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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Espaço ºAndar, na Santa Cecília, recebe cinco espetáculos e um show em novembro


 

Entre os destaques do mês, estão os trabalhos ‘Inefável’, ‘A Última Valsa de Zelda Fitzgerald’, ‘Criatura, uma autópsia’, ‘Pontos de vista de um palhaço’, ‘Epifanias Noturnas: o show’ e ‘Teatrocanção’ 

 

Cinco peças de teatro e um show compõem a programação de novembro do espaço ºAndar, em sua nova sede da Santa Cecília! Entre as atrações, estão o show “Teatrocanção”, de Pedro Sá Moraes, e as peças “Inefável”, de Ana Paula Dias e Telma Fernandes, “A Última Valsa de Zelda Fitzgerald”, com Larissa da Mata; “Criatura, uma Autópsia”, de Bruna Longo; “Pontos de vista de um palhaço”, de Daniel Warren, com direção de Maristela Chelala; e “Epifanias Noturnas: o show”, de Manuela Pereira.

O centro cultural foi inaugurado em 2017 pelas produtoras Ana Paula Dias e Anayan Moretto e agora celebra uma nova fase com programação intensa já definida até o final do semestre.

Com a proposta de acolher artistas e profissionais de diversas áreas e de promover a criação, a formação e a difusão artísticas, o novo espaço conta com uma sala de espetáculos em formato black box e sete salas destinadas a estúdios de som e imagem, coworking, ensaios, aulas e atividades artísticas diversas, possibilitando a realização simultânea de diferentes ações.


Espetáculos

Dando continuidade à programação do projeto Segundas de Solo, a atração de novembro é “Criatura, uma Autópsia”, escrito e estrelado por Bruna Longo, em cartaz de até 30 de novembro, às segundas, às 20h. A peça fala sobre uma mulher, cujo nascimento é intrinsicamente ligado à morte, e a concepção da primeira obra de ficção científica que a torna imortal. O ato da criação, a solidão e a busca por identidade e pertencimento são os temas do trabalho, que fricciona o romance Frankenstein, ou O Prometeu Moderno e a vida de sua autora Mary Wollstonecraft Godwin (Shelley). 

E após integrar a programação da 6ª edição da Mostra Segundas de Solo, o espetáculo “Inefável” retorna para duas apresentações a preços populares, nos dias 12 e 13 de novembro. A partir dos sentimentos despertados pela leitura de um poema de Paulo Leminski — “Haja hoje para tanto ontem” —, Ana Paula Dias e Telma Fernandes criaram o espetáculo, que aborda os limites da linguagem diante daquilo que sentimos, mas nem sempre conseguimos nomear.

Já “Pontos de Vista de um Palhaço”, com texto e direção de Maristela Chelala e atuação de Daniel Warren, fica em cartaz  até 8 de dezembro, com sessões às terças, às 20h. Baseado no romance homônimo do autor alemão Heirich Böll, o espetáculo retrata um palhaço em crise, que busca ajuda em uma sessão de terapia em grupo. A peça lança luz na alteridade que está no cerne da arte do clown. Com um recurso perspicaz, ela desloca o foco do protagonista amargurado do livro e o fragmenta entre Hans e seu alter ego, um palhaço chamado Schnier – que, na adaptação, se transforma no narrador da história, criando novas possibilidades de humor para a peça.

Outro destaque é o show “Teatrocanção”, do cantor, compositor e multi-instrumentista Pedro Sá Moraes, encenado às quartas-feiras, às 20h, de até 25 de novembro. Depois de uma década dedicada ao teatro, o artista, vencedor do prêmio “Profissionais da Música” na categoria de “Melhor Cantor Brasileiro, volta ao palco para apresentar canções criadas especialmente para a cena. 

Com instrumentos de corda, percussão e uma loopstation, Pedro constrói ao vivo camadas de acompanhamento musical, fazendo da própria elaboração sonora parte da experiência do público. Entre as canções, transforma-se em rapsodo, assume personagens, e conduz a plateia por universos ficcionais e poéticos. 

