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sábado, 17 de outubro de 2026

Falhas no cabelo das crianças não devem ser tratadas como um problema apenas estético

No Mês das Crianças, áreas sem fios, descamação e coceira merecem atenção. Jordânia Nunes orienta o que observar na rotina de cuidados e quando buscar avaliação médica para investigar causas como infecções e diferentes formas de alopecia.

 

Uma falha redonda e lisa no couro cabeludo, daquelas que aparecem de um dia para o outro, costuma ser lida pelos pais como coisa de criança. Nem sempre é, a alopecia areata, doença autoimune que provoca esse tipo de área sem fios, tem prevalência de 0,1% a 0,2% na população, segundo artigo de atualização publicado no BWS Journal, e pode se manifestar já entre os 5 e os 10 anos de idade. Outras causas, como infecções por fungos, também entram na lista e pedem diagnóstico.

Quem acompanha esse tipo de queixa no consultório é a tricologista Jordânia Nunes, formada em Estética e Cosmetologia, pós-graduada em Tricologia e biomédica, com seis anos de atuação na área. Segundo ela, o erro mais comum é esperar. "A família percebe a falha, imagina que seja estresse, uma fase, e vai adiando. Quando a criança chega, às vezes já passaram meses", conta.

O primeiro passo é olhar com atenção, Jordânia explica que o aspecto da área diz muito. "Uma região lisa, sem vermelhidão, tem uma cara. Já uma região com descamação, fios quebrados rente à pele e coceira tem outra, e pode apontar para uma infecção fúngica, que precisa de tratamento específico", afirma. Segundo a especialista, quanto mais cedo a investigação começa, menor a chance de o quadro se estender.

A rotina também conta, tranças muito apertadas, elásticos fortes e penteados que repuxam o couro cabeludo todos os dias podem provocar perda de fios por tração. Há ainda o hábito de arrancar o cabelo sem perceber, comum em fases de ansiedade. "Muitas vezes o problema não está no shampoo. Está no penteado de todo dia ou em algo que a criança está sentindo e não sabe dizer", observa.

Entre os cuidados que ela recomenda estão lavar a cabeça com a frequência adequada para o tipo de fio, secar bem o couro cabeludo e evitar o compartilhamento de pentes, escovas, bonés e toucas. Produtos de alisamento e tinturas, diz, não têm lugar na rotina infantil. "O couro cabeludo da criança é mais sensível, e o que parece inofensivo pode causar irritação importante."

Na hora de decidir quando procurar ajuda, Jordânia é direta, falha que aumenta, descamação que não passa, coceira constante, feridas ou fios que se quebram com facilidade justificam uma consulta com pediatra ou dermatologista. O tricologista ajuda a acompanhar e orientar os cuidados, mas o diagnóstico e a prescrição de medicamentos são papel do médico. "Não é para ninguém fazer teste em casa com receita de internet. Cada causa pede um caminho diferente", alerta.

Existe ainda o lado emocional, que ela diz não perder de vista. Crianças com falhas visíveis tendem a sofrer com comentários na escola e, em alguns casos, passam a esconder a cabeça com bonés e capuzes. "Cabelo mexe com a autoestima desde cedo. Acolher a criança e explicar que existe tratamento já é parte do cuidado", completa.

 

Fonte: Jordânia Nunes — tricologista há seis anos, formada em Estética e Cosmetologia, pós-graduada em Tricologia e formada em Biomedicina.


Pele ressecada após os 40? Entenda o papel dos óleos na rotina de cuidados

Especialista explica as funções dos óleos vegetais e essenciais e apresenta uma combinação que integra seu material sobre pele madura


A pele pode começar a apresentar mais ressecamento, mudanças de textura e sensação de repuxamento com o passar dos anos. Depois dos 40, essas alterações levam muitas pessoas a rever os produtos que usam e a buscar uma rotina mais adequada às novas necessidades. Os óleos vegetais e essenciais podem participar desse cuidado, desde que a escolha considere a função de cada ingrediente e as características da pele.

Para Julio Luchmann, professor e especialista em naturopatia e óleos essenciais, compreender a barreira cutânea é um ponto de partida. Essa camada de proteção ajuda a preservar a água na pele e depende de uma organização de células e lipídios para funcionar bem. Em seus materiais educativos sobre pele madura e cuidados capilares, ele explica a aplicação dos recursos naturais a partir dessa estrutura.

A relação entre mudanças hormonais e ressecamento é destacada pela Academia Americana de Dermatologia. Segundo a entidade, durante a menopausa, a pele perde parte da capacidade de reter água. A recomendação inclui limpeza suave e uso de hidratantes, com atenção à proteção solar. Essas mudanças acontecem em ritmos diferentes, e a idade, isoladamente, não determina uma rotina igual para todas as mulheres.

“Quando falamos de pele madura, precisamos olhar para o conforto e para a capacidade de manter a hidratação. A pessoa pode perceber que o rosto repuxa depois da limpeza ou que produtos antes suficientes já não atendem tão bem. Entender essas mudanças permite escolher melhor o que aplicar. Os óleos podem complementar a rotina, e conhecer a função de cada um ajuda a aproveitar suas características de maneira mais adequada”, explica Julio.

Uma distinção central é a diferença entre óleo vegetal e óleo essencial. Os vegetais, como abacate e jojoba, são utilizados como bases em formulações e podem contribuir para a maciez e a melhora do toque. A jojoba, embora conhecida como óleo, é tecnicamente uma cera líquida. Já os essenciais são concentrados aromáticos extraídos das plantas e entram em pequenas proporções nas preparações.

Essa diferença também ajuda a entender a hidratação. Um ingrediente umectante favorece a retenção de água, enquanto um emoliente suaviza a superfície da pele. Os óleos vegetais atuam principalmente nessa segunda função e, conforme a composição, ajudam a reduzir a perda de água. Por isso, podem integrar uma rotina que já inclua um hidratante adequado.

Nos materiais de Julio, a jojoba aparece como base de uma preparação facial com palmarosa, óleo essencial extraído da planta Cymbopogon martinii. A combinação é apresentada como exemplo de formulação cosmética. Nela, a jojoba contribui para a emoliência, enquanto a palmarosa compõe a fração aromática diluída. A proposta considera a quantidade aplicada e a resposta individual da pele.

