Pesquisar no Blog

sábado, 3 de janeiro de 2026

Verão intensifica fogachos e insônia: Dra. Mariana Sadalla alerta que calor agrava sintomas da menopausa e reforça segurança da TRH

Freepik

Ondas de calor podem se tornar insuportáveis com as altas temperaturas, impactando sono e qualidade de vida. Especialista aponta a Terapia Hormonal como o tratamento mais eficaz.

   

Com a chegada do verão e o aumento das temperaturas, mulheres que estão na menopausa enfrentam um agravamento significativo dos sintomas vasomotores, popularmente conhecidos como fogachos ou ondas de calor. O calor externo não apenas intensifica a frequência e a intensidade desses episódios, mas também prejudica a qualidade do sono e o bem-estar geral. 

Para a Dra. Mariana Sadalla, especialista em Ginecologia e Obstetrícia, o cenário sazonal exige atenção e tratamento. "O fogacho é, na verdade, uma falha na termorregulação do corpo, causada pela queda do estrogênio. Quando o ambiente já está quente, o corpo tem mais dificuldade em compensar, e os episódios se tornam mais severos, levando a sudorese excessiva, desconforto e, muitas vezes, insônia crônica," explica.

 

Tratamentos: A TRH, terapia de reposição hormonal 

A Dra. Mariana Sadalla reforça que, apesar dos mitos que ainda circundam o tema, o tratamento mais eficaz e cientificamente comprovado para aliviar os fogachos é a Terapia de Reposição Hormonal (TRH).

"A TRH, quando indicada corretamente, é segura e proporciona um alívio significativo desses sintomas. Recentemente, a própria FDA americana revisou as advertências sobre o estrogênio, confirmando a segurança do tratamento para mulheres saudáveis na janela terapêutica correta," destaca a Dra. Sadalla. "É fundamental que as mulheres procurem um especialista para avaliar a indicação individualizada e não sofram desnecessariamente com o calor do verão e a menopausa."
 

Cuidados para Mitigar os Sintomas no Calor 

Enquanto a TRH atua na causa-raiz, a Dra. Sadalla sugere cuidados práticos que podem ajudar a mitigar o desconforto diário durante o verão:

  • Hidratação: Beber água gelada regularmente pode ajudar a reduzir a temperatura corporal interna rapidamente.
  • Vestuário: Utilizar roupas leves, soltas e feitas de tecidos naturais (como algodão e linho) que permitem a transpiração.
  • Alimentação: Evitar alimentos e bebidas que são gatilhos conhecidos para fogachos, como bebidas alcoólicas, cafeína e comidas muito picantes. No calor, o efeito desses gatilhos é potencializado.
  • Ambiente: Manter o ambiente de sono fresco e ventilado. Utilizar lençóis de tecidos leves.

 

Clínica Andrade & Sadalla



Você tem diabetes ou cuida de alguém com a doença? Veja 7 dicas para lidar com sua saúde mental

Sobrecarga emocional e desafios do tratamento podem contribuir para o desenvolvimento de ansiedade e depressão tanto no paciente como em seus familiares

 

Viver com diabetes, especialmente o tipo 1, exige cuidados constantes e adaptações no dia a dia, o que pode afetar a saúde mental e trazer situações de ansiedade e estresse tanto para os que convivem com a doença, quanto para quem cuida dessas pessoas. O diabetes tipo 1 ocorre quando o sistema imunológico ataca por engano as células do pâncreas que produzem insulina. Sem insulina, a glicose fica do lado de fora das células, sem conseguir entrar e gerar energia. Esse tipo geralmente surge na infância ou adolescência, mas pode aparecer em qualquer idade, e o tratamento envolve obrigatoriamente o uso de insulina para repor a falta absoluta desse hormônio. 

A ansiedade e depressão são as doenças mais comumente desencadeadas pelo convívio com o diabetes. “Um dos maiores impactos na saúde mental é o medo de queda do açúcar no sangue, que pode causar sintomas como tremores, tontura e confusão mental, gerando ansiedade e receio de ter novas crises. Além disso, a pressão sobre o paciente para monitorar a glicose corretamente, aplicar insulina nos horários certos, seguir uma dieta rigorosa, praticar exercícios regularmente e manter seus exames laboratoriais dentro da meta pode gerar angústia e estresse. Por isso, o acompanhamento psicológico é crucial para ajudar a lidar com as emoções e os desafios do diabetes”, explica Dr. Augusto Santomauro Jr, médico endocrinologista do Hospital BP - a Beneficência Portuguesa de São Paulo. 

Veja sete dicas para pacientes e familiares lideram com o diabetes da melhor forma possível:

  1. Pacientes, não se isolem: procurem o apoio de familiares, amigos e profissionais de saúde. Compartilhem seus sentimentos, busquem ajuda quando necessário e participem de grupos de apoio. Conviver com outras pessoas que entendem os desafios ajuda a se sentir acolhido e a trocar experiências;
  2. Façam atividades: pratiquem atividades que promovam o bem-estar emocional e físico e encontrem hobbies para desenvolver. “Pais e responsáveis também precisam cuidar da saúde mental. Lembrando que cuidar de si é fundamental para cuidar do outro. Procurem redes de apoio, tempo para relaxar e ajuda profissional quando necessário. Além disso, busquem atividades prazerosas, façam atividades que gostem juntos, como jogar, ler, passear ao ar livre ou assistir a filmes”, orienta o médico.
  3. Informem-se sobre o diabetes: educação sobre a doença é essencial para enfrentar os diversos obstáculos. Por isso, mantenham-se atualizados sobre as novidades em tratamento e tecnologias para diabetes, participem de programas de educação em diabetes e busquem orientação de profissionais de saúde. Contem com a ajuda de uma equipe multidisciplinar para empoderá-los.
  4. Sejam pacientes consigo mesmo: haverá dias mais desafiadores. Tenha paciência e compaixão consigo mesmo, aprendendo com os erros e seguindo em frente. Celebre suas conquistas. Viver com diabetes exige esforço e disciplina. Reconheça e celebre cada conquista, por menor que seja. Isso ajuda a manter a motivação e a autoestima. Incorpore o diabetes à sua vida e encontre maneiras de lidar com a condição que se encaixem na sua rotina e estilo de vida. Não deixe que o diabetes te impeça de fazer as coisas que você gosta.
  5. Pais e responsáveis, estejam presentes: demonstrem amor, compreensão e apoio incondicional aos seus filhos. Estejam disponíveis para ouví-los sem julgamentos e validem seus sentimentos. Mas, ao mesmo tempo, incentivem a autonomia. À medida que seus filhos crescem, estimulem a independência no autocuidado, orientando-os e permitindo que eles assumam gradualmente a responsabilidade pelo tratamento.
  6. Tenham uma comunicação aberta: mantenham um diálogo aberto e honesto sobre o diabetes. Expliquem a doença e o tratamento de forma clara e adequada à idade da criança ou adolescente. Criem um ambiente de apoio e estimulem a participação dos filhos em atividades sociais e esportivas, promovendo a interação com outras crianças e adolescentes.
  7. Mantenham uma rotina: ela ajuda a organizar o dia a dia e facilita o manejo do diabetes. E não se esquecem de “comemorar” as pequenas vitórias. Reconheçam e celebrem cada conquista no controle do diabetes, reforçando a autoestima e a motivação. Concentrem-se no presente. Não se prendam a pensamentos negativos sobre o futuro. Vivam um dia de cada vez, aproveitando o presente”, recomenda o Santomauro.
     

Lidando com o diabetes

Uma outra forma de lidar bem com a doença é utilizar as redes sociais de forma sábia e coerente, compartilhando experiências, dúvidas e dicas sobre como conviver com a doença. Isso é o que faz a influenciadora Larissa Faleiro de Morais, do @belasceliacas, com 24 anos, que descobriu o diabetes tipo 1 em 2020 e isso causou um grande impacto na sua vida. 

“Ter diabetes tipo 1 já traz automaticamente uma sobrecarga mental, porque diferentemente das pessoas que não têm diabetes, a gente está todos os dias fazendo as atividades, mas sempre tem algo a mais. Eu gosto daquela comparação com o balão azul. É como se todas as atividades que você estivesse fazendo, você está ali tentando equilibrar o seu balão azul, sem deixá-lo cair, sem deixá-lo voar, mas vivendo, estudando, fazendo estágio. Não é fácil, é uma doença crônica, é uma decisão que você tem que tomar todos os dias, de se cuidar todo dia”, relata. 

Atualmente, Larissa utiliza a bomba de insulina da Roche, chamada Accu-chek, que tem trazido benefícios para o seu dia a dia. “Eu gosto de praticar atividades físicas diariamente, faço acrobacias aéreas, então foi uma ótima escolha. Ela é super prática e leve. Tenho dormido mais tranquila e tido bem menos hipoglicemias, além de possibilitar a personalização do meu tratamento. Um dos maiores benefícios foi a questão de não precisar usar a caneta, pois a bomba já faz a aplicação automática. 

Além disso, quando vou sair um pouco da rotina, comer algo diferente como um pão de queijo ou pizza, com a bomba de insulina eu consigo programar aplicações maiores, aplicações de multi-onda. Então, eu posso programar a infusão de insulina para outros períodos, para o período em que essa comida vai estar fazendo efeito, por exemplo. Ela tem me ajudado bastante a lidar e tratar o diabetes”, comemora a influenciadora.


Saiba quais cuidados são necessários com os olhos no verão

Freepik
Contato com água do mar, piscinas e exposição solar podem provocar irritações e infecções oculares durante o período de férias, alerta especialista 

 

Com a chegada do verão e do período de férias, praias e áreas de lazer aquáticas passam a fazer parte da rotina de quem busca descanso e lazer. O aumento das viagens, da exposição ao sol e do contato com água do mar ou de piscinas exige atenção não apenas com a pele, mas também com a saúde dos olhos, que podem sofrer irritações, inflamações e infecções se alguns cuidados básicos não forem adotados. 

De acordo com o Dr. Rodrigo T. Santos, oftalmologista do H.Olhos, Hospital de Olhos da rede Vision One, o contato frequente com água pode causar desconfortos oculares, principalmente quando os olhos ficam expostos por longos períodos. “A água do mar contém sal, areia e micro-organismos que podem provocar ardência, vermelhidão e sensação de ressecamento. Já a água da piscina, em especial quando o tratamento químico não está adequado, pode causar irritação na superfície ocular devido ao cloro e a outros produtos utilizados na manutenção”, explica. 

Segundo o médico, abrir os olhos debaixo d’água é um hábito comum, mas que deve ser evitado. “Essa ligação direta favorece a entrada de agentes irritantes e micro-organismos em contato com a superfície dos olhos, aumentando o risco de inflamações e infecções”, afirma. Ele destaca que crianças costumam ser mais vulneráveis, tanto pela frequência com que entram na água quanto pela dificuldade em relatar desconfortos nos olhos. 

Pessoas que utilizam lentes de contato precisam de atenção redobrada durante as atividades aquáticas. “O uso de lentes de contato no mar ou na piscina aumenta o risco de infecções oculares, pois bactérias e outros micro-organismos podem aderir à lente e permanecer em contato prolongado com o olho, ocasionando infecções oculares graves”, alerta o oftalmologista. A recomendação é sempre utilizar óculos de natação para melhor proteção dos olhos. No caso da necessidade de correção de grau, opte pelas lentes de descarte diário ou faça o tratamento de Ortoceratologia, que é o uso de lentes ao dormir e dispensam uso de correção durante o dia. Ou mesmo, fazer avaliação para cirurgia refrativa, e corrigir a visão com a cirurgia a laser. 

A exposição solar também representa um fator de risco importante para a saúde ocular durante o verão. “A radiação ultravioleta pode causar danos à superfície dos olhos e contribuir para o desenvolvimento de doenças ao longo do tempo. O uso de óculos escuros com proteção contra raios UV é essencial, inclusive na praia e na piscina, já que a radiação se reflete na água e na areia”, orienta o especialista. 

Após o banho de mar ou piscina, alguns cuidados simples ajudam a reduzir o risco de irritações. “Lavar o rosto com água corrente, evitar esfregar os olhos e manter as mãos limpas são medidas importantes para proteger a superfície ocular”, recomenda o médico. Ele ressalta ainda que o compartilhamento de toalhas, óculos de natação ou outros objetos pessoais deve ser evitado. 

Sintomas como vermelhidão persistente, coceira intensa, ardor, sensação de areia nos olhos, lacrimejamento excessivo ou secreção não devem ser ignorados. “Ao surgirem esses sinais, é fundamental procurar um oftalmologista para avaliação adequada. A automedicação pode mascarar sintomas e agravar quadros inflamatórios ou infecciosos”, reforça. 

Para aproveitar o período de férias com mais segurança, o especialista destaca que a prevenção é sempre o melhor caminho. “Com cuidados simples e atenção aos sinais do corpo, é possível curtir praias e piscinas sem comprometer a saúde ocular”, finaliza o Dr. Rodrigo T. Santos, oftalmologista do H.Olhos, Hospital de Olhos da rede Vision One.

 

Quais são os 5 hábitos que podem transformar sua saúde em 2026?

 

Médico e Professor de Medicina explica como pequenas mudanças de rotina trazem impacto real na prevenção de doenças cardiovasculares, que mais matam no Brasil 

 

Com a chegada de 2026, cuidar melhor da saúde se torna uma prioridade para boa parte da população. Para orientar quem deseja iniciar o ano com novos hábitos, o Dr. Jamil Ribeiro Cade, cirurgião cardíaco e professor do curso de Medicina da Faculdade Santa Marcelina, traz dicas exclusivas de prevenção, estilo de vida e saúde emocional. Segundo dados do Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes no Brasil, representando aproximadamente 30% dos óbitos ano. 


A importância do check-up 

Segundo o especialista, o início do ano é um momento ideal para atualizar exames e mapear riscos. De acordo com ele, “o check-up básico, com pressão arterial, glicemia, colesterol e triglicerídeos, deve ser feito por todos os adultos. A partir dos fatores de risco, podemos incluir exames como eletrocardiograma, teste ergométrico ou ecocardiograma”. 

O médico reforça também a importância das vacinas e dos rastreios específicos. “As mulheres devem manter o acompanhamento ginecológico em dia e os homens precisam avaliar a saúde prostática a partir dos 45 ou 50 anos, especialmente quando há histórico de doenças na família.”  


Trocas simples que privilegiam o bem-estar 

Para quem pretende buscar mais energia em 2026, Dr. Cade enfatiza que o segredo está na constância. “Não existe dieta milagrosa. O que funciona é um padrão alimentar saudável, como o modelo mediterrâneo, que prioriza frutas, verduras, grãos integrais, azeite e peixes”, afirma.

Ele reforça que pequenos ajustes podem gerar grandes resultados. “Trocar bebidas açucaradas por água, reduzir o sal e aumentar o consumo de fibras são metas simples que ajudam a prevenir doenças cardiovasculares.” 


Exercícios com segurança 

Para quem está sedentário e quer começar a praticar exercícios, o médico reforça que segurança e prazer devem vir primeiro. “Antes de iniciar, principalmente após os 40 anos, é importante realizar uma avaliação médica. A partir daí, o ideal é começar com 30 minutos de caminhada leve, cinco vezes por semana, e aumentar gradualmente”, explica. 

Ele lembra que o mais importante é escolher atividades que despertem motivação. “O exercício precisa ser prazeroso. É isso que garante a manutenção do hábito ao longo do ano.” 


Sono e saúde emocional são aliados do coração 

O professor destaca que o estresse e o sono inadequado afetam diretamente o sistema cardiovascular. “O estresse crônico aumenta a pressão arterial e incentiva hábitos nocivos. Dormir bem e cuidar da saúde emocional não são apenas recomendações, são necessidades.” 

Sobre práticas simples para começar o ano com equilíbrio, ele indica: “Dormir entre 7 e 8 horas, reduzir o uso de telas à noite, evitar cafeína e adotar técnicas de relaxamento fazem diferença real para o corpo e a mente.” 


Transforme hábitos saudáveis em rotina 

Segundo o Dr. Cade, o indicado não é alterar tudo de uma vez. “As mudanças mais duradouras acontecem quando trabalhamos um hábito por vez. A consistência vale mais do que a intensidade”, afirma. Ele conclui lembrando o valor da prevenção. “Cuidar da saúde é investimento, não sacrifício. Com planejamento e acompanhamento profissional, é completamente possível manter as metas ao longo do ano.” 

  

Faculdade Santa Marcelina

 

Janeiro Branco alerta para sinais da saúde emocional já no início do ano

Especialista destaca impactos da autocobrança, do estresse acumulado e a importância do autocuidado contínuo

 

O Janeiro Branco reforça a importância de olhar para a saúde emocional de forma contínua, para além das resoluções de ano novo. Para o professor de Psicologia e supervisor do Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Inclusão da Faseh, Welder Vicente, os primeiros sinais de negligência emocional costumam ser sutis e acabam sendo naturalizados pela rotina acelerada. A Faseh é integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima. 

Entre os indícios mais comuns estão irritabilidade frequente, baixa tolerância à frustração, alterações persistentes do sono, cansaço constante, desânimo e dificuldade de concentração. “Em alguns casos, o sofrimento emocional se manifesta por meio de sintomas físicos, como dores de cabeça, tensão muscular, problemas gastrointestinais e taquicardia sem causa clínica evidente. O principal sinal de alerta é quando essas dificuldades começam a comprometer o desempenho no trabalho, nos estudos, nas relações e no autocuidado”, explica o professor. 

Segundo o especialista, o início do ano também intensifica a autocobrança. A construção de metas rígidas, aliada à comparação constante nas redes sociais, pode gerar sentimentos de insuficiência, ansiedade e frustração. “Muitas pessoas comparam seus bastidores com o palco editado do outro. Isso afeta a autoestima e aumenta o estresse”, afirma. Ele destaca que metas contribuem para o bem-estar quando são realistas, flexíveis e alinhadas aos valores pessoais e não quando se tornam instrumentos de validação ou competição. 

Outro fator que influencia o equilíbrio emocional nas primeiras semanas do ano é o acúmulo de estresse do período anterior. O corpo não “reinicia” com a virada do calendário e sintomas como fadiga, irritabilidade, ansiedade, alterações do sono e queda da imunidade podem surgir logo em janeiro. Demandas típicas do período, como reorganização financeira e retorno às rotinas, tendem a potencializar esse quadro. 

Para lidar com uma rotina acelerada, Welder Vicente ressalta que o autocuidado precisa ser simples, viável e constante. Priorizar o sono, fazer pausas curtas ao longo do dia, organizar tarefas com expectativas realistas, estabelecer limites, reduzir a exposição excessiva às redes sociais, manter vínculos afetivos saudáveis e praticar atividade física, mesmo em pequenas doses, são estratégias eficazes de proteção à saúde mental. 

O psicólogo também reforça a importância de buscar ajuda profissional quando o sofrimento emocional se torna intenso ou persistente. Prejuízo significativo na rotina, sintomas depressivos ou ansiosos marcantes, uso de álcool ou outras substâncias para lidar com emoções e pensamentos autodestrutivos são sinais que exigem atenção imediata. “Se o custo interno para sustentar o dia a dia está alto demais ou se as estratégias que antes funcionavam deixaram de funcionar, é hora de procurar apoio”, orienta.

  

Faseh

 

Ser ou não ser: eis a questão na era da inteligência artificial


Diante de um mundo complexo e em constante transformação, a inteligência artificial permeia os meandros individuais e coletivos de forma avassaladora e irresistível. As fronteiras do conhecimento humano foram rompidas, amplificando as possibilidades de acesso aos dados em tempo real, interpretação de informações, criação de cenários, avaliação de impactos e subsídios robustos para a tomada de decisão. Tudo isto sob uma dimensão de tempo e escala que superam a viabilidade humana isolada. 

Esta faceta prodigiosa da evolução tecnológica carrega seus efeitos colaterais, que podem ser mitigados. O medo da substituição do homem pela máquina é o primeiro deles, representando uma emoção abarcada por muitos como instinto de defesa ao desconhecido. O antídoto é simples e já absorvido por grande parte da humanidade: ver a inteligência artificial como uma aliada. Ser curioso e aberto ao novo são comportamentos de adaptação no mundo em evolução. 

Outros efeitos colaterais são mais desafiadores. Já preconizava o imperador romano e filósofo Marco Aurélio que "as coisas do mundo são uma conexão discreta de elementos dispostos de forma ordenada e harmoniosa." Este conceito é atemporal e pode ser transferido para a conexão do ser humano com a emblemática evolução da inteligência artificial.  

Neste contexto, a inteligência artificial, recurso valioso para o ser humano, sem a sua ponderação, perde o sentido e não é sustentável no longo prazo. O ser humano, por outro lado, em um mundo marcado pelo excesso de estímulos e escassez de propósito, se distrai facilmente e se distancia do essencial, vivendo na linha tênue que separa o sucesso e a felicidade da ilusão. Porém, quando se empodera deste recurso com sabedoria e ética, fortalecendo as relações humanas, a potência da combinação do humano com o digital é alavancada. 

Adicionalmente, o ser humano ainda tem muito a ensinar às máquinas. Os desafios do passado não são os mesmos do presente ou do futuro, como as questões climáticas e a saúde mental. A predição, uma das grandes habilidades da inteligência artificial, baseia-se em dados históricos para inferir sobre eventos futuros. Isto pode levar à reprodução de vieses e soluções obsoletas ou frágeis para resolver os problemas da humanidade. Assim, novas referências e padrões precisam ser gerados, através do ser humano. 

O sucesso não é um caminho reto e nem uma parada definitiva. Requer reinventar-se, ajustar rotas e aprender a aprender. Ser humano na era digital é uma escolha diária. 