Unindo música e comédia, o solo “Epifanias Noturnas: o Show”, criado e estrelado por Manuela Pereira e dirigido por Helena Fraga, fica em cartaz de até 28 de novembro, com sessões aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. A peça mergulha nas reflexões de uma jovem atriz à beira dos 30 anos, que enfrenta uma questão existencial apresentada por seu terapeuta. Em busca de respostas, ela retorna a seu passado, começando por uma adolescência melodramática e navegando pelos desafios da transição para a vida adulta e do ingresso no competitivo mercado artístico. 

No palco, em um ambiente minimalista, a atriz compartilha suas desilusões amorosas e profissionais de forma leve e debochada, enquanto entoa releituras de sucessos contemporâneos da música pop e sertaneja brasileira. Prepare-se para uma noite de risos, reflexões e muita música.

A montagem acompanha diferentes momentos de sua trajetória: da juventude no sul dos Estados Unidos à efervescência da Era do Jazz, passando pelos anos vividos em Nova York, Paris e na Riviera Francesa, pelos conflitos do casamento, pela disputa em torno da autoria de seus próprios escritos e pelas sucessivas internações psiquiátricas. 

Em cena, porém, Zelda não aparece apenas como uma figura marcada pelo sofrimento. A dramaturgia recupera também sua inteligência, seu humor, sua ironia e o olhar crítico que lançava sobre o mundo e sobre si mesma. Entre festas, viagens, cartas, memórias e delírios, o espetáculo constrói o retrato de uma mulher contraditória, inventiva e determinada a existir para além das versões criadas a seu respeito. 

 

Serviço

ºAndar

Endereço: Rua Dr. Gabriel dos Santos, 88 - Santa Cecília (Metro Marechal Deodoro)

Convênio com o Estacionamento no nº131 - R$20,00 (com carimbo na bilheteria)

Para detalhes da programação e o serviço completo de cada atração, acesse o site www.oandar.com

Siga o perfil no Instagram @o.andar.

 

Programação: 

Até 30/11 - Criatura, uma autópsia, com Bruna Longo (Segundas de Solo), segundas-feiras, às 20h 

Até 8/12 - Pontos de Vista de um Palhaço, com Daniel Warren, terças-feiras, às 20h 

12 e 13 de novembro - Inefável, com Telma Fernandes, quinta e sexta às 20h 

Até 25/11 - Show Teatrocanção, com Pedro Sá Moraes, quartas-feiras, às 20h 

Até 28/11 - Epifanias Noturnas: o Show, com Manuela Pereira, sábados, às 20h, e domingos, às 18h


Destaque na cena teatral brasiliense, O Último Tango leva discussão sobre envelhecimento e intolerância religiosa ao Teatro Arthur Azevedo em novembro

 



Além das sessões da peça, o projeto traz ações paralelas como aulão de tango em espaço público, exposição de fotos de bailarinos 50+, oficina lúdica para idosos e ciclo de debate sobre o envelhecer e ação formativa em escola pública

 

O projeto O Último Tango – A Rota dos Bem-vividos, da Criaturas Alaranjadas, uma das companhias de teatro mais atuantes de Brasília (DF), é um compasso entre dança, teatro, audiovisual e música. O espetáculo, com direção de Sérgio Maggio, desembarca para uma curtíssima temporada em São Paulo no Teatro Arthur Azevedo, entre os dias 19 e 22 de novembro, de quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h. 

O trabalho é uma espécie de lampejo lúdico, inovador e essencial para a sociedade discutir e repensar o etarismo e a intolerância religiosa como importantes temas de política pública. Multicultural, o projeto foi contemplado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) do Governo do Distrito Federal e traz em seu escopo uma série de atividades em torno da itinerância, que abre as comemorações dos 20 anos da Criaturas Alaranjadas.