“Escolher a base faz parte do cuidado. O óleo vegetal tem características próprias e participa do resultado da preparação, inclusive na textura e na sensação que fica depois da aplicação. Quando explicamos isso, a pessoa entende melhor o que está usando e consegue construir uma rotina com propósito. A constância e a adequação à pele fazem mais sentido do que acumular produtos sem compreender suas funções”, afirma.


Jojoba com palmarosa: preparo e aplicação da mistura facial

No material sobre pele após os 40, Julio apresenta uma combinação de óleo de jojoba com óleo essencial de palmarosa. A jojoba funciona como base da preparação e contribui para a maciez da pele. A palmarosa entra em pequena quantidade, diluída nessa base.

Para preparar, são necessários uma gota de óleo essencial de palmarosa e óleo de jojoba suficiente para completar 10 mL de mistura, além de um frasco de vidro escuro, limpo e completamente seco, com capacidade adequada e tampa.

  1. Coloque uma parte do óleo de jojoba no frasco.
  2. Acrescente uma única gota de óleo essencial de palmarosa.
  3. Complete com jojoba até atingir o volume total de 10 mL, utilizando um medidor graduado. A capacidade indicada no frasco, sozinha, não serve como medida.
  4. Feche e agite suavemente para misturar. Identifique os ingredientes e a data de preparo e mantenha o frasco protegido da luz e do calor.

Essa proporção corresponde a uma concentração estimada de 0,5% de óleo essencial, que pode variar conforme o tamanho da gota. A gota de palmarosa é adicionada ao frasco inteiro, e não a cada aplicação.

Na proposta apresentada por Julio, a mistura integra o cuidado noturno, depois da limpeza suave e do hidratante. O material indica de uma a duas gotas da preparação pronta para peles oleosas, de duas a três para peles mistas e de três a quatro para peles secas, conforme a tolerância individual. A aplicação deve formar uma camada fina, sem necessidade de deixar o rosto com aparência oleosa.

O exemplo é destinado à pele íntegra e deve ser ajustado com orientação profissional. Evite olhos e mucosas e não aplique em áreas com dermatite ativa ou em caso de alergia a fragrâncias. Se houver desconforto, interrompa o uso. A mistura complementa a rotina cosmética, que deve manter o hidratante e a proteção solar durante o dia.

 

O cuidado também passa pelo couro cabeludo

A mesma atenção à pele aparece no material de tricologia de Julio. O couro cabeludo tem barreira de proteção e necessidades próprias, enquanto o comprimento dos fios pode demandar cuidados voltados à maciez e à redução do atrito. Essa diferença orienta tanto a escolha da base vegetal quanto a forma de aplicação.

No conteúdo educativo, o especialista apresenta preparações distintas para o rosto e para o couro cabeludo, incluindo combinações diluídas utilizadas antes da lavagem. O objetivo é explicar que o cuidado com a raiz e com os fios envolve aplicações diferentes. Questões como queda persistente e dermatites exigem avaliação específica para que a rotina seja adequada à causa.

A proposta apresentada por Julio reúne os recursos naturais a hábitos de cuidado diário. Na pele, isso inclui preservar a barreira e manter a proteção solar. Nos cabelos, envolve reconhecer as necessidades do couro cabeludo e dos fios. Conhecer essas diferenças permite escolher produtos com mais critério e acompanhar os resultados ao longo do tempo.

 

Julio Cesar Luchmann - professor, pesquisador, escritor e empreendedor, com atuação em naturopatia, óleos essenciais e saúde intestinal. Graduado em Filosofia e Nutrição, é mestre em Educação pela PUC-PR e reúne especializações em fitoterapia, nutrição clínica e funcional, além de modulação intestinal. Fundador da FitoEssência, desenvolve conteúdos educativos sobre recursos naturais e hábitos de saúde, aproximando temas técnicos do cotidiano por meio de aulas, publicações e canais digitais.


Dia Mundial de Combate ao Bullying: como prevenir agressões?

Pixabay

Educadora parental, Claudia Alaminos, aborda programas internacionais como KiVa e No Bully para ilustrar a necessidade de envolver estudantes, professores e famílias na prevenção 


Celebrado em 20 de outubro, o Dia Mundial de Combate ao Bullying reforça a importância de identificar situações de violência no ambiente escolar. Não basta interromper as agressões, o enfrentamento do problema exige ações contínuas de conscientização, desenvolvimento socioemocional e participação de toda a comunidade.

De acordo com a educadora parental e mestre em Psicologia e Educação, Claudia Alaminos, em seu livro Manual de sobrevivência para pais de adolescentes, entre os programas que ajudam a conter o quadro está o KiVa, criado na Finlândia e adotado em diferentes países europeus. O método direciona parte de suas iniciativas aos estudantes que presenciam episódios de bullying, incentivando-os a não reforçar a prática e a oferecer apoio às vítimas. Para isso, utiliza lições interativas, jogos digitais e treinamentos voltados a alunos e professores.

A especialista também traz o No Bully, desenvolvido nos Estados Unidos, que combina abordagens práticas restaurativas para intermediar conflitos e promover relações mais respeitosas. Parte da solução está em investir na formação de educadores para reconhecer e enfrentar os casos de violência e em atividades que estimulam a inteligência emocional dos alunos.

Edipro

Confira cinco dicas que ajudam a prevenir o bullying:

- Capacite professores e funcionários: prepare a equipe para reconhecer sinais de intimidação, identificar mudanças de comportamento e intervir de maneira adequada diante de situações de violência.

- Envolva os estudantes: promova conversas, dinâmicas e atividades que estimulem o respeito às diferenças e mostrem como agir ao presenciar agressões, sem colocar os alunos em risco.

- Fortaleça a parceria com as famílias: organize palestras, campanhas e encontros para orientar responsáveis sobre sinais de alerta, canais de comunicação e acolhimento a crianças e adolescentes.

- Desenvolva habilidades socioemocionais: trabalhe empatia, autocontrole, comunicação e resolução de conflitos para ajudar os alunos a lidarem com frustrações e diferenças de maneira respeitosa.

- Acompanhe os casos e avalie as ações: estabeleça canais seguros de denúncia, adote medidas para interromper as agressões e monitore os resultados das iniciativas preventivas.

