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| Sebastien Florens Arquivo pessoa |
Como cães são preparados para detectar explosivos com precisão e controle absoluto
Em países que lidam diariamente com grandes
eventos, transporte de massa e alta circulação de pessoas, o trabalho de
prevenção começa muito antes de qualquer emergência. Um dos pilares desse
sistema é o treinamento de cães de detecção de explosivos, uma atividade que
exige método rigoroso, validação constante e controle emocional extremo, tanto
do animal quanto do condutor.
A eficácia desse tipo de atuação é reconhecida por
padrões técnicos internacionais. De acordo com protocolos de certificação
utilizados por órgãos científicos e de segurança nos Estados Unidos e na
Europa, equipes formadas por cão e condutor precisam demonstrar taxas de acerto
superiores a 90% em exercícios padronizados, com baixa incidência de falsos
alertas, para serem consideradas aptas a operar profissionalmente. Esses
critérios são adotados por instâncias como a Organization of Scientific Area Committees for
Forensic Science e refletem o nível de exigência aplicado a
operações de alto risco.
Diferente da imagem popular do cão que reage de
forma instintiva ao encontrar algo suspeito, o treinamento voltado para
explosivos segue uma lógica oposta. O objetivo não é provocar resposta, mas
silêncio. O cão aprende a identificar o odor específico e a marcar de forma
passiva, sem tocar, arranhar ou latir. Em vez de excitação, o que se busca é
precisão, em vez de impulso, estabilidade.
“Um cão de explosivos não pode reagir como em
outras especialidades. Ele precisa identificar e parar. O controle é parte do
treinamento desde o primeiro dia, porque qualquer movimento errado pode
representar risco”, explica Sebastien Florens, especialista internacional em
detecção de explosivos com cães, com atuação em operações de alta complexidade
na Europa.
O processo começa na seleção do perfil do animal e
avança por etapas de associação, repetição e ambientação. Cada exercício é
reproduzido em contextos diferentes até que o comportamento se mantenha
consistente, mesmo em ambientes com ruído, fluxo intenso de pessoas e estímulos
variados.
O treinamento funciona como um jogo técnico, com
regras claras e reforço positivo, mas sem margem para improviso. “O que parece
instinto, na verdade, é método. O cão aprende a reconhecer um odor específico e
a responder sempre da mesma forma, independentemente do local. Não existe
espaço para improvisação nesse tipo de trabalho”, afirma Sebastien.
Na detecção de explosivos, a especialização é
decisiva. Embora seja possível formar cães para múltiplas funções, misturar
finalidades compromete a precisão. Quanto mais específico o treinamento, mais
confiável tende a ser a resposta do animal em campo. Estudos científicos
publicados em periódicos internacionais de medicina veterinária e comportamento
animal indicam que a consistência da resposta está diretamente ligada à
repetição controlada e à validação contínua do treinamento.
“Explosivo exige uma abordagem própria. O
comportamento esperado é diferente, o tempo de resposta é diferente e o nível
de controle também. Por isso, quanto mais específico o treinamento, mais seguro
ele se torna”, diz o especialista.
Outro ponto central é a validação contínua. Em
equipes privadas homologadas na Europa, cães e condutores passam por testes
periódicos diante de avaliadores independentes. Não basta um histórico
positivo. É preciso comprovar, repetidamente, que o animal segue apto a operar.
“O cão é testado constantemente, se ele falhar, não trabalha. A exigência é
alta porque a responsabilidade também é. Quem é avaliado não é só o
profissional, mas a dupla como um todo”, explica Sebastien.
Essa lógica ajuda a entender por que o sucesso desse trabalho raramente é visível. Quando a prevenção funciona, não há alarme, não há interrupção e não há notícia. O metrô segue operando, o evento acontece, a cidade continua em movimento. O risco foi neutralizado antes de se tornar um problema público. “Quando tudo funciona, ninguém percebe. E esse é o sinal de que o trabalho foi bem feito”, conclui o especialista.
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