Além da peça, o projeto propõe uma intensa vivência na capital paulista com exposição de fotografias de bailarinos 50+ no foyer do teatro; aulão de tango na entrada do teatro; uma oficina de jogos teatrais para pessoas na maturidade; debate sobre o papel da arte contra o etarismo e uma ação formativa em escola pública em três movimentos (os artistas vão à escola; a escola vai ao teatro; e os estudantes dão um retorno sobre a experiência). 


A encenação

O Último Tango mergulha no universo de dois desconhecidos que se unem em razão da paixão pelo tango e que revoluciona as suas vidas. Os personagens, Antônio (Miqueias Paz) e Manoel (Jones Abreu Schneider) apontam para a capacidade de reinvenção do ser humano em qualquer faixa etária da vida. 

Executados pelos musicistas Janaina Sabino (piano digital) e Pedro Tupã, o tango e canções de matriz africana são temas para reflexões profundas sobre encontros e superação. Temas como finitude, etarismo, intolerância religiosa, homofobia e os horrores e contradições de um tempo que flerta com o fascismo vão sendo costurados e resultam em um palco para reflexões sobre a vida e a autonomia na terceira idade. 

Com texto inédito de Santiago Serrano e dirigido pelo dramaturgo e roteirista baiano Sérgio Maggio, o espetáculo reúne um time talentoso de diversas gerações da capital federal. A cineasta Catarina Accioli assina o vídeo dança que intercala o espetáculo, filmado em uma reserva natural do Distrito Federal com os bailarinos Lenna Siqueira (RJ) e Dilo Paulo (ANGOLA), na Cia. Corpus entre Mundos.

Agraciada com o Prêmio de Estímulo ao Teatro Funarte 2022, a montagem estreou no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, em 2023, e percorreu seis cidades do Distrito Federal, sendo vista por mais de 5 mil pessoas em 40 sessões. “Circular é o maior objetivo de quem faz teatro. Nasci e aprendi a compreender a força do teatro em Salvador. Chegar à cidade com uma montagem tão especial em nossa trajetória é um sonho”, aponta Sérgio Maggio.

A peça foi apontada pela crítica como um dos destaques da cena brasiliense em 2023/2024:  

“O Último Tango discute temas importantes como o etarismo, a homofobia, o racismo, o racismo religioso, preconceitos em suas mais variadas vertentes, de uma forma profunda e ao mesmo tempo leve, com muita emoção, mas também com bom humor, flutuando pelas questões sociais e existenciais do nosso tempo. Uma poesia sobre o hoje, sobre ser, sobre todos nós, sobre a importância da solidariedade, sobre ser humano e o inevitável, envelhecer; mas principalmente sobre manter a chama da vida acesa e buscar caminhos”. (Rodrigo Ferret, Crítica em Cena)


Ações paralelas

O projeto prevê as seguintes atividades que acontecem paralelas ao espetáculo: 

- Aula de Tango: direcionada ao público passante e aberta a qualquer pessoa, sem limite de idade.

- Corpos que dançam não envelhecem: no foyer do teatro, enquanto espera o primeiro sinal, o espectador vai apreciar a exposição "Corpos que Dançam não Envelhecem", da fotógrafa Nityama Macrini. A mostra surge como uma proposta ousada e necessária para desmistificar a ideia de que a dança é uma prática reservada apenas ao corpo jovem. Ao clicar dançarinos na maturidade, o projeto desconstrói os preconceitos associados ao corpo do artista e à sua suposta “data de validade”. 

Foram fotografados, em Brasília, ícones da dança do DF: Yara de Cunto (bailarina clássica, coreógrafa contemporânea e criadora do Balé do Teatro Guaíra), Gisèle Santoro (bailarina clássica, coreógrafa e mentora do Seminário Internacional de Dança), Lenora Lobo (dançarina e coreógrafa da Alaya Cia. de Dança) e Luciana Lara (dançarina e coreógrafa Anti Status Quo Cia. de Dança), e bailarino e coreógrafo moçambicano Idio Chichava, que fez residência na capital.  

-A Arte Contra o Etarismo: o debate discute a memória e as experiências de envelhecimento em populações consideradas vulneráveis. 

-Jogos Lúdicos para a Maturidade (com Jones Abreu Schneider): estimular a criatividade, a memória e o bem-estar emocional são os principais objetivos dessa iniciativa para promover a interação e a socialização entre os idosos.

-Formação de plateia em 3 Movimentos: o grupo visita uma escola pública e fala sobre teatro e a temática da peça. Depois, a escola recebe o convite para levar os estudantes em dois ônibus para o teatro, onde assistem à peça e participam de um bate-papo. Por fim, o grupo aplica um questionário sobre a experiência.


Sobre Criatura Alaranjadas

Sediado em Brasília, o Coletivo surgiu em 2007 no encontro entre o dramaturgo e diretor Sérgio Maggio e o ator e artista visual Jones Schneider, surgindo assim um dos grupos mais inventivos e atuantes do Centro-Oeste. 

Com uma produção continuada, conquistou importantes prêmios e patrocínios nacionais como Petrobras BR (Eu Vou Tirar Você Deste Lugar – As Canções de Odair José e Eros Impuro), Banco do Brasil (L, O Musical, Odair José, Duas Gotas de Lágrimas no Frasco de Perfume, Mitos do Teatro Brasileiro); Funarte (Cabaré das Donzelas Inocentes, Eros Impuro e O Último Tango). O grupo tem uma pesquisa sobre teatro musical popular brasileiro (TMBP) com indicações aos prêmios Bibi Ferreira e Reverência. 


Ficha Técnica

Direção de cena: Sérgio Maggio

Direção de imagens: Catarina Accioly

Dramaturgia: Santiago Serrano

Tradução: Carmem Moretzsohn

Intérpretes: Miqueias Paz (Antônio) e Jones Abreu Schneider (Manoel)

·         Musicista: Janaina Sabino (piano digital), Pedro Tupã (percussão) 

·         Bailarinos em videoarte: Dilo Paulo e Lenna Siqueira (Corpus entre Mundos)

·         Fotógrafa exposição: Nityama Macrini.

·         Bailarinos exposição: Yara de Cunto, Gisèle Santoro, Lenora Lobo, Luciana Lara e Idio Chichava  

·         Cenografia: Maria Carmem de Souza

·         Coreografia cênica: Dilo Paulo

·         Desenho de luz original: Rodrigo Lélis

·         Iluminação itinerância: Gabriel Martins.

·         Preparação e coreografias de tango: Paulo Pivetta

·         Edição e câmeras: João Paulo Procópio e Gui Campos

·         Pesquisa de figurino e objetos de cena: Astaruth Lira, Jones Abreu Schneider e Sérgio Maggio

·         Figurino: Jones Schneider

·         Artesã bonecos: Edinartesgomes

·         Coordenação de acessibilidade: Criaturas Alaranjadas

·         Identidade visual: Fernando Lopes

·         Design: Jana Ferreira

·         Redes sociais: Criaturas Alaranjadas

·         Produção Local: Ana Nero (SP)

·         Produção: Criaturas Alaranjadas.


Sinopse

Na vida de Antônio, um octogenário viúvo que vive sob a pressão de seus filhos, a perda de memória parece um fardo. No entanto, seu espírito sonhador ainda brilha ao lembrar-se da promessa feita a sua falecida esposa, Elvira: aprender a dançar tango e conhecer Buenos Aires. Por outro lado, Manoel, um artista maduro sem residência fixa, enfrenta dificuldades financeiras enquanto ensina tango nas praças. Quando os caminhos de Antônio e Manoel se cruzam, eles descobrem uma conexão inesperada que transforma suas vidas. Juntos, eles se unem ao ritmo vibrante do tango portenho, rompendo as barreiras do tempo e da solidão, e criando uma narrativa poderosa sobre sonhos, solidariedade e a luta contra as adversidades. Uma história que se impõe à sociedade, urgentemente convidando à reflexão.


 Serviço

O Último Tango, com Criaturas Alaranjadas

 Sessões: 19 a 22 de novembro de 2026

De quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h 

Teatro Arthur Azevedo - Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca, São Paulo

Ingressos: Grátis, devem ser retirados uma hora antes da bilheteria

Classificação indicativa: 12 anos

  Duração: 70 minutos

 Acessibilidade: teatro acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

 

  Aula de Tango

Quando: 20 de novembro, sexta. das 17h às 18h

Na entrada externa do teatro. Grátis

 

Oficina de Jogos para Pessoas na Maturidade

Quando: 21 de novembro, sábado, das 17h às 18h

Grátis

 

 Debate - A Arte Contra o Etarismo

Quando: 22 de novembro, domingo, às 17h

Grátis

 

Exposição Corpos que dançam não envelhecem

 acontecerá durante a temporada no foyer

Grátis

 

O Teatro de Antonio Januzelli celebra os 58 anos de carreira de Janô com oficina e dois solos dirigidos por ele, em novembro no Sesc Pompeia

 



Diretor ministra Laboratório Lúdico Dramático do Indivíduo Ator/Atriz e dirige os solos A Hora e Vez, com Rui Ricardo Diaz, e O Porco, com Henrique Schafer - os dois atores que mais tempo de processo tiveram com Janô

 

Considerado uma figura de grande importância no teatro brasileiro contemporâneo, o ator, diretor e preparador de elenco Antonio Januzelli, o Janô, tem sua longeva trajetória profissional homenageada no projeto O Teatro de Antonio Januzelli, que conta com um laboratório lúdico dramático ministrado por ele e dois solos que tiveram sua direção. As atividades acontecem de 7 de novembro a 4 de dezembro no Sesc Pompeia.

Antonio Januzelli começou sua carreira em agosto de 1968 e, desde então, nunca a interrompeu. É doutor em artes, pesquisador, ator, diretor e foi professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e da Escola de Arte Dramática da USP, onde lecionou de 1977 a 2002. 

Também foi membro de conselhos editoriais das revistas da ECA e revista LUME-Unicamp e representante do Departamento de Artes Cênicas na AIEST (Associación Ibero Americana de Escuelas Superiores de Teatro). 

 

A Hora e Vez

O solo A Hora e Vez, com dramaturgia e atuação de Rui Ricardo Diaz e direção de Janô, tem sessões nos dias 12, 13, 14 e 18 de novembro, às 19h30; no dia 19, às 15h30 e às 19h30; e no dia 20, às 17h30. Inspirado na novela “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, de Guimarães Rosa, a peça se ancora no aspecto trágico presente na obra. O herói Rosiano trilha um caminho do qual parece não ter como fugir; onde sua busca por livrar-se do destino o leva à sua destruição do ponto de vista físico. 

O trabalho estreou em 2014 e tem como alicerces princípios do trabalho de Antonio Januzelli como as noções de “transfiguração” e “transmutação” – o indivíduo que deseja tornar-se outro – para contar a saga de Augusto Matraga. Na trama, um homem – um Griô – transita e se funde às figuras que gravitam em torno de Nhô Augusto, que, por meio das quais, conta sua própria vida, numa revisão de seus percalços e angústias. 

“São 16 anos de trabalho ininterrupto até aqui. Transmutar-se em cena como potencialidade única. Em todos esses anos, aprendi a Incandescer para ser e, por meio das práticas do Laboratório Dramático, tomar posse de um estado que possa acompanhá-lo em todo e qualquer instante. É preciso tempo!”, diz Rui Ricardo Diaz sobre seu encontro com Janô. 

“...o espetáculo-solo que Rui Ricardo Diaz e Antonio Januzelli conceberam a partir de tão denso material é de uma simplicidade formal espantosa e, paradoxalmente, de uma fecundidade teatral absolutamente sedutora...”. - Wellington Andrade | Revista Cult.

 

“Rui Ricardo Diaz adaptou e protagoniza com brilho o monólogo dramático ‘A Hora e Vez’, a partir da obra de Guimarães Rosa. O espetáculo radicaliza no minimalismo, jogando praticamente toda a responsabilidade nas mãos do intérprete”. - Dirceu Alves Jr. | Revista Veja SP. 


O Porco

Encenado por Janô em 2004, O Porco rendeu a Henrique Schafer o prêmio Shell de melhor ator. O espetáculo tem sessões nos dias 25, 26, 27 de novembro e 2 e 4 de dezembro, às 19h30; e no dia 3, às 15h30 e às 19h30. Trata-se de uma adaptação assinada por Antonio Andres Lapeña para o livro "Stratégie pour deux jambons" de Raymond Cousse.

O texto retrata um porco que relembra momentos de sua existência. Na reconstituição de sua trajetória, fala de seus antepassados, sua família, sua condição social e seus desejos. Não há metáforas. O que se ouve é o que se fala, ainda que prevaleça um jogo entre o que se expressa e o que se sente. Um jogo que se traduz em um passeio pelo “porão animal do homem a caminho do abate”.

“Ele viu em mim o que eu não sabia que em mim existia. Não que visse algo especial em mim, mas o que ele vê em tudo que está vivo e se deixa pegar fogo. Quando O Porco estreou eu tinha 37 anos. Janô dizia que essa peça só podia ser feita por alguém com mais de 40. E dizia ainda: como será fazer a peça quando você tiver 60 anos? O silêncio, o instante, o é. Estes foram os ensinamentos fundantes. O resto é caminho. Um caminho de exercícios.”, diz Henrique sobre seu encontro com o Janô. 

Henrique Schafer fez Licenciatura em Artes Cênicas na ECA/USP. Seu trabalho em teatro sempre se dividiu entre a sala de aula e o palco. “Um dia, nos corredores da USP, Janô disse que tinha um texto e perguntou se eu tinha vontade de fazer teatro. Ele coordenava o Laboratório das Práticas do Ator e eu topei na hora porque isso me interessava. Montar uma peça não era o objetivo, mas quando a apresentamos dentro do Departamento de Artes Cênicas, muitas pessoas disseram que nós precisávamos levar a peça adiante. Trabalhamos durante 4 anos e um dia, em 2004, estreamos num porão de um teatro que já não existe mais, o Viga. A repercussão foi muito boa e a peça marcou a cena teatral daquela época¨. Henrique foi indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator em 2005 pela sua atuação.


“(...) Os silêncios são valorizados assim como uma linha de interpretação que evita qualquer ‘imitação’ de porco e apóia-se na concentração de energia e não na sua dispersão. Henrique Schafer passa ao largo do histrionismo exibicionista (...) Januzelli faz ótimo aproveitamento da geografia do reduzido espaço cênico - escadas, porta, angulações - o qual evita atravancar, utilizando mínimos objetos cênicos. Sua encenação por mérito jogar muitas fichas num elemento essencial ao fenômeno teatral: a imaginação do espectador, a qual procura estimular com delicadeza.” - Beth Nespoli | O Estado de São Paulo, Caderno 2

 

“(...) o mestre Januzelli, com seu olhar de Lince, conduz seu discípulo Henrique Schafer por uma partitura preciosa, que faz vibrar silêncios e alterna ritmos e tons levando a arte da ironia a seu ponto mais sofisticado.