É necessário entender nem todo desentendimento na escola é bullying. Conflitos pontuais são divergências ocasionais entre estudantes, sem desequilíbrio de poder. Já o bullying envolve agressões repetidas, com intimidação ou humilhação, em uma relação na qual quem sofre tem dificuldade para se defender. Essa distinção orienta a intervenção, mas não diminui a gravidade de uma agressão isolada, que também exige atenção e cuidado.

 

Antes e depois das telas: o que mudou na experiência de ser criança

Divulgação
Da infância vivida nas ruas à rotina mediada por smartphones, mudanças na tecnologia também transformaram a maneira de brincar e guardar memórias


Para quem cresceu antes da popularização dos smartphones e das redes sociais, boa parte das experiências das crianças acontecia longe das telas: brincar na rua, combinar encontros pessoalmente, inventar atividades com os amigos e passar o tempo sem uma programação constante de entretenimento. Para as gerações mais novas, a internet faz parte da rotina desde cedo e modificou as maneiras de se relacionarem. 

Essa transformação geracional aparece no livro Minhas Memórias Afetivas, de Luís Augusto de Rezende Pena. Ao narrar seu crescimento em Ouro Branco (MG), nos anos 1980, o autor registra um cotidiano marcado por amizades construídas presencialmente, relações familiares e experiências anteriores às telas. A proposta, porém, vai além da nostalgia: as diferenças entre aquela infância e a atual ajudam a observar como hábitos aparentemente comuns revelam mudanças profundas na vida social. 

A dimensão dessa transformação pode ser observada nos dados mais recentes da pesquisa do Instituto Alana. O estudo mostra que a relação dos adolescentes com a internet não é simplesmente positiva ou negativa: 71% apontaram diversão como um sentimento associado ao ambiente digital, mas 50% disseram passar mais tempo online do que gostariam e 41% afirmaram se sentir mais dependentes do celular. 

Nesse cenário, olhar para as diferenças entre gerações pode ajudar a entender não apenas o que mudou na infância, mas também quais experiências foram substituídas. 


  1. Do brincar na rua ao entretenimento sob demanda

Para aqueles que cresceram antes da internet, o tempo livre precisava ser preenchido com criatividade: uma bicicleta, bola, alguns amigos ou simplesmente o espaço da rua. Não havia um catálogo infinito de filmes, vídeos, jogos e conteúdos esperando para serem acessados a qualquer momento. 

Hoje, a juventude pode escolher instantaneamente entre inúmeras formas de entretenimento. A TIC Kids Online Brasil 2025 mostra a dimensão desse consumo: entre usuários de 9 a 17 anos, vídeos de influenciadores e séries, filmes ou programas online eram acessados por 80% dos entrevistados, enquanto 74% assistiam a tutoriais e 52% acompanhavam vídeos de pessoas jogando videogame. 


  1. Da presença para os laços digitais

Durante boa parte do século passado, a amizade dependia da proximidade física. Era preciso encontrar o colega na escola, bater na porta de casa ou combinar onde e quando se encontrariam.  

A comunicação digital alterou completamente essa dinâmica. Atualmente, a presença de um amigo pode continuar mesmo quando cada um está em sua própria casa, por meio de mensagens, chamadas, grupos e redes sociais. A própria frequência de uso dessas plataformas entre adolescentes mostra como a comunicação digital passou a ocupar uma parte significativa da rotina. 


  1. De inventar a própria brincadeira a escolher um catálogo

Uma diferença importante está também na origem do entretenimento. Antes das plataformas digitais, muitas brincadeiras precisavam ser inventadas pelas próprias crianças.  

Nos dias atuais, boa parte das opções já chega pronta: jogos possuem regras, fases e objetivos definidos; vídeos são recomendados por algoritmos; plataformas oferecem conteúdos personalizados de acordo com aquilo que o usuário já demonstrou interesse em assistir. 


  1. De esperar pelo próximo encontro a estar sempre conectado

A espera era parte natural das relações de quem cresceu sem celulares. Depois de um passeio, era possível passar dias sem saber exatamente o que o amigo estava fazendo, e as novidades eram compartilhadas na próxima conversa. Hoje, acompanhar a rotina de outras pessoas se tornou mais comum. rotineiro. 


  1. De memórias compartilhadas no bairro a experiências registradas nas redes

As lembranças de infância também são atravessadas pela tecnologia. Para quem cresceu nos anos 1980, muitas vivências ficaram associadas a lugares, pessoas e acontecimentos que eram vividos coletivamente: a rua, escola, casa de um amigo ou uma festa. 

As novas gerações contam com outra possibilidade: registrar praticamente tudo. Fotos, vídeos, mensagens e publicações podem acompanhar experiências desde o momento em que acontecem. A memória passa a contar também com um arquivo digital. 

 

Filho sem motivação para estudar? E se a solução estiver no videogame que ele tanto ama?

A diferença entre persistir e desistir pode estar na forma como o desafio é apresentado, afirma especialista

 

Pais, eu sei que você vê seu filho jogando por horas sem parar e sem desistir, mas, quando o assunto são os estudos, ele nem sempre demonstra a mesma persistência, né? Se o seu filho ama videogame, a boa notícia é que dá para você usar as estratégias do videogame a favor do aprendizado dele.

Nos jogos, o objetivo é claro, o jogador recebe indicações sobre seus erros, acompanha a própria evolução e tenta novamente. No aprendizado, esses mesmos mecanismos tornam as dificuldades visíveis, ajudam a reconhecer pequenos avanços e mostram o que precisa ser ajustado no desempenho.

O potencial desses recursos também é investigado pela ciência. Uma meta-análise de 22 estudos experimentais, publicada em 2024 no British Journal of Educational Technology, apontou um efeito moderadamente positivo da gamificação no desempenho dos alunos em testes, embora seus resultados ainda sejam debatidos na literatura. Isso não significa que os jogos substituam o professor, mas que alguns de seus recursos podem funcionar como ferramentas complementares de aprendizagem.

Essa discussão ganha relevância neste período do ano, quando muitos estudantes entram em recuperação ou se preparam para as provas finais. A forma como os jogos apresentam os desafios ajuda a compreender por que alguns jovens se envolvem por horas em atividades difíceis, mas encontram resistência diante dos livros.

“Nos games, o erro raramente é uma sentença final. Ele indica que a estratégia precisa mudar e, em geral, oferece uma nova oportunidade. No estudo, muitos alunos veem a nota e passam direto para a próxima atividade. Sem entender o que aconteceu, uma dificuldade pontual pode ser lida como prova de incapacidade”, afirma Victor Cornetta, especialista em desenvolvimento estudantil e fundador da Kaizen Mentoria.