 

Flavia de Assis e Souza - engenheira e pós-graduada em Qualidade e Produtividade (USP), Marketing (ESPM) e Comércio Exterior (FGV), além de autora do livro “Quatorze: Gerações Conectadas”, que aborda o equilíbrio entre progresso e simplicidade 

 

Pedidos de demissão disparam após as festas e colocam saúde emocional no centro da estratégia das empresas

Alta rotatividade no início do ano reforça pressão sobre RHs e leva empresas a mapear riscos emocionais antes da virada do calendário


O início do ano costuma concentrar pedidos de demissão nas empresas. Dados do Global Talent Trends Report, do LinkedIn em parceria com a PwC, indicam que o Brasil lidera o ranking global de turnover voluntário, com 56% dos desligamentos ocorrendo por decisão do próprio trabalhador, acima da média mundial, estimada em cerca de 38%. O movimento se intensifica nas primeiras semanas de janeiro, após o recesso.

Jéssica Palin, psicóloga e advogada especializada em saúde emocional corporativa, explica que o fim de ano funciona como um período de balanço pessoal e profissional. “Janeiro é quando o colaborador toma decisões que vinha adiando. Se há desgaste emocional acumulado, desalinhamento de valores ou sensação de falta de escuta, o pedido de demissão aparece logo no início do ano”, afirma.

O impacto da rotatividade vai além da reposição de vagas. Estudo da Gallup aponta que o custo de substituir um colaborador pode variar de 50% a 200% do salário anual, considerando perdas de produtividade, recrutamento, tempo de adaptação e impacto no clima organizacional. Em mercados com alta rotatividade, como o brasileiro, esse efeito se reflete diretamente nos resultados financeiros.

Pesquisas mostram que o fator emocional tem peso decisivo na permanência dos profissionais. Segundo a Gallup, colaboradores emocionalmente engajados são 59% menos propensos a procurar outro emprego de forma ativa. 

Já entre aqueles que relatam exaustão, conflitos recorrentes ou falta de reconhecimento, a intenção de saída tende a crescer após períodos de pausa, como férias e recessos prolongados.

Diante desse cenário, empresas passaram a adotar estratégias preventivas antes mesmo da virada do calendário, com foco no mapeamento de riscos emocionais. Diagnósticos estruturados têm sido utilizados para identificar sinais de esgotamento, conflitos silenciosos e falhas de liderança que, se ignorados, costumam se transformar em pedidos de desligamento no início do ano.

“O emocional mal gerido custa caro em dinheiro, clima e reputação. Quando a empresa só reage depois que o colaborador pede demissão, o problema já deixou de ser individual e passou a ser estrutural”, diz Palin. Segundo a especialista, a leitura antecipada do clima emocional permite ajustes ainda no fim do ano, reduzindo perdas no primeiro trimestre.

A pressão por mudanças se intensifica com a entrada da Geração Z no mercado de trabalho. Pesquisa global da Deloitte indica que 76% desses profissionais priorizam a saúde mental ao escolher onde trabalhar, e quase metade relata níveis frequentes de ansiedade. Esse perfil tende a reagir mais rapidamente a ambientes emocionalmente desorganizados.

Além do aspecto cultural, o tema ganhou peso regulatório. Em 2024, foi sancionada a Lei nº 14.831, que criou o Certificado de Empresa Promotora da Saúde Mental. No mesmo ano, a Portaria nº 1.419 do Ministério do Trabalho atualizou a NR-1 e incluiu oficialmente os fatores psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.

Para Jéssica Palin, o início do ano se tornou um termômetro da saúde emocional das equipes. “Janeiro revela o que foi negligenciado ao longo do ano anterior. Empresas que conseguem agir antes da ruptura reduzem perdas e preservam talentos. As que ignoram entram em um ciclo contínuo de rotatividade”, conclui.

 



Jéssica Palin Martins - advogada, psicóloga e especialista em saúde mental no ambiente corporativo, graduada em Direito pela Universidade Paulista (UNIP) e em Psicologia pelo Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP), mestre em Direito pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET) e especialista em Intervenção Familiar Sistêmica pela pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, FAMERP . Fundadora da IntegraMente, desenvolveu uma metodologia que combina testes psicológicos validados com planos de ação estratégicos para lideranças e RHs. Sua atuação tem como foco no gerenciamento de riscos ocupacionais deve abranger os riscos que decorrem dos agentes físicos, químicos, biológicos, riscos de acidentes e riscos relacionados aos fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Paralelamente, a Portaria nº 1.419 do Ministério do Trabalho e Emprego, publicada em 27 de agosto de 2024 (DOU de 28 28/08/2024 - Seção 1), que aprova a nova redação do capítulo “1.5 Gerenciamento de Riscos Ocupacionais” e altera o “Anexo I – Termos e definições” da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) que incluiu oficialmente os fatores psicossociais como riscos ocupacionais, reforçando a necessidade de estratégias corporativas de prevenção.
Instagram @jessicapalinmartins e Linkedin



Palin & Martins
palinemartins.com.br



Fontes de pesquisas

LinkedIn
https://www.linkedin.com/talent-solutions/global-talent-trends

PwC
https://www.pwc.com/gx/en/services/people-organisation/workforce-of-the-future.html

Gallup
https://www.gallup.com/workplace

Deloitte
https://www.deloitte.com/global/en/issues/work/genzmillennialsurvey.html


Desafios e oportunidades: Maduros no mercado de trabalho e transições de carreira na maturidade

 

Em um cenário de rápidas transformações no mercado de trabalho, onde novas tecnologias e modelos de negócios estão constantemente moldando o futuro das profissões, a presença dos maduros nas companhias ganha cada vez mais relevância. Para muitos profissionais da minha geração, que passaram décadas construindo uma carreira sólida, a transição ou ingresso em uma nova área pode parecer desafiadora. Mas a verdade é que isso já é uma realidade para diversos profissionais longevos. 