Falando olho no olho com a platéia, incluindo-a sem constrangê-la, o desgaste físico e emocional de Schafer é enorme, mas a preparação de anos para esse espetáculo faz dele o cartão de visitas de um ator a não se perder de vista.” - Sérgio Salvia Coelho | Folha de São Paulo, Ilustrada

 

Ficha Técnica geral do projeto

Realização: A Escutadora Produções Artísticas

Direção de Produção: Henrique Schafer

Produção Executiva: Andréa Marques

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Serviço

O Teatro de Antonio Januzelli

Quando:  até 4 de dezembro de 2026

Sesc Pompeia - R. Clélia, 93 - Água Branca, São Paulo

Oficina - Laboratório Lúdico Dramático do Indivíduo Ator/Atriz, com Antonio Januzelli

Datas:, 14, 21 e 28 de novembro, aos sábados, das 14h às 17h

Laboratório Performance onde Janô conduz o público por reflexões e práticas que provocam um olhar sobre si mesmo. Ao compartilhar seu percurso e seus princípios de trabalho, propõe exercícios práticos em uma experiência híbrida entre oficina e performance

 

Espetáculo - A Hora e Vez, com Rui Ricardo Diaz

Sinopse: Baseado em “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, de Guimarães Rosa, a peça se ancora no aspecto trágico presente na obra de Guimarães Rosa. O herói Rosiano trilha um caminho do qual parece não ter como fugir; onde sua busca por livrar-se do destino o leva à sua destruição do ponto de vista físico. 

Quando: 12, 13, 14 e 18 de novembro, às 19h30; 19/11, às 15h30 e às 19h30; e dia 20/11, às 17h30.

Ingressos: R$50,00 (inteira), R$25,00 (meia-entrada) e R$15,00 (credencial plena), com venda online em sescsp.org.br ou presencialmente em qualquer unidade do Sesc São Paulo.

50 lugares. Classificação: 16 anos | Duração: 60 minutos

Ficha Técnica: A partir da obra “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, de João Guimarães Rosa. | Dramaturgia e atuação: Rui Ricardo Diaz | Direção: Antonio Januzelli (Janô) | Assistência: Fani Feldman | Iluminação: Osvaldo Gazotti | Pesquisa de vocábulo regional: Joaquim Dias da Silva | Estudo de Teatro Físico: Luis Louis | Acervo de Figurino: Roupa de Santo | Fotos: Bob Sousa e Léo Pinheiro

“Copyright dos Titulares dos Direitos Intelectuais de JOÃO GUIMARÃES ROSA: © João Emílio Ribeiro Neto; © Laura Beatriz Guimarães Rosa Ribeiro Lustosa; © Quatro Meninas Produções Culturais Ltda. e © Nonada Cultural Ltda.

 

Espetáculo - O Porco, com Henrique Schafer

Sinopse: O texto retrata um porco que relembra momentos de sua existência. Na reconstituição de sua trajetória, fala de seus antepassados, sua família, sua condição social e seus desejos. Não há metáforas. O que se ouve é o que se fala, ainda que prevaleça um jogo entre o que se expressa e o que se sente. Um jogo que se traduz em um passeio pelo “porão animal do homem a caminho do abate”.

O original Strategie pour deux jambons, de Raymond Cousse, foi publicado em forma de romance em 1978. Em 1979, seu autor fez uma versão para o teatro encenada por ele próprio. O sucesso foi enorme em toda a Europa. Desde então, a peça vem sendo montada em vários países. A versão que levamos ao palco é do dramaturgo e diretor Antonio Andres Lapeña, El Cerdo, que fez também enorme sucesso de crítica e público na Espanha. A tradução é de Eliana Teruel.

Quando: 25, 26, 27 de novembro e 2 e 4 de dezembro, às 19h30; e 3/12, às 15h30 e às 19h30.

Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena), com venda online em sescsp.org.br ou presencialmente em qualquer unidade do Sesc São Paulo.

50 lugares.

Classificação: 16 anos | Duração: 60 minutos

Ficha Técnica: de Antonio Andres Lapeña | Adaptação do original "Stratégie pour deux jambons" de Raymond Cousse | Direção, Figurino, Cenografia e Iluminação: Antonio Januzelli | Atuação: Henrique Schafer | Operação de Luz: Osvaldo Gazotti | Fotos: Sérgio Massa, Silvia Machado e Léo Pinheiro


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