Um dos principais diferenciais está na percepção do progresso, que nos games é visual e imediata. Nos estudos, como os resultados podem demorar a aparecer, reconhecer pequenas conquistas ao longo do caminho é fundamental. “Se o aluno passa de cinco para oito acertos em determinado tipo de questão ou reduz uma falha recorrente, já há avanço. Tornar isso visível ajuda o estudante a perceber que está evoluindo e dá sentido ao próximo passo”, reforça Cornetta.

Por isso, o foco do reforço escolar deve estar menos no tempo dedicado aos livros e mais na compreensão do que precisa ser corrigido. Uma questão errada pode revelar se o jovem não entendeu o conteúdo, confundiu um conceito ou não soube aplicar o que já sabia.

"Antes de perguntar 'quantas horas preciso estudar?', é preciso perguntar 'o que me fez errar?'. Quando identifica a origem do problema, o estudante consegue escolher uma estratégia mais adequada", explica Cornetta. 

É preciso considerar, no entanto, a realidade dos jovens: jogar sempre será uma atividade mais confortável e divertida do que estudar, e o lazer é a escolha natural para qualquer adolescente. Contudo, adaptar a lógica dos games para o aprendizado facilita essa jornada e, com o tempo, ajuda o aluno a tomar gosto pelo estudo ao perceber sua própria evolução. A lição não é fingir que estudar é tão prazeroso quanto um game, mas aproveitar os mecanismos que tornam o processo mais claro e engajador.

Para pais e responsáveis, isso também muda a conversa durante a recuperação. Em vez de perguntar apenas quanto o filho estudou ou qual foi a nota, vale saber o que ele descobriu sobre a própria dificuldade e qual será o próximo passo. 

"Estudar não é permanecer diante de um livro por certo número de horas. O aluno precisa saber o que quer aprender, perceber onde erra e avaliar se a estratégia está funcionando. Assim, recuperar uma nota vira uma oportunidade de aprender a estudar com mais consciência", conclui. 


Canetas emagrecedoras e óvulos: o que já se sabe sobre os efeitos na fertilidade

Melhora metabólica pode favorecer a fertilidade, mas efeito direto nos óvulos ainda é incerto

 

A popularização das canetas emagrecedoras, como semaglutida e tirzepatida, trouxe uma nova discussão para os consultórios de reprodução assistida. Se a perda de peso e a melhora da saúde metabólica podem favorecer a fertilidade de algumas pacientes, uma pergunta ainda permanece sem resposta: o que acontece com os óvulos?

Os efeitos variam de acordo com o perfil da paciente e a indicação do tratamento. Por isso, é importante separar os possíveis benefícios relacionados à melhora metabólica de um efeito direto sobre a fertilidade. “Para alguns casais, as canetas emagrecedoras podem até favorecer o cenário reprodutivo, já que a perda de peso e o controle metabólico podem favorecer a ovulação nas mulheres e melhorar alguns parâmetros da fertilidade masculina. Mas isso não significa que essas medicações tratem a infertilidade”, explica Daiane Pagliarin, ginecologista especialista em reprodução assistida.

As pesquisas têm se debruçado cada vez mais sobre a relação entre os agonistas do receptor do GLP-1 e a saúde reprodutiva. Embora melhorias no peso e na saúde metabólica possam favorecer a fertilidade e os resultados da fertilização in vitro, os mecanismos por trás desses benefícios ainda não são totalmente compreendidos.

“Sabemos que o peso e a saúde metabólica podem influenciar os resultados reprodutivos, mas há uma oportunidade de aprender mais sobre quais fatores ao longo da jornada da fertilidade podem se beneficiar dos medicamentos à base de GLP-1. Também não está claro se quaisquer benefícios reprodutivos são decorrentes de melhorias na saúde metabólica ou de efeitos diretos dos medicamentos. Será que eles poderiam influenciar a qualidade dos óvulos ou do esperma e, consequentemente, o desenvolvimento embrionário? Será que elas poderiam melhorar o ambiente endometrial para a implantação do embrião? Ou seria uma combinação desses fatores? São necessárias mais pesquisas para compreender como esses medicamentos podem impactar os fatores individuais que contribuem para o sucesso da fertilidade”, afirma o Dr. Dan Nayot, endocrinologista reprodutivo, diretor médico e cofundador da Future Fertility.


O potencial de cada óvulo

Na reprodução assistida, idade e quantidade de óvulos são indicadores importantes, mas não fornecem todas as informações sobre o potencial reprodutivo dos óvulos de uma paciente. Duas pacientes da mesma idade, com um número semelhante de óvulos maduros, ainda podem apresentar resultados reprodutivos muito diferentes. Historicamente, isso também tem dificultado a avaliação objetiva de se as mudanças na saúde da paciente, no uso de medicamentos ou em outros fatores clínicos se refletem na qualidade dos próprios oócitos. Os parâmetros do sêmen, por exemplo, podem ser medidos e acompanhados ao longo do tempo, à medida que as variáveis da paciente mudam. A avaliação objetiva da qualidade dos oócitos tem sido muito mais limitada.

É nesse cenário que atua a Future Fertility, empresa canadense especializada em inteligência artificial aplicada à reprodução assistida. Sua tecnologia analisa imagens de cada óvulo e identifica padrões que não são visíveis a olho nu, gerando informações adicionais sobre seu potencial de desenvolvimento.

A empresa possui duas ferramentas. O VIOLET™ é voltado para pacientes que estão congelando óvulos, e a tecnologia analisa imagens dos óvulos maduros e gera uma avaliação personalizada. Já o MAGENTA™ é utilizado em ciclos de FIV/ICSI e avalia individualmente os óvulos maduros, atribuindo uma pontuação de qualidade correlacionada ao potencial de formação de blastocistos de alta qualidade.

Essas tecnologias ainda não permitem determinar se um medicamento para perda de peso provocou mudanças na qualidade de um óvulo específico. No entanto, podem contribuir para novas pesquisas sobre a relação entre saúde metabólica e fertilidade, oferecendo informações que antes não estavam disponíveis. Isso é importante porque uma melhora na saúde metabólica não significa, necessariamente, uma melhora na qualidade dos óvulos. Com avaliações mais objetivas, os pesquisadores podem investigar se os possíveis benefícios da perda de peso estão relacionados à qualidade dos óvulos, dos espermatozoides ou dos embriões, às condições do útero para receber o embrião ou a uma combinação desses fatores.


Planejamento reprodutivo

Para as mulheres que utilizam esses medicamentos e pretendem congelar seus óvulos ou iniciar uma fertilização in vitro, as decisões sobre quando interromper o tratamento devem ser tomadas em conjunto com a equipe médica responsável pelo tratamento de fertilidade. Isso é importante não apenas no que diz respeito ao planejamento do tratamento, mas também porque a retirada de óvulos geralmente envolve sedação, e os medicamentos à base de GLP-1 podem retardar o esvaziamento gástrico.

“Para quem pretende engravidar, no caso da semaglutida, a orientação é interromper o tratamento pelo menos dois meses antes de uma gravidez planejada, e na tirzepatida, um mês antes. Essas medicações devem ser suspensas antes da gestação e não são indicadas durante a gravidez, porque ainda não existem estudos que garantam sua segurança. Outro ponto de atenção é que a tirzepatida pode interferir na eficácia dos anticoncepcionais orais”, explica Daiane.

Com o avanço das pesquisas sobre os medicamentos à base de GLP-1 e seus possíveis efeitos na saúde reprodutiva, um dos desafios será entender não apenas se a perda de peso está associada a melhores resultados de fertilidade, mas também quais fatores podem explicar essa relação e como essas mudanças podem ser avaliadas.

Para as pacientes, essas questões reforçam a importância de um planejamento reprodutivo individualizado. Idade, peso, saúde metabólica e quantidade de óvulos são fatores que precisam ser considerados em conjunto, enquanto novas tecnologias podem acrescentar informações sobre a qualidade dos óvulos. Nenhum desses indicadores, isoladamente, é suficiente para determinar as chances de uma gravidez.

 

 Future Fertility

 

Aprender a ler e fazer contas muda o cérebro da criança? Entenda o papel dos estímulos na infância

Psicopedagoga explica como leitura, jogos e atividades de raciocínio contribuem para o desenvolvimento de habilidades cognitivas


Aprender a ler e desenvolver o raciocínio matemático envolve muito mais do que memorizar letras, números e operações. Durante a infância, essas aprendizagens mobilizam diferentes habilidades cognitivas, como atenção, linguagem, memória, interpretação, planejamento e resolução de problemas. Um estudo publicado em 2026 acompanhou crianças no início da escolarização e identificou mudanças em regiões cerebrais relacionadas à leitura e à matemática ao longo do processo de aprendizagem.

Segundo Virgínia de Castro, psicopedagoga da Maple Bear Brasília e especialista em Neurociência e Educação, experiências de leitura, jogos e desafios de raciocínio ajudam a fortalecer conexões utilizadas em aprendizagens cada vez mais complexas. Quando essas atividades acontecem também na interação com familiares e outras crianças, podem ampliar o vocabulário, a criatividade, a capacidade de compreender diferentes pontos de vista e as habilidades sociais.

A leitura começa antes mesmo de a criança conseguir ler sozinha. Conversar sobre uma história, perguntar o que aconteceu, relacionar acontecimentos e incentivar a criança a explicar o que entendeu são formas de trabalhar compreensão e interpretação.

“Ler não é apenas decodificar letras e transformar aquilo em som. A criança precisa compreender, fazer relações, identificar informações importantes e construir sentidos a partir do texto. Quando ela conversa sobre uma história e tenta explicar o que aconteceu, já está exercitando a capacidade de resgatar informações e conectar ideias”, explica Virgínia.

Esse contato frequente também ajuda a desenvolver a atenção. Ao acompanhar uma narrativa, a criança precisa selecionar informações, entender relações entre acontecimentos e fazer inferências para compreender o conteúdo.



Raciocínio matemático não se resume a fazer contas

Outro ponto que merece atenção é a forma como a matemática é apresentada na infância. Associar números a quantidades e aprender operações básicas são apenas parte desse processo. Observar padrões, comparar, organizar informações, compreender relações e encontrar estratégias para solucionar problemas também fazem parte do raciocínio matemático.

“O pensamento matemático envolve muito mais do que números e operações. Quando a criança tem contato desde cedo com situações que exigem observação, comparação, reconhecimento de padrões e compreensão de relações, ela constrói uma base que pode ajudá-la a acompanhar conteúdos mais complexos posteriormente”, afirma.



Jogos podem complementar o aprendizado

Jogos de lógica, tabuleiro e estratégia também podem contribuir para o desenvolvimento cognitivo. Dependendo da atividade e da faixa etária, eles trabalham atenção, memória, planejamento, flexibilidade de pensamento e resolução de problemas.

“Os jogos podem ser ferramentas importantes para o desenvolvimento de funções cognitivas e executivas, mas não substituem completamente momentos mais formais de aprendizagem. A repetição e a prática também são necessárias para consolidar determinados conhecimentos. Uma estratégia complementa a outra”, explica.

Para que leitura e jogos façam parte da rotina, a especialista destaca ainda a importância de criar experiências positivas. Ler junto, contar histórias, permitir que a criança escolha um livro ou comemorar pequenas conquistas pode ajudar a associar essas atividades a momentos de prazer e segurança.

“A aprendizagem passa pela emoção. No início, o que torna a leitura prazerosa pode ser o colo, a presença de quem a criança gosta e a interação durante a história. Com o tempo, esse prazer pode ser associado à própria atividade, até que ela consiga encontrar satisfação na leitura de forma autônoma”, afirma Virgínia.



Uso passivo de telas pode ocupar espaço de experiências

A preocupação não está apenas no tempo diante das telas, mas também no que a criança deixa de fazer por causa desse uso. Assistir repetidamente a vídeos ou conteúdos prontos exige uma participação cognitiva diferente daquela necessária para ler, jogar ou solucionar um problema.

“Quando a criança participa de uma leitura ou de um jogo, precisa interpretar, fazer relações, criar estratégias, planejar ações, esperar, lidar com regras e controlar impulsos. Por isso, mais do que pensar apenas em proibir as telas, é preciso observar se o uso passivo está ocupando o espaço de experiências que exigem uma participação mais ativa da criança”, orienta Virgínia.


