Pesquisar no Blog

domingo, 18 de outubro de 2026

Humanização dos pets amplia foco em prevenção e cuidados com a saúde animal

Participação dos animais de companhia na indústria veterinária passou de 15% para 27% em dez anos; mudança de comportamento também impulsiona informação, especialização profissional e novos cuidados

 

Cães e gatos passaram a ocupar um espaço diferente dentro das famílias brasileiras, e essa mudança já se reflete na forma como os responsáveis encaram a saúde dos animais. Prevenção, vacinação, controle de parasitas, acompanhamento veterinário e longevidade ganham cada vez mais espaço em uma relação que deixou de estar concentrada apenas no tratamento de doenças.

 

Esse movimento também se reflete no mercado de saúde animal. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), o segmento voltado aos animais de companhia representava 15% das vendas da indústria de saúde animal em 2014. Dez anos depois, em 2024, essa participação chegou a 27%.

 

Para Juliana Aguiar, médica-veterinária e Gerente de Marketing Ourofino Pet, o avanço acompanha uma mudança na própria percepção sobre os pets.

“Hoje, os responsáveis estão mais atentos à saúde dos pets de forma contínua, e não apenas quando surge algum problema. Essa mudança de comportamento amplia a importância do acompanhamento ao longo da vida e favorece decisões mais antecipadas sobre o bem-estar dos animais.”

 

Essa transformação também chega aos consultórios veterinários. Dados do Radar VET, do Sindan, apontam que 66% dos médicos-veterinários possuem ou estão cursando alguma especialização, sinalizando um mercado que demanda conhecimentos cada vez mais específicos.

 

Do outro lado da relação, os responsáveis também chegam mais informados. O Radar Pet mostra que 55% pesquisam informações antes de tomar decisões relacionadas a produtos e tratamentos para seus animais.

 

“O acesso à informação faz com que muitos responsáveis cheguem à consulta com mais perguntas e conhecimento sobre determinados temas. Isso torna ainda mais importante o papel do médico-veterinário como referência e autoridade competente para orientar e indicar o cuidado mais adequado para cada pet”, afirma Juliana.

 

Indústria acompanha novo perfil de cuidado

 

A mudança de comportamento também influencia o desenvolvimento de produtos para animais de companhia. Além de eficácia e segurança, fatores como praticidade, adesão ao tratamento e facilidade de incorporar os cuidados à rotina das famílias passam a ganhar relevância.

 

Na Ourofino Saúde Animal, um dos movimentos recentes nessa direção foi o lançamento do WellPet, que completa um ano no mercado brasileiro em outubro. O produto, à base de fluralaner, é indicado para o controle de pulgas e carrapatos em cães e marcou a entrada da companhia em um novo segmento dentro da unidade de animais de companhia.

 

Para Leonardo Brandão, diretor da unidade de negócio pet na Ourofino, a chegada do produto ajuda a ilustrar como a indústria acompanha as novas demandas relacionadas ao cuidado com os pets.

 

“O primeiro ano de WellPet acontece justamente em um momento em que prevenção e praticidade ganham cada vez mais relevância. O desafio da indústria é acompanhar essa evolução e desenvolver soluções que contribuam para facilitar a rotina de cuidado, sempre com respaldo técnico e científico.”

  



Ourofino Saúde Animal

Perrengue chique: consulta veterinária no exterior pode custar mais de US$ 1.000 sem seguro adequado"

Levantamento do Seguros Promo revela que quase metade dos tutores desconhece que assistências de viagem cobrem apenas urgências e acidentes, deixando exames e rotina de fora
 

O crescimento do turismo pet friendly transformou a rotina de férias das famílias brasileiras, mas a falta de informação sobre a proteção de cães e gatos longe de casa ainda gera surpresas amargas no bolso. Um levantamento feito pela plataforma Seguros Promo revela que quase 50% dos tutores não sabem como funciona a cobertura de Pet Assistance em viagens — um serviço que opera de forma completamente diferente dos planos de saúde veterinários convencionais.

Ao contrário das assistências veterinárias tradicionais, o seguro viagem não cobre consultas preventivas, vacinação ou exames de rotina. Trata-se de uma proteção voltada estritamente para emergências médicas e acidentes súbitos durante o período do deslocamento. 

"Quando a viagem é planejada, transporte e hospedagem ganham prioridade no checklist. O risco surge quando o tutor assume que o pet está totalmente coberto para qualquer atendimento médico. Fora do país, uma consulta de urgência com exames básicos pode custar facilmente milhares de dólares se a pessoa não souber exatamente as regras do contrato que assinou", alerta Paulo Zamboni, CEO do Seguros Promo.
 

O que o tutor precisa saber antes de embarcar:

  • Modelo por reembolso: A maioria das apólices exige que o tutor pague pelo atendimento no local em moeda estrangeira e solicite o ressarcimento após o retorno, mediante apresentação de laudos e notas fiscais.
  • Limites de capital: O valor médio de cobertura varia entre US$ 200 e US$ 300 por evento — montante que pode não cobrir procedimentos mais complexos no exterior.
  • Validade do atestado sanitário: Para voos, a apresentação do atestado veterinário emitido, no máximo, 10 dias antes do embarque é obrigatória. Laudos fora do prazo podem invalidar o atendimento do sinistro.
  • Extravio em transporte: Coberturas mais amplas preveem indenização em situações de perda ou furto do animal sob responsabilidade da companhia aérea, desde que respeitadas as normas do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).


