores de profissionais no próximo ano
Abrir uma empresa no Brasil segue sendo um ato de coragem e esperança. Muitos empreendedores começam com boas ideias, paixão pelo negócio e expectativas de crescimento. Mas manter a empresa viva, e crescendo, exige mais: estrutura, planejamento, processos eficientes, gestão sólida de pessoas, finanças equilibradas e uma cultura clara. Sem esse lastro, a oscilação do mercado, os imprevistos econômicos ou uma simples adversidade já basta para colocar tudo a perder. Segundo o IBGE, cerca de 60% das empresas abertas no país não sobrevivem aos primeiros cinco anos de operação.
Essa estatística revela algo mais do que apenas vulnerabilidade e aponta para a fragilidade da estrutura de muitos negócios logo no início: falta de gestão profissional, de disciplina financeira, de clareza cultural ou de processos organizados. Pequenas falhas estruturais no início muitas vezes se multiplicam com o tempo, criando um efeito dominó que mina a sustentabilidade da empresa.
No atual momento, com cenários macroeconômicos desafiadores, crédito caro, competição acirrada e mudanças constantes no comportamento de clientes e colaboradores, essa fragilidade fica ainda mais perigosa. Para Marcos Freitas, CEO da Seja AP, a maior empresa de evolução empresarial do Brasil, esse contexto exige uma mudança de postura e seriedade na forma de gerir. “O Brasil vive um ciclo que vai separar, de forma muito clara, profissionais de amadores. Quem não levar a sério em 2026 vai sentir primeiro a dor do mercado", alerta.
A seguir, ele compartilha passos práticos para quem quer atravessar o ano com segurança, competitividade e estrutura de verdade:
1.
Trate gestão como prioridade, não como reação
“Empresário brasileiro costuma buscar ajuda só quando o problema bate na porta. Gestão não pode ser remédio: tem que ser prevenção. Se a empresa tem 20 ou 30 anos de cultura, não adianta querer mudar em 3 meses. Gestão é uma construção contínua, com diagnóstico, intervenção e disciplina semanal. Quem só cuida quando adoece paga mais caro e sofre mais", diz.
2.
Atraia, forme e retenha pessoas como sua principal estratégia
“O maior gargalo das empresas hoje é gente, tanto tecnicamente quanto comportamentalmente. A empresa precisa ser o melhor lugar para o colaborador estar depois da própria casa. Funcionário é o primeiro grande cliente. Investir em treinamento não é custo, é sobrevivência. A mão de obra está mudando: jovens querem propósito, atenção e desenvolvimento. Quem não formar, vai perder e vai falhar", entende Marcos.
3.
Tenha uma cultura clara que oriente atitudes todos os dias
“Cultura não é mural ou discurso bonito: é direção e comportamento. É definir quem a empresa é, a quem serve e como age diariamente. Empresa sem cultura gera desalinhamento, e desalinhamento custa caro. Quando todo mundo sabe aonde está indo e o que é inegociável, a execução acelera, os conflitos reduzem e o clima melhora. Cultura forte protege o negócio em momentos difíceis", complementa.
4.
Cresça com os pés no chão e com financeiro à frente
“O que mais quebra empresa no Brasil é o crescimento errado: vender muito e lucrar pouco. O caixa precisa bater mais forte que o coração. Crescer sem estrutura, sem análise de margem e sem proteção de custos é pedir para quebrar. Negocie fornecedores todos os meses, revise despesas, crie orçamentos pessimistas. Quem não controla o financeiro, não controla o destino da empresa", reforça o especialista em evolução empresarial.
5.
Decida com base em indicadores, não em achismos
“Resultado sem indicador é sorte e sorte não paga boletos. Se a empresa não tem metas, números e análises semanais, ela está dirigindo no escuro. Gestão exige disciplina: ritualizar reuniões, acompanhar indicadores e tomar decisões rápidas quando o resultado aponta o caminho errado. Métrica é gestão, e improviso é risco", alerta.
Para Freitas, quem
aplicar esses pilares aumenta significativamente as chances de crescer acima do
mercado. “O empresário não controla o cenário econômico, mas controla a forma
como a sua empresa enfrenta esse cenário. 2026 será difícil, mas será ainda
mais difícil para quem não está preparado”, conclui Marcos Freitas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário