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| Pesquisadores desenvolvendo o projeto |
Um estudo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Pesca
(IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo,
na linha de fomento do Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD), no
âmbito do Núcleo de Pesquisa Pescado para Saúde, e em parceria com
universidades brasileiras e internacionais, analisou as características
genéticas e fenotípicas da tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus). A
pesquisa avaliou populações da espécie em diferentes regiões do Brasil.
O estudo resultou na criação do primeiro banco de germoplasma
amplo, com exemplares de tilápia-do-nilo de todo o território nacional,
estrutura que funciona como um “arquivo vivo” de material genético, reunindo e
preservando diferentes linhagens da espécie para garantir a diversidade
genética, apoiar pesquisas científicas e subsidiar programas de melhoramento
genético na aquicultura.
Publicada na revista científica Critical Insights in Aquaculture, a pesquisa avaliou nove populações de tilápia provenientes de cinco estados brasileiros: São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Ceará, representando estoques comerciais, populações cultivadas e grupos de origens distintas. A tilápia é hoje o peixe mais produzido no país e a principal espécie da aquicultura brasileira.
Avanços da pesquisa
De acordo com o estudo, essa variabilidade genética representa
tanto um alerta quanto uma oportunidade. Por um lado, os pesquisadores
identificaram níveis preocupantes de endogamia, quando há cruzamentos entre
indivíduos geneticamente muito próximos, em algumas populações, especialmente
em linhagens mais antigas, o que pode comprometer o desempenho produtivo ao
longo do tempo. Por outro, a diversidade genética encontrada permite a formação
de populações-base para programas de melhoramento genético direcionados às
condições ambientais de cada região do país.
A partir desse mapeamento, foi estruturado um banco de germoplasma
mantido in situ, ou seja, com os peixes conservados no próprio local de
criação, na Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento do Pescado
Continental (DAPDPC) do IP, em São José do Rio Preto (SP). O banco reúne
material genético cuidadosamente caracterizado e preservado, garantindo a
conservação da diversidade da espécie e oferecendo suporte para pesquisas
futuras.
Segundo os autores, o banco de germoplasma poderá ser utilizado
para o desenvolvimento de linhagens mais adaptadas a diferentes realidades
produtivas, como peixes mais tolerantes ao frio no Sul, ao calor e à salinidade
no Nordeste, ou com maior rendimento de filé. Essas estratégias contribuem para
o aumento da produtividade, a redução de custos para os produtores, o
fortalecimento da segurança alimentar e a sustentabilidade da aquicultura.
Segundo o pesquisador do IP e um dos responsáveis pelo estudo,
Fernando Stopato da Fonseca, “o banco de germoplasma funciona como um
verdadeiro seguro genético da tilápia no Brasil. Ele garante a preservação de
linhagens importantes, apoia pesquisas futuras e contribui diretamente para a
sustentabilidade da aquicultura, ao permitir ganhos produtivos com menor
impacto ambiental e maior segurança para os produtores”.
Andressa Claudino
Instituto de PescaO Instituto de Pesca é uma instituição de pesquisa científica e tecnológica, vinculada à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que tem a missão de promover soluções científicas, tecnológicas e inovadora para o desenvolvimento sustentável da cadeia de valor da Pesca e da Aquicultura.


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