Seguros Promo


Câmara avança com projeto que proíbe penas e plumas de origem animal em fantasias

Para Sinergia Animal, debate sobre proteção animal deve avançar sem desconsiderar a importância das manifestações culturais


A Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados aprovou o parecer favorável a uma proposta que proíbe a confecção, a venda e o uso de fantasias e adereços produzidos com penas e plumas de origem animal. O texto prevê multas de R$5 mil a R$1 milhão para quem descumprir a regra. A proposta ainda precisa passar por outras etapas legislativas antes de se tornar lei.

O avanço do Projeto de Lei 1.097/2019, que reúne outras três propostas apensadas, amplia o debate sobre a utilização de materiais de origem animal e os limites entre práticas tradicionais, interesses econômicos e proteção animal.

Para Arthur Regis, especialista em políticas públicas da Sinergia Animal, a discussão evidencia a importância de incorporar a proteção animal à formulação de políticas públicas.

“A proteção animal precisa ser considerada nas decisões que orientam a sociedade. Preservar manifestações culturais não significa que todas as práticas associadas a elas devam permanecer inalteradas. É possível buscar alternativas que respeitem os animais sem comprometer a criatividade, a identidade e a riqueza das nossas expressões culturais”. 

O texto aprovado prevê exceções para situações em que a extração das penas ou plumas não provoque sofrimento animal, conforme regulamentação futura, além do reaproveitamento de materiais já utilizados antes da entrada em vigor de uma eventual lei.

“O avanço da legislação é importante, mas também precisamos olhar para a implementação. Regras claras, critérios verificáveis e mecanismos de fiscalização são fundamentais para que a proteção prevista no papel se traduza em mudanças concretas”. 

A proposta ainda será analisada pelas demais instâncias legislativas competentes. O acompanhamento de sua tramitação será importante para compreender o alcance definitivo das regras e seus efeitos sobre a produção de fantasias e adereços.

A Sinergia Animal atua na defesa de melhores condições de vida para animais criados para consumo e acompanha debates sobre políticas públicas relacionadas à proteção animal.

Brasil lidera disposição para adotar pets, mas informação ainda é desafio para uma adoção responsável

Mars lança nova pesquisa global que mostra quais as principais barreiras para quem quer ter um animal de estimação

 

O Brasil aparece na liderança global quando o assunto é disposição para adotar um pet. É o que mostra a terceira edição da pesquisa realizada pela Mars em parceria com Censuswide, que ouviu 26 mil pessoas em 14 mercados do mundo. No país, 19% dos entrevistados afirmam estar prontos para adotar um animal hoje, contra 12% na média global.

A familiaridade com o processo também é maior entre os brasileiros: 76% dizem compreender como funciona a adoção, ante 64% globalmente. Ainda assim, a decisão pode vir acompanhada de dúvidas e inseguranças. Para 20% dos entrevistados no Brasil, ter acesso a orientação especializada aumentaria a confiança para adotar.

Entre os principais desafios apontados, a saúde e o histórico médico desconhecido aparecem em primeiro lugar, mencionados por 36% dos brasileiros. A adaptação à rotina e os custos também fazem parte das preocupações de quem considera receber um novo animal em casa. A integração com outros pets é citada por 21% dos entrevistados e ganha ainda mais relevância entre os mais jovens: 25% das pessoas de 18 a 24 anos e 26% da faixa de 25 a 34 anos apontam esse fator como um dos desafios, contra 15% entre aqueles com 55 anos ou mais.

Para Katia Souza, diretora de Assuntos Corporativos da Mars Pet Nutrition no Brasil, os resultados mostram que a disposição para adotar precisa caminhar junto com acesso à informação e suporte ao longo da jornada.

“A adoção responsável começa antes mesmo da chegada do pet à nova casa. Por isso, queremos entender o que aproxima e o que ainda gera dúvidas nas pessoas que consideram adotar, usando essas informações para tornar essa jornada mais clara e segura. O Global Adoption Weekend é uma plataforma para levar conhecimento, gerar identificação e incentivar escolhas responsáveis, contribuindo para que mais animais encontrem lares preparados para recebê-los, além de promover a missão da Mars de criar um mundo melhor para eles”, explica a executiva.


Orientação ajuda a transformar intenção em cuidado

A preocupação com a saúde é acompanhada por uma forte busca por orientação profissional. Entre os tutores brasileiros, 68% afirmam confiar no veterinário para receber orientações sobre alimentação, índice superior à média global de 57%.

O levantamento também aponta que a experiência com a adoção varia entre gerações. Entre os brasileiros de 25 a 34 anos, 65% afirmam já ter adotado um animal de um abrigo ou ONG. Entre as pessoas com 55 anos ou mais, o percentual é de 40%.