O professor deveria ser julgado pelos seus resultados? Sobre o mal-estar docente contemporâneo

 Entre a exigência de ensinar divertindo e o cerco da vigilância digital, a educação esvazia a figura do mestre. Qual caminho para o professor nessa encruzilhada?

 

Mestra Silvina

Vesti a memória com meu mandrião balão.
Centrei nas mãos meu vintém de cobre.
Oferta de uma infância pobre, inconsciente, ingênua,
revivida nestas páginas. 

Minha escola primária, fostes meu ponto de partida,
dei voltas ao mundo.
Criei meus mundos...
Minha escola primária. Minha memória reverencia minha velha Mestra.
Nas minhas festivas noites de autógrafos, minhas colunas de jornais
e livros está sempre presente minha escola primária.
Eu era menina do banco das mais atrasadas.
(CORALINA, 2008, p. 124)


Neste poema, de Cora Coralina, vemos o eu lírico fazer desfilar diante de nossos olhos o longo percurso de Aninha, sentada outrora tão pequena no banco das mais atrasadas, no espaço de uma escola velha e pobre, tão pobre, regida pela figura da Mestra Silvina. A despeito da dureza do infortúnio, a menina cresce, torna-se escritora, dá voltas ao mundo, cria mundos e, no deslumbramento festivo de suas noites de autógrafo, quem se impõe em sua lembrança acima de tudo e de todos é a velha mestra, que surge iluminada. Movida por essa memória, a discípula de ontem reverencia a educadora, reconhecendo-se como fruto direto daquele trabalho pedagógico, paciente e iluminador.

Certa vez, questionado sobre a eficácia de seus métodos analíticos, o psicanalista francês Jacques Lacan ponderou que o valor de um analista se mede pelos resultados que produz — sendo, portanto, seus próprios analisandos os seus resultados, muitos dos quais se tornaram colegas de escola do próprio Lacan. Para o professor, a lógica deveria ser exatamente a mesma: sua validade e seus méritos deveriam ser julgados em conformidade com os seus resultados, ou seja, pela aprendizagem de seus próprios alunos. Contudo, a realidade que se impõe hoje está longe de refletir essa premissa, convertendo-se em um dos fatores cruciais que acentuam o profundo mal-estar docente na contemporaneidade.


A felicidade, ao invés da aprendizagem, ou uma aprendizagem feliz

Em um mundo em que a educação é uma mercadoria, o aluno um cliente e o professor é um prestador de serviço, vale a máxima: o cliente sempre tem razão. Além do mais, um cliente satisfeito permanece, fala bem da instituição e a indica para outros clientes em potencial. Essa lógica também se aplica às instituições públicas de ensino, que se debatem contra a evasão. O que, porém, garante a satisfação do cliente? Do ponto de vista do trabalho do professor, não basta que ele seja perito no conteúdo que ensina e que o saiba transmitir bem. Como discute Gilles Lipovetsky, em seu livro A sociedade da sedução, os pais ao enviarem seus filhos para escola buscam, como bem supremo, não é a aprendizagem deles, mas sobretudo que sejam felizes. Assim, o que é posto para os professores é que ensinem as crianças, mas que o façam de um modo que seja divertido, prazeroso, de modo a evitar o tédio, tendo como resultado que aprendam de modo feliz.

Nada mais controverso, tendo em mente a natureza do processo educativo. Sigmund Freud, em seu texto Formulações sobre os dois princípios de funcionamento psíquico, de 1911, já dizia claramente que, quando a educação visa o prazer imediato do estudante, o prazer do processo, e não o prazer resultante de aprender, ela fracassa. Aprender não é fácil — exige trabalho, disciplina, concentração, foco. Exige abrir mão da satisfação imediata do lazer, da diversão, para se conquistar um outro prazer, o do aprendizado do conteúdo ensinado, aquele selecionado pelas instituições de ensino como sendo um legado digno de ser repassado de uma geração para outra. Era a isso que Freud estava se referindo ao dizer que a educação visa à superação do princípio de prazer, substituindo-o pelo princípio de realidade. Como se pode ver, nada mais contraditório quando se pede ao professor que, ao mesmo tempo que ensine e busque a aprendizagem do aluno, também garanta sua satisfação imediata e sua felicidade.


Sorria, professor, você está sendo filmado

Além da exigência paradoxal de ensinar divertindo, o professor contemporâneo vive imerso em um processo constante de autovigilância e controle, nos moldes daquilo que Michel Foucault diagnosticou em sua obra Vigiar e Punir (1975). Hoje, em uma realidade onde a maioria dos alunos possui um smartphone à mão dentro ou fora da sala de aula, uma foto ou um vídeo capturado de forma isolado e fora de contexto pode rapidamente transformar-se em instrumento de reclamação, gerando pequenos ou grandes desgastes à imagem e à integridade do docente. Esse cenário de vigilância panóptica intensifica-se ainda mais em instituições voltadas a bebês e crianças pequenas, cujas salas de aula – muitas delas, é claro - vêm equipadas com câmeras de vídeo que permitem aos responsáveis o acompanhamento integral e em tempo real de cada ato pedagógico.

Em uma sociedade tão plural e diversificada, o professor depara-se, simultaneamente, com a injunção de entreter para ensinar e com o cerco de uma fiscalização instantânea e permanente. Se, por um lado, seria legítimo e necessário que o docente fosse avaliado pelos resultados substantivos de seu trabalho — tendo como parâmetro incontornável a efetiva aprendizagem dos alunos —, por outro, o que se observa é um esvaziamento progressivo da função docente, fator que aprofunda de maneira dramática o mal-estar na profissão. Que essa angústia estrutural, contudo, não sirva para paralisar a prática educativa, mas antes se converta em combustível para a reinvenção criativa daquilo que significa ensinar nos dias de hoje.

  

Francisco Neto Pereira Pinto - psicanalista, escritor e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura – Mestrado e Doutorado - da Universidade Federal do Norte do Tocantins. É autor de Civilização Selvagem ou tigelas de barro espatifadas no chão.


Cirurgias de recuperação rápida ganham espaço no fim do ano

Minilipo e prótese de mama entram no radar de pacientes antes das festas, das férias e da temporada de verão 


A proximidade das festas de fim de ano, das férias e do verão costuma antecipar a procura por procedimentos estéticos que permitem tratar regiões específicas do corpo e conciliam a cirurgia com um período mais curto de recuperação. 

