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domingo, 18 de janeiro de 2026

Verão eleva risco de hipertermia e internações de pets

Temperaturas elevadas aumentam casos de desidratação e agravamento de doenças cardíacas e respiratórias em cães e gatos


As altas temperaturas típicas do verão acendem um alerta importante para a saúde dos pets. Diferente do desconforto passageiro sentido pelos humanos, o calor intenso pode representar um risco real para cães e gatos, favorecendo quadros de hipertermia (golpe de calor), desidratação e descompensação de doenças cardíacas, respiratórias e metabólicas. 

Em um país com mais de 149 milhões de pets, o impacto de condições climáticas se torna ainda mais relevante, sobretudo em ambientes pouco ventilados e com grande concentração de concreto. 

De acordo com a WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, os atendimentos de urgência costumam aumentar significativamente durante o verão, especialmente por quadros relacionados ao superaquecimento do organismo. “Diferente dos humanos, cães e gatos não suam para regular a temperatura corporal. A temperatura corporal normal de cães e gatos varia, em média, entre 38 °C e 39 °C. Quando a temperatura externa se aproxima ou ultrapassa esses valores, os mecanismos naturais de resfriamento deixam de funcionar adequadamente, e o organismo do pet não consegue mais dissipar o calor, favorecendo a instalação da hipertermia, também conhecido como golpe de calor”, explica a médica-veterinária e líder de unidade na WeVets, Letícia Bevilacqua. 

Essa limitação fisiológica faz com que a hipertermia possa se instalar de forma rápida e silenciosa. Em poucos minutos, o aumento excessivo da temperatura corporal pode levar a alterações neurológicas, falência de órgãos e quadros graves que exigem intervenção imediata. Por isso, trata-se de uma emergência tempo-dependente, na qual cada minuto faz diferença para o prognóstico. 

O risco não se restringe a pets com doenças pré-existentes. Filhotes, pets idosos, raças braquicefálicas, como buldogues, pugs e shih-tzus, e até animais aparentemente saudáveis podem evoluir rapidamente para exaustão térmica, especialmente quando expostos a gatilhos comuns do dia a dia, como passeios em horários inadequados, ambientes pouco ventilados ou situações de estresse. 

Outro ponto de atenção no verão envolve procedimentos de rotina. “Durante períodos de calor, atividades como banho e tosa também exigem cuidado redobrado. Ambientes sem climatização adequada, uso prolongado de secadores e o próprio estresse da manipulação podem aumentar significativamente o risco de hipertermia, principalmente em pets mais sensíveis”, alerta. 

O estresse, aliás, é um fator frequentemente subestimado. Situações de ansiedade, contenção física ou agitação emocional aumentam a produção de calor pelo organismo e podem acelerar a instalação do quadro, mesmo sem exercício intenso. 

Entre os principais cuidados recomendados pelos especialistas da WeVets durante ondas de calor estão:

  • Manter água fresca e limpa disponível o tempo todo, estimulando a hidratação ao longo do dia;
  • Evitar passeios entre 10h e 17h, quando o asfalto pode atingir temperaturas capazes de causar queimaduras nas patas;
  • Redobrar a atenção com raças braquicefálicas, como buldogues, pugs e shih-tzus, que têm maior dificuldade respiratória;
  • Nunca deixar pets em carros fechados, mesmo por curtos períodos;
  • Ajustar rotina, alimentação e atividades físicas conforme a orientação da médica-veterinária.

“Em muitos casos, o tutor percebe uma melhora inicial após o resfriamento do pet, mas isso não significa que o risco passou. Algumas complicações podem surgir horas ou até dias depois, como alterações renais, hepáticas e de coagulação, o que faz com que diversos quadros exijam monitorização hospitalar”, reforça. 

Nos casos mais graves, o tratamento pode demandar internação, suporte intensivo e acompanhamento contínuo em UTI veterinária. Sinais como respiração ofegante excessiva, prostração, gengivas muito vermelhas, vômitos ou desorientação indicam a necessidade de procurar atendimento veterinário imediato. 

A WeVets reforça que a prevenção, aliada à informação e ao acompanhamento contínuo, é a principal estratégia para atravessar o verão com mais segurança e proteger a saúde dos pets.


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