As condições da vida cotidiana aparecem como parte da equação. O Brasil registra os maiores índices entre os mercados pesquisados quando os entrevistados avaliam que mudanças na rotina das cidades e no trabalho poderiam facilitar a convivência com pets. Para 24%, a possibilidade de trabalho flexível ajudaria no cuidado com os animais, enquanto 27% gostariam de contar com mais espaços de lazer pet friendly. Globalmente, os índices são de 19% e 17%, respectivamente.

Os dados reforçam que a adoção não termina quando o animal chega à nova casa. Questões relacionadas à saúde, alimentação, comportamento, rotina e convivência fazem parte da adaptação e podem exigir apoio de profissionais e informações confiáveis.


Global Adoption Weekend

Os dados fazem parte de um estudo inédito realizado pela Censuswide para a Mars como parte das iniciativas relacionadas ao Global Adoption Weekend, movimento que busca incentivar a adoção responsável. O objetivo da pesquisa é amplia os aprendizados do Mars State of Pet Homelessness Project (Projeto sobre a Situação da Falta de Lares para Animais de Estimação) ao aprofundar a compreensão sobre as barreiras enfrentadas por quem considera adotar e sobre o suporte necessário para que mais animais encontrem e permaneçam em lares preparados para recebê-los.

Foram consultadas pessoas com 18 anos ou mais em 14 mercados — Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, Brasil, México, Índia, Polônia, Filipinas, Canadá, Itália e Japão — entre 16 e 29 de julho de 2026. No Brasil, foram entrevistadas 2.000 pessoas de todas as regiões do país, entre 16 e 23 de julho.

A amostra brasileira foi composta por 1.052 entrevistados do Sudeste, 459 do Nordeste, 255 do Sul, 134 do Centro-Oeste e 100 do Norte. Os recortes regionais devem ser considerados como representativos da composição da amostra, sem interpretação de diferenças estatisticamente significativas entre as regiões.

 

Mars
www.mars.com


O que acontece em uma consulta oftalmológica veterinária? Exames vão além de observar os olhos do pet

Avaliação da córnea, da produção de lágrimas e das estruturas internas ajuda a identificar a origem de sintomas parecidos; especialista mostra quando o exame é indicado e como ele orienta a escolha do tratamento.

 

Olho vermelho, secreção e pálpebra semicerrada são sinais que o tutor costuma enxergar em casa, mas a causa raramente é visível a olho nu. Um estudo retrospectivo de atendimentos em oftalmologia veterinária, apresentado no Salão do Conhecimento da Unijuí, apontou a ceratoconjuntivite seca, o chamado olho seco, como o diagnóstico mais frequente em cães, à frente de catarata e úlcera de córnea. Já um trabalho de conclusão de curso do Uniceplac lembra que a córnea responde por cerca de 80% da capacidade de refração do olho, o que ajuda a explicar por que uma lesão pequena nessa camada transparente pode comprometer a visão do animal.

Na rotina do consultório, a conversa com o tutor vem antes de qualquer aparelho. O médico veterinário Rodrigo Peixoto, que atua com microcirurgia ocular animal e é pós-graduado em Oftalmologia Veterinária e em Clínica Médica, conta que o histórico do paciente já direciona boa parte do raciocínio. "Eu quero saber desde quando o olho está assim, se piscou mais, se coçou, se o pet está evitando a luz. Uma informação dessas muda a ordem dos exames", explica.

Depois da conversa, começa a parte prática. Com uma lupa e uma fonte de luz, o especialista examina pálpebras, córnea, íris e cristalino. Em seguida, entram os testes específicos. Uma tirinha de papel posicionada na borda da pálpebra mede quanto o olho produz de lágrima em um minuto. Um colírio com corante destaca arranhões e úlceras na córnea que passariam despercebidos. Um aparelho do tamanho de uma caneta mede a pressão interna do olho, dado decisivo para descartar glaucoma. "O tutor vê um olho vermelho e pensa em conjuntivite, mas ele pode estar assim por falta de lágrima, por uma úlcera ou por pressão alta. Os três pedem tratamentos diferentes, e o errado pode piorar o quadro", afirma o médico veterinário.

Quando é preciso olhar mais fundo, o exame segue para o interior do olho. Com uma lente de aumento e a pupila dilatada por colírio, o veterinário observa o cristalino e a retina, onde aparecem sinais de catarata, descolamento ou alterações ligadas a doenças sistêmicas, como diabetes e hipertensão. Em alguns casos, a ultrassonografia ocular complementa a avaliação. Todos os procedimentos são rápidos e, segundo o médico, bem tolerados pela maioria dos animais. "Nada disso machuca. O que costuma incomodar mais é a inquietação do bicho, e com um pouco de paciência a gente conclui sem sofrimento", diz.

A recomendação é procurar o especialista diante de qualquer mudança persistente: lacrimejamento, mancha branca ou azulada na córnea, olho fechado, coceira intensa ou alteração no tamanho da pupila. Raças de rosto achatado, como shih-tzu, pug e bulldog, têm olhos mais expostos e merecem acompanhamento regular, assim como animais idosos e pets com doenças crônicas. "Esperar para ver se melhora é o erro mais comum. Em olho, o tempo faz diferença, e uma úlcera simples pode virar um problema sério em poucos dias", alerta o especialista.

O diagnóstico preciso também evita o uso de colírios sem indicação, prática frequente entre tutores. Com os resultados em mãos, o profissional define se o caso pede medicação, ajuste de rotina ou cirurgia, e explica ao responsável o que esperar de cada etapa. "O exame serve para o tratamento acertar o alvo logo na primeira tentativa. Quando o tutor entende o que o pet tem, ele cuida melhor e a recuperação é mais tranquila", conclui Peixoto. 



Fonte: Dr. Rodrigo Peixoto | Médico-veterinário com atuação focada em microcirurgia ocular animal. Pós-graduado em Oftalmologia Veterinária e em Clínica Médica.
@oftalmologiaveterinariabh


Mala enxuta: como as regras de bagagem influenciam a moda praia

Foto: jcomp/Magnific


Entenda a influência das tarifas de avião na seleção de peças versáteis para viagens curtas 


As viagens de curta duração ganharam espaço na rotina das pessoas, trazendo um novo desafio logístico para os deslocamentos de avião. Mais de 70% dos turistas que aproveitam feriados prolongados e fins de semana optam por evitar o despacho de bagagem no porão da aeronave, conforme apontam dados recentes do Ministério do Turismo. Essa escolha prática surge como resposta direta às tarifas rígidas cobradas pelas empresas aéreas, transformando o espaço limitado da mala de mão em um exercício de planejamento e síntese de vestuário. 

O peso financeiro dessas cobranças extras reorganizou completamente o setor e elevou as margens de lucro das companhias aéreas com serviços acessórios. Levantamentos da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) demonstram que as taxas por bagagem movimentam mais de US$ 30 bilhões anuais em todo o mundo. Esse cenário de restrição econômica e física forçou o mercado a repensar a produção têxtil voltada para o lazer.

Nesse contexto de adaptação, o comércio eletrônico registrou uma alta expressiva na busca por artigos compactos. Dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) revelam que o setor de vestuário lidera as pesquisas por peças multifuncionais, atraindo consumidoras interessadas em comprar maiô, por exemplo, com alta versatilidade de uso. A modelagem inteligente permite que a peça deixe de ser exclusiva da areia para integrar produções urbanas completas.


O guarda-roupa cápsula nas viagens

A necessidade de otimizar cada centímetro cúbico da mala gerou uma transformação estética na moda praia contemporânea. A exigência por praticidade eliminou o excesso de trocas de roupa ao longo do dia. O modelo ideal precisa transitar com naturalidade entre o café da manhã na rede hoteleira, o deslocamento até a costa e o jantar noturno.

Marcas especializadas redesenharam modelagens para atender a essa demanda por versatilidade. Tecidos com tecnologia de secagem rápida e proteção UV ganharam espaço nas coleções, substituindo peças pesadas que antes ocupavam compartimentos inteiros. A curadoria de itens prioriza cores neutras e cortes limpos, facilitando combinações rápidas sem repetição de visual.


O impacto financeiro das taxas aéreas

As taxas cobradas pelo excesso de peso ou pelo despacho de malas deixaram de ser apenas um incômodo financeiro para se tornarem o motor de uma revolução estética no turismo moderno. Com passagens aéreas mais caras e cobranças adicionais por qualquer volume extra, o consumidor percebeu que viajar leve economiza dinheiro e tempo nos aeroportos.

Uma pesquisa realizada pela plataforma Booking.com demonstra que o tempo médio gasto na arrumação de malas encolheu drasticamente nos últimos anos, enquanto os viajantes priorizam conjuntos versáteis que ocupam o mínimo de espaço físico. O guarda-roupa de férias virou uma ciência exata de combinações matemáticas para caber em compartimentos restritos. 


Dicas de peças essenciais para otimizar a mala de viagem

As sobreposições ganharam o status de protagonistas na bagagem reduzida. A busca por uma saída de praia elegante reflete essa mudança de comportamento, pois a peça funciona tanto como cobertura leve à beira do mar quanto como vestido para eventos noturnos. Para quem precisa economizar espaço sem abrir mão de composições sofisticadas, apostar em itens curinga muda completamente a dinâmica da arrumação.

  • Maiô de alta cobertura: funciona como body para passeios urbanos quando combinado com calças de alfaiataria ou saias midi, eliminando a necessidade de levar blusas extras.
  • Kimono de linho ou viscose: atua como saída de praia leve durante o dia e se transforma em uma terceira peça elegante sobre vestidos básicos para o jantar noturno.
  • Vestido envelope fluido: ocupa o espaço mínimo de uma única peça na mala de mão, mas resolve o visual completo de eventos diurnos ou passeios à beira-mar sem exigir amarrações complexas.
  • Short de tecido plano neutro: substitui peças pesadas de jeans e combina com qualquer parte de cima, servindo tanto para caminhadas na costa quanto para o trajeto de retorno no aeroporto.

Essa reconfiguração do vestuário de férias prova que a restrição de peso nos aviões moldou uma nova estética no turismo. Marcas especializadas, como a Livre e Leve, ganharam relevância no mercado nacional ao adaptarem suas coleções para esse público que prioriza o minimalismo funcional. A sofisticação atual reside na capacidade de simplificar o visual sem perder a elegância, transformando a restrição operacional das companhias aéreas em um exercício permanente de estilo.


