Mudanças na norma impõem rigor na avaliação de riscos psicossociais e desafia líderes a adotarem indicadores de saúde para garantir conformidade legal e sustentabilidade financeira
A menos de três meses da obrigatoriedade da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), as empresas ainda têm de se adaptar ao novo cenário, que passa a valer a partir de 26 de maio. Uma pesquisa realizada em janeiro deste ano pela consultoria de recursos humanos Heach revela que 68% das empresas admitem não compreender as mudanças da norma. O levantamento também aponta que 58% das organizações mantêm uma postura puramente reativa, agindo sobre a saúde mental dos colaboradores apenas após casos extremos, como afastamentos, denúncias formais ou processos judiciais.
Com a atualização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o cuidado com o bem-estar emocional deixa de ser uma iniciativa opcional e torna-se obrigação legal e as companhias deverão integrar a avaliação de riscos psicossociais ao seu escopo, garantindo medidas preventivas contra condições organizacionais nocivas. Para Amanda Bittencourt, gerente de unidade de negócio da Care Plus Ocupacional, a nova diretriz exige que as organizações tenham um trabalho mais proativo sobre as questões de saúde mental de seus colaboradores. "Muitas empresas focam em casos isolados. A nova NR-1 convida a um olhar estatístico e comparativo, permitindo entender o perfil epidemiológico da empresa em relação ao seu segmento e grau de risco", explica. A nova resolução reforça que o exame ocupacional não é uma burocracia, mas uma potente ferramenta de inteligência diagnóstica sobre hábitos, comportamentos e ambiente de trabalho.
A relevância da atualização da norma responde a evidências preocupantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indicam que 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos por ano globalmente devido à depressão e à ansiedade. O prejuízo à economia mundial chega a US$ 1 trilhão, impulsionado pela queda de produtividade e pelo absenteísmo.
Nesse contexto, o cuidado com a saúde mental consolida-se como um pilar de sustentabilidade e produtividade das operações. Segundo a executiva, a conformidade com a NR-1 converte-se em um ativo estratégico que impacta diretamente a eficiência e potencializa resultados financeiros. “Empresas que priorizam o acolhimento e a saúde mental conseguem mensurar o impacto em indicadores claros, como a redução da procura por prontos-socorros, e redução de custos com rotatividade”, afirma.
O grande desafio da implementação, de acordo com a especialista, é
a capacidade das empresas de processar dados. Ela defende que a tecnologia é a
ponte para transformar a obrigação legal em vantagem competitiva. “O
ponto-chave é utilizar metodologias validadas internacionalmente para mapear e
cruzar dados de forma inteligente. Ter esses resultados em dashboards que
permitam a comparação com indicadores de mercado é o que garantirá uma promoção
contínua e real da saúde e do bem-estar”, conclui Amanda.
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