No segundo trimestre de 2024, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) indicaram que o número de profissionais com mais de 60 anos ocupados no Brasil alcançou aproximadamente 8,042 milhões. Em 2012, quando o levantamento começou, eram quase 5,0 milhões. Além disso, o crescimento da economia prateada no país tem levado o mercado a se tornar cada vez mais atento a esse público. Nesse contexto, é fundamental garantir a representatividade dessas pessoas nas empresas, para que possam orientar as marcas de forma estratégica. Paralelamente, muitos profissionais com 50 anos ou mais estão ingressando no setor de empreendedorismo sênior. Seja com consultorias ou mentorias, investindo e apoiando o desenvolvimento de startups ou, usando todo o seu conhecimento adquirido e habilidades em empresas de menor porte.

 

A experiência como vantagem competitiva

Uma das maiores vantagens dos profissionais maduros é a experiência acumulada ao longo dos anos. Como ex-executivo de uma grande seguradora multinacional, fui testemunha de como o conhecimento adquirido ao longo das décadas pode se tornar um ativo de imensurável valor para as empresas. Embora o domínio das tecnologias mais recentes seja essencial, a habilidade de tomar decisões embasadas, com base em uma visão ampla e experiências vividas, é um diferencial que muitos profissionais mais jovens ainda estão em processo de desenvolvimento.

Esse acúmulo de conhecimento e a capacidade de liderar com maturidade e ética são altamente valorizados em diferentes setores. Empresas estão cada vez mais reconhecendo o valor dos profissionais maduros, que podem trazer uma perspectiva de longo prazo para suas estratégias de negócios. A sabedoria adquirida ao longo dos anos não se resume apenas a habilidades técnicas, mas também a uma visão aguçada sobre o comportamento humano e a capacidade de resolução de crises complexas.
 

Desafios e oportunidades na transição

Naturalmente, a transição de uma carreira tradicional para uma nova fase, seja ela de consultoria, empreendedorismo ou de trabalho voluntário, pode apresentar desafios. A adaptação às novas formas de trabalho, como o home office ou o uso de ferramentas digitais, pode ser um obstáculo para alguns. Porém, é importante lembrar que, embora as ferramentas possam ser novas, a forma de liderar, negociar e influenciar pessoas permanece em grande parte a mesma.

Investir em atualização de habilidades técnicas, como o uso de plataformas digitais e redes sociais profissionais, pode ser um passo essencial para continuar relevante no mercado. Além disso, buscar uma mentalidade de aprendizado contínuo é fundamental para se manter competitivo e ágil.

Por outro lado, a maturidade proporciona uma perspectiva mais equilibrada sobre a vida profissional. A transição de carreira na maturidade permite que o profissional se envolva em projetos que talvez não tenha tido tempo ou coragem de assumir antes. Muitos ex-executivos, por exemplo, têm optado por se tornar mentores, assumindo cargos de consultoria ou investindo em startups, contribuindo com sua experiência para ajudar novas gerações de líderes a crescerem de maneira mais sólida e estratégica.
 

A importância do planejamento e autoconhecimento

Não é segredo que a transição de carreira exige planejamento. É necessário refletir sobre o que queremos para o futuro, quais interesses ainda não explorados desejamos seguir e como podemos utilizar nossa rede de contatos para abrir novas portas. O momento da aposentadoria ou da mudança de carreira deve ser visto não como uma pausa, mas como uma oportunidade para redirecionar nossa trajetória profissional.

O autoconhecimento desempenha um papel essencial nesse processo. Perguntar-se o que realmente motiva e o que deseja alcançar a longo prazo pode ser o primeiro passo para construir uma nova etapa profissional mais alinhada com seus valores e interesses. E, muitas vezes, é neste momento que os profissionais maduros descobrem novas paixões ou atividades que antes não imaginavam.
 

Conclusão

Em última análise, a transição de carreira para os maduros é uma oportunidade de reavaliação e reinvenção. Não se trata apenas de continuar trabalhando, mas de trabalhar com um novo propósito, com mais equilíbrio e em áreas que talvez nunca tenhamos considerado antes. Como alguém que já experimentou essa transição, posso afirmar que essa fase da vida é mais uma chance de evolução do que um fim.

A maturidade no mercado de trabalho é uma janela de novas possibilidades, e os profissionais maduros têm tudo o que é necessário para não apenas se adaptarem, mas para prosperarem. É hora de dar espaço para a sabedoria adquirida ao longo dos anos brilhar, transformando a experiência em uma verdadeira força para o futuro.

 

Marcos Eduardo Ferreira - Empreendedor, Investidor Anjo, Especialista em Longevidade e Mercado Securitário. Possui experiência de 32 anos como Executivo na MAPFRE. Nos últimos 15 anos, ocupou o cargo de CEO no Brasil e América do Sul, período em que também viveu como expatriado em Bogotá (2017 a 2020). Após essa trajetória profissional, decidiu embarcar em um período sabático, com o objetivo de reorganizar sua vida familiar e aprimorar seus conhecimentos em temas relacionados à Longevidade.

.

Nunes Marques prorroga prazo para isenção de IR sobre lucros e dividendos

A partir de janeiro de 2026, os dividendos, hoje isentos, terão a incidência de uma alíquota fixa de 10% de Imposto de Renda. O ministro não derrubou a cobrança para empresas do Simples Nacional, como foi pedido pela OAB e outras entidades de classe, como a ACSP

 

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou até 31 de janeiro de 2026 o prazo para que empresas façam a deliberação sobre os lucros e dividendos apurados em 2025 de forma isenta. O período terminaria no dia 31 de dezembro deste ano, de acordo com lei aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A decisão, que precisa ser confirmada pelo plenário do STF, atende parcialmente a um pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que acionaram o Supremo para derrubar a norma aprovada no projeto. A medida faz parte da proposta que isentou a cobrança de Imposto de Renda para pessoas que ganham até R$ 5 mil por mês e estabeleceu uma alíquota mínima para quem recebe acima de R$ 50 mil.