Os 10 mandamentos para conservar peças em jeans

Professora de Moda do Senac São Paulo reúne cuidados que ajudam a preservar cor, modelagem e vida útil do tecido

 

Jeans é resistente, versátil e atravessa gerações — mas isso não significa que aguente qualquer tipo de cuidado. Excesso de lavagem, água muito quente, secadora e até pequenos hábitos na hora de lavar podem interferir na cor, na modelagem e na durabilidade da peça. 


Às vésperas da São Paulo Fashion Week, Thais Sauer, professora de Moda do Senac São Paulo, reúne dez orientações simples para quem quer manter calças, jaquetas e outras peças em jeans bem conservadas por mais tempo.

 

1. Não lave mais do que o necessário 



Lavagens frequentes aceleram o desgaste das fibras e o desbotamento. Sempre que possível, vale avaliar se a peça realmente precisa ir para a máquina ou se pode ser arejada e usada novamente antes da próxima lavagem.

 

1.   Sempre confira a etiqueta 



Nem todo jeans é igual. Peças com elastano, aplicações, lavagens especiais ou diferentes acabamentos podem exigir cuidados específicos

 

2.   Lave a peça do avesso  



Esse cuidado reduz o atrito direto sobre a superfície do tecido e ajuda a preservar a cor e o acabamento por mais tempo.

 

3.   Prefira água fria e use pouco sabão 



Temperaturas elevadas podem favorecer o desbotamento, o encolhimento e alterações nas fibras. Já o excesso de sabão não significa uma limpeza melhor e ainda pode deixar resíduos no tecido.

 

4.   Feche zíperes e botões antes de lavar  



Além de ajudar a preservar o formato da peça, esse cuidado reduz o risco de que metais e partes rígidas provoquem atrito, puxem fios ou danifiquem outras roupas durante a lavagem.

 

5.   Evite deixar a peça de molho por muito tempo  



A exposição prolongada à água e aos produtos de lavagem pode afetar a cor, o acabamento e a aparência do jeans.


 

6.   Cuidado com a secadora



O calor excessivo pode comprometer fibras, elasticidade e modelagem. Quando possível, prefira a secagem natural.

  

7.   Evite o sol forte direto



A exposição prolongada pode acelerar o desbotamento, principalmente em peças escuras. O ideal é secar em local ventilado e protegido da incidência direta do sol.

 

8.   Não passe a ferro sem necessidade  



O calor intenso pode afetar alguns acabamentos e tecidos com elastano. Se for preciso passar, vale seguir sempre a temperatura indicada na etiqueta.

 

9.   Esqueça soluções milagrosas 



Colocar o jeans no freezer, usar produtos em excesso ou recorrer a truques caseiros não substitui os cuidados adequados de lavagem e conservação.

 

Do guarda-roupa à passarela

A relação com o jeans também estará em evidência no desfile do Talentos Senac Moda na maior semana de moda da América Latina. O projeto estará pela primeira vez no HUB do SPFW, no Pacubra, com as criações desenvolvidas por 20 estudantes do Bacharelado em Design de Moda do Centro Universitário Senac – Santo Amaro. Com o tema ‘CALA’, que na tecelagem remete a abertura formada entre os fios e permite a formação do tecido, e na mitologia e filosofia hindu está relacionada ao tempo, a coleção apresenta diferentes aplicações sobre o uso do jeans e Thais Sauer esteve à frente do processo de desenvolvimento dos looks. A coleção é composta por mais de 40 peças e será apresentada em 3 desfiles distintos entre si: no dia 16, às 19h; e nos dias 17 e 18, às 18h. A cada desfile, o público conhecerá 15 looks que explorarão diferentes possibilidades combinatórias das peças da coleção.  

A força do material também aparece nos números. Segundo dados do IEMI (Instituto de Estudos e Marketing Industrial) e da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), o Brasil produz cerca de 309 milhões de metros lineares de denim por ano. Em 2025, o segmento de jeanswear movimentou R$ 16,5 bilhões em valor de fábrica, com 298 milhões de peças produzidas e 303 milhões consumidas no mercado interno. Denim e brim, juntos, representam 46% de toda a produção de tecidos de algodão no país. 

“Esses números mostram o quanto o jeans está incorporado ao nosso cotidiano e à própria indústria da moda brasileira. É um material de enorme presença comercial, mas também muito rico do ponto de vista criativo, porque permite explorar diferentes estruturas, lavagens, texturas, desgastes e acabamentos. Essa combinação entre familiaridade e possibilidade de transformação ajuda a explicar por que o jeans continua se renovando e ocupando espaço tanto no guarda-roupa quanto nas passarelas”, afirma Thais Sauer, professora de Moda do Senac São Paulo. 

No Talentos Senac Moda, essas possibilidades são levadas ao processo de criação dos estudantes, que exploram o tecido para construir diferentes efeitos, volumes e acabamentos. O desfile, assim, coloca em evidência dois olhares sobre um mesmo material: de um lado, os cuidados necessários para prolongar sua vida útil; de outro, sua capacidade de se transformar e ganhar novas leituras na moda.