O Brasil realizou 2,35 milhões de cirurgias estéticas no levantamento da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), divulgado em 2025. No país, a lipoaspiração liderou o ranking, com 289,7 mil procedimentos, seguida pelo aumento das mamas, com 232,5 mil. 

Para Alexandre Peruzzo, cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a mudança percebida no consultório é que muitas pacientes não procuram necessariamente uma transformação corporal extensa antes do verão. Parte delas chega com demandas bastante específicas e com uma data no calendário, como uma viagem, férias, Natal ou Réveillon.

“É uma época em que a paciente muitas vezes sabe exatamente o que a incomoda. Pode ser uma gordura localizada no abdome, nos flancos, nos culotes ou nos braços, ou o desejo de colocar uma prótese de mama. Como as festas e as férias estão próximas, o tempo de recuperação também passa a fazer parte da escolha”, afirma Peruzzo.

 

Gordura localizada entra no radar antes do verão

Entre as alternativas para esse perfil está a Minilipolaser, técnica para a retirada de gordura localizada por área. Diferentemente de uma intervenção corporal mais extensa, o procedimento é direcionado à região que concentra a queixa da paciente. Quando apenas uma área é tratada, pode ser realizado com anestesia local e sedação, de acordo com o cirurgião. 

A possibilidade de atuar de maneira localizada faz com que abdome, flancos, culotes e braços estejam entre as regiões que chegam ao consultório nesse período. São áreas que também ficam mais expostas com roupas leves, vestidos, biquínis e outras peças típicas dos meses mais quentes.

“A Minilipolaser é uma forma de lipoaspiração por área, com uma proposta de recuperação mais rápida. É uma alternativa para quem quer retirar aquela gordura localizada que incomoda e poder usar, por exemplo, o vestido branco do Réveillon com mais segurança e confiança”, explica o médico.

A técnica foi desenvolvida com foco em reduzir o impacto da cirurgia sobre o organismo e diminuir o período de afastamento das atividades habituais. 


Prótese de mama também aparece entre as escolhas

Outro procedimento que ganha espaço no planejamento de fim de ano é a colocação de prótese mamária. O aumento das mamas permanece entre as cirurgias estéticas mais realizadas internacionalmente e, segundo Peruzzo, a procura no consultório tende a ser favorecida nessa época pela possibilidade de organizar a recuperação durante férias e recessos.

“A cirurgia de prótese de mama está entre as de recuperação mais rápida dentro da cirurgia plástica. No protocolo que utilizamos, buscamos uma recuperação inicial em cerca de 24 horas, o que desperta bastante interesse no fim do ano porque a paciente quer operar sem abrir mão das festas, das férias e dos planos que já fez para o verão”, aponta.

O período também oferece uma vantagem prática para quem já pretendia realizar a cirurgia: férias profissionais ou acadêmicas podem facilitar a organização dos primeiros dias depois do procedimento. Isso não elimina o acompanhamento médico nem significa liberação imediata para qualquer atividade, mas permite incorporar a recuperação a um intervalo que já faria parte da agenda.

Para Peruzzo, esse movimento ajuda a explicar por que procedimentos com menor impacto sobre a rotina ganham relevância nessa época. “Hoje existe uma paciente que não quer passar semanas afastada da vida para realizar uma cirurgia estética. Ela quer encontrar uma técnica adequada ao que deseja tratar e que permita retornar à rotina de forma mais rápida. No fim do ano, essa preocupação fica ainda mais evidente”, conclui.

A proximidade do verão, no entanto, não deve transformar a cirurgia plástica em uma decisão de última hora. Para Peruzzo, o movimento observado no fim do ano mostra que o calendário passou a fazer parte do planejamento estético, mas indicação, extensão do procedimento e recuperação continuam sendo definidos individualmente. 

“A paciente pode ter uma festa, uma viagem ou as férias como objetivo, mas o planejamento começa entendendo o que realmente precisa ser tratado. Quando conseguimos unir essa expectativa a uma técnica adequada e a uma recuperação mais rápida, ela consegue passar pelo procedimento sem colocar a vida em segundo plano”, finaliza o cirurgião. 

 



Dr. Alexandre Peruzzo - Cremers 26736 /Rqe 34441 - cirurgião plástico em Porto Alegre, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), mentor de médicos em gestão e marketing, proprietário de clínicas de alto padrão e ex-professor da ULBRA, onde atuou por cinco anos. Formado em Medicina em 2001 e em Cirurgia Plástica em 2008, construiu sua trajetória com foco em técnicas minimamente invasivas, recuperação rápida, personalização e integração entre estética, saúde e longevidade. Ao longo da carreira, desenvolveu a Minilipolaser, técnica minimamente invasiva para remoção de gordura localizada, baseada na adaptação do procedimento às necessidades reais de cada paciente. Sua atuação parte da tese de que a cirurgia plástica deve ser uma oportunidade de reaproximação do paciente com a própria saúde, com atenção à preservação do metabolismo, da massa muscular, da rotina e dos hábitos de vida.
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Clínica do Dr. Alexandre Peruzzo
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A importância de conciliar pensamento crítico e uso da tecnologia desde a infância

Uma pesquisa conduzida pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal em parceria com o Datafolha, que ouviu mais de duas mil pessoas em todo o país e integra um panorama divulgado em 2025, mostrou que 78% das crianças de zero a três anos utilizam telas diariamente, proporção que sobe para 94% entre as crianças de quatro a seis anos, com uma média de aproximadamente duas horas diárias de exposição já na faixa de zero a dois anos. 

Diante desse cenário, a discussão sobre o uso consciente da tecnologia precisa considerar o tempo de exposição às telas e a forma como crianças e estudantes aprendem a interpretar informações, fazer escolhas e compreender o papel que os recursos digitais ocupam em suas vidas, especialmente em um contexto no qual o contato com esses dispositivos ocorre cada vez mais cedo. 

A tecnologia pode contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico ao estimular o estudante a investigar, questionar e comparar informações, resolver problemas e produzir conhecimento a partir dos conteúdos com os quais tem contato. Esse processo favorece uma postura ativa diante dos diferentes estímulos presentes nos ambientes digitais e amplia a capacidade de avaliar aquilo que é consumido, compartilhado ou produzido. 