A determinação do ministro não afeta a isenção do Imposto de Renda nem o alcance da cobrança para quem ganha mais de R$ 50 mil. A lei estabelece que, a partir de janeiro de 2026, os dividendos, hoje isentos, terão a incidência de uma alíquota fixa de 10% de Imposto de Renda quando o pagamento em um mês exceder R$ 50 mil por empresa, com tributação na fonte. Isso vale também para investidores não residentes no País.

A lei exigia, porém, que a deliberação de lucros apurados em 2025 fosse feita até 31 de dezembro deste ano para que esses valores ficassem isentos, ainda que fossem distribuídos nos anos seguintes (até 2028). Esse ponto foi questionado por empresas, pois poderia afetar o alcance da isenção para as companhias. Especialistas chamaram atenção para o fato de muitas empresas fecharem sua contabilidade no ano seguinte à apuração dos lucros, já que todas as operações feitas em 2025 precisam ser processadas e registradas até o último dia do ano.

Segundo Nunes Marques, a data limite de 31 de dezembro de 2025 para a aprovação da distribuição adiantou, consideravelmente, a sistemática atualmente vigente para tal finalidade. "Ademais, considerando a recentíssima publicação da norma, tem-se, na prática, a determinação de prazo exíguo para o cumprimento, pelas pessoas jurídicas, de diversos deveres instrumentais indispensáveis para uma adequada - e segura - apuração de resultados e deliberação em assembleia", escreveu o ministro na decisão.


Simples Nacional 

O magistrado decidiu não derrubar a norma e nem derrubar a cobrança para microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional, como foi pedido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por conta dos impactos aos escritórios de advocacia. Segundo Nunes Marques, o equilíbrio das contas públicas e a responsabilidade fiscal "poderiam ficar seriamente prejudicados".

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) também ingressou com mandado de segurança coletivo preventivo na Justiça Federal para garantir o direito de micro e pequenas empresas à isenção do Imposto de Renda sobre a distribuição de lucros e dividendos relativos a resultados apurados até 2025. Segundo o presidente da ACSP, Roberto Mateus Ordine, a atuação da entidade busca proteger quem sustenta a economia. “A lei garante a isenção do Imposto de Renda sobre os dividendos relativos aos resultados apurados até 2025. Não vamos aceitar que prazos exíguos e exigências burocráticas retirem esse direito na prática. O mandado de segurança é uma medida necessária para garantir segurança e previsibilidade aos empreendedores”, afirma.

Para José Constantino de Bastos Júnior, secretário da Comissão de Direito das MPEs da OAB-SP, “a decisão do STF é positiva, pois concede prazo suplementar de 30 dias para apuração e demais providências formais de registro dos resultados apurados, para efeito de manutenção da isenção dos lucros relativos a 2025". Porém, segundo o representante da OAB-SP, é provável que entidades tentem rever a decisão do STF, especialmente no caso da OAB, que teve indeferido o seu pedido de cautelar para suspender a aplicação da Lei 15.270/2025 para as microempresas e empresas de pequeno porte optantes do Simples até o julgamento final da ação. 



Redação DC
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/nunes-marques-prorroga-prazo-para-isencao-de-ir-sobre-lucros-e-dividendos

*com informações do Estadão Conteúdo

 

Longevidade e escolhas urbanas: o recado silencioso do público 60+ ao setor financeiro


Foto Marcelo Camargo – Agência Brasil SP

O público sênior está cada vez mais estratégico, planejado e exigente em suas demandas, e o mercado precisa enxergar atentamente
 

Dados recentes da Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios, divulgada pelo IBGE em 2025, mostram um movimento cada vez mais claro entre a população 60+: a preferência por bairros com infraestrutura de qualidade, mobilidade facilitada e maior presença de áreas verdes. Entre os brasileiros com 70 anos ou mais, 93,3% vivem em vias largas, com melhor circulação, e 36,7% estão em áreas com ao menos cinco árvores, o maior índice entre todas as faixas etárias. 

Esse comportamento vai além de uma simples escolha residencial. Ele aponta para um público sênior mais exigente e consciente e planejado, que prioriza qualidade de vida, autonomia e segurança, e que impacta diretamente o setor financeiro e segurador. 

“A escolha por bairros bem estruturados revela decisões financeiras planejadas e conscientes, que precisam ser compreendidas pelo mercado”, afirma Marcos Eduardo Ferreira, especialista em longevidade e cofundador do Silver Hub, aceleradora voltada ao público sênior. “Esse público não está envelhecendo de forma passiva. Eles estão organizando seus patrimônios, consumindo com consciência e buscando proteção para garantir independência ao longo da vida.” 

Segundo Marcos, essa nova geração 60+ já rompeu com o estigma de desinformação financeira. São consumidores que dominam canais digitais, valorizam o planejamento de longo prazo, desenvolveram a disciplina de poupar e lidaram com as crises financeiras e, portanto, têm plena consciência da importância de proteger seu padrão de vida. E isso exige uma resposta objetiva de bancos, fintechs e seguradoras. 