 

Talentos Senac Moda é destaque em conferência internacional em Portugal 

Reforçando o compromisso do Senac com a formação e a valorização de novos talentos, no mês de setembro, seis looks da última coleção do Talentos Senac Moda foram apresentados na Conferência Brasileira das Cores, realizada no Porto, Portugal. A participação ampliou a visibilidade da produção autoral dos estudantes e sua conexão com profissionais e o mercado da moda. A iniciativa foi idealizada por Luciana Ulrich, com apoio educacional do Senac São Paulo.


Moda praia não começa no verão: por que pequenas marcas precisam planejar a próxima estação meses antes do consumidor

Modelo Bruna Frutuoso para a marca Rosa Verão

No mercado de moda praia, esperar o calor chegar para começar a preparar a coleção pode significar perder justamente o período de maior procura. Para pequenas marcas, planejamento de estoque, produção e preços deve começar de quatro a seis meses antes da alta temporada, como explica Priscila Amorim Grunwald, administradora e empresária com mais de 10 anos de experiência no desenvolvimento de produtos de vestuário. “Para quem trabalha com moda praia, o verão começa muito antes de o consumidor perceber”, afirma.

A preparação começa pela análise do comportamento do público, das tendências e do histórico de vendas da própria marca. Depois, entram as decisões sobre modelos, cores, estampas e tecidos, seguidas pela modelagem, desenvolvimento da peça piloto, testes de caimento e ajustes. O inverno, inclusive, pode ser uma oportunidade para desenvolver e testar peças, organizar a produção e começar a formar o estoque. Com a demanda mais baixa, também podem surgir promoções ou melhores condições para a compra de tecidos e aviamentos, dependendo do fornecedor.

Segundo a especialista, pular etapas pode custar caro, já que uma peça que funciona no desenho pode não apresentar o mesmo resultado no corpo. “Corrigir uma peça antes da produção é muito mais simples e barato do que descobrir um problema depois que dezenas de unidades já estão prontas”, explica.

Quando o consumidor quer comprar, a marca precisa estar pronta para vender

Modelo Bruna Frutuoso para a marca Rosa Verão

A falta de antecedência tem consequências diretas. “Se a empresa começa a se organizar quando a temperatura sobe, ela está produzindo justamente quando deveria estar vendendo”, alerta Grunwald.

Atrasos na entrega de tecidos, indisponibilidade de fornecedores e uma produção feita às pressas podem resultar em lançamentos incompletos e perda de vendas. Na moda sazonal, algumas semanas podem fazer diferença: perder parte de novembro ou dezembro por problemas na produção significa deixar passar justamente um dos melhores períodos de venda do ano. Além disso, o verão não deve ser tratado como uma única temporada. Black Friday, Natal, Réveillon, férias, alto verão e Carnaval representam diferentes momentos de consumo e podem exigir campanhas, produtos e estratégias específicas.

Para chegar preparada, a marca pode dividir o planejamento em etapas. Cerca de seis meses antes, o foco está na análise do verão anterior, tendências, definição da direção da coleção, fornecedores, modelagens e peças piloto. Três meses antes, tecidos e aviamentos devem estar definidos, assim como custos, preços, quantidades e grade de tamanhos. Nas semanas anteriores à alta temporada, a prioridade passa a ser revisar estoque, preparar canais de venda, organizar campanhas e garantir capacidade de reposição.

Outro desafio está em decidir quanto produzir. “Estoque representa dinheiro investido em produto, e para uma pequena marca errar muito nessa conta pode comprometer o caixa”, afirma Priscila Grunwald. Uma estratégia mais segura, segundo ela, é começar com quantidades controladas, utilizar o histórico de vendas como referência e trabalhar com reposição sempre que a estrutura permitir. Marcas novas, que ainda não possuem histórico, podem produzir quantidades menores para testar a aceitação antes de investir muito dinheiro em um único produto.

As redes sociais adicionaram outro desafio: tendências podem surgir e ganhar força em poucos dias. Isso, porém, não significa alterar toda a coleção a cada novidade. A recomendação é manter uma base planejada e deixar uma parcela menor da produção disponível para testes, novidades e reposições rápidas. “É importante diferenciar tendência de modismo. Nem tudo o que viraliza permanece relevante por tempo suficiente para justificar um grande investimento em estoque”, explica a empresária.

Modelo Bruna Frutuoso para a marca Rosa Verão

Vender muito não significa necessariamente ganhar dinheiro

O planejamento também precisa chegar à formação de preços. Priscila Grunwald alerta que faturamento e lucro são conceitos diferentes e que uma marca pode vender muito durante o verão e, ainda assim, terminar a temporada com dificuldades financeiras. Isso acontece quando a margem está errada, existe excesso de estoque ou o preço não contempla todos os custos. Embalagens, etiquetas, comissões, taxas de cartão, impostos, descontos, trocas, frete subsidiado e despesas operacionais estão entre os gastos que podem ser esquecidos.