Além disso, o aprendizado envolve, ainda, a compreensão sobre os motivos para utilizar determinado recurso, as informações que ele apresenta, a origem dos conteúdos, os interesses envolvidos em sua produção e as relações que podem ser estabelecidas com a realidade. Essa capacidade de análise ajuda o estudante a reconhecer situações sociais que ferem a dignidade humana e a refletir sobre as consequências de suas escolhas nos ambientes digitais e em outros espaços de convivência.
 

Desenvolvimento do pensamento crítico 

Para contribuir efetivamente com o desenvolvimento do pensamento crítico, a tecnologia precisa estar vinculada a uma intencionalidade pedagógica, com propostas capazes de estimular investigação, reflexão, resolução de problemas e tomada de decisão. A incorporação de telas, aplicativos e outros recursos digitais ao ambiente escolar ganha sentido quando associada a objetivos de aprendizagem claros e a experiências que desafiem os estudantes a analisar situações concretas. 

O ambiente escolar pode criar situações em que os estudantes utilizem diferentes recursos para compreender problemas presentes em seu cotidiano e avaliar possíveis soluções. Projetos relacionados ao consumo de energia, saneamento, qualidade da água, saúde, urbanização, desigualdade e políticas habitacionais, por exemplo, permitem articular conhecimentos de diferentes áreas e refletir sobre as contribuições da ciência e da tecnologia para condições de vida mais dignas, seguras, acessíveis e sustentáveis. 

Essa abordagem aproxima a tecnologia da realidade e favorece o desenvolvimento da capacidade de analisar informações, confrontar perspectivas, estabelecer relações entre diferentes conhecimentos e compreender as consequências sociais das decisões tomadas a partir deles.
 

Responsabilidade e fraternidade digital 

A responsabilidade no uso da tecnologia precisa ser construída com orientação, diálogo, exemplo e oportunidades de escolha, incluindo a definição de acordos claros sobre quando, como e para quais finalidades os dispositivos serão utilizados. Esse processo contribui para que os estudantes compreendam que os ambientes digitais também exigem critérios, limites e responsabilidade sobre as próprias atitudes. 

A formação, por outro lado, deve abordar continuamente temas como privacidade, proteção de dados, direitos autorais, respeito nas interações, cyberbullying, desinformação, exposição de imagens e uso ético da inteligência artificial, questões cada vez mais presentes no cotidiano e que exigem capacidade de avaliar consequências antes de produzir, compartilhar ou reagir a um conteúdo. 

A responsabilidade digital também envolve o reconhecimento da dignidade do outro, expresso no cuidado com aquilo que é produzido e compartilhado, no respeito ao direito à imagem, na verificação de informações antes de sua divulgação e na construção de interações livres de ataques, constrangimentos, discriminação e exclusão. 

Nesse contexto, é possível falar em uma “fraternidade digital”, entendida como uma maneira de conviver nos espaços tecnológicos orientada pelo respeito, pela solidariedade, pela verdade e pela responsabilidade. O ambiente virtual é um espaço de convivência e as atitudes adotadas nele precisam expressar cuidado com o próximo e consciência sobre seus possíveis impactos.
 

Formação desde a primeira infância 

A formação para o uso consciente da tecnologia pode começar antes de a criança utilizar dispositivos de forma autônoma, por meio da construção de hábitos, limites e formas adequadas de convivência com os recursos tecnológicos presentes na família e na sociedade. Esse aprendizado começa nas experiências cotidianas e acompanha o desenvolvimento da criança ao longo das diferentes etapas da infância. 

Na educação infantil, esse trabalho pode ocorrer por meio de histórias, brincadeiras, conversas sobre imagens e regras, reconhecimento de emoções e atividades de lógica e pensamento computacional sem dispositivos. Com o avanço da idade, experiências digitais breves, acompanhadas por adultos e adequadas ao desenvolvimento podem ser incorporadas de maneira gradual, de acordo com objetivos claros e com a capacidade de compreensão de cada faixa etária. 

A Sociedade Brasileira de Pediatria, em atualização publicada em 2026, reforça a recomendação de evitar telas antes dos dois anos e limitar a exposição a até uma hora por dia entre dois e cinco anos, orientação que reforça a importância de combinar critérios de tempo, acompanhamento e mediação por parte dos adultos. 

A educação para o uso consciente também prepara a criança para riscos que se tornam mais complexos com a idade, como publicidade disfarçada, coleta de dados, conteúdos inadequados, desinformação, golpes, comparações sociais e contato com desconhecidos. A abordagem desses temas de forma gradual e adequada a cada faixa etária contribui para desenvolver a autonomia necessária para utilizar a tecnologia com segurança, responsabilidade e conexão com o mundo real.
 

O papel da família 

Neste sentido, pais e responsáveis são os primeiros mediadores da relação da criança com a tecnologia e exercem um papel fundamental ao orientar, acompanhar, estabelecer limites e oferecer exemplos coerentes, já que os hábitos observados dentro de casa influenciam diretamente a maneira como os dispositivos são incorporados ao cotidiano. 

Como a casa é o primeiro espaço de convivência, formação e construção de hábitos, a família pode estabelecer momentos sem dispositivos, especialmente durante as refeições, as conversas, as atividades de lazer e antes de dormir, contribuindo para preservar o diálogo, o vínculo afetivo e a presença nas relações cotidianas. 

O debate sobre tecnologia e educação exige equilíbrio, intencionalidade e acompanhamento, considerando que os recursos digitais fazem parte da vida contemporânea e que seus efeitos dependem das escolhas, das finalidades e da maneira como são incorporados à rotina e à aprendizagem. O domínio tecnológico envolve a capacidade de escolher quando, por que e como utilizar cada recurso, compreender seus impactos e preservar a autonomia para pensar, avaliar e decidir. 

A formação de crianças e jovens para esse cenário envolve conhecimento, responsabilidade e pensamento crítico desde cedo, criando condições para que desenvolvam critérios diante das tecnologias disponíveis e das transformações que ainda surgirão. Essa preparação amplia a capacidade de avaliar impactos, realizar escolhas conscientes e utilizar o conhecimento de forma responsável nas relações com o outro e com a sociedade. 


Emerson Francisco Santos - professor da unidade do Rio de Janeiro da Rede de Colégios Santa Marcelina, Instituição que alia tradição à uma proposta educacional sociointeracionista e alinhada às principais tendências do mercado de educação.

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