“Não estamos falando mais de produtos genéricos. Estamos falando de soluções personalizadas para este perfil de consumidor, que envolvem seguros e previdência privada combinados e sob medida para que de forma eficiente cubram as necessidades desta fase da vida e facilitem a sucessão, consultorias patrimoniais e até seguros residenciais que acompanhem a fase da vida em que se busca mais conforto e menos riscos”, explica. 

Para ele, a longevidade impõe desafios também à gestão de riscos e à autonomia financeira. “Quanto mais tempo se vive, mais importante se torna o preparo para enfrentar imprevistos, manter o padrão de vida e assegurar uma velhice ativa, algo que as soluções financeiras precisam acompanhar com urgência”, completa. 

O especialista destaca ainda que as empresas têm uma oportunidade concreta de liderar essa transformação, desde que estejam dispostos a entender profundamente o novo perfil do consumidor maduro e investir em produtos que reflitam sua realidade e aspirações.

 

Marcos Eduardo Ferreira - Empreendedor, Investidor Anjo, Especialista em Longevidade e Mercado Securitário. Possui experiência de 32 anos como Executivo na MAPFRE. Nos últimos 15 anos, ocupou o cargo de CEO no Brasil e América do Sul, período em que também viveu como expatriado em Bogotá (2017 a 2020). Após essa trajetória profissional, decidiu embarcar em um período sabático, com o objetivo de reorganizar sua vida familiar e aprimorar seus conhecimentos em temas relacionados à Longevidade. Durante esse período de pausa, Marcos cursou a 1ª Turma do Programa de Especialização em Mercado de Longevidade da FGV – SP. Além disso, investiu em startups e, cofundou o Homens de Prata, canal no Youtube. Em julho de 2022, lançou a Silver Hub - Aceleradora e Agregadora de Negócios, com foco no apoio ao desenvolvimento de empreendedores e startups que oferecem produtos e serviços para o público 50+. Marcos é um entusiasta do empreendedorismo e um observador ativo dos impactos da longevidade, além de ser um grande incentivador da economia prateada.


Mercado digital movimenta R$ 14 bi, mas negócios fecham cedo — especialista explica como escapar dessa estatística

Fundadora do Grupo Líbertas analisa armadilhas frequentes no mercado digital e aponta caminhos para negócios mais sustentáveis

 

O mercado brasileiro de negócios digitais movimentou mais de R$ 14 bilhões em 2024, segundo a Associação Brasileira de Marketing Digital (ABMD). Apesar do potencial, a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) revela que cerca de metade dos novos negócios fecha antes de completar três anos — cenário que no ambiente online costuma ser ainda mais desafiador, marcado por alta concorrência, mudanças rápidas e pela falta de estratégia consistente. Para Bettina Rudolph, fundadora do Grupo Líbertas e especialista em formação de empreendedoras digitais, boa parte desses fracassos se repete por erros básicos de condução.

“Empreender online não é diferente de empreender no físico: exige estratégia, posicionamento e consistência. Muitas mulheres desistem porque começam de forma desordenada, sem um método claro e sem acreditar no valor do próprio conhecimento”, afirma Bettina. É justamente para evitar esse ciclo que o Grupo Líbertas desenvolveu o ZD (Do Zero ao Digital) — um programa que ensina mulheres a transformar suas habilidades e experiências em produtos digitais estruturados e lucrativos.

A metodologia do programa abrange desde o posicionamento e construção de autoridade até estratégias de venda e lançamento. O objetivo é levar as alunas a faturarem seus primeiros R$ 100 mil em até 12 meses, com muitos casos alcançando esse marco antes do previsto. Um dos exemplos mais marcantes é o da médica Juliane Stall, que, em apenas dois meses de curso, faturou R$ 150 mil — mais do que ganhava em um ano como médica generalista plantonista.

Segundo a executiva, três erros são recorrentes entre iniciantes no digital:


  • Acreditar que não há conhecimento para vender: muitas empreendedoras subestimam suas experiências profissionais e de vida, deixando de enxergar que habilidades adquiridas — seja na área médica, na confeitaria, na advocacia ou em qualquer outro segmento — podem se transformar em produtos digitais de alto valor. Essa insegurança leva à paralisia ou a projetos superficiais, que não comunicam claramente o diferencial da empreendedora.

     
  • Começar por produtos de baixo valor, como e-books baratos, por medo de cobrar mais: ao optar por preços muito baixos para “testar” o mercado, a empreendedora reduz seu potencial de receita e atrai um público menos engajado. Além disso, dificulta validar se o modelo de negócio será realmente sustentável, já que os custos de produção, divulgação e suporte muitas vezes superam o faturamento.

     
  • Aplicar múltiplos métodos ao mesmo tempo: na busca por resultados rápidos, é comum que iniciantes misturem diferentes estratégias, cursos e técnicas sem seguir um plano até o fim. Isso fragmenta o foco, impede a análise real de resultados e atrasa o crescimento do negócio. O ideal, segundo Bettina, é escolher um único método, aplicar de forma consistente e ajustar apenas após avaliar os resultados. “Quando você escolhe uma estratégia, se aprofunda e executa até o fim, os resultados tendem a aparecer. O problema é que grande parte desiste no meio do processo”, explica.

Para Bettina, transformar conhecimento em um negócio digital lucrativo exige disciplina e foco. “Não existe fórmula mágica, mas existe método e ele começa quando você decide parar de pular de estratégia em estratégia”, reforça. Ela explica que, ao seguir um único caminho de forma consistente e manter uma comunicação genuína com a audiência, o empreendedor valida ideias com mais rapidez, evita desperdícios e constrói uma base sólida de clientes fiéis, em vez de se perder em tentativas aleatórias que dificilmente dão resultado.

 

Posts mais acessados