Por esse motivo, a especialista recomenda não formar preços apenas com base no concorrente. O valor praticado pelo mercado pode servir de referência, mas a empresa precisa conhecer primeiro seus próprios custos e a margem necessária para continuar funcionando. “Quando produção, estoque e finanças estão organizados, sobra mais espaço para criar, testar ideias e tomar decisões com calma”, conclui.


Cores fortes voltam às ruas: como usar tons vibrantes sem perder a elegância

PIXBAY JULIANA NASCIMENTO
Depois de temporadas dominadas por bege, preto e branco, a primavera-verão abre espaço para produções mais coloridas. Consultora de imagem explica como combinar tonalidades intensas sem abandonar o estilo pessoal


Por muito tempo, montar um guarda-roupa versátil pareceu significar investir quase exclusivamente em preto, branco, bege, marrom e azul-marinho. As cores neutras continuam importantes, mas a temporada primavera-verão 2026/2027 começa a abrir espaço para uma moda mais vibrante, otimista e cheia de personalidade.

O relatório de tendências de cores do Pantone Color Institute para a primavera-verão 2027 apresentou dez tonalidades de destaque e outras cinco consideradas atemporais. A proposta reúne cores lúdicas e intensas com bases mais tradicionais, mostrando que um guarda-roupa funcional não precisa escolher entre neutralidade e cor.

A tendência também apareceu nas passarelas internacionais e nacionais, em vestidos, conjuntos, alfaiataria, estampas, acessórios e sobreposições. Fora dos desfiles, porém, surge uma dúvida bastante comum: como incorporar essas cores à vida real sem deixar o visual exagerado ou distante do próprio estilo?

Para a consultora de imagem e empresária de moda Juliane Nascimento, fundadora da Laleju Store, o primeiro passo é abandonar a ideia de que uma peça colorida necessariamente chama atenção demais.

“Muitas mulheres gostam das cores quando olham a vitrine ou veem outra pessoa usando, mas, no momento de escolher para si, acabam voltando ao preto, ao branco ou ao bege. Nem sempre isso acontece porque elas não gostam de cor. Muitas vezes, falta segurança para imaginar as combinações”, explica.


Uma peça colorida pode ser o ponto de partida

Quem está acostumada aos neutros não precisa transformar todo o guarda-roupa de uma só vez. Uma peça colorida pode ser incorporada a roupas que a mulher já utiliza no cotidiano.

Uma camisa verde pode acompanhar uma calça bege, branca, marrom ou jeans. Uma saia rosa pode ser usada com uma blusa branca, uma camisa azul-clara ou uma peça em tom semelhante. Um blazer colorido pode transformar uma produção formada por camiseta e calça neutras.

“O neutro funciona como uma base segura. A cor entra para dar vida, atualizar a produção e revelar um pouco mais da personalidade daquela mulher. A combinação continua elegante, mas deixa de ser previsível”, afirma Juliane.

Esse recurso também ajuda a integrar uma peça nova ao restante do guarda-roupa. Em vez de procurar roupas que só possam ser usadas juntas, vale observar quantas combinações aquela cor permite com os itens que a pessoa já possui.


Looks monocromáticos não precisam ter uma única tonalidade

Uma das formas mais simples de usar cor é criar uma produção monocromática. Isso não significa que todas as peças precisam ter exatamente o mesmo tom.

É possível combinar rosa-claro com rosa mais fechado, azul-celeste com azul-marinho ou verde suave com verde intenso. A variação de tonalidades cria profundidade e evita que o resultado pareça uniforme demais.

Tecidos e texturas diferentes também ajudam. Uma calça de alfaiataria pode ser combinada com uma camisa fluida da mesma família de cor. Uma saia acetinada pode receber uma blusa de malha ou uma terceira peça estruturada.

Segundo Juliane, a composição monocromática pode até facilitar o uso de tonalidades mais intensas. “Quando as cores pertencem à mesma família, o olhar percebe continuidade. O resultado costuma ser elegante e alonga visualmente a silhueta, mesmo quando a produção não é neutra.”


Cores próximas criam combinações mais suaves

Outra possibilidade é trabalhar com cores análogas, aquelas que aparecem próximas no círculo cromático, como azul e verde, rosa e vermelho ou amarelo e laranja.

Por terem pigmentos em comum, essas tonalidades costumam produzir combinações harmoniosas e menos contrastantes. São boas alternativas para quem deseja ir além dos neutros, mas ainda não se sente confortável com misturas muito marcantes.

Uma camisa azul pode ser usada com uma calça verde. Uma saia rosa pode receber uma blusa avermelhada. Já uma peça amarela pode aparecer ao lado de tons alaranjados ou terrosos.

A proporção também interfere no resultado. Uma das cores pode dominar a produção, enquanto a outra aparece em uma bolsa, em um calçado ou em uma peça menor.


Contrastes podem funcionar sem deixar o look exagerado

As cores complementares ocupam posições opostas no círculo cromático. É o caso de azul e laranja, verde e vermelho, amarelo e roxo. Quando aparecem juntas, criam mais contraste e presença.

Isso não significa que a produção precise usar as duas cores em sua versão mais intensa. Uma delas pode aparecer em tonalidade mais suave, fechada ou terrosa.

