Diante de
um mundo complexo e em constante transformação, a inteligência
artificial permeia os meandros individuais e coletivos de forma avassaladora e
irresistível. As fronteiras do conhecimento humano foram rompidas, amplificando
as possibilidades de acesso aos dados em tempo real, interpretação de
informações, criação de cenários, avaliação de impactos e subsídios robustos
para a tomada de decisão. Tudo isto sob uma dimensão de tempo e escala que
superam a viabilidade humana isolada.
Esta faceta
prodigiosa da evolução tecnológica carrega seus efeitos colaterais, que podem
ser mitigados. O medo da substituição do homem pela máquina é o primeiro deles,
representando uma emoção abarcada por muitos como instinto de defesa ao
desconhecido. O antídoto é simples e já absorvido por grande parte da
humanidade: ver a inteligência artificial como uma aliada. Ser curioso e aberto
ao novo são comportamentos de adaptação no mundo em evolução.
Outros
efeitos colaterais são mais desafiadores. Já preconizava o imperador romano
e filósofo Marco Aurélio que "as coisas do mundo são uma conexão
discreta de elementos dispostos de forma ordenada e harmoniosa." Este
conceito é atemporal e pode ser transferido para a conexão do ser humano com a
emblemática evolução da inteligência artificial.
Neste
contexto, a inteligência artificial, recurso valioso para o ser humano, sem a
sua ponderação, perde o sentido e não é sustentável no longo prazo. O ser
humano, por outro lado, em um mundo marcado pelo excesso de estímulos e
escassez de propósito, se distrai facilmente e se distancia do essencial,
vivendo na linha tênue que separa o sucesso e a felicidade da ilusão. Porém,
quando se empodera deste recurso com sabedoria e ética, fortalecendo as
relações humanas, a potência da combinação do humano com o digital é
alavancada.
Adicionalmente,
o ser humano ainda tem muito a ensinar às máquinas. Os desafios do passado não
são os mesmos do presente ou do futuro, como as questões climáticas e a saúde
mental. A predição, uma das grandes habilidades da inteligência artificial,
baseia-se em dados históricos para inferir sobre eventos futuros. Isto
pode levar à reprodução de vieses e soluções obsoletas ou frágeis para resolver
os problemas da humanidade. Assim, novas referências e padrões precisam ser
gerados, através do ser humano.
O sucesso
não é um caminho reto e nem uma parada definitiva. Requer reinventar-se,
ajustar rotas e aprender a aprender. Ser humano na era digital é uma escolha
diária.
Flavia
de Assis e Souza - engenheira e pós-graduada em Qualidade e Produtividade
(USP), Marketing (ESPM) e Comércio Exterior (FGV), além de autora do livro
“Quatorze: Gerações Conectadas”, que aborda o equilíbrio entre progresso e
simplicidade
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