Temperaturas elevadas aumentam casos de desidratação e agravamento de doenças cardíacas e respiratórias em cães e gatos
As altas temperaturas típicas do verão acendem um alerta
importante para a saúde dos pets. Diferente do desconforto passageiro sentido
pelos humanos, o calor intenso pode representar um risco real para cães e
gatos, favorecendo quadros de hipertermia (golpe de calor), desidratação e
descompensação de doenças cardíacas, respiratórias e metabólicas.
Em um país com mais de 149 milhões de pets, o impacto de condições
climáticas se torna ainda mais relevante, sobretudo em ambientes pouco
ventilados e com grande concentração de concreto.
De acordo com a WeVets, maior grupo de saúde veterinária do
Brasil, os atendimentos de urgência costumam aumentar significativamente
durante o verão, especialmente por quadros relacionados ao superaquecimento do
organismo. “Diferente dos humanos, cães e gatos não suam para regular a
temperatura corporal. A temperatura corporal normal de cães e gatos varia, em
média, entre 38 °C e 39 °C. Quando a temperatura externa se aproxima ou
ultrapassa esses valores, os mecanismos naturais de resfriamento deixam de
funcionar adequadamente, e o organismo do pet não consegue mais dissipar o
calor, favorecendo a instalação da hipertermia, também conhecido como golpe de
calor”, explica a médica-veterinária e líder de
unidade na WeVets, Letícia Bevilacqua.
Essa limitação fisiológica faz com que a hipertermia possa se
instalar de forma rápida e silenciosa. Em poucos minutos, o aumento excessivo
da temperatura corporal pode levar a alterações neurológicas, falência de
órgãos e quadros graves que exigem intervenção imediata. Por isso, trata-se de
uma emergência tempo-dependente, na qual cada minuto faz
diferença para o prognóstico.
O risco não se restringe a pets com doenças pré-existentes.
Filhotes, pets idosos, raças braquicefálicas, como buldogues, pugs e shih-tzus,
e até animais aparentemente saudáveis podem evoluir rapidamente para exaustão
térmica, especialmente quando expostos a gatilhos comuns do dia a dia, como
passeios em horários inadequados, ambientes pouco ventilados ou situações de
estresse.
Outro ponto de atenção no verão envolve procedimentos de rotina.
“Durante períodos de calor, atividades como banho e tosa também exigem cuidado
redobrado. Ambientes sem climatização adequada, uso prolongado de secadores e o
próprio estresse da manipulação podem aumentar significativamente o risco de
hipertermia, principalmente em pets mais sensíveis”, alerta.
O estresse, aliás, é um fator frequentemente subestimado.
Situações de ansiedade, contenção física ou agitação emocional aumentam a
produção de calor pelo organismo e podem acelerar a instalação do quadro, mesmo
sem exercício intenso.
Entre os principais cuidados recomendados pelos especialistas da
WeVets durante ondas de calor estão:
- Manter água fresca e limpa disponível o tempo todo, estimulando a hidratação ao longo do dia;
- Evitar passeios entre 10h e 17h, quando o asfalto pode atingir temperaturas capazes de
causar queimaduras nas patas;
- Redobrar a atenção com raças braquicefálicas, como buldogues, pugs e shih-tzus, que têm maior dificuldade
respiratória;
- Nunca deixar pets em carros fechados, mesmo por curtos períodos;
- Ajustar rotina, alimentação e atividades físicas conforme a
orientação da médica-veterinária.
“Em muitos casos, o tutor percebe uma melhora inicial após o
resfriamento do pet, mas isso não significa que o risco passou. Algumas
complicações podem surgir horas ou até dias depois, como alterações renais,
hepáticas e de coagulação, o que faz com que diversos quadros exijam
monitorização hospitalar”, reforça.
Nos casos mais graves, o tratamento pode demandar internação,
suporte intensivo e acompanhamento contínuo em UTI veterinária.
Sinais como respiração ofegante excessiva, prostração, gengivas muito
vermelhas, vômitos ou desorientação indicam a necessidade de procurar
atendimento veterinário imediato.
A WeVets reforça que a prevenção,
aliada à informação e ao acompanhamento contínuo, é a principal estratégia para
atravessar o verão com mais segurança e proteger a saúde dos pets.

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