Um vestido azul pode receber uma bolsa caramelo ou alaranjada. Uma camisa verde pode ser usada com acessórios em vinho. Uma blusa lilás pode ganhar um ponto amarelo em um brinco, sapato ou bolsa.

“Quando a mulher ainda não está acostumada a misturar cores fortes, o acessório é um ótimo campo de experimentação. Ele cria contraste, mas ocupa uma área menor do look. Aos poucos, ela começa a entender quais combinações fazem sentido para sua imagem”, orienta a consultora.


A estampa já oferece um mapa de combinações

Estampas podem parecer mais difíceis de combinar, mas frequentemente oferecem as respostas dentro da própria composição.

Uma maneira prática de escolher a bolsa, o calçado, a parte de baixo ou a terceira peça é repetir uma das tonalidades presentes no desenho. Não é necessário escolher apenas a cor mais evidente. Recuperar um tom que aparece em menor proporção pode criar uma produção menos óbvia e mais interessante.

Outra possibilidade é usar a estampa ao lado de um neutro que já faça parte do desenho. O fundo branco, preto, bege ou azul-marinho pode orientar os demais elementos da produção.

“Antes de dizer que uma estampa não combina com nada, vale olhar para cada uma das cores presentes nela. Muitas vezes, a própria peça já mostra quatro ou cinco caminhos possíveis”, afirma Juliane.


Coloração pessoal deve orientar, não proibir

A análise de coloração pessoal ajuda a identificar tonalidades que harmonizam com as características naturais da pele, dos olhos e dos cabelos. Entretanto, a cartela não precisa funcionar como uma lista rígida de permissões e proibições.

Uma cor que não esteja entre as mais favoráveis pode ser usada longe do rosto, em calças, saias, bolsas, sapatos e acessórios. Também pode ser equilibrada com maquiagem, brincos, colares ou uma terceira peça em uma tonalidade que valorize mais a pessoa.

A intensidade da cor, a iluminação, o tecido e a combinação com outros elementos também interferem no resultado.

“A cartela existe para ampliar a consciência, não para diminuir o guarda-roupa. Quando a mulher entende quais cores mais a valorizam, ela consegue fazer escolhas melhores. Isso não significa que precise abandonar uma tonalidade de que gosta”, diz Juliane.


Elegância não depende da ausência de cor

O que compromete uma produção não é necessariamente a presença de tonalidades intensas, mas a falta de intenção entre os elementos.

Quando várias cores, estampas, volumes e acessórios disputam atenção ao mesmo tempo, o visual pode perder unidade. A solução não é eliminar a cor, mas definir qual será o ponto principal da composição.

Se a roupa já possui uma tonalidade forte, os acessórios podem ser mais discretos. Se o contraste entre as duas cores é o destaque, modelagens mais limpas ajudam a equilibrar o resultado. Quando a estampa é marcante, uma das cores presentes nela pode orientar o restante da produção.

O caimento e a qualidade do tecido também fazem diferença. Uma peça colorida que veste bem e acompanha o movimento do corpo tende a transmitir mais elegância do que uma roupa neutra com modelagem inadequada.

“Cor não é sinônimo de excesso. Uma produção colorida pode ser sofisticada, profissional, delicada ou moderna. Tudo depende da tonalidade, da proporção e da mensagem que a mulher deseja transmitir”, afirma a empresária.


Antes de escolher, observe sua rotina

Nem toda tendência precisa entrar no guarda-roupa. Antes de escolher uma cor apenas porque ela aparece nas coleções da temporada, é importante considerar o estilo pessoal, os compromissos mais frequentes e as roupas que já fazem parte do armário.

Quem trabalha em ambientes mais formais pode começar com camisas, blazers, bolsas ou acessórios coloridos. Para uma rotina mais casual, vestidos, conjuntos e calças intensas podem ocupar mais espaço. A mesma cor ainda pode assumir propostas diferentes conforme o tecido, a modelagem e os complementos.

Para Juliane, a melhor escolha é aquela que desperta vontade de usar e oferece possibilidades reais de combinação.

“Não adianta escolher uma cor bonita se a mulher não se reconhece usando aquela peça. A roupa precisa conversar com sua personalidade e encontrar espaço em sua vida. Quando isso acontece, a cor deixa de ser uma tendência passageira e passa a fazer parte do estilo.”


Cinco fórmulas para começar a usar mais cores

  1. Combine uma peça colorida com uma base neutra.
  2. Use diferentes tonalidades da mesma família em um look monocromático.
  3. Retire da estampa uma cor para escolher os complementos.
  4. Experimente o contraste primeiro em bolsas, calçados ou acessórios.
  5. Antes de escolher a peça, imagine pelo menos três combinações com roupas que já fazem parte do guarda-roupa.



Juliane Nascimento - consultora de imagem e empresária de moda, fundadora da Laleju Store. Por meio da consultoria e do atendimento na loja, ajuda mulheres a compreenderem o próprio estilo, explorarem novas combinações e escolherem roupas que valorizem sua personalidade, sua rotina e a imagem que desejam transmitir.

